November 30, 2004

Quentinho

Meninos, eu vi! Está fazendo zero grau aqui em Umeå! Neve fininha. Fui tomar um café na universidade com uma amiga, peguei o ônibus, fiz compras na cidade, me segurei pra comprar um gorro vermelho liiiiiindo (mas caro), voltei pra casa e agora estou aqui, cansada mais feliz. Até suei! Hohoho. Daqui a pouco Maria, colega de curso, chega aqui em casa para darmos os retoques finais nos nossos trabalhos/provas do curso de psi, que entregaremos amanhã. E o melhor disso tudo é que novembro a-ca-bou! :c)))

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 13:16

November 28, 2004

Primeiro advento

Acordei tarde hoje (9h), tomei café da manhã escutando rádio, voltei pra cama pra ler jornal e só me levantei às 11h, quando fui tomar um banho. Voltei pra cama e fui ler “Eva Luna”, da Isabel Allende. Eu simplesmente não consigo parar de ler. A Isabel Allende é, pra mim, a versão chilena da Sherazade, das “Mil e uma noites”. Fico tão envolvida que nem quero fazer mais nada (já escrevi sobre ela aqui). Ao meio dia me forcei a ir ao supermercado porque não tenho nada na geladeira. Mas não consegui comprar nada. Andei pelo supermercado de um lado pro outro e não consegui gostar de comer nada. Então comprei um chocolate, Pepsi light e fio dental. Ah, tá nevando. :c)

1advent.gif

E hoje é o primeiro advento, ou seja o primeiro dia do ano eclesiástico da igreja sueca. Os adventos são comemorados nos quatro domingos que antecedem ao Natal. A palavra advento, advent em sueco, vem do latim adventus e quer dizer espera ou chegada (depende da interpretação). Nesse domingo as igrejas daqui costumam ficar cheias, as missas são bonitas, com coral e tal. Eu não vou à igreja aqui (aliás, nem aqui nem em lugar algum), mas acho bacana essas tradições que incluem velas, orações, quietude, esperança. A cada domingo até o Natal acende-se uma vela, como na imagem aí de cima. Essa não é a primeira vez que falo disso aqui no Montanha, e nem será a última, se depender da minha memória de sardinha. Skål! :c)

Filed under: Europa & Escandinávia,Vidinha — Maria Fabriani @ 13:51

November 27, 2004

A Suécia em números

sverige_karta.gifA pedidos, vou fazer aqui uma pequena fichinha de informações sobre a Suécia, junto com o mapa ao lado. A Suécia é uma monarquia parlamentarista. O rei é o chefe de estado, mas não tem poder executivo algum. Estocolmo é a capital, e lá moram 1,8 milhões de pessoas. As maiores cidades depois da capital são Malmö, no extremo sul, e Gotemburgo (Göteborg), na costa oeste. Em 449.964 quilômetros quadrados espalham-se nove milhões de habitantes, numa densidade populacional de 20 pessoas por quilômetro quadrado. A taxa de natalidade daqui é de 1,03% e a de mortalidade é maior, 1,05%, dados de 2001. Absolutamente todos os suecos sabem ler e escrever em sueco, que é o idioma oficial. Oitenta e dois por cento dos habitantes pertencem à igreja luterana, os demais são católicos, ortodoxos e muçulmanos. O BNP per capita daqui é 33.585 dólares (2003). (Dados retirados daqui.) Eu moro em Umeå (fala-se umeôô), que é uma das maiores cidades do norte do país, com mais de 100 mil habitantes. Boden (fala-se búúden) fica pertíssimo de Luleå (fala-se luleôô), lááááá ao norte. A cidade de Kiruna (fala-se kííruna) é especial: no verão, o sol não se põe; no inverno, ele não aparece por seis meses. Pode-se viajar de norte a sul da Suécia em pouco mais de uma hora de avião, ou cerca de 15 horas de trem ou ônibus. Tudo dependendo de onde você veio e pra onde vai. As estradas são excelentes e até utilizadas pelos noruegueses, que cruzam a fronteira para viajar de carro pela Suécia por esse motivo e também pelo custo de vida mais em conta.

marina.bmpSe você estará no Rio na próxima terça-feira, dia 30 de novembro, marque aí na sua agenda um programa imperdível: a Marina W, a super cool dona do Blowg, estará lançando seu livro “O caderno de cinema de Marina W.” (editora Nau) na Livraria da Travessa (Visconde de Pirajá 572, Ipanema). Se estivesse no Rio eu ia lá comprar o livro, pedir autógrafo e (tentar) bater um papo com a Marina W., que é o alter ego da jornalista Maria Adriana Rezende. Ela já foi redatora da TV Globo e hoje mantém um dos blogs mais acessados da internet.

O livro da Marina W. é, como o título diz, uma reunião de textos sobre cinema, atores, fofocas e informações absolutamente essenciais pra quem ama cinema. Nas críticas que escreve, ela dá suas notas com recomendações do tipo “Tire o telefone do gancho”, “Até o lanterninha chorou”, “Mais clássico que Fla-Flu” e “Ah, o amor…”. E como quem é chique é chique mêêêrrrmo, a apresentação de “O caderno de cinema da Marina W.” é assinada nada mais nada menos por Manoel Carlos, e o prefácio por Mario Prata. Não perca e dê um beijo na autora por mim :c)

Filed under: Europa & Escandinávia,Livros — Maria Fabriani @ 12:55

November 26, 2004

Tô moooorta

Dia inteiro na universidade, apresentacão do trabalho de grupo. Tudo correu bem, mas a tensão engole minha energia. Obrigada pelos comentários aí de baixo. Já já respondo. Beijo, desligo.

Filed under: Universidade — Maria Fabriani @ 14:24

November 25, 2004

Depois da tempestade de neve…


Clique nas fotos para vê-las em seu tamanho natural

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 12:12

November 24, 2004

Repeat after me:

Peter Piper picked a pack of pickled peppers
A pack of pickled peppers Peter Piper picked
If Peter Piper picked a pack of pickled peppers
Where’s the pack of pickled peppers Peter Piper picked?

E-mail do meu urso pra mim hoje. Dentro, nenhuma frase amorosa, nenhuma declaração de paixão absoluta e eterna. Apenas um link pruma notícia no Aftonbladet, um dos jornais mais lidos daqui. A manchete da notícia era: “Choklad tre gånger bättre mot hosta än medicin”, que em português quer dizer “Chocolate é três vezes mais eficaz contra a tosse do que xarope”. O que será que ele quis dizer com isso?

*cof* *cof* *cof* :c)))

Filed under: De bem com a vida — Maria Fabriani @ 15:56

November 22, 2004

Suicídio e tolerância

Mikael Ljungberg, (na foto com a noiva Katarina em férias no Brasil), era campeão olímpico de luta greco-romana pela Suécia. Escrevi “era” porque na quarta-feira passada ele cometeu suicídio numa clínica psiquiátrica onde havia se internado por livre e espontânea vontade. A morte de Ljungberg foi uma surpresa para o público em geral e também pra família, apesar de existirem sinais de alerta como depressão, internações passadas etc. O atleta estava saindo de uma depressão, depois de ter perdido a mãe e de ter se separado da primeira mulher. Agora ele se preparava para assumir um trabalho importante e para o novo casamento. O caso de Ljungberg serviu como exemplo pra discussão sobre o suicídio na sociedade sueca.

Alguns curiosos me perguntam (o último foi o Simmons) se é verdade mesmo que os suecos se matam mais do que os brasileiros, por exemplo. Como não tenho estatísticas do Brasil, não posso responder à pergunta de forma objetiva. Os números suecos (retirados de um artigo de jornal) são chocantes, mas não especialmente elevados se comparados com as estatísticas do leste europeu, Hungria na liderança. De qualquer forma, aqui na Suécia, o suicídio é a principal causa de mortes entre pessoas de 15 a 44 anos, sendo que dois terços do total é formado por homens. Vinte cinco por cento das pessoas desse grupo etário escolhem abandonar a vida. A segunda causa mortis mais comum são os acidentes de trânsito, com 12%. Mesmo assim, o número de suicídios na Suécia caiu nos últimos 20 anos. Em 1980, 2.237 pessoas escolheram deixar de viver. Em 2000, esse número foi de 1.380.

Desde que vim morar aqui soube de três suicídios que ocorreram “perto” da família do meu Urso, o que quer dizer, amigos e conhecidos que decidiram deixar de viver. Acho isso tudo tão triste que prefiro não comentar muito.

Mudando de assunto: li hoje no meu jornal uma entrevista com Umberto Eco, que está no país para o lançamento da versão sueca do seu último romance, “Drottning Loanas gåtfulla eld” (algo como “A misteriosa chama da Rainha Loana”). Mas o que mais me chamou a atenção, na verdade, foi uma nova home page, em cuja criação Eco está envolvido. A página chama-se Tolerance.it e é um guia para professores e formadores de opinião em geral de como ensinar tolerância às crianças. Eco explica em sua carta introdutória que o site é “um manual dirigido àqueles que pretendem educar jovens para aceitar a diversidade.” Fantástico!

Falando nisso, quer se emocionar com um texto bem-escrito e cruelmente verdadeiro? Visite a Dani, que escreve da Bahia.

Filed under: Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 11:26

November 20, 2004

Natal, presentes e neve

katt.jpgJá começamos os preparativos pro Natal lá em casa (= Boden). Sim, eu sei que ainda estamos no meio de novembro, mas o lance é que terei de estudar aqui em Umeå até o dia 21 de dezembro, de forma que o que vale é deixar tudo preparado com antecedência. Decidi inclusive quais as decorações que quero ter - todas muito discretas porque essa coisa de badulaques, balangandãns e luzinhas piscantes não faz muito meu estilo. Gosto de velas, pequenos pontos de luz espalhados pela casa, nada muito flashy. Ah! Achamos inclusive uma árvore de Natal ótima! Tem cerca de 60 cm de altura e saiu pronta da caixa, com decorações e tudo.:c)

Já comprei alguns presentes também (*pisc* *pisc* *pisc*) e fiz planos pra comprar outros. Minha sogra, a quem adoro, disse que não quer nada, que tem tudo, que estamos sem dinheiro etc. De fato, ela tem razão em todos os seus argumentos, mas imagina se vou deixar o Natal passar totalmente em branco? Não posso, né? Vai ser que nem pros meus pais lá no Rio: vou mandar uma coisa simples, mas feita por mim e, espero, que será apreciada. Aí tentei pensar numa coisa que poderia comprar pra minha sogra que fosse apreciado e não muito caro. Me lembrei que ela a-d-o-r-a assistir ao programa do Dr. Phil, que passa todos os dias aqui na TV4 Plus.

Aí dei uma passadinha na minha livraria online favorita e encomendei o livro “Livsstrategier” (algo como “Estratégias de vida”) do psicólogo da tv pra ela. Claro que sei que devemos ouvir aos conselhos psicológicos do Dr. Phil com um certo distanciamento, afinal o approach dele à resolução de todo e qualquer problema esquece da angústia e trata apenas dos sintomas mais óbvios. Se a mulher não consegue parar de comer, ele diz: “Fecha a boca!”, “Vá fazer ginástica!”, “Goste de você mesma!” e não discute qual o papel que a comida tem na vida da pessoa, quais os problemas debaixo da fachada que podem dificultar - ou até impossibilitar - que ela páre com um comportamento autodestrutivo. Mas, enfim, minha sogra gosta, então é isso aí.

Começou a nevar agora aqui. Pequeníssimos floquinhos caindo do céu e voando com o vento. Vou esperar um pouco mais de neve pra dar uma volta com minha câmera. :c) As cidades da costa leste sueca estão sendo as últimas a receber neve nesse início de inverno. Já nevou lá em Boden (clique aqui e veja a webcam) e está frio pra burro (mais ou menos 18 graus negativos), o que quer dizer que essa neve que caiu não vai derreter - só em abril ou maio do ano que vem. (*pisc* *pisc* *pisc* *pisc*)

Neve, frio, trabalho da faculdade feito e acabado. Hoje é dia de lagartear na frente da TV. Dei uma olhada rápida e vi que filmes ótimos estão marcados pra hoje, o único problema é que passarão, claro, exatamente na mesma hora. Às 22h35 começa “Um anjo em minha mesa”, da Jane Campion, sobre a vida da escritora Janet Frame (já escrevi sobre ela aqui). Esse filme é tão delicado quanto outro dos meus Jane Campions favoriter, “O Piano”. Quinze minutos depois começa “Léon”, do Luc Besson. Adoro esse filme que também já assisti, mas tenho a impressão que a saga da Janet Frame me é mais sedutora. Vamos ver.

A foto do gato acima foi retirada do jornal Dagens Nyheter. O gato está numa pulka, que é o nome desse pedaço de plástico usado pelas crianças (e por adultos que fingem estar ajudando as crianças) quando deslizam do alto de pequenas colinas. É o maior ba-ra-to.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 12:01

November 19, 2004

Ontem e sempre

paraiso01.jpgOntem foi um dia tão bom que não deu tempo (nem vontade) de escrever. Nos reunimos às 10 pra discutir o trabalho de grupo e a apresentação em PowerPoint que eu havia feito. Almoço aqui em casa com Maria e Rebecca e depois, das 13 às 17h, uma aula diferente, auto-conhecimento com a ajuda de arte. Aqui chama-se bildanalys (mais ou menos “análise de imagem”).

Nos sentamos em grupos e recebemos instruções da professora para desenhar uma casa. Eu desenhei rapidamente uma casa em Búzios, na beira da praia. Mar, areia, baldinho vermelho e pás. Céu azul. Depois tivemos de desenhar num grande papel junto com nossas companheiras de grupo sem dizer nada verbalmente. Depois de desenhar discutimos o que cada um pensou sobre como o grupo resolveu os problemas, se houve cooperação etc.

Mais tarde, fui jantar na casa da Maria, companheira de curso. Comemos tacos mexicanos (muito comum aqui) e eu aproveitei pra matar as saudades de brincar com um bebê. Tudo indica que não perdi o jeito adquirido com o nascimento do meu irmão, 13 anos atrás. Sandra, dez meses, engatinhava pra tudo quando era lado e estava achando muito interessante aquele ser novo, de cabelos longos e escuros, cheia de marquinhas no rosto (tenho sardinhas, in case you are wondering).

Cheguei em casa depois das 8 da noite, cansada mas feliz. Pensei em escrever no Montanha ontem mesmo, mas não o fiz. Cada vez mais reparo que a vida real está melhor do que a cibernética.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 11:03

November 17, 2004

Estudo, presentes e frio

november_estudo_cafe.jpgnovember_estudo.jpg

november_estudo_kleenex.jpgnovember_estudo_mehrnosh.jpg

Ontem foi um dia cheio (mais uma vez). Nos reunimos às nove da matina pra discutir a prova do curso de psi. Aí em cima alguns momentos do grupo de estudo. Papelada, café, livros e algumas das companheiras de curso, Malin e Mehrnosh. Mais tarde fui à cidade com Maria, amiga de curso. Ela levou sua filhota Sandra, de dez meses (tava doida de vontade de tirar umas fotos, mas fiquei sem graça de pedir). Nem preciso dizer que gastei os tubos, né? Comprei um presente pro meu irmão e um sabonete líquido de banho na Body Shop (ah, eu não me agüento… essa loja ainda me mata). Ainda não sei quem vai ganhar o sabonete líquido, de repente ele fica aqui em casa mesmo. Hohoho. Pela primeira vez fez frio de verdade. Hoje o sol tá lindo, mas tá ainda mais frio. A última foto é da entrada de um dos prédios da universidade. Tá vendo aquelas pedrinhas pretas? Eu só ando em cima delas, senão me esborracho no chão. Agora vou terminar de fazer a tal da prova de psi. Hej då!

ps.: clique nas imagens para vê-las em tamanho natural.

Update, 15h50: Rebecca, uma companheira do meu grupo da faculdade me ligou pra discutir umas questões da prova/trabalho de psi e, quando falei um pouco, ela interrompeu e disse:

Rebecca - Nossa, mas sua voz é superdiferente pelo telefone!
Eu - É, parece voz de criança, né?
Rebecca - Ééééé!!!!

Ó céus, até em sueco eu sôo infantil no telefone? :c/

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 09:46
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