August 31, 2004

Meu chefe é um psicopata

Essa é boa. Matéria do meu jornal diz que psicopatas podem parecer bons chefes, com características de líderes natos. Ao mesmo tempo, essas pessoas podem causar perdas enormes às empresas com seus métodos de gerência. Psicólogos querem desenvover testes para descobrir se um candidato a um posto de liderança é um psicopata antes dele ser promovido.

O pesquisador Paul Babiak, da empresa HR Backoffice, encontrou várias pessoas que se encaixam na descrição clássica de psicopatia. Um deles é “Dave”, que trabalhava para uma empresa de tecnologia nos EUA. O grupo de trabalho de “Dave” estava sofrendo com inúmeros conflitos, perda de moral e piores resultados. Por isso, Babiak foi chamado como consultor.

“À primeira vista gostei de “Dave”, diz ele. “Assim como todos os outros o achei muito agradável e simpático”. Mas depois de um tempo de observações sistemáticas e entrevistas, a verdadeira imagem de “Dave” começou a aparecer. Babiak ficou sabendo que ele quase nunca aparecia pra trabalhar, se utilizava de outras pessoas e gastava tempo do expediente com conversas bobas.

“Dave” conseguiu convencer todos da incompetência de um chefe, que foi demitido. “Dave”, ao contrário, foi conquistando cargos até chegar ao topo. Ele tinha ainda relacionamentos sexuais com várias funcionárias. “Dave” alcançou 29,4 na escala criada por Babiak para definir pessoas com tendência à psicopatia, cujo valor máximo é 40. Quem chega a 25 pontos já é definido como psicopata, de acordo com as características estabelecidas pela pesquisa psicológica.

Eu, que sempre tive uma vida pacata, nunca me imaginei tão próxima de psicopatas. Mas se essa descrição é correta, em cada empresa onde trabalhei encontrei pelo menos uma pessoa que preenche todos os requisitos da psicopatia! Ainda mais se levarmos em conta que os psicopatas são charmosos e manipuladores, além de dramáticos - eles têm quase sempre uma grande “visão” para o negócio em questão. Eles têm um ego superinflado, o que pode se confundir com extrema auto-confiança.

E você, quantos psicopatas já encontrou hoje?

Filed under: Irritação e ironia — Maria Fabriani @ 14:12

August 30, 2004

Em Umeå

livros_pequena.jpgJá estou em Umeå para o início do semestre, na quarta-feira. Vim ontem. Hoje encontrei com duas amigas de curso, Annete e Ann. Já passamos uma meia-hora fofocando no café da universidade, depois fomos ver se conseguíamos uma informação mais correta sobre a hora do início das aulas. Mais tarde fui à biblioteca procurar pelos livros que usaremos durante os primeiros dois meses. Encontrei três e já estou na fila de espera para outros quatro.

Começaremos a estudar leis nesse segundo semestre. Tudo o que diz respeito à legislação sueca, desde direito civil até penal, passando por direito de família e, claro, social etc. Acho isso muito interessante porque ficarei conhecendo ainda mais a Suécia e os suecos. Por outro lado, no entanto, fico apreensiva com esse bando de textos em sueco formal, o chamado Kanslisvenska. Complicaaaaado… :c/ (Ainda bem que esse curso dura apenas dois meses)

E o que foi aquilo na maratona das Olimpíadas? Gente, fiquei chocada com aquele ex-padre irlandês que acabou com a fantástica corrida do paranaense Vanderlei Cordeiro de Lima. Estou chateada e revoltada. Não apenas porque perdemos um ouro merecidíssimo, mas por causa do próprio Vanderlei, que já tem 35 anos. Fiquei imaginando os anos de sacrifício que ele deve ter tido para se preparar pra ganhar uma medalha de ouro numa Olimpíada. Isso sim é que me deixa pau da vida. :c/

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 14:44

August 29, 2004

Da vinci e o esquilo

Matéria no caderno de cultura do meu jornal de hoje sobre “Código Da Vinci”, o fenômeno que dominou as listas dos mais vendidos na Suécia e no Brasil (e em muitos outros países desde o seu lançamento em 2003). Depois de muitas considerações, o jornalista chega à conclusão de que livros com o de Dan Brown satisfazem uma necessidade básica do ser humano/leitor, que ele chama de sense of wonder (assim em inglês mesmo).

Para o repórter, o sense of wonder é “um efeito estético que equivale a um orgasmo, só que nos planos intelectual e existencial. O que o leitor procura é uma experiência que faça o chão tremer. Porém, sem as preliminares (foreplay) que um pensar próprio representa”. Acho que eu não poderia explicar melhor, de forma mais completa e enxuta o que achei do livro do Dan Brown. Se vale a pena ler? Sem dúvida, mas se prepare para se sentir enganado(a) pela propaganda.

monasleende.jpg

Ontem, debaixo de chuva, fui comprar fio dental no supermercado aqui perto de casa. Não tinha. Como me acostumei a ter dentes, engoli a preguiça, peguei o carro e me mandei pra um outro supermercado, maior. Na volta, dirigindo por uma das ruas mais movimentadas de Boden (quando eu digo “movimentadas” imaginem uma rua normal do Rio ou São Paulo e descontem 95% do tráfego) quase atropelei um esquilo, daqueles vermelhinhos, com rabo peludo.

Ele saiu correndo de uma árvore pra frente do meu carro. Sorte que deu tempo de freiar não muito bruscamente, afinal a velocidade máxima das ruas de Boden é 50 Km (e eu obedeço). Sorte também que nenhum carro vinha atrás de mim, senão ia ser chateação certa. Contei pro meu urso que ficou com pena de mim. “Devia ficar com pena do pobre do esquilo, coitado”, retruquei. “Ah”, disse meu urso, “é inevitável que você atropele algum bichinho desses por aqui. É melhor se acostumar com a idéia”.

Oh, céus.

Filed under: Livros,Vidinha — Maria Fabriani @ 11:19

August 28, 2004

À luta, companheiras!

tusch.jpgPensando mais no assunto do post abaixo, e depois dos comentários de todos vocês (obrigada!), achei que faltou dar uma solução pra quem não tem a sorte de morar numa sociedade em que esse tipo de sexualidade exagerada é questionada. Eu, pessoalmente, depois de virar adulta, descobri que não há nada - nada mesmo - mais sexy do que uma pessoa segura de si. Não importa se essa pessoa é caolha, gorda, manca e careca. É uma pessoa segura, tem senso de humor e sabe fazer graça de si mesma sem ser patética e querer angariar a piedade alheia, pronto: é magnetismo na certa.

Pensei também em como mudei pessoalmente nesses últimos anos. Me lembro de um dia em que fiz uma barbeiragem no trânsito da Barra, quando esperava para estacionar num dos shoppings de lá. Utilizei as dimensões do meu pequeno Fiat Uno, furei a fila e entrei na frente de um outro carro na loooonga fila de espera. O cara - sim, era um homem! Ainda acho que estava sofrendo de uma privação de sentidos temporária por ter “desafiado” um homem desconhecido nas ruas do Rio - o cara ficou puto da vida, lógico. Acelerando o carro dele (não me lembro qual a marca, mas era graaaande e preto), emparelhou com o meu uninho vermelho.

Olhou pra mim, com uma cara muito emputecida, baixou a janela do seu lado direito e, depois de alguns momentos de hesitação, do tipo em que podia ver seu cérebro escolhendo por entre centenas de palavrões para pegar um que realmente me humilhasse, gritou: “Filha da puta!” Fiquei chocada, claro, mas feliz. Sim, FE-LIZ. Isso porque ele tinha me chamado de “filha da puta”, mas não de gorda filha da puta” ou baleia filha da puta”. Eu, mais do que magra, estava me sentindo linda mesmo, ainda que isso não me ajudasse na hora de guiar nas ruas enlouquecidas do Rio.

mulher.gifAgora veja que maluquice: eu ficar FELIZ porque um indivíduo que nunca vi na vida não me chamou de “gorda”. Quando pensei nisso, fiquei atônita ao perceber o quanto a opinião alheia influenciava minha auto-imagem. É absurdo dar tanto poder assim pruma pessoa que nunca vi, um cara como outro qualquer. Acho que minha geração, que nasceu nos anos 70 (e até um pouco antes), foi ajudada em muitos pontos pela luta de nossas mães, pela influência do Womans’ Lib e coisas do tipo. Está na hora de nós, mulheres de 30 de hoje, liderarmos uma campanha mundial, para que a ditadura do corpo não escravize nossas filhas. Se nossas mães queimaram sutiãs, queimaremos pacotes de pipocas “low fet”.

A armadilha da submissão é pior do que a armadilha da desigualdade de direitos. Nossa luta é mais sutil, mas tem de ser travada. As mulheres precisam entender que o Santo Graal dessa história toda não é ser uma “Stepford Wife” (o livro é ó-ti-mo; li de uma sentada só, ontem), uma mulher perfeita, mas ser quem você é, e gostar disso, com toda a sua alma, corpo e mente. Se o seu homem não aprecia isso, coitado dele. (E que fique claro aqui que nada tenho contra dietas moderadas, cujo objetivo é a saúde mesmo. Eu adoro caminhar, gosto de andar de bicicleta e sinto genuíno prazer em me movimentar.)

Filed under: Elucubrações — Maria Fabriani @ 09:30

August 27, 2004

Sobre bundas, barrigas e revoltas

joyride.gifOntem tava flanando pelo Multiply quando caí num texto que me chamou muito a atenção. O título: “Falsa gorda: mito ou irrealidade? (Considerações sobre um dilema feminino)”, escrito pelo roteirista Juca Filho e publicado no site Elas por Elas em junho de 2003.

Qualquer coisa com as palavras “gorda” e “mulher” na mesma frase já me interessa, mas esse texto em especial, criado por um homem sensível e de bom gosto, me fez pensar no que geralmente faço questão de esquecer: a luta diária que eu e muitas mulheres travam com o meu próprio corpo, que insiste em ser maior e mais mole do que gostaríamos.

Juca escreve:

“Antigamente uma figura mítica e extremamente sensual povoava e excitava o imaginário masculino: a falsa magra.

A falsa magra era a verdadeira mulher-mistério. Esguia como uma sílfide, à luz do dia, quando caíam os panos, “na penumbra das alcovas”, a falsa magra revelava todo o seu esplendor curvilíneo, macio e consistente, com todas as “delícias carnais” na medida.

Talvez fossem realmente tempos mais felizes. Para nós e para elas. Menos sofridos, mais reais, mais humanos. As medidas “ideais” não eram tão “giselianas” nem se esperava de uma mulher o mesmo tônus muscular de um zagueiro do Vasco.”

Sempre achei que tinha nascido na época errada. Apesar de amar computadores, televisão, rádio e cinema, sei que pertenço a uma era menos obcecada com o corpo, menos sujeita à ditaduras ferozes de dietas intermináveis. E o pior é que essa maluquice toda é aceita como a busca da “saúde”. E ai de você se não quiser fazer uma lipo! É logo rotulada de desleixada.

“Atualmente tudo mudou. Vivemos, talvez, a era da “falsa gorda”. Antes, a surpresa se dava na intimidade, ao descobrir que haviam mais tesouros escondidos entre o céu e a pele que supunha nossa vã análise à primeira vista. Agora isto se dá às claras, quando vemos mulheres belas e estimulantes aos nossos olhos masculinos se julgando imperfeitas, em débito com um padrão, sempre a 2 ou 3 ou mais quilos da felicidade.

O fato é que a “falsa gorda” é uma realidade, inclusive entre as mais bacanas, inteligentes, deliciosas e queridas mulheres que enriquecem e tornam nossa vida masculina muito mais surpreendente, instigante e interessante. Assim como é um fato bastante comum ouvir dos meus amigos e de mim mesmo, encantados por estas mesmas mulheres, a mesma intrigada pergunta : “pra que?”.

É ou não é o máximo!? Juca, onde você estava que nunca te encontrei enquanto ainda era solteira no Brasil? A vida de uma mulher no Rio (não sei se o fenômeno se repete em outras capitais) é se manter linda e perfeita até sangrar pelo nariz. Eu, que prefiro deitar pra ler um livro a ir suar numa sala fechada junto com outros 50 malucos, agradeço pela existência de gente como o Juca, capaz de gostar da mulher que tem uma bunda assim assado e não se apaixonar pela bunda perfeita, que happens to be connected to a woman.

“Numa sociedade que cada vez mais desaprende a pensar individuadamente, o mito da “falsa gorda” e sua idéia de felicidade possível apenas dentro de um único padrão estético pré-determinado é uma das mais poderosas armadilhas contra a realização pessoal, social e afetiva da mulher. Por ele se sofre, se mata e até se morre. (O que me faz, muitas vezes, pensar : por que, afinal, mesmo com a imensa evolução de idéias, comportamento e atitude individual e social que conseguiu e que nos deixa, homens contemporaneos, tão admirados e despreparados, a mulher ainda é presa tão fácil deste “dogma”?)”
(c) Juca Filho

Não sei se depois dos 30 essa questão mudou pra mim, ou se a vida se encarregou de me mostrar uma coisa ou duas a respeito de perfeição e como isso pode ser um conceito relativo. O que sei é que aqui na Suécia as coisas são diferentes. De que forma, você pergunta? Sim, aqui, quando a Hennes & Mauritz, uma das maiores lojas de departamento de roupas do mundo, coloca um outdoor enooorme nas grandes cidades suecas, no qual a nova coleção de verão da loja, inspirada nas praias do Rio, é ilustrada pela bunda de uma modelo brasileira, há uma revolta geral por parte das mulheres, que acham um absurdo esse tipo de banalização da sexualidade.

A discussão foi tão grande que até mesmo a ministra da igualdade (sim, isso existe aqui), se disse ultrajada com o outdoor, e pediu para que a H&M o retirasse das ruas. Jornais fizeram matérias sobre o outdoor, meninas foram ouvidas e se disseram cansadas de serem confrontadas todos os dias com um ideal para elas impossível de alcançar. Li inclusive uma carta emocionante, publicada no meu jornal, de uma menina de 17 anos que ficou ofendida com o outdoor porque vinha sofrendo desde pequena com anorexia.

Coisas que nunca, nunquinha da silva sauro, a gente ouve no Brasil. Discussão sobre nudez pública só mesmo quando envolvida com religião e olhe lá! Viver frustrada com o seu próprio corpo é um esporte nacional entre as mulheres latinas (as argentinas são campeãs em anorexia no continente) e ninguém questiona isso. Quando as mulheres de todas as idades começaram a chiar por causa do outdoor, a sociedade sueca como um todo deu um passo a frente, no caminho de tolerância e normalidade.

Ninguém precisa ver aquele outdoor. Eu não preciso. Não quero ver a bunda perfeita ou imperfeita de nenhuma mulher (mesmo aquelas que desfilam nuas nos banheiros das academias da vida). Não, eu quero é paz pra ser quem eu sou, apesar ou com a minha bunda. Sei lá, desde que vim morar aqui, comecei a me ver de forma diferente. Não sou mais uma bunda caída ou uma barriga grande. Eu sou gente, antes de tudo. Minha bunda e minha barriga, por mais que não estejam do jeito que eu gostaria, são partes de mim. Precisam ser respeitadas e assumidas. Quando entendi isso, passei a sorrir no espelho pra mim mesma - apesar de tudo.

Tem mais texto do Juca Filho aqui.

Filed under: Elucubrações — Maria Fabriani @ 13:55

August 26, 2004

Romantismo

Passei a noite de ontem assistindo ao “84 Charing Cross Road”. Nem sabia, mas senti muita falta de ver as histórias, as cartas e os livros trocados entre Helene Hanff e Frank Doel (ainda mais porque tudo acontece via correio, com pacotes sendo enviados e recebidos, o que pra mim é equivalente a felicidade). Esse romantismo me faz bem à alma. E olhem que jóia que o Frank Doel lê, quando Helene não pode ir à Londres como combinado:

amaryllis02.gifHad I the heavens’ embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half-light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams. — William Butler Yeats

É ou não é um luxo de romatismo? Nossa…


Tô aqui feliz com emails que recebi da Raquel e da Lety. Tão bom receber feedback de pessoas que acham interessante e importante as coisas que escrevo aqui no Montanha! Obrigada!

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 09:57

August 25, 2004


Hoje é aniversário de 60 anos da minha mãe, Regina.

Parabéns, mãe!

Filed under: Aniversários — Maria Fabriani @ 10:54

August 24, 2004

Prisão-modelo

cela_suecia.jpg
Foto do Dagens Nyheter.

Se lembram quando escrevi sobre as prisões suecas? (Caso não, leia aqui) Pois é, a discussão sobre cadeias, presos e polícia durou todo o verão. Isso porque vários presos perigosos escaparam durante os mêses de julho e agosto, o ministro disse que vai construir uma prisão super-segura (Boden está babando pra conseguir que ela seja construída aqui, o que significa centenas de possibilidades de trabalho pra kommun) e agora inaugura-se no sul do país uma prisão-modelo, para presos que tenham se “comportado”.

Veja na foto acima uma das celas. Isso parece uma cela de prisão pra você? Nem pra mim. Televisão, cama, estantes para livros, escrivaninha… Os presos terão responsabilidade de não fugir porque não existirá grades. Mas se alguém quiser mesmo sair dali, basta abrir a janela e se mandar. E tem mais! Precisa falar ao telefone e não tem celular? Não tem problema! Cada cela tem uma linha instalada e funcionando! Sinceramente? Ainda não sei se os suecos são inteligentérrimos ou campeões em ingenuidade. Como as estatísticas de criminalidade não caem apesar do tratamento diferenciado, tô mais pra segunda opção.


Que pena que não deu pra Daiane dos Santos nessas Olimpíadas. Mas tudo bem, ela ainda é novinha (tem apenas 21 anos e aparenta muuuuuito menos) e vai dar ainda muito o que falar nas Olimpíadas de Pequim, em 2008. :c)

Filed under: Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 13:43

August 23, 2004

Conquistadores e conquistados


Foto copiada daqui.

Tô lendo um livro muito interessante. Chama-se “Utrota varenda jävel”, o que é uma tradução aproximada da frase “Exterminate all the brutes”, escrita por Joseph Conrad no clássico “Heart of Darkness” (cuja história todo mundo que já viu “Apocalipse Now” reconhece). A imagem do livro na coluna lilás aí ao lado é a de sua edição inglesa. O autor, o historiador sueco Sven Lindqvist, faz uma espécie de diário de viagem entrelaçado com relatos históricos da dominação imperialista européia na África. Durante sua viagem ao deserto do Saara, Lindqvist conta a história da dominação humana dos mais fracos [negros, “não-civilizados”] pelos mais fortes [brancos, “civilizados” e europeus].

Ainda estou no começo do livro (escrito no início dos anos 90 em capítulos rápidos, com uma linguagem muito fácil) mas já passei por trechos interessantérrimos, como a evolução dos rifles no final do século XIX, o que auxiliou muitos povos europeus em suas conquistas. Os belgas se fizeram em casa no Congo (cuja história é pano de fundo para o clássico de Joseph Conrad), os ingleses na África do Sul (+ Gambia, Serra Leone, Nigéria etc), os franceses na Argélia (+ Tunísia, Senegal, Sudão, Benin etc), os alemães no Togo (+ Camarões, Rodésia etc), os portugueses na Ilha da Madeira (+ Cabo Verde, Guinéa, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique), os italianos na Eritréia e Somália (antes Absínia), e os espanhóis nas Ilhas Canárias etc.

Trechinho do livro:

“Grande parte do mundo habitado ainda estava fora do alcance da artilharia de guerra no início do século XIX. Por isso, a descoberta de Robert Fulton, que cruzou o rio Hudson no primeiro barco a vapor, foi uma das mais importantes do ponto de vista militar. Muito em breve existiam centenas de barcos a vapor cruzando os rios da Europa. E no meio do século XIX os barcos a vapor começaram a transportar os canhões europeus para os recantos mais profundos da África e da Ásia. A partir daí deu-se início a uma nova era na história do imperialismo. E também iniciou-se uma nova era na história do racismo. Muitos europeus interpretavam sua superioridade militar/bélica como superioridade intelectual e, por que não dizer, superioridade biológica.”

Segundo as resenhas que li sobre o livro, Lindqvist quis mostrar que a idéia de extermínio étnico, baseado em argumentos que não condenam o massacre de povos não-civilizados (sem alma etc) não foi criação de Adolf H.. Lindqvist afirma que a história de conquistadores e conquistados é beeeem mais antiga do que a “solução final” alemã na Segunda Guerra Mundial.

Esse livro existe em inglês. Clique aqui e veja.
Veja um mapa da África conquistada, no início do século XX.

Filed under: Europa & Escandinávia,Livros — Maria Fabriani @ 13:20

August 22, 2004

errrhhhmmm… Bom dia. :c)


errrhhhmmm… Bom dia. :c)

Na TV - Vi Robert Scheidt conquistar a medalha de ouro na categoria Laser de vela. Que máximo! Vi também a dupla Shelda e Adriana Behar vencer Ana Paula e Sandra nas quartas-finais do vôlei de praia.

Comprei um DVD pra mim: “84 Charing Cross Road”, com Anthony Hopkings (ninguém faz um trabalhador-inglês-reprimido-romântico como ele) e Anne Bancroft.

Vi esse filme há muitos anos, quando ainda era adolescente. Me lembro que fui vê-lo pela enésima vez com uma prima minha. Lá pelas tantas, ela sussurrou: “Nossa, que romance! Quando eles se encontrarem vai ser o máximo!”

E no fim do filme, ela comentou em alto e bom som, em pleno cinema: “NÃO ACREDITO QUE ELES NUNCA SE VIRAM!” Coitada, acho que ela não tinha prestado atenção ao título do filme em português (que por sinal é um corta tesão desgraçado): “Nunca te vi sempre te amei”.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 16:20
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