July 31, 2004

Canto esponjoso

areia.jpg“Bela
esta manhã sem carência de mito
e mel sorvido sem blasfêmia. Bela
esta manhã ou outra possível
esta vida ou outra invenção
sem, na sombra, fantasmas.

Umidade de areia adere ao pé.
Engulo o mar, que me engole.
Valvas, curvos pensamentos, matizes da luz
azul
completa
sobre formas constituídas.

Bela
a passagem do corpo, sua fusão
no corpo geral do mundo.

Vontade de cantar. Mas tão absoluta
que me calo repleto.” — Carlos Drummond de Andrade (livro “Novos poemas”, 1948).

Filed under: Elucubrações — Maria Fabriani @ 14:03

July 30, 2004

Que preguiça…

Olha, está um sol incrível aqui, 31 graus no sol (24 na sombra). Queria muito ficar e conversar, mas quero mais o sol, a luz e o calor (aproveito enquanto tenho). Ontem fomos a Piteå visitar a família. Aqui fotos de Lona (cão) e O’Boy (gato), filhos da Veronica, minha cunhada, na varandra da casa da minha sogra.

oboy02.jpglona01.jpg
Clique nas fotos para vê-las em seu tamanho natural.

E o mistério mais bem-guardado desde o nome do assassino de Odete Roitman foi revelado! Sabem quem é que vai “sair do armário” nos Simpsons? A Patty, irmã da Marge. Ela se apaixonará por uma professora de golf.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 15:37

July 29, 2004

vovo_celia_peq.jpg

Hoje é aniversário da minha avó Célia, que está fazendo 91 anos. Ela está muito doente no Rio, onde é cuidada pela minha mãe (+ Rosângela e Joana). Minha avó sempre foi um porto-seguro pra mim, sempre esteve ali. Cresci contando com a força e o amor dela. Vó, tô com saudades. Te amo. Fique bem. Sua neta, Maria (sempre pensando em você)

Ufa!!! Consegui acabar de organizar o Montanha!!!! Estou tão feliz e realizada! :c) Apaguei algumas imagens que já não tenho mais e subi muitas que já estavam no “arquivo morto”. Foi uma luta. Primeiro tive de abrir todos os posts a partir de março de 2004 até fevereiro de 2002 para apagar títulos duplos (resultado inevitável da migração do Blogger para o Movable Type). Depois, criei e atribuí categorias a todos os posts. Veja as categorias criadas aí na coluna lilás à esquerda, depois dos arquivos.

Publiquei as fotos que tinha com tamanho bom (sendo que algumas ultrapassaram meu limite auto-imposto de 100K, como a da minha cachorrinha Alice, que faz anos no dia 15 de maio). Não conferi os links porque seria uma odisséia a mais. Deixa pra lá. Descobri que me repeti pelo menos um post sem perceber. Foi quando contei a história da manga (versão pequena em 18 de março de 2002 e uma melhor em 4 de março de 2003).

Filed under: Aniversários,Conquistas — Maria Fabriani @ 01:33

July 28, 2004

Bem feito

Cheia de coisas pra escrever mas ando meio sem saco. Uma delas, no entanto, vale a pena. Um líder político de extrema-direita (cujo nome não publico no Montanha porque aqui não escrevo merda), fundador de um partido neo-naz**ta sueco (cujo nome não publico pelo mesmo motivo) foi condenado a 1 ano e 4 meses de prisão e a pagar 130 mil coroas (+ou- 50 mil reais) de multa por ter batido na mulher dele em diversas ocasiões, sendo algumas vezes na frente dos filhos do casal.

O engraçado/trágico dessa história toda é que esse verme se auto-entitulou pai da “família perfeita sueca”, quando posou com a mulher e os filhos pra um anúncio do partido nas últimas eleições. Na home pages deles (cujo link eu não coloco, claro) há manchetes diárias do tipo “Estuprador muçulmano pega cadeia”. Numa notinha do suplemento de cultura do meu jornal de hoje um repórter pede que os responsáveis pela atualização do site coloquem lá: “Preso homem sueco que espanca mulheres”.

Filed under: Europa & Escandinávia,Irritação e ironia — Maria Fabriani @ 10:28

July 27, 2004

De luto

Meu Deus, o Fervil morreu. Recebi a notícia do CAT, que a recebeu dos pais dele. O Fervil estava voltando do trabalho em Santo Cristo (Rio) quando uma moto emparelhou com ele, aparentemente para assaltá-lo, e o cara deu um tiro no tórax. Morte instantânea. Gente.

Pra quem não sabe, o Fervil, ou Fernando Vilella, era um jornalista de informática muito querido por toda a comunidade. Moço, regulava em idade comigo. Infelizmente nunca tive o privilégio de trabalhar com ele, mas na revista que ele criou, a Internet.br. Nos encontrávamos em acontecimentos de imprensa. Estou chocada.

20:37 hs — Passei o dia meio perturbada, depois de ter recebido a notícia acima no início da manhã. Fiquei pensando que dor incrível a da família do Fervil, a agonia dessa violência horrorosa. Queria enviar minhas sinceras condolências a eles. Pensei muito na violência do Rio, o que me deixou ainda mais triste. Não sei nem o que dizer.

Estou quase terminando a arrumação inicial dos arquivos do Montanha. Digo inicial porque ainda tenho que dar um ajustes em posts até mais recentes que ainda estão com títulos duplos e fotos que não aparecem. Os links eu tento ver se tenho saco pra conferir mais tarde.

Filed under: Saudade — Maria Fabriani @ 10:07

July 26, 2004

Organizando

Tô organizando os arquivos do Montanha e as categorias. Maió trabalhão. Consegui chegar a dezembro, novembro, outubro, setembro, agosto, julho, junho maio de 2002. :c) Agora é agüentar firme, editar os mais de 200 posts que ainda faltam, até chegar a fevereiro de 2002, quando tudo começou. O engraçado é observar como as coisas mudaram desde então. Eu mudei e a Suécia que eu vi mudou comigo (à medida em que comecei a entender o idioma, conversar com as pessoas, ler jornais e ver TV). Bacana. (Música para que o trabalho funcione melhor: trilhas de “Easy Rider” e “The Commitments”; Beatles; Milton e Gil e Rita Lee)

Filed under: Música,Vidinha — Maria Fabriani @ 14:29

July 25, 2004

“Budapeste”, o livro do Chico

book.jpg

“Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira”.

Assim começa “Budapeste”, do Chico Buarque, que terminei de ler ontem. Acho que gostei do livro. Eu apenas acho que gostei porque o achei muito frio, um livro assim distante, com um personagem egocêntrico e obcecado por seu anonimato/celebridade. É, como o Caetano escreveu na resenha que ilustra a orelha do livro, “Budapeste é um labirinto de espelhos que afinal se resolve, não na trama, mas nas palavras, como os poemas”.

É exatamente isso que eu senti quando li o livro. Não quero bancar a crítica literária não, essa é minha opinião pessoal, ok? “Budapeste” é um exercício estilístico bem-sucedido, mas, na minha opinião, falta alguma coisa. O estilo é claro, sem complicações - o que é um alívio - mas mesmo assim é difícil se aproximar de José Costa (ou Zsoze Kósta), o protagonista-narrador. Mas, pensando bem, de repente era exatamente esse o objetivo do Chico. Li o livro aflita, esperando pra ver o que é que o tal de José Costa iria aprontar.

Gostei, no entanto, da presença de Budapeste (a cidade) e húngaro (o idioma) no livro. Nunca fui lá, mas tenho muita vontade. Sei que húngaro é um dos idiomas mais difíceis do mundo. Sei disso porque tive um professor de história na quinta série chamado Carlos Alberto que sabia falar russo e disse numa aula (sei lá porque) que havia tentado aprender húngaro, mas que tinha desistido por ser difícil demais.

Não sei porque, nunca esqueci isso. Abaixo, um trecho de “Budapeste”:

“Para algum imigrante, o sotaque pode ser uma desforra, um modo de maltratar a língua que o constrange. Da língua que não estima, ele mastigará as palavras bastantes ao seu ofício e ao dia-a-dia, sempre as mesmas palavras, nem uma a mais. E mesmo essas, haverá de esquecer no fim da vida, para voltar ao vocabulário da infância. Assim como se esquece o nome de pessoas próximas, quando a memória começa a perder água, como uma piscina se esvazia aos poucos, como esquece o dia de ontem e se retêm as lembranças mais profundas. Mas para quem adotou uma nova língua, como a uma mãe que se selecionasse, para quem procurou e amou todas as suas palavras, a persistência de um sotaque era um castigo injusto.” (página 128)

Filed under: Livros — Maria Fabriani @ 09:27

July 24, 2004

Verão 2004, Boden

verao04_casinha_ilha.jpg

verao04_gramado.jpg

verao04_copa_arvore.jpg

verao04_casinha.jpg

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Foto 1 - Quando fico de saco cheio de tudo (inclusive de mim mesma) gostaria de ir pra uma dessas casinhas no meio do nada. Essa fica numa ilha em frente ao parque em que sempre vamos dar uma andada. (A foto está meio estranha porque tive de usar o zoom no máximo… minha câmera é esforçada, mas não é profissional.)

Foto 2 - Nada de especial, além de ser lindo olhar pras árvores assim, pra grama verdinha (não se esquecam que aqui é frio seis meses por ano…)

Foto 3 - Me deitei na sobra e… olhei pra cima. Lindo, não? Essa árvore chama-se Björk (sim, como a cantora) e é típica dessa região. Eu adoro as Björks. Quem se lembra das fotos do gramado da frente do meu apartamento já viu Björks.

Foto 4 - Uma das stugas (casinhas antigas, simples, de veraneio) antigas de Boden. Ao lado da igreja, normalmente habitada por turistas noruegueses que pagam os tubos por elas (eles são os mais ricos do mundo, né?).

Foto 5 - Esse passarinho chama-se Talgoxe [táliuxe] e mora junto com sua parceira num cantinho em cima da nossa varanda. Eles pousam no parapeito, secam as asas e cantam. No inverno colocaremos uma casinha e sementes pra que eles sobrevivam.

Foto 6 - Árvores, grama, vegetação rasteira, casa vermelhinha. Ah, o verão…

Filed under: De bem com a vida,Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 00:01

July 23, 2004

Desenvolvimento humano

Pelo quarto ano consecutivo a Noruega é o país mais desenvolvido do mundo, por ter conseguido combinar fatores como alta expectativa de vida, investimentos nos cuidados com a saúde da população e um Produto Interno Bruto (PIB) altíssimo: 36.600 dólares per capita. Essa é a conclusão do Índice de Desenvolvimento Humano, compilado pelo UNDP, órgão das Nações Unidas.

A Suécia está em segundo lugar no índice de desenvolvimento geral e no que diz respeito ao PIB, o país garante o 21 lugar, com 26.050 dólares per capita. Já o Brasil fica em 69 lugar no índice geral, com uma renda per capita de 7.037 dólares. As últimas posições são de Burkina Faso (expectativa de vida = 46.1 anos); Burundi (40.6); Nigéria (44.8) e Serra Leone (38.3).

A Suécia tem a segunda maior expectativa de vida do mundo, com 79.6 anos. Somente o Japão fica à frente, com 80.8 anos. A média brasileira é de 67.5 anos. Os japoneses também têm outra razão para se orgulhar pois são um dos países com a menor taxa de mortalidade infantil: 3 em cada 1000, assim como Islândia e Cingapura. A Suécia, segundo o artigo do jornal, investe mais em educação e é primeirona no que diz respeito a pesquisa.

Atualmente 7,5% da população sueca é analfabeta (dado que, segundo o jornal, tem a ver com a chegada massiva de refugiados de guerra), mesmo assim a Suécia ainda é um dos países mais letrados do mundo. Sobre a pobreza, a país também tem bons índices com apenas (sic) 6,5% da população vivendo abaixo da linha da pobreza - o que por essas bandas quer dizer que essas pessoas ganham menos do que 50% da renda média da população (ou seja, menos de 13 mil dólares).

Meu comentário? See below

imagine05.jpg

Filed under: Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 10:34

July 22, 2004

Astronauta

Acabo de receber um pacote com presentes da família do meu pai. Sachês delicados e um perfume da L’Occitane, um cartão lindo com fotos (meu irmão cada vez mais bonito e meu pai idem) e quatro CDs. Cássia Eller, Belchior, Marina e Gil & Milton, que ainda está tocando aqui perto de mim.

Segurei a emoção numa boa durante os primeiros 20 minutos do CD, mas quando o Milton entoou os primeiros acordes de “Maria” de Ary Barroso (“Maria, o seu nome principia na palma da minha mão”), não resisti. Chorei. Chorei com saudades, com o amor, com o calor da voz do Milton (lindo na capa) com a malevolência do Gil, com tudo.

Nossa, como sinto falta de português! Música é mesmo mágica. Nenhum livro escrito em português é capaz de me dar essa sensação de união comigo mesma. O pior é que a gente não sabe que sente tanta falta. É como meu urso às vezes diz quando comemos alguma coisa gostosa: “Não sabia que estava com tanta fome!”

A mesma coisa vale pra mim, vivendo de uma cultura emprestada. Aprendendo muito mais do que aproveitando. Sou uma astronauta vivendo de pós nutricionais, suplementos, capazes apenas de me manter viva. Mas prazer mesmo, a delícia do deleite da língua, do ritmo, das experiências geracionais, isso são outros quinhentos.

Filed under: Aniversários,Música — Maria Fabriani @ 13:13
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