June 30, 2004

nemi.gif

Tradução da tirinha Nemi:

— Todos esses pesos são feitos de papier-marché?
— Sim! Hoje estou treinando autoconfiança!

Hoje é meu primeiro dia de férias e está chovendo a cântaros desde ontem à noite. Por causa desse detalhe, eu e meu urso, que também está de férias, fomos “forçados” a ficar em casa. Oh, que desgraça. :c) Mas nós saímos da toca e fomos comprar umas cositas no supermercado. Guaraná pro urso e pepsi light pra mim, caviar e peito de galinha congelado (hoje vai ter jantar bom).

Mas, já na saída, vimos que o supermercado estava fazendo liquidação de dvds. Nosso frágil orçamento explodiu em mil pedacinhos quando levamos pra casa, “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”, “O Senhor dos Anéis - o Retorno do Rei”, “Os intocáveis” (com Sean Connery e Kevin Kostner) e um DVD chamado “Heavy Metal”, de uma série em quadrinhos que meu urso já queria ter já faz um tempão.

Cada DVD custou meras 89 coroas (mais ou menos 11 dólares ou 33 reais - não sei se o câmbio está certo), a não ser o “Senhor dos Anéis”, claro, que custou mais de 200 coroas. Agora é viver de pão e água o resto do verão. :c/

Filed under: De bem com a vida — Maria Fabriani @ 13:11

June 29, 2004

Papa-anjo

Fomos ontem assistir a Harry Potter and the Prisoner of Azkaban. A-do-re-i. Pena que o Ron aparece pouco. Contei que tenho um soft spot por ruivos? Hohoho.

Sabe porque eu gosto da história criada pela J.K. Rowling? Porque você vai ao cinema pruma tarde de diversão ligeira e acaba aprendendo a ridicularizar seus medos mais terríveis (o ator Alan Rickman, que faz Severus Snape, vestido com as roupas da avó do Neville é ge-ni-al).

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 23:13

June 28, 2004

So true, so true…

“Selfishness is not living as one wishes to live,
it is asking others to live as one wishes to live.”

Oscar Wilde (1854 - 1900)
(copiado do meu querido amigo André)

Pra completar, comento apenas uma coisa do último livro que li para o meu curso de verão, que acabou hoje. No ma-ra-vi-lho-so livro “Kulturterrorismen” (“Terrorismo Cultural”), cujo autor é o professor de antropologia social na Universidade de Oslo Thomas Hylland Eriksen, lê-se uma definição ótima de fascismo:

”(…) fascismo é ter amigos íntimos, uma cidade natal e uma família, mas não ter capacidade de entender que outras pessoas, em outros locais, possam ter amigos, uma cidade natal e família - e ter uma vida rica e interessante, mesmo sendo diferente.”

Como vocês sabem, intolerância me cansa, me deixa mal, deprê mesmo. E não apenas aquela vinda de suecos ou de povos que se julgam superiores. Mas até mesmo aquele ódio mal escondido de brasileiros que vivem por aqui e que, por conta dessa sensação de humilhação, se envolvem num colete de ódio contra suecos (e demais nacionalidades européias) que me deixa ainda mais cansada e deprê. Como o Oscar Wilde disse muito bem, não tô aqui pra ensinar ninguém a viver, mas só pergunto uma coisa: como é possível viver com tanto ódio?

Nota: não critico ninguém que se sinta no direito de odiar o povo do país europeu em que vive. Muito pelo contrário. Acho, inclusive, que há uma necessidade psicológica em se criticar a sociedade dominante. Eu mesmo tenho meus problemas com os suecos às vezes (cada vez menos, diga-se de passagem) mas ainda acontece uma vez ou outra. O que escrevi acima é uma tentativa de encontrar um “caminho do meio”, onde eu possa viver em paz onde quer que esteja, seja aqui ou no Brasil. Por favor, não entendam o que escrevi acima como crítica ou repreensão. Estou apenas pensando alto (como faço sempre por aqui, aliás) e não quero ferir ninguém. Quero apenas poder escrever o que penso.

Filed under: Livros,Variedades — Maria Fabriani @ 13:44

June 27, 2004

Away

Queridos: esse post é só pra dizer que voltei. Estava em Piteå, na casa da minha sogra, sem acesso a um computador. As razões dessa ausência são duas, uma boa e outra ruim. A boa é que esse final de semana foi comemorado o Midsommar, um feriado tipicamente sueco, no qual marca-se o solstício de verão, o dia mais longo do ano. A partir de agora perdemos minutos de luz do sol dia a dia. O que não é mau, já que aqui no norte da Suécia nessa época do ano, chegamos a ter 17 horas de sol por dia. Haja cortina azul marinho.

A razão ruim é que Bob, pai de Stefan, morreu no dia 24 às 13hs. Estava publicando o post abaixo quando Stefan me ligou pra me dizer. Depois disso, joguei algumas coisas na mochila e fui pra estação de ônibus. Mesmo assim, a passagem de Bob já estava sendo esperada. Há mais de 20 anos ele estava numa clínica para pessoas doentes e/ou idosas depois de ter sofrido um acidente que o deixou com sérios problemas de saúde. Muito doente, nos últimos tempos precisou aliviar a dor com morfina. Ele se foi rodeado pela família, literalmente. Vera e três filhos de mãos dadas, ao lado dele, o tempo todo.

Bob teve uma vida cheia de mudanças, rica em acontecimentos. Enfrentou ocupação alemã em Amsterdam, foi soldado na Indonésia, imigrou para os EUA, onde conheceu minha sogra. De lá, eles voltaram pra Suécia em 1971, já com três filhos (meu urso entre eles). A família está bem, todos estão conformados. A irmã e as sobrinhas de Bob vêm da Holanda para o enterro, que deverá ocorrer na semana que vem. Veja a página In memoriam que Stefan fez em homenagem ao pai.

Queria ter escrito sobre a derrota sueca para a Holanda, mas agora isso já é old news. Só digo que de fato os holandeses jogaram melhor e mereceram ganhar. Agora só me resta torcer pra… quem? Talvez a República Tcheca. Que timaço! :c) Os dias aqui têm sido simplesmente fantásticos. Depois de um midsommar encoberto (o que é normal), o sol não pára de brilhar há dias. Céu azul, sol, “calor” de 25 graus, brisa fresca. Delícia.

Filed under: Saudade — Maria Fabriani @ 19:25

June 24, 2004

Palavras, palavras

Saudade é a 7ª palavra mais difícil de traduzir

BBC, em Londres

Uma lista compilada por uma empresa britânica com as opiniões de mil tradutores profissionais coloca a palavra “saudade”, em português, como a sétima mais difícil do mundo para se traduzir.

A relação da empresa Today Translations é encabeçada por “ilunga”, uma palavra do idioma africano Tshiluba, falando no sudoeste da República Democrática do Congo. “Ilunga” significa “uma pessoa que está disposta a perdoar quaisquer maus-tratos pela primeira vez, a tolerar o mesmo pela segunda vez, mas nunca pela terceira vez”.

Segundo a diretora da Today Translations, Jurga Ziliskiene, embora as definições sejam aparentemente precisas, o problema para o tradutor é refletir, com outras palavras, as referências à cultura local que os vocábulos originais carregam. Veja a lista completa das dez palavras consideradas de mais difícil tradução:

1. Ilunga (tshiluba) - uma pessoa que está disposta a perdoar quaisquer maus-tratos pela primeira vez, a tolerar o mesmo pela segunda vez, mas nunca pela terceira vez.

2. Shlimazl (ídiche) - uma pessoa cronicamente azarada.

3. Radioukacz (polonês) - pessoa que trabalhou como telegrafista para os movimentos de resistência o domínio soviético nos países da antiga Cortina de Ferro.

4. Naa (japonês) - palavra usada apenas em uma região do país para enfatizar declarações ou concordar com alguém.

5. Altahmam (árabe) - um tipo de tristeza profunda.

6. Gezellig (holandês) - aconchegante.

7. Saudade (português)

8. Selathirupavar (tâmil, língua falada no sul da Índia) - palavra usada para definir um certo tipo de ausência não-autorizada frente a deveres.

9. Pochemuchka (russo) - uma pessoa que faz perguntas demais.

10. Klloshar (albanês) - perdedor.

Como você define saudade? Pra mim, é um sentimento de falta, de cheiros, imagens e tempos passados. Uma unidade de tempo e de vida que já passou e que, por mais que esteja feliz onde estou, ainda me deixa triste por não existir mais. São pessoas que não estão presentes. É, principalmente pessoas que eram importantes e que não estão mais por perto.

Valeu, Alê!

Filed under: Cinema e televisão — Maria Fabriani @ 13:04

June 23, 2004

Trains, plains and automobiles

host1.jpg
Passei essa semana em Boden. Foi ótimo. Agora já estou de volta a Umeå para mais duas semanas de ralação. Depois, férias. No trem de ida, um “pequeno” imprevisto: o trem não veio a Umeå, passou direto por estar atrasado. Eu e mais alguns viajantes fomos de taxi até Vännäs, cidade mais ao norte, onde pegamos o trem.

Anteontem, na volta pra Umeå, outro imprevisto: o trem também não veio, dessa vez por causa de um incêndio na região onde os trilhos passam, que poderia até explodir (fogo perto de gás, ou coisa que o valha). Fomos de ônibus de Boden até Luleå, maior cidade do norte sueco, onde trocamos de ônibus. Dali seguimos para Umeå.

Vim ouvindo rádio a viagem inteira. Dá uma paz ouvir rádio vendo as paisagens mais lindas passarem pela janela. Campos verdinhos, casas vermelhinhas. Vaquinhas, carneirinhos, passarinhos. Rios, pedras, florestas. E o sol? Estava com sol alto até às 22 horas. Depois ele deixou de brilhar, mas nunca fica noite aqui nessa época do ano.

Em uma das minhas estações favoritas, a P3, tocou um programa em que grupos de rock apresentam durante uma hora suas músicas favoritas. Anteontem foi a vez do grupo sueco Sahara Hotnights (adoro esse nome). Dentre as músicas preferidas de Maria e Johanna estava “Angelina” de Harry Belafonte. Muito legal.

Angelina, Angelina, please bring down your concertina
And play a welcome for me ‘cause I’ll be coming home from sea
Yes it’s so long since I’ve been home
Seems like there’s no place to roam
Well I’ve sailed around the Horn
I’ve been from San Jose up to Baffin Bay
And I’ve rode out many a storm

Mais tarde, a P3 mostrou um show ao vivo do R.E.M., gravado em Oslo, Noruega, em outubro do ano passado. Foi emocionante ouvir os caras tocando e cantando “Loosing my religion” ao vivo. Tive que me segurar pra não sair me sacudindo no meio do ônibus (estava sentada na parte de baixo, então o vexame seria menor. :c)

Life is bigger It’s bigger than you
And you are not me
The lengths that I will go to
The distance in your eyes
Oh no I’ve said too much
I set it up
(…)
Every whisper
Of every waking hour I’m
Choosing my confessions
Trying to keep an eye on you
Like a hurt lost and blinded fool
Oh no I’ve said too much
I set it up

Quer ouvir a P3? Vá até o site deles e clique na palavra “Lyssna” (= “Ouça”), localizada à direta da barra preta.

A foto acima, apesar de muito fiel ao que vi, não foi tirada por mim, mas por uma amiga quando ela e o marido viajaram ao sul da Suécia. Lindo, né?

Filed under: Música,Vidinha — Maria Fabriani @ 12:21

June 22, 2004

HEJA SVERIGE!!!

sueca.jpg

Terminou agora o jogaço Suécia x Dinamarca. Dois a dois, resultado que classifica ambas as seleções nórdicas para as quartas de final da Copa Européia. Não foi mole porque os dinamarqueses jogaram muito melhor e mereciam ganhar, mas o oportunismo sueco se fez presente mais uma vez e conseguimos empatar no finalzinho da partida (gol de Mattias Jonson).

O mais engraçado é que esse resultado já estava sendo “cantado” pela seleção italiana desde o jogo passado. Isso porque esse placar seria suficiente para classificar Suécia e Dinamarca pra próxima etapa, seja qual fosse o resultado do jogo Itália e Bulgária. O jogo pode ter sido tudo, menos arranjado. Os dinamarqueses jogaram muito e os suecos correram atrás e conseguiram empatar - com muito esforço, diga-se de passagem.

Agora, posso afirmar sem qualquer sombra de dúvida que o resultado alegrou as populações da Suécia e da Dinamarca - países que se consideram “irmãos escandinavos”. Os suecos são primeiros do grupo e os dinamarqueses, segundos. Eles ganharam a posição italiana, dada como certa por todos. Isso mesmo, a Itália está desclassificada! Hohoho. Arrivederci, bambini!

Filed under: Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 22:49

Morte e mudança cultural

A única coisa que tenho a dizer sobre a morte do Brizola é o que me lembro das primeiras eleições “livres”, em 1982. Eu tinha 11 anos e fui com minha querida avó votar na Hebraica, em Laranjeiras. Ela, conservadora, votou no Moreira Franco. Minha mãe e um dos meus tios, no entanto, haviam escolhido votar no Índio Juruna (se lembram?), meu pai, no Brizola (eu acho). Coitada da vovó, o desgosto foi tanto que ela quase teve um treco.

Outra coisa que senti quando a Princesoca me avisou que o Brizola havia morrido foi uma certa melancolia. Isso porque sinto que as pessoas que fizeram do Brasil o que ele é pra mim durante os meus 29 anos de vida no Rio, estão desaparecendo aos poucos. Sejam elas boas, ou más. Estou perdendo pouco a pouco a base cultural em comum que sempre tive com amigos e família. Estranho.

Agora entendo o porquê de eu ficar meio deprê quando leio o blog do pessoal que mora no Brasil e não compreendo quem é fulano do Big Brother ou sicrano da novela tal. Estou, aos poucos, perdendo pedaços da cultural popular brasileira. O processo é inevitável, claro. Sei que é assim mesmo e não reclamo de não ser íntima dos participantes do BBB. Mesmo assim, sei lá. Me sinto mais uma vez “do lado de fora”.

Hoje na aula apresentamos livros que lemos sobre vários temas ligados às questões dos imigrantes. Eu apresentei o “Ett öga rött”, de Jonas Khemiri (foto à direita), do qual já falei aqui. Disse que o livro era interessantérrimo por lidar justamente com questões sérias como identidade de forma fácil, por se tratar da história contada em primeira pessoa de Halim, um adolescente nascido em Estocolmo de pais imigrantes.

Citei ainda a linguagem do livro como muito interessante. Trata-se de Rinkebysvenska, (sueco falado em Rinkeby, um subúrbio de Estocolmo onde é difícil encontrar um sueco “puro” pelas ruas). Há uma grande discussão sobre a importância de se reconhecer o sueco falado no “gueto” também como válido e não apenas rejeitá-lo como algo ruim. Eu disse que seria interessante dar esse livro para adolescentes e discutir não apenas sueco mas a própria questão social.

Nesse ponto uma menina, que está se formando para ser professora de sueco, diz que recomendar esse livro pros alunos é “um risco”. “Só pra quem já sabe muito sueco é que pode ser, talvez, interessante”, disse ela. Como resposta à minha pergunta do porquê dessa opinião, ela disse que o sueco do livro de Khemiri não é o sueco “correto”, que deve-se evitar ensinar algo assim, tão cheio de figuras dialetais. Nesse momento, eu retruquei: “Aha, então podemos cortar da lista de livros didáticos os clássicos de Selma Lagerlöf?” (Foto à esquerda. Escritora sueca do início do século que escrevia exclusivamente no seu dialeto e que ganhou até Prêmio Nobel de literatura em 1909).

Esse tipo de ignorância misturada com preconceito me enoja.

Filed under: Vida de imigrante — Maria Fabriani @ 16:05

June 19, 2004

Futebol e crianças

E não é que ontem quase que a Suécia perde da Itália? Pois é, depois de uma semana de gritos de “já ganhou”, a seleção sueca tomou um sustão. Eles estavam embalados com os 5 a 0 na Bulgária e achavam que a Itália não era lá essa coisa toda. Ainda mais quando o time italiano perdeu Totti, suspenso por três jogos depois de ter cuspido na cara de um jogador dinamarquês. Mas os italianos não deixaram a bola cair e, mordidos, tiveram um monte de chances de gol. Foi sorte da Suécia que o goleiro deles jogou muito.

O jogo estava quase terminando, 1 a 0 pra Itália e o time sueco parecia resignado com a derrota. Com a vitória sobre a Bulgária, eles ainda poderiam se classificar pras quartas de final caso ganhassem da Dinamarca no próximo jogo, terça-feira que vem. Mas foi aí que o oportunismo e o talento do Zlatan Ibrahimovic se fez presente. Num lance confuso na área italiana, ele marcou um gol de placa: de costas pro gol, ele tocou a bola pra dentro com o lado externo do pé direito. Todos os jornais suecos de hoje estão agradecendo a Zlatan. :c)

Não pude escrever antes porque hoje vieram aqui pra casa minha sogra, minha cunhada e as três filhas, 9 e 7 anos (uma mais velha e um par de gêmeas). Tenho que dizer pra vocês o seguinte: nego tem que ser mooooooooito macho pra ter três filhas. Elas vieram pra cá ao meio-dia e foram embora agora, depois das nove da noite. Meu, eu tô exausta, e olha que eu não fiquei sozinha com elas… Sinceramente? É mais fácil jogar 90 minutos de futebol contra a Itália… :c)

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 21:45

June 18, 2004

Eu googlo, você googla?

bartgoogle.gif

O pior é que as pessoas até aceitam o conselho do Bart, aí em cima, e vão mesmo ao Google, fazem as perguntas mais incríveis e acabam dando com os costados por aqui. Teve um gaiato que chegou ao Montanha procurando a “resenha do livro ‘trabalhar pra que?’”; outro se inspirou nos últimos episódios de E.R. e resolveu procurar por “imagens fotos fraturas acidentes” (cruzes!); um terceiro, com interesses mais “normais”, visitou o Montanha tentando encontrar “Ikea - horário de abertura”. Alguns procuram textos sobre Lygia Bojunga Nunes e o meu querido livro “Na corda bamba” e muitos, muitos mesmo, querem saber tudo sobre montanhas-russas e/ou mulheres russas.

Imagem copiada daqui.

Filed under: Variedades — Maria Fabriani @ 10:06
Next Page »
 

Bad Behavior has blocked 498 access attempts in the last 7 days.