May 30, 2004

Francamente

Nova novela inglesa, importada pela TV sueca. O nome é: “Vassa Saxar”, cuja tradução é “Tesouras Afiadas”. Repito: o nome da novela é “Tesouras Afiadas”. Acredite se quiser. Conta-se a história de dois salões de cabeleireiro (!!!!) que lutam entre si por clientes numa rua londrina (eu acho). No jogo há espaço para intrigas variadas, os obrigatórios triângulos amorosos e uma dramaturgia que dá vontade de chorar. Help! Ai que saudade de um bom Gilberto Braga! :c/

Filed under: Irritação e ironia — Maria Fabriani @ 21:22

May 29, 2004

Mulher ideal

nemi_balloon.gifPor que não sou como as mulheres ideais? Aquelas de revistas? (d’après Angélica) Sorrisos lindos, roupas adequadas à estação, without a worry in the world. Essas mulheres são tão… Comedidas! Odeio comedimento. Talvez porque nunca consiga alcançá-lo. Sempre como, falo, rio e questiono mais do que o que seria saudável.

Tenho arrepios quando encontro as tais pessoas zen… Será que elas existem mesmo ou são pura construção de quem, na verdade, é nervosíssimo mas não tem coragem o suficiente pra reconhecer isso? Sinceramente, a menos que você seja um monge tibetano em em retiro na Índia (sim, porque no Tibet não há mais paz) não dá pra ser zen. Não dá.

Essas pessoas comedidas, aparentam ser ainda educadas, dedicadas, seguras, sexys e nunca suam. O incrível é que eu sou educada, dedicada, até certo ponto segura e até um pouco sexy. Além do que, acho que a última vez que suei foi em agosto do ano passado. Mas comedida… Isso eu nunca fui.

Ainda me lembro quando assistia ao programa da Martha Stewart com a minha mãe no GNT (antes de eu vir pra cá e da Martha Stewart virar bandida). Sempre gostei das cores pastéis do programa dela, principalmente de uma louça verde-água que ela sempre mostrava quando preparava alguma receita. Aquela louça é um espetáculo.

Ver Ms. Stewart andar de um lado pro outro, consertando de tudo em sua casa fantástica e fazendo receitas deliciosas em sua cozinha incrível era um oásis de calma e serenidade. Mas, no final das contas, depois da orgia de “coisas boas”, me sentia estranhamente insatisfeita, como que caída das nuvens, back to reality.

Sempre achei o máximo aquelas mulheres que pedem uma sobremesa fantástica, tipo o brownie do Outback chamado “Chocolate Thunder From Down Under”, e fazem o inimaginável: o deixam pela metade. Ao mesmo tempo em que devoro o meu e a metade do delas, penso que deve haver uma felicidade incrível nesse controle - um verdadeiro rush - nessa capacidade de ficar em paz depois de se negar um carinho dos sentidos como o brownie do Outback, capaz de fazer seu cérebro boiar em serotonina.

Filed under: Variedades — Maria Fabriani @ 13:15

May 28, 2004

Hohoho

Mr Bush has got two sides on his brain:

the right side and the left side…

On his right side he hasn’t anything right.

On his left side he hasn’t anything left.

Valeu, Suyaen!

Filed under: Irritação e ironia — Maria Fabriani @ 18:13

May 27, 2004

Analisada a relação dos suecos com as vacas

vaca.jpg

A associação dos produtores de leite da Suécia realizou pela primeira vez um levantamento sobre a relação da população do país com as vacas. O que os suecos pensam dos ruminantes, com que freqüência entram em contato com elas, e o que pensam da capacidade das vaquinhas de aprender novas coisas, como distingüir novos tipos de plantas, por exemplo. A pesquisa baseou seus resultados nas respostas de 1 mil cidadãos escolhidos aleatoriamente.

A pesquisa mostrou que um em cada dez suecos não tem qualquer tipo de relacionamento com vacas, até porque eles nunca entram em contato com uma. Um em cada três afirma que vê através da janela do carro no máximo uma vaquinha passar de vez em quando. Cerca de dez por cento dos suecos acreditam que as vacas são burras. Outros dez por cento afirmam o contrário, que elas são na verdade inteligentes. O melhor é que dois por cento (20 entre 1000) acham que vacas são sagradas.

Ficou provado que os suecos têm os ruminantes em alta conta: a maioria absoluta afirmou que sentiria falta delas se elas sumissem. Essa mesma maioria disse que as vaquinhas suecas fornecem o melhor leite do mundo (Claro! Típico sueco!) e caso só existisse o produto estrangeiro para se comprar nos supermercados daqui, eles deixariam de beber leite. A maioria acredita que, com um pouco de treino as vaquinhas podem aprender algumas coisas, como a reconhecer quando chamadas pelo nome, andar em círculos e a se comunicar com o fazendeiro.

De acordo com a associação dos produtores de leite da Suécia, cinco por cento da população tem fobia de vacas, 17 por cento acham que as ruminantes fedem e outros cinco por cento acreditam que elas são aterrorizantes de forma geral.

A imprensa sueca é um espetáculo. :cD Particularmante, faço parte daqueles que vêem vaquinhas pela janela de vez em quando. Mas quando as vejo, ao longo da E4 (grande estrada que liga vários países do continente europeu), por exemplo, fico enternecida. “Aaaawwwwwww!!!!”, digo eu, e meu urso só ri. Coisas de quem cresceu no Rio e nunca pode exercitar seu lado country. Apesar de nem saber se tenho um, hohoho.

Filed under: Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 08:20

May 26, 2004

Eu sabia

Depois nego diz que não acredita em astrologia…

Cancer (June 21 - July 22)
Your May horoscope by Susan Miller

Life certainly has not been easy lately, dear Cancer (ja, tell me about it!). Saturn, the planet that brings hard life lessons, has finished almost half of its two-year orbit through your sign. By now you are coping with a range of new challenges and responsibilities, and undergoing a major life transition (Yesss!). The universe requires each of us to submit to a two-year tour of duty with Saturn every 29 years. Your period began in June 2003 and is set to end in July 2005.

Saturn is a little like a personal trainer. At first we don’t like a thing he says. He seems pushy and annoying (Hahaha). Everything he makes you do seems to make you hurt a little. However, soon you start to look and feel completely different … and better. You begin to see that all the hard work Saturn has done on your life was good and necessary.

For a long time, Saturn centered most of its harsh tests on those Cancers born in June, but that has recently changed. Saturn’s orbit is speeding ahead and will now shift its attention to Cancers with birthdays from July 1 to 15 (!!!). If your birthday is named, you will be dealing directly with Saturn from May through September 2004.

Filed under: Pra frente é que se anda — Maria Fabriani @ 19:04

Curso de verão

Hoje o correio veio com boas notícias (como sempre, aliás): fui aceita pra fazer o curso de verão “A sala de aula multi-cultural”. BINGO!!!! As aulas começaram na segunda, dia 7 de junho, e irão até os primeiros dias de julho. Poderei, dessa forma, fazer o curso que eu mais queria e ainda ter dois meses de férias depois!!!!

Estou muito feliz!!! Lá-ra-ra-ra-rá :cD

E mais: fui pegar emprestado alguns dos livros que precisarei pro curso e tive uma ótima surpresa. Já tinha pensado em comprar alguns dos livros que constam na lista de literatura obrigatória, até porque o assunto é muitíssimo interessante. Mas a falta de dinheiro é um problema chato, vocês sabem.

Achei interessante, no entanto, o livro “Att bryta upp och byta land” (difícil de traduzir, por se tratar de uma expressão, mas é mais ou menos “Ir embora e trocar de país”) e resolvi comprá-lo mesmo assim. Quando o achei na estante da livraria, o abri e dei de cara nas primeiras páginas com um poema de - nada mais nada menos - Dom Helder Câmara!!!

Earth.gifOm jag kunde // Se eu pudesse
skulle jag ge // eu daria
en jordglob // um globo terrestre
till varje barn // para cada criança
och allra helst // e ainda mais
en lysande sådan, // um globo terrestre iluminado
i förhoppning om // na esperança de que
att den skall öppna // ele pudesse abrir
varje barns ögon // os olhos de cada criança
och hos dem väcka // e despertar nelas
intresse för // interesse
och kärlek till // e amor por
alla folk, // todos os povos,
alla raser, // todas as raças,
alla språk // todos os idiomas
och alla religioner! // e todas as religiões!

Filed under: Livros — Maria Fabriani @ 11:00

May 23, 2004

Parabéns, Carlos!

mariacarlos.gif Hoje é aniversário do meu irmão Carlos, esse lindo aí da foto ao meu lado. Ele está fazendo 13 anos. Tenho muito orgulho do meu irmão. Além de ser um menino (rapaz?) lindo, ele é meigo, seguro, simpático e muitíssimo inteligente. Fiquei sabendo hoje, depois de falar com a mãe dele, Cristina, no telefone: meu irmão é o melhor aluno da sua turma, com média geral 92. É mole ou quer mais?

Nunca imaginei que teria um irmão. Carlos nasceu quando eu já era uma mulher feita, com mais de 19 anos. Mas, se tem uma coisa que posso dizer com o coração leve é: eu não poderia imaginar um irmão melhor, uma pessoa melhor. Penso sempre no meu irmão. Quando assisto a um programa dedicado a jogos de computador na TV, quando vejo crianças brincando na neve e meu maior desejo era poder fazer o mesmo com Carlos, quando entro numa loja e vejo os CDs radicais que queria poder comprar pra ele. Sinto muita falta de Carlos. Um beijo, irmão! Nos veremos ainda esse ano!

Filed under: Aniversários — Maria Fabriani @ 20:58

Salto mortal

Ter escrito o texto do post anterior me doeu. Ele não é diferente dos demais posts em que apresento os podres da Suécia de forma cínica e até certo ponto divertida - como que para mostrar que não existem paraísos na Terra. Mas, sei lá, isso não está me satisfazendo mais. Acho que esse “basta” interno aconteceu porque chegou o momento de fazer uma reavaliação. Estudar está sendo fundamental pra mim. Não apenas estou crescendo como gente e criando oportunidades para meu futuro profissional como tenho possibilidade de investigar uma série de questões íntimas minhas.

Uma delas é: por que tenho essa necessidade de escrever coisas negativas que acontecem na Suécia? Será que é pessimismo? Complexo de culpa por ter oportunidade de viver num país de primeiríssimo mundo? Ou uma necessidade subconsciente de renegar a Suécia, como quem renega e tenta se afastar de um amor que parece ser forte demais? (Afinal, todos nós sabemos que é mais fácil abandonar do que ser abandonado).

Acho que é de tudo um pouco. O Montanha-Russa nasceu por pura necessidade psicológica, cresceu como um blog de curiosidades da cultura sueca e virou, nos últimos tempos, um lugar onde escrevo sobre questões importantes pra mim, como racismo e discriminação. Isso eu não mudo porque acho que espelho minha situação aqui ao longo desses três anos. Além do que, não abro-mão de criticar, até porque não há nada mais chato de que ler blog cujos textos mais parecem propaganda de brochura turística.

Não. Escrevo aqui coisas que me tocam num nível pessoal e que me despertam interesse profissional. Sinto que, a medida em que me integro à sociedade sueca - vou à universidade, participo da vida cultural local e nacional, tenho amigos suecos etc - vou me intregando mais a mais e isso, pra mim, ainda é um pouco contraditório. Sinto que minha identidade se perde no caminho.

É difícil me sentir sueca e ao mesmo tempo brasileira. Até porque são identidades completamente distintas. Confesso que muitas vezes me sinto mais sueca do que brasileira. Outras vezes é exatamente o contrário. Isso me deixa perplexa, confusa e aflita. Me sinto numa espécie de limbo: não sou exatamente sueca (nem nunca serei) mas também não sou mais exatamente brasileira (nem nunca mais serei), entendem?

Seria muito difícil voltar a morar no Rio agora e ter de lidar com a violência desmedida, a total falta de respeito por regras e a diferença cada vez maior entre pobres e ricos. Sem falar na insegurança econômica, que devora a alma de quem precisa trabalhar para sustentar sua família. Aqui vive-se num universo paralelo, numa Disney World idílica. Acho que é até por isso que eu escrevo muito sobre os podres daqui. Para tentar tornar real essa realidade tão diferente.

Na Suécia, segurança é uma palavra ampla, que engloba vários níveis da vida do cidadão. Desde bebê até a terceira idade o cidadão é acompanhado, cuidado, educado, monitorado e ajudado de todas as formas possíveis. Para alguns isso pode parecer sufocante, um controle quase Orwelliano, mas digo por experiência própria - ainda que restrita a três anos - dá muita segurança saber que o fundo do poço nunca realmente é uma opção. O salto mortal é feito sempre com rede de proteção.

Feliz Aniversário, Carlos!!!.gifHoje é aniversário do meu irmão, Carlos! Treze anos! Nossa, que saudade. Um beijo irmão! Te amo!

Filed under: Vida de imigrante — Maria Fabriani @ 12:31

May 21, 2004

Notícias do Primeiro Mundo V

A notícia mais quente da semana não é o julgamento dos matadores de Knutby, que começou na terça-feira (leia post “Drama sob os olhos de Deus”, do dia 13 de maio, logo abaixo), mas o furo que o programa de TV “Kalla Fakta” da TV4 deu na segunda-feira: dois egipcios, Ahmed Agiza e Muhammed Al Zery, que moravam na Suécia com suas famílias, foram mandados de volta pro Egito em 2001, onde foram presos e torturados.

O problema é que agentes da CIA levaram Agiza e Al Zery para o Egito sob suspeita de terrorismo. Deixa eu repetir: eles eram suspeitos e foram retirados daqui por agentes da CIA, em pleno solo sueco. O serviço secreto sueco, chamado - pasmem! - Säpo [séépo], apoiou os representantes da agência americana, numa ação que coloca em jogo a credibilidade sueca como país onde os direitos humanos são respeitados.

Cerca de oito agentes americanos mascarados revistaram cuidadosamente Agiza e Al Zery em uma sala no aeroporto de Bromma, perto de Estocolmo. Os dois tiveram suas roupas cortadas em pedaços para evitar que as algemas tanto das mãos quanto dos pés fossem retiradas. Os agentes colocaram então fraldas e macacões azuis nos dois homens.

O pior é que ninguém sabe o que aconteceu com Agiza e Al Zery. Quer dizer, ninguém sabe o que aconteceu com eles depois de terem sido presos e torturados. Disso não há dúvidas. Ambos haviam procurado asilo na Suécia e deixaram suas famílias pra trás. Organizações de direitos humanos, como a Amnesty International, criticam muito a decisão sueca de abrir suas portas para agentes americanos sem que nenhum tipo de julgamento tenha sido feito.

Está lá no relatório de 2002 da Amnesty International sobre tortura na Europa:

“In some countries asylum-seekers were forcibly returned after their asylum claims had been rejected in an unfair procedure. This was the case in Sweden when two Egyptian men were forcibly returned despite concerns that they would be at grave risk of torture and unfair trial in Egypt.”

Tudo bem que o mundo mudou depois de setembro 2001. Não discuto a necessidade de que terroristas de todas as espécies sejam presos, mas esse tipo de ação num país de Primeiro Mundo como a Suécia é uma surpresa difícil de engolir. Será que alguém já ouviu falar de soberania? Que vergonha!

Filed under: Europa & Escandinávia,Notícias do primeiro mundo — Maria Fabriani @ 19:36

May 20, 2004

O submarino

Ontem assistimos a “Das Boot”, dirigido por Wolfgang Petersen (o mesmo de “Troia”). Muito bom. Pela primeira vez na minha vida me descobri torcendo pelos alemães na Segunda Guerra Mundial. (Nota: Vejam o filme antes de me escrever emails ou deixar comentários enfurecidos.)

Hoje é feriado aqui, Kristi himmelsfärds dag (literalmente: dia da subida aos céus de cristo. Não é Corpus Christi, conforme eu pensava - valeu Inezoca!). Hoje também é dia de voltar pra Umeå. Sabe aquele ditado que diz: “Alegria de pobre dura pouco”? Pois é, a mais pura verdade.

Filed under: Variedades — Maria Fabriani @ 11:25
Next Page »
 

Bad Behavior has blocked 429 access attempts in the last 7 days.