Um dos livros mais interessantes dessa parte do curso de sociologia foi “Det kallas kärlek”, (“Chama-se amor”) de Carin Holmberg. O livro é na verdade uma tese de mestrado, na qual Holmberg pergunta como a inferioridade feminina e a superioridade masculina se reproduzem na relação entre um par.
Notem que ela sequer questiona se a mulher é vista como inferior ao homem. Isso porque, segundo a socióloga, não são apenas homens e mulheres que ajudam a manter as coisas como sempre, mas as estruturas sociais que não permitem uma igualdade de direitos e deveres entre os dois sexos.
Holmberg escreve ainda que vivemos numa sociedade masculina, que premia e favorece os homens implacavelmente. Ok, isso a gente já sabia. A diferença é que ela diz que toda e qualquer relação a dois (no caso ela estudou apenas casais heterossexuais sem filhos) é assimétrica, em favor do homem e em detrimento da mulher. Sempre. E tem mais: se antes do nascimento do pimpolho as coisas eram iguais, depois, pode esquecer. A mulher sai sempre sair perdendo - do ponto de vista social (não entro no mérito das maravilhas da maternidade).
Mas aí eu pensei: “Poxa, mas no meu relacionamento as coisas são mais equilibradas. Não sou eu que cozinho sempre, nem lavo a louça (temos lavadoura automática, amém). Meu urso me ajuda na limpeza da casa, cuida do carro etc”. Mas de fato, depois de ler o livro, e os depoimentos das pessoas que ela entrevistou pra sua tese, comecei a perceber o desequilíbrio que até nós, mulheres liberadas e preparadas, não notamos.
Um exemplo é quando se discute a divisão de trabalho na casa. Tá lá no livro: “Ele exige que as tarefas domésticas sejam divididas. Ao mesmo tempo, ele acha que as exigências dela no que diz respeito à arrumação são muito exageradas”. E ainda: “O ideal dele, quer dizer, a exigência de que as tarefas domésticas sejam divididas, não bate com a prática - no final das contas, ela ainda tem maior responsabilidade sobre o cuidado do lar”.
Um dos exemplos é o clássico: “Ela tem uma tolerância muito baixa no que diz respeito à limpeza”, dizem os homens (meu urso incluído aí no bolo). E nós, mulheres, ficamos aqui, querendo dividir o trabalho, mas ao mesmo tempo não agüentando quando eles fazem corpo mole e não realizam todas as tarefas designadas. Será que estamos erradas? Será que é pedir demais? Ou será que o que eles estão fazendo é um jogo de poder?
Um dos capítulos mais interessantes é o que discute exatamente a divisão de poder na relação a dois. E está lá uma coisa intererssante e polêmica: “O recurso de poder mais importante para as mulheres é ser a parte que ama menos”. Se é verdade, eu não sei, mas essa é uma dessas afirmações que fazem a gente pensar.
Agora me lembrei de um episódio do “Sex and the City” em que a Carrie descreve uma relação que ela teve com um cara e que ela agiu pela primeira vez como um homem faria. Ela tava a fim do cara, levou pra cama, comeu e depois disse: “Tchau, baby! Agora tenho que voltar pro trabalho”. Bateu a porta e esqueceu o cara. UHU!