March 30, 2004

Cabelo

Oi. Passei só pra dar um oi. Muito interessante os comentários do pessoal sobre o post das mulheres, abaixo. Pena que não tenho forças pra escrever mais sobre minha experiência aqui, de como as coisas realmente são. Ando lendo/estudando sem parar. Na segunda começamos uma nova fase do curso: sociologia. Tô que nem uma maluca, precisando ler mais de 500 páginas em uma semana. Sai meu Urso e entram Hobbes, Durkheim, Comte, Weber, Marx. Tô morta.

Mas fiz uma coisa boa essa semana (não que estudar seja ruim, muito pelo contrário, mas vocês catch my drift, né?). Então, cortei meu cabelo. Achei um salão dentro da universidade e a um preço exorbitante cortei meu cabelo. E, como sempre, em se tratando de Suécia, tem que ter alguma coisa especial. Pois é. Estava eu sentada esperando minha hora. Quando fui chamada pela cabelereira Agneta (a cara da cantora loira do ABBA de mesmo nome - quase perguntei se o nome dela, da cabeleireira, era artístico) disse que havia sim lavado minha cabeça no dia anterior.

Aí ela disse: tudo bem, mas vamos só dar uma lavadinha rápida, ok? Tá bom, disse eu, já pensando nas conseqüências econômicas (que não vieram porque lavagem e secagem são incluídos no preço do corte). Já sentada na cadeira, pronta pra lavar meus cabelos, Agneta me conta que é muito importante ter cabelos bem limpos quando se vai cortá-los. A razão foi uma surpresa pra mim: se você cortar um cabelo “sujo” e uma pequena pontinha cair nos pés da cabelereira, como sempre ocorre, ela pode desenvolver uma infecção seríssima nas unhas.

Fiquei boquiaberta. Nunca havia ouvido falar disso, mas Agneta me confirmou que uma companheira sua de salão cortou o cabelo de uma pessoa e logo depois descobriu que um pequeno pedacinho do cabelo havia se alojado debaixo da unha, causando uma infecção que custou à cabeleireira a sensibilidade da ponta do dedão. Se é verdade ou não, deixo aos cientistas descobrir. Eu vou pra cama com Thomas, Émile, Auguste, Max e Karl. Boa noite! :c)

Filed under: De bem com a vida — Maria Fabriani @ 21:44

March 26, 2004

Bicho papão

Hoje apresentamos nosso trabalho de grupo. Discutimos o chamado Kvinnojour, ou casa de amparo a mulheres submetidas à violência masculina. Aqui há casas como essa em todas as cidades e queríamos saber como é que funcionava. A primeira coisa que descobrimos é que, apesar de receber dinheiro de pessoas físicas e das kommuns (governo das cidades) onde se encontram, esses centros oferecem poucas informações à respeito de seus sucessos/fracassos. As estatísticas são furadas, entrevistas difíceis de se obter. Um perregue. Nem parece que estamos na organizadíssima Suécia.

Mesmo assim fizemos o trabalho e foi muito legal. A apresentação foi ainda melhor. Conseguimos despertar a curiosidade da turma que havia sentado calada durante quase todo o dia, em estado de torpor. Como não pude ir à entrevista com as mulheres do kvinnojouren (elas pediram que apenas duas pessoas do grupo fossem), li um livro que elas utilizam em seus cursos sobre a situação da mulher na sociedade e o apresentei.

E fiquei boba com o tom usado. Apesar de apoiar esse tipo de atividade e achar que, de fato, algumas mulheres precisam sim de muita ajuda, depois de ler o livro “oficial” considero os métodos desse kvinnojour um tanto quanto extremos. Há um ódio generalizado por todos os homens, sem diferença. Querem um exemplo? Imagine que uma mulher resolva se mudar para centro e quer levar consigo seu filho. Se o menino tiver mais de 13 anos, ele não pode ir morar com a mãe.

Isso porque aos 13 anos, dizem as mulheres de lá, já há sinais de que o menino começa a ser homem. Daí a proibição. Imagina o meu irmãozinho, que faz 13 anos agora em maio, sendo colocado na mesma categoria de homens violentíssimos? Um absurdo. Aí vocês se perguntam: “Imagina como elas não vêm homens de verdade”. Pois é. Homens de verdade elas não vêm mesmo porque o medo é tão generalizado que não há chance. Mesmo quando o medo é plenamente justificado, a adaptação dessas mulheres na sociedade é dificultada pela pregação radical a que são sujeitas.

Sou uma feminista reservada, por assim dizer. Acho que a mulher é sim posta pra escanteio de propósito algumas vezes pela sociedade e outras vezes ela mesma escolhe uma posição menos proeminente. Mas isso é um assunto longo. Ao mesmo tempo que acho fantástica a existência desse tipo de ajuda na sociedade, discuto esse radicalismo. Se eu seguisse pela linha de pensamento do kvinnojouren, teria de afirmar que metade da população mundial é formada por bicho-papões.

Pra descontrair. Sexo na Inglaterra, na Nova Zelândia (hahaha) e… na Suécia. Essa é boa. (Valeu, Alê!)

Filed under: Universidade — Maria Fabriani @ 18:55

March 25, 2004

Ah, esses hormônios…

Hoje sonhei que estava comprando roupas na loja de Ipanema da Dimpus (em frente à Chaika). Me acompanhando, um muchacho muito belo, sueco, que até bem pouco tempo fazia parte de um dos reality shows que assisto religiosamente. (Sorry, Urso! Foi mal aê!) As vendedoras eram lindas, loiras e magras. (Claro, o que esperar da Dimpus?)

Como eu estava demorando pra me decidir se comprava as roupas ou não, as vendedoras nos informaram que poderíamos guardá-las na loja e nos apontaram pruma porta. Lá dentro, quatro pessoas enoooormes de gordas dormiam em camas de prisão acorrentadas às paredes, cobertas de musgo e sujeira. Parecia um dungeon da idade média. Que coisa.

Ontem, andando na rua, escorreguei e caí, pela milésima vez, por causa do gelo que se forma no chão. Quando me levantei, com a ajuda de uma senhora que parou pra perguntar se estava tudo bem (eles estão acostumados com gente que, como eu, vive caindo pelas ruas por causa do gelo) e eu disse que sim. Aí, me veio à cabeça que deveria ter dito: “Esse aqui não é exatamente o meu ambiente”, fazendo referência ao gelo no chão, frio etc.

Mas quando pensei nisso, não me vi dizendo isso, mas vi/imaginei minha mãe. A vi na minha frente rindo comentando mais uma derrapada no gelo. Aí, meus caros, comecei a chorar que nem um bebê pelas ruas de Umeå, lembrando da voz da minha mãe, da risada, do cheiro, da presença dela. Só digo uma coisa: o que esses hormônios da TPM não fazem com o nosso cêrebro? Gente…

Filed under: Saudade — Maria Fabriani @ 15:25

March 24, 2004

Desculpem o transtorno!

Atenção rapaziada: o Mauro me chamou a atenção pra um detalhe que eu tinha esquecido: a preguiça alheia em mudar links repetidamente. Bom, se você acha um saco ficar mudando endereços de blogs, se não gosta de mexer muito na sua template porque tem medo de estragar tudo, se é preguiçoso(a) ou se simplesmente não está nem aí pra onde o Montanha-Russa esteja hospedado, um aviso!

Segundo a capitã Lu Misura, a tal troca do DNS já aconteceu. O que significa que em breve poderemos ver o Montanha também no endereço www.fabriani.com. Isso significa que o endereço fabriani.mundopequeno.com será desativado. Sim, eu sei, eu sei. É sacanagem com todos vocês que já mudaram. Me desculpem! Se pudesse estar aí perto de vocês daria uma balinha diet pra cada um como consolo. Sorry.

O único problema é que, pelo que me explica a Lu Misura, o tal do DNS ainda está “se propagando” pelo espaço cibernético, o que faz com que algumas pessoas, em alguns continentes, possam ver o Montanha-Russa 2.0 no endereco www.fabriani.com e outras (como eu) ainda sejam enviadas para o blog antigo, lá no Blospot. Mas tudo bem. A gente aguarda.

Filed under: Pra frente é que se anda — Maria Fabriani @ 08:40

March 23, 2004

Tenda da tia Maria

Acordei hoje cedinho porque tenho dois trabalhos de grupo para fazer. Um às 9h30m e outro às 16hs, ambos na biblioteca da universidade. Depois de tomar café-da-manhã ouvindo rádio (problemas no Kosovo, reportagem direto da Faixa de Gaza etc) fui ler jornal. Li um artigo que confirmou o que eu já sabia: contato físico faz com que possamos viver.

Estudos feitos com crianças que vivem em orfanatos e recebem pouco ou nenhum toque humano mostram que a maioria morre. Sim, morre. O contato faz com que liberemos o hormônio Oxitocina, que entre outras qualidades, nos dá tranqüilidade, uma sensação de calma e, consequentemente de que somos amados. Além disso, quem não é tocado por ninguém tem dificuldades de absorver proteínas e, por isso, definha. Incrível, não?

O mais engraçado é que dependo mesmo do toque humano. Desde quando era bebê e mamãe fazia Shantala, uma massagem indiana para bebês, até agora, uma galaloa de mais de 30 anos. Quando converso com o pessoal da minha turma lá na faculdade vivo tocando braços, antebraços, ombros. No início eles ficavam um pouco surpresos, mas agora eles sabem que não quero dizer nada com isso (i.e. não tem nenhuma mensagem sexual sub-reptícia).

Mas nem sei porque comecei a falar disso. O que eu na verdade vim aqui pra contar é que depois de ter lido meu jornal, tomei um banho e liguei o computador. Queria saber se alguém ainda me visita e deixa comentários. (Esse tipo de contato também é muito importante, ok?) Aí, abri o outlook e notei um email standart da Susan Miller, uma astróloga de Nova York, que escreve relatórios mensais interessantes sobre planetas, influências, luas etc.

Pois bem, a Susan Miller me informou no email que era pra eu concluir todos os meus negócios o mais rápido possível porque Mercúrio está entrando em retrocesso. E todos vocês sabem o que isso quer dizer, não é? Pois é. Informação de utilidade pública: Mercúrio vai ficar de mau com a gente de 6 até 30 de abril, portanto tentem finalizar todos os projetos que ainda estejam pendentes antes dessa data. E eu só digo o seguinte: Lu, parece que essa coisa da mudança de DNS só vai mesmo sair lá pro final do mês que vem… :c(

Filed under: Pra frente é que se anda — Maria Fabriani @ 08:51

March 22, 2004

Montanha-Russa 2.0

florzinha.gif

O Montanha-Russa está de cara nova, como vocês podem ver. É a versão 2.0 do meu blog. Além do trabalho pesado, feito pela equipe da Pixelzine, da Lu Misura, ainda tive o prazer de poder contar com a ajuda da Marcinha, que recriou sozinha, lá dentro dos códigos HTML do Movable Type, a atmosfera do Montanha.

E eu ainda a aluguei durante a tarde da terça-feira passada pra que ela me ensinasse como se mexe com as templates etc. Nossa! Marcinha, queridoca, eu já te disse isso, mas você é feeeeeeeerrrraaaaa! (além de ser um doce de pessoa). Obrigada!

Aí vocês perguntam: se você já estava com o blog pronto desde a terça-feira passada, por que só o inaugurou hoje? E por que o nome diferente? Por que você não manteve o endereço www.fabriani.com? Bem, a história é mais complicada do que parece. O problema é que pedi o redirecionamento de DNS pros caras da empresa que hospedava o www.fabriani.com para que ele pudesse ser acessável por intermédio dos servidores da Pixelzine. Isso, segundo a Lu Misura, poderia ser feito online e tudo deveria estar pronto em não mais do que dois dias.

Pois não é que dei de cara com a burocracia sueca? Depois de tentar TUDO pelos caminhos online (requisitado pela Carambole, a empresa), meu Urso mandou até fax pedindo o redirecionamento no último dia 15 de março. Nada. Hoje, já perdendo as estribeiras, liguei pros caras da Carambole (também, com esse nome não podia ser um treco sério!) e o seguinte diálogo se desenrolou:

Eu - O que que há, mermão?.
O cara - Ah, seu papel já foi encaminhado para o departamento comercial (pra verificar se está tudo pago) e ainda não voltou.
Eu, no depto. comercial - Está tudo pago, não é?
Outro cara - Sim, está tudo pago.
Eu - Então porque ainda não fizeram a mudança, cara pálida?
Outro cara - Ah, o cara que faz isso estava doente… Mas eu vou tentar acelerar o seu processo pra você, ok?

Tem que se ter muita paciência, viu? Mas isso, devo dizer, é típico sueco. A gente acha que a escandinávia é uma cópia loira dos EUA ou da Alemanha, onde tudo é feito rápido, eficientemente, mas neca. Aqui é mais parecido com o Brasil nesse ponto. Tudo muito lento. A única diferenca é que todos os caras com quem falei são extremamente bem educados.

Bom, sejam bem-vindos ao Montanha-Russa 2.0! E, por favor, atualizem o link do Montanha-Russa, ok? Agora nos chamamos http://fabriani.mundopequeno.com.

florzinha.gif

Filed under: Pra frente é que se anda — Maria Fabriani @ 17:12

Sonho e realidade

Tenho sonhado muito. Ou melhor, tenho lembrado muito dos meus sonhos. Na noite de ontem pra hoje sonhei com meu Urso. Ele me olhava intensamente antes de me beijar e eu podia ver suas pupilas dilatadas e os olhos azuis. E, por isso, ficava feliz. Isso porque Stefan não toma drogas, nós não estávamos no escuro (e ele não tem olhos azuis). Então as pupilas estavam dilatadas por minha causa, por ele estar olhando para quem ama. Hohoho.

Outro dia sonhei um sonho menos feliz. Estava com minha mãe e minha avó numa espécie de bunker, onde minha avó estava deitada por estar muitíssimo doente (o que é verdade). Sabia que teria que dizer adeus à vovó e por isso chorava ao lado da minha mãe, sempre presente. Acordei com um nó na garganta. Havia chorado muito no sonho e continuei na realidade. E aí lembrei o que tinha acabado de ler na noite anterior.

Como vocês já sabem a Suécia tem um sistema de wellfaire fantástico, onde os impostos escandalosos descontados de todos os cidadãos realmente retornam em benefícios gerais, como escolas espetaculares, tratamento médico garantido e, quando o indivíduo ficar bem velhinho, o chamado äldreomsorg [éldreomsori], que fornece pessoal especialmente treinado, uma rede de clínicas ou apartamentos especialmente criados para os mais velhos.

Se você é cidadão sueco (mesmo tendo morado o primeiro terço da sua vida no Brasil, como eu) quando ficar velho você tem seu lugar garantido em uma dessas clínicas. É claro que às vezes existem problemas, muita gente velha para poucos apartamentos especiais ou vagas no sistema público de saúde. Mas, mesmo assim, em geral o sistema funciona bem.

Pois bem, o sistema realmente precisa mesmo funcionar bem porque segundo a lei sueca “filhos adultos não têm qualquer obrigação de cuidar nem sustentar seus pais no final da vida”. Li isso no livro mostrado aí à esquerda, “Etik och Socialtjänst” (“Ética e Serviço Social”), de Ulla Pettersson. Alguém sabe se no Brasil os filhos são obrigados a tomar conta de seus pais? Ou se sequer existe uma legislação a respeito?

Confesso que fiquei meio chocada. Pensei imediatamente: “Esses suecos! São uns desalmados!” Mas, na verdade, faz sentido. O que se defende ali é que a pessoa não precisará se preocupar com a saúde dos pais se, por exemplo, não puder pagar um tratamento caro de saúde. O Estado está aí pra encarar a nota. O indivíduo trabalhou a vida toda (aqui aposentam-se homens aos 65 anos e mulheres aos 60) e fez mais porque merecer essa garantia.

Filed under: Saudade — Maria Fabriani @ 13:38

March 21, 2004

Ironia

SAN ANSELMO, California (AP) — Brian Maxwell, fundador do império milionário PowerBar (barrinhas alimentícias supostamente fornecedoras de energia para quem se exercita muito) morreu aos 51 anos devido a um infarte. Detalhe que esqueci de escrever ontem: Maxwell era o que a CNN chamou de former world-class marathon runner.

É… Cada vez mais me convenço de que os suecos estão mais é certos, sabe? Lagom är bäst… (Meio termo, moderação é melhor).

Filed under: Irritação e ironia — Maria Fabriani @ 18:43

March 18, 2004

Extra! Extra!

A escritora brasileira Lygia Bojunga Nunes (foto) ganhou o prêmio Astrid Lindgren de Literatura Infantil! O prêmio é, segundo a imprensa e o governo sueco, um dos maiores prêmios de literatura do mundo, perdendo em importância apenas para o Prêmio Nobel. A notícia saiu na primeira página do Dagens Nyheter (DN). Muito legal!!!

Li “A Bolsa Amarela” quando era menina, e um dos livros que sobreviveram à minha limpa e me acompanharam na mudança Brasil=>Suécia foi “Na Corda Bamba”, também da Lygia Bojunga Nunes. Quando li esse livro devia ter uns 13, 14 anos. Nunca esqueci. Que profundidade, que lirismo! (Além do mais, a personagem principal chama-se Maria!)

Na notícia do DN, a repórter diz que entrevistou Lygia Bojunga Nunes pelo telefone e que ela estava feliz e muito surpresa com o prêmio. Agora, ele pretende criar um centro de cultura para facilitar o contato das pessoas com livros. Para isso, ela poderá contar com cinco milhões de coroas suecas, o que dá (eu acho) cerca de 700 mil dólares.

UHU!!!!

Veja a matéria do DN aqui.

Filed under: Livros — Maria Fabriani @ 16:47

March 17, 2004

Sem comentários

Me abstenho de responder aos comentários do post “Fragilidade”. A razão é simples: não me sinto capaz de responder de forma objetiva a alguns comentários em particular. Além do que, acho que a maioria não entendeu o que eu quis dizer com o post. Escrevi sobre uma sensação, algo subjetivo e portanto bastante pessoal. Avisei, inclusive, que estava generalizando em algum ponto e deixei bem clara minha posição com relação a isso.

A retórica ligeira do tipo “Bola pra frente”, “é assim mesmo” ou “não pense assim senão você nunca será feliz” não me ajuda. Só faz reforçar minha impressão de que não consegui transmitir o que queria. Ou talvez os receptores não estejam abertos à minha mensagem. Não dou (nem sigo) receitas de felicidade na terra estrangeira porque sei que o caminho de cada um é diferente. Depende de muitas circunstâncias sociais, econômicas, emocionais etc.

Dito isso, quero deixar bem claro que não busco unanimidade de opiniões, nem no blog nem nos comentários, nem tão pouco quero fazer do Montanha um muro de lamentações contra os suecos. O que desejo é entender esse país, essas pessoas. E apenas conseguirei entendê-los se observar a influência que eles têm sobre mim. E puder falar/escrever sobre isso.

O que fiz no post “Fragilidade” foi escrever sobre um momento da minha vida, a partir das minhas idéias, da minha experiência pessoal e da minha personalidade. É CLARO que sempre digo pra mim mesma: “Deixa pra lá, essa pessoa não sabe de nada” quando me deparo com algum europeu ignorante. Se não relevasse na maioria das vezes o comportamento alheio era melhor me trancar num convento e jogar a chave pela janela.

Mas exatamente por morar aqui, estudar e viver no meio de gente tão diferente, é que percebo mais cruamente as reações de quem encontro e principalmente as MINHAS reações com relação a eles. Minha análise é válida porque faz sentido para mim, pessoalmente.

Na minha opinião, quem estuda (ou se interessa por) sociologia, comunicação, cultura etc tem que fazer uma reflexão mais aprofundada sobre o seu papel na sociedade em que vive. E foi isso o que eu fiz. Não quero sentar em casa e pensar: “Tomara que dê certo essa coisa de se mudar pra Suécia”. Não, eu quero fazer com que dê certo. E pra fazer com que dê certo preciso entender. E para entender preciso escrever. É isso.

Filed under: Vida de imigrante — Maria Fabriani @ 15:32
Next Page »
 

Bad Behavior has blocked 504 access attempts in the last 7 days.