February 29, 2004

Hohoho

Pfizer desiste de criar o Viagra feminino. Explicação: “As mulheres são muito complicadas”.

Da matéria do Globon - (meus comentários estão em vermelho): “Depois de oito anos de pesquisas e testes envolvendo três mil mulheres, os cientistas da Pfizer descobriram que excitação e desejo têm efeitos e trajetos diferentes em homens e mulheres(Dããã!!!).

“Para homens, estar excitado quase sempre leva ao desejo de consumar o ato sexual. Então, ao melhorar a capacidade do homem de ter ereções, o Viagra afeta sua função sexual. Mas, como excitação e desejo são freqüentemente desencontrados nas mulheres, o medicamento pode, sim, criar sinais externos de excitação, mas tem pouco ou nenhum efeito sobre a vontade das mulheres de fazer sexo.” (Mistééééério…)

“Em muitas mulheres, o que se observa é um desencontro entre as mudanças genitais e mentais”, disse ao The New York Times Mitra Boolel, chefe da equipe de pesquisas do sexo da Pfizer. “Esse desencontro não existe nos homens. Eles realmente têm ereções quando vêem mulheres nuas e querem fazer sexo. Com as mulheres, tudo depende de uma miríade de fatores”, observou. (E esse cara gastou milhões de dólares e oito anos de pesquisa pra descobrir o óbvio?)

“Boolel disse que ele e sua equipe vão continuar com a pesquisa, mas explicou que os cientistas vão desviar o foco da genitália para a mente feminina: “O cérebro é o órgão sexual crucial nas mulheres”, revelou.

Isso é pra gente parar de reclamar dos cientistas que gastam dinheiro estudando o por quê das meias desaparecerem nas máquinas de lavar. Isso sim é um mistério.

Filed under: Irritação e ironia — Maria Fabriani @ 19:12

Bissexta

Sexta-feira, na biblioteca da universidade, perguntei a uma das bibliotecárias sobre o livro “Escritos filosóficos”, de Karl Marx e do Engels, do qual precisava copiar um pequeno artigo, denominado “Det alienerade arbetet” (“O trabalho alienado”). Tive que so-le-trar a palavra “alienerade” pra bibliotecária. É mole?

Hoje, pela primeira vez em quase duas semanas, acordei mais tarde do que as seis da manhã. Um luxo total: oito e meia da manhã e eu ainda estava fazendo preguiça debaixo do edredon. E mais! Dormi ontem à tarde. Isso eu não faço desde o ano passado… Stefan ligou e eu nem escutei, acredite se quiser.

Estou lendo três livros paralelamente. O do Tony Parsons (que está me partindo o coração); um livro pro meu curso de ética em serviço social chamado “Trygga och otrygga möten - vardagsetik och bemötande i arbete med människor” (“Encontros seguros e inseguros - ética cotidiana e tratamento no trabalho com pessoas”) e “Yoga para nervosos”, do Hermógenes. (Nervosa, eu? Nããã…)

Esse gifzinho da montanha-russa é bonitinho mas me deixa maluca. Essa coisa repetitiva me dá um nervoso louco. Tô quase tirando isso daí. Acho que se fosse uma criança japonesa crescida nos anos 90, estaria entre as vítimas de convulsões causadas por Picaxú e companhia.

Morro de saudades de tudo. O tempo todo. Não enxergar isso é a-li-e-nar-se.

Filed under: Variedades — Maria Fabriani @ 11:30

February 28, 2004

De volta

Tava sem conseguir escrever aqui por puro cansaço. Precisei fazer um trabalho/prova de quatro páginas (corpo 12, intervalo simples entre as linhas) sobre comunicação. Sim, quando eu achava que estava livre dos filósofos de teoria da comunicação, they drag me back in, como diz Michael Corleone. Terminei ontem, duas semanas antes da data de entrega.

Aí você diz: “Essa menina é maluca! Se ralando toda pra fazer um trabalho quando ainda tem duas semanas pra entregar?” E eu digo: Sim, preciso escrever tudo antes porque ainda tenho que participar de um trabalho de grupo que está se mostrando mais complicado do que deveria e uma prova/seminário/discussão sobre ética. Isso tudo até o final de março. Aí depois começa tudo de novo, só que com sociologia.

Ufa!

E o Montanha fez dois anos hoje, legal, né? Estou muito feliz por ter descoberto essa maneira de me entender na Suécia, de poder descrever minha vida e minhas descobertas aqui. Isso me faz um bem enorme. E o mais incrível é que todos os dias percebo que realmente tem gente que gosta de ler! Ainda acho isso fantástico. É uma delícia abrir os comentários e ver quantas pessoas passam por aqui. Obrigada!

Aliás, contei que vi “Cidade de Deus”? Já faz tanto tempo que não escrevo que até esqueci. Pois é, adorei o filme. Como o cinema brasileiro está fantástico! Mas o mais engraçado foi meu urso polar assistindo ao filme comigo. Ele lia freneticamente as legendas em sueco e eu, por puro costume, também lia e via a quantidade de erros cometidos em cada frase.

Pra começar os palavrões todos foram eliminados e as palavras de mais baixo calão, sumiram. Aí descobrimos o por quê. As legendas haviam sido traduzidas para o sueco a partir de um texto em inglês dos EUA. Depois do filme terminar, comentamos algumas coisas, principalmente no que diz respeito à hierarquia do crime e ao “imaginativo” português usado em todo o filme. Me esforcei para traduzir todas as ignomínias ao pé-da-letra.

E lá veio meu urso dizendo: “Agora eu já posso conversar em português!” Fico apenas imaginando que conversa ele terá com meu pai ou minha mãe com o vocabulário adquirido com a ajuda do filme de Fernando Meirelles. Cabaço pra cá, punheta pra lá e tudo mais. Bom, tomara que “Cidade de Deus” ganhe muitos Oscars amanhã. Estarei torcendo. A gente merece.

Filed under: Variedades — Maria Fabriani @ 22:18

Filed under: Aniversários — Maria Fabriani @ 00:00

February 24, 2004

Terça-feira

Hoje estou me sentindo muito sueca. Almocei escutando na P3 - uma das estações públicas de rádio dedicada ao segmento mais jovem da sociedade sueca - o programa da Annika Lantz, uma comediante genial. Ela comentou sobre um documentário que assistimos ontem que explicou a Teoria da Relatividade de Einstein. Fácil, deu até pra entender! (Mas eu não sei explicar. Nem adianta pedir que tudo o que eu entendi ontem, já esqueci).

Almocei salada mas de sobremesa pequei, pequei, pequei e comi um semla, uma espécie de pão-doce com recheio de massa de amêndoas e creme de leite (foto) consumido especialmente na terça-feira gorda (faz sentido!!!!). A história dos tais dos semlor é longa e chata. Como tudo na Suécia, inclui reis, soldados etc e tal. Digo o seguinte: cada estação do ano sueco é marcada por acontecimentos gastronômicos. Peixes, frutas, crustáceos, biscoitos e bolos. Tudo é coordenado.

E eu aqui, que fico feliz só em pensar em feijão preto.

Está morrendo de curiosidade sobre os tais dos semlor? Então clique aqui e fique saciado. (em inglês)

Filed under: Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 13:39

February 21, 2004

Livros

Acabei de ler agora o “Skipping Christmas”, do John Grisham. Adorei o livro até o capítulo 13, mais ou menos. A história estava tão interessante que eu simplesmente não consegui parar de ler. Mas o final me decepcionou muito. Acho que o John Grisham é muito bacana, mas essa coisa americana de que tudo acaba sempre bem, que as tradições são sempre respeitadas e uma lição é dada naqueles que tentam fugir ao mainstream me irrita profundamente. Comecei a ler o Tony Parsons em busca da acidez britânica, onde o mundo não é sempre cor-de-rosa e a gente pode rir das desgraças do nosso cotidiano mais livremente.

Filed under: Livros — Maria Fabriani @ 12:03

February 20, 2004

Em “casa”

Adoro andar de trem. Hoje, a caminho de Boden, esperava o trem na estação central de Umeå às seis e meia da matina. Fui perguntar a uma moça se era ali mesmo que deveria estar para subir no trem certo. Ela disse que sim e engatamos um papo ligeiro. Expliquei que era a primeira vez que ia pra casa depois de um mês em Umeå e achei muito estranho chamar Boden de “casa”.

Ela era simpática e perguntou de onde eu vinha. Achei a pergunta estranha, apesar de saber que os suecos têm um esporte nacional chamado “descubra-de-onde-a-pessoa-vem-com-a-ajuda-do-dialeto”. Entendi que ela não estava conseguindo me localizar em Boden por causa do meu sotaque. Isso porque é comum acharem que venho da Finlândia. Ainda não sei se considero isso bom ou ruim.

Achei estranho dizer que vinha de Boden (dentro de mim uma voz gritava: “Não, nãããããão!!!!!). Me apressei a dizer que vinha do Brasil e que morava em Boden. Ela, tipicamente, nem reagiu. É que aqui o quanto menos emoção se mostra em público, melhor. Acessos de espontaneidade são raridade e, por mais que a maioria esteja babando de curiosidade para perguntar um monte de coisas (“Como é que você veio parar em Boden?”, “O que acha do frio?”, “Sente muitas saudades de casa”, estão entre os Top 10), os suecos se contêm.

O trem atrasou, mas apenas dez minutos. Na sala de espera eu, a moça (que estudava em Estocolmo para ser cabeleireira e estava em Umeå visitando o namorado), uma menina de uns 20 anos, um senhor mais velho e um rapaz. O mais engraçado nas salas de espera suecas é que ninguém fala com ninguém e quando isso acontece, é sempre muito baixinho. O silêncio é a norma.

Mas não estava apenas silencioso na sala de espera. Ao invés de vozes, ouvia-se conversas sussurradas no celular e, no caso da menina de 20 anos, um som característico de quem digita rapidíssimo em teclas de computador. Só que nesse caso eram as teclas do celular dela. Sem brincadeira, acho que ela deve ter mandado e recebido uns vinte SMS nos dez minutos que sentamos lá dentro.

Já no trem, muitos lugares vazios e passageiros cansados. Afinal, eles saíram de Estocolmo na noite anterior e muitos ainda dormiam nas cadeiras. Um homem dormia tão profundamente que roncava. O cheiro do vagão não era lá essas coisas e ficou assim durante quase todas as quatro horas de viagem, mas quando faltavam 30 minutos para chegarmos em Boden, um leve cheiro de flores Gleid invadiu o ambiente.

O melhor de tudo é que quando a voz simpática da condutora anunciou no auto-falante que estávamos nos aproximando da estação central de Boden, fui pra janela e vi as paisagens que habito desde maio de 2001. Por incrível que pareça, mesmo que seja difícil admitir, Boden é mesmo “minha casa”.

* * *

Viram como está “quente” lá em Umeå? Sete graus positivos em fevereiro!!! Que maravilha! Aqui em Boden também está ótimo. Num vô nem falar muito que é pra não gorá.

Filed under: De bem com a vida — Maria Fabriani @ 13:23

February 17, 2004

Cansada. Saudosa. :c/

Filed under: Saudade — Maria Fabriani @ 18:28

February 16, 2004

O mistério das meias desaparecidas

Jornal de hoje - Um cientista de Münster, na Alemanha, resolveu se dedicar a um dos maiores problemas da humanidade: Como as meias desaparecem sem deixar vestígios logo depois de serem lavadas à máquina. Para os ingleses esse é o “fenômeno das meias únicas”, enquanto para os japoneses o problema chama-se “ruzu sokusu”.

O cientista alemão Boris Grunwald seguiu centenas de pares de meias e observou que em 98% dos casos as meias se perdem quando se coloca roupas para lavar na máquina. Depois da lavagem, a meia nunca mais aparece. E quando aparece, está em locais completamente estapafúrdios.

Que coisa. Isso acontece sempre comigo. E o pior é que são sempre as minhas meias que desaparecem, as do meu urso quase sempre voltam todas da máquina. É um mistério…

Essas vocês têm que ver! Smoke kills! (Pescado na Elis)

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 14:39

February 15, 2004

Prisão

Fomos na terça passada visitar uma prisão que fica aqui em Umeå. Foi nossa primeira studiebesök, que quer dizer visita de estudos. Isso porque ajudar presos a sair do círculo vicioso que inclui drogas, criminalidade e prisão é uma das carreiras possíveis para quem se forma no curso que estou fazendo.

Eu particularmente não quero trabalhar com isso e a razão é simples: não sou forte o suficiente para trabalhar com criminosos. Acho que você realmente precisa ser uma pessoa fenomenal pra fazê-lo. Mas preciso dizer que a prisão aqui é um pouco diferente do que estamos todos acostumados a ver no Brasil.

Pra começar, a prisão em si não chama-se apenas prisão (fängelse), mas vård, o que significa “cuidado” tanto no sentido de hospital quanto no de tratamento (contra drogas, psicológico etc). Para os suecos, os presos, em última análise, precisam de “tratamento” para poder voltar funcionar na sociedade novamente.

Cada preso aqui tem uma cela, que mais parece um quarto de hotel. Cama e uma pequena mesa com cadeira. Se não me engano, há banheiro na cela/quarto. Cada um pode ter televisão e livros. Diz-se que a comida da cadeia é melhor do que a que é servida nas escolas, mas eu pretendo nunca poder atestar a veracidade desse fato.

Éramos cerca de 30 mulheres (apenas metade da minha turma - os três rapazes ficam na outra metade) e eu estava com medo o tempo todo. Não que aqui haja qualquer coisa parecida com as revoltas das cadeias brasileiras, mas a gente nunca sabe, né? De qualquer forma, foi muito interessante a visita.

Apesar de não pudermos andar pelo estabelecimento (claro), conversamos com o responsável pela prisão, Kenneth, com quase 30 anos de experiência no “ramo”. Ele não tem qualquer diploma - foi ficando por lá depois de um estágio quando ainda estava no ginásio - mas sabe tanto ou mais do que qualquer professor sobre a vida carcerária.

Eu perguntei se eles tinham muitos imigrantes na prisão e o Kenneth disse que não, apenas uns dez mais ou menos. Outra pessoa perguntou se era mesmo verdade que os imigrantes cometiam a maior parte dos crimes. Kenneth foi categórico: “Isso é mentira, ou pelo menos um fenômeno das cidades grandes (Estocolmo, Malmö e Gotemburgo). A grande maioria dos meus prisioneiros é de origem sueca”.

Filed under: Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 15:28
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