January 31, 2004

Um anjo em minha mesa

Li no jornal de ontem que a escritora neozelandesa Janet Frame morreu. Foi ela quem escreveu “Um Anjo em minha mesa”. O livro, que faz parte de uma autobiografia escrita em forma de trilogia, virou filme nas refinadas mãos da Jane Campion, a mesma criadora do maravilhoso “O Piano”.

Me lembro com carinho do filme “Um Anjo em minha mesa”, apesar de nunca ter lido o livro. Acho a atriz Kerry Fox (uma versão mais rude da lindíssima Cate Blanchett) um verdadeiro achado. Foi ela quem interpretou Janet Frame. O cabelo vermelho alvoroçado é simplesmente maravilhoso.

Quando li a notícia da morte da autora, vários flashes do filme me vieram à cabeça, e olha que eu sou daquelas que esquece todos os filmes que assiste. Esqueço tudo, mas esse filme ficou. Depois da morte de duas irmãs - ambas morreram afogadas - ela foi internada no hospício Seacliff onde passou oito anos e quase sofreu uma lobotomia.

O médico não fez a cirurgia porque leu no jornal no último minuto que o primeiro livro de Janet havia ganho um prêmio para escritores iniciantes. Lembro de muitas partes do filme, como campos verdes da Nova Zelândia (nada a ver com O Senhor dos Anéis), mas principalmente de quando ela tentou dar aulas e, muito tímida e insegura, saiu correndo da sala de aula.

Mas o mais bonito do filme é mostrar a brutalidade das pessoas (professores, médicos etc) que não viam a delicadeza de alma da Janet e a julgavam apenas pelo que era evidente: uma pessoa com um certo desequilíbrio psicológico e uma timidez quase patológica. Lindo, lindo, lindo.

Matéria sobre a morte de Janet Frame no New York Times. (Em inglês)
Veja a matéria que li ontem de manhã. (Em sueco - Dagens Nyheter)
Leia mais sobre a trilogia autobiográfica de Janet Frame. (Em inglês, Amazon.com)
Site do filme “Um anjo em minha mesa”. (Em inglês, IMDB)

Filed under: Livros — Maria Fabriani @ 09:34

January 30, 2004

Relatividade

Se você algum dia resolver ter uma aula de análise de argumentação, recomendo que escolha bem o professor. Se for um filósofo, prepare-se para uma aventura no mundo das respostas indiretas e no universo do “tudo é possível”. Nosso exercício consistia em analisar um texto e separar a tese dos argumentos, que deveriam ser organizados hierarquicamente. A tese era “T”, os argumentos pro-tese chamavam-se “P” e os contra, “C”.

professor — O argumento A é a favor da tese, portanto chama-se P1.
alunos — OK.
professor — Já o argumento B não reforça a tese, mas o argumento A, por isso vamos chamá-lo de P1P1.
alunos — OK.
professor — O terceiro argumento, no entanto, é contrário tanto à tese quanto ao primeiro argumento, o que faz com que se chame C1P1.
um aluno — Ah, mas eu o batizei de P2, porque mesmo sendo contrário, trata-se de um argumento novo…
professor — É, você tem razão. Podemos entender a questão assim também.
outro aluno — Mas eu acho que há uma terceira possibilidade: o terceiro argumento nada mais é do que uma segunda tese, portanto seria T2.
professor — É, você está certo também.
alunos — … (todo mundo se entreolhando) …

Criatividade - Existem três meninas chamadas Elin Ericsson na minha turma. TRÊS.

Filed under: Irritação e ironia — Maria Fabriani @ 15:36

January 29, 2004

Livros

Acabei de ler ontem o “The King of Torts” do John Grisham e me decepcionei. É, pela primeira vez não gostei de um livro dele. Não que o tenha abandonado, muito pelo contrário. O livro é uma delícia de ler, até porque a principal característica do Grisham não é exatamente sua criatividade, mas o modo delicioso como ele escreve sobre as mesmas coisas.

O livro conta a história de um advogado (claro) que por uma razão ou outra começa a ganhar dinheiro defendendo consumidores de remédios cujos efeitos colaterais causam defeitos nas válvulas do coração ou tumores malignos nos rins. O Grisham descreve brilhantemente como nosso herói, Clay, começa a ganhar dinheiro e, deslumbrado, não consegue mais parar de gastar.

Acho que estaria de bom tamanho se o Grisham tivesse escrito uma matéria sobre esse tipo de prática legal, não um livro. A história do Clay é OK, mas parece um enredo auxiliar, criado para romantizar a verdadeira história do livro - uma crítica sutil ao sistema jurídico americano que permite que advogados persigam - a palavra certa é stalking - a indústria farmacêutica com ameaças de casos milionários.

Mesmo assim, você fica meio que enfeitiçado pelo redemoinho de acontecimentos, e, claro, nervoso de como se gasta dinheiro nos EUA. Sai como água. Não vou contar nada do livro porque desconfio que tem uma galera que é como eu, gosta que se enrosca de ler esse tipo de livro.

Esse outro livro que comecei ontem mesmo, “Tisdagarna med Morrie”, de Mitch Albom é simplesmente MA-RA-VI-LHO-SO. Quer ler uma prosa bem escrita, direta, inteligente e emocionante? Então você precisa ler esse livro. Se compra-lo em inglês, não se deixe enganar pelo título, “Tuesdays with Morrie: An Old Man, a Young Man, and Life’s Greatest Lesson”. Parece meio idiota, mas o livro, eu prometo, vale a pena.

Filed under: Livros — Maria Fabriani @ 10:39

January 28, 2004

Respeito

Acho que preciso me explicar: quando escrevi o post abaixo estava me referindo ao meu prazer de estudar aqui. Acabei contando minha experiência no Brasil porque ela faz parte de mim, de minha vida, e por isso é relevante. Não quis, no entanto, dizer que sou melhor do que ninguém nem que a universidade sueca (seja ela qual for) é um luxo para poucos.

Não, se você entendeu isso, entendeu errado. O que quis dizer, e talvez não tenha conseguido expressar, foi meu encantamento com o curso que estou fazendo, com a universidade em geral e com os professores em particular. Isso porque apesar de ter tido muita sorte de ter estudado na UFRJ, tive azar com alguns dos educadores que encontrei por lá.

Cada um tem sua história e suas experiências. Peço que as pessoas compreendam que escrevo aqui do meu ponto de vista, uma mulher de 32 anos que se mudou pro outro lado do mundo e que está tentando dar uma guinada na sua vida. Nada mais. Não quero arrasar o ensino público brasileiro, até porque sou um produto dele.

Aliás, tem uma coisa que está me incomodando muito já tem um tempo. Há uma patrulha violenta que gira em blogs por aí e que ataca as pessoas que expressam suas opiniões sobre temas controversos, como cultura árabe, antisemitismo na Europa etc. Só para não criar uma onda de ódio dirigida à minha pessoa: não tenho nada contra árabes ou judeus.

Se tenho amigos judeus - um deles inclusive morando em Jerusalém - me faltam amigos árabes pura e simplesmente por falta de oportunidade. Cresci num país católico e no Rio de Janeiro, longe do pluralismo paulista, por exemplo. Mas tive uma amiga de colégio cujos parentes vinham da Síria, serve?

Olha, o que estou querendo dizer é que cada um tem direito a expor suas opiniões - sejam elas positivas ou negativas - em seus blogs. O que não dá é para ser atacado cada vez que você levanta um assunto polêmico e que é relevante para você como pessoa. Você está escrevendo no seu blog, que por mais que esteja na Internet, é ainda um território muito íntimo e sem qualquer peso político.

O que a patrulha que circula nos blogs escritos por brasileiros fora do país precisa entender é que aqui na Europa os pontos de vista são diferentes. A visão que se têm da política de Israel, por exemplo, é completamente diversa da visão brasileira. Sabem por que? Porque o Brasil espelha com alguns descontos a visão americana.

A Europa, até estar mais perto dos países árabes e dos conflitos no Oriente Médio, tem outra opinião sobre o assunto. E é sobre isso que nós, brasileiros que moram aqui, escrevemos. Posso falar apenas por mim, mas o que me interessa são os diferentes pontos de vista. Quero discutir e não defendo ninguém, até porque não tenho conhecimento suficiente para tanto.

Não quero criar caso com ninguém, sou uma criatura pacífica até porque não tenho vontade nem energia para ser polêmica e brigona. Queria apenas defender o meu direito de escrever sobre o que eu bem entender aqui. Minha opinião é só minha e ninguém tem nada a ver com isso. Clichê: respeito é bom e eu gosto.

Filed under: Irritação e ironia — Maria Fabriani @ 09:45

January 27, 2004

Aprender e aprender

Sabe porque eu gosto tanto dessa universidade? Não é apenas porque as salas são lindíssimas, os aparelhos eletrônicos realmente funcionam (ou existem!), as pessoas são pontuais etc. Estou maravilhada com esse curso porque os professores são extremamente motivados, verdadeiramente amam o que fazem e, apesar de terem anos de experiência de campo, escolheram trabalhar na academia, atuando como pesquisadores em suas áreas de interesse. Apesar de terem conhecimento teórico avançado, suas aulas não são chatas nem repetitivas. Eles contam casos de pessoas que trataram, o que deu certo e o que deu errado, ilustrando a teoria o tempo todo. Fantástico.

Tanta diferença dos meus tempos de estudante da UFRJ!!!! Meu Deus, que diferença! O descontentamento dos professores era quase palpável. As aulas insuportavelmente teóricas e muitas vezes sem sentido. Sempre duvidei de educadores com pouca ou nenhuma experiência de campo, que pouco trabalharam em redações de jornais ou revistas. Tentava ter boa vontade para ouvir as teorias da comunicação e confiar de que aquilo, um dia, seria muito importante pra mim. Pois olha, não foi. Nunca. E professores engajados tanto como educadores quanto como professionais eram poucos.

Não gosto de comparar porque acho injusto com o Brasil, mas, sinceramente? Sinto que nunca estudei naqueles quatro anos de faculdade. Conquistei um diploma, só isso. Aprendi tudo o que precisava no trabalho e com as pessoas com que trabalhei. Hoje, sei que estou estudando e que o que leio hoje vai ter um peso na minha vida profissional futura.

Para ilustrar, uma historinha que aconteceu comigo no quinto semestre de jornalismo, lá por 1993. Tínhamos que escrever uma reportagem pra um dos cursos mais práticos da universidade. Como estudávamos perto do Rio Sul (shopping center no Rio) a professora nos mandou pra lá, para contar qualquer história que quiséssemos.

Não pude ir não sei porque, mas minha amiga Ana Flávia foi e me passou algumas anotações extras que ela tinha apurado com a moça que limpava um dos banheiros de lá. A partir de informações mínimas (nome, idade, quanto tempo trabalhava lá, quantas horas por dia, o que fazia mais etc) escrevi minha “matéria”, que nada mais era do que uma história de ficcão, e que recebeu o nome de “O banheiro de Rosemary”. Essa foi a única vez que a professora gostou tanto do meu texto que me fez ler alto pra toda a turma.

A partir daí, minha crença no curso dela em particular e no de jornalismo em geral acabou.

Filed under: Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 17:43

January 26, 2004

Idílio e utopia

Hoje tivemos um seminário superinteressante lá na faculdade. Foi sobre a história do trabalho social na Suécia e cobriu do início do século XIX até hoje. Gosto demais dessas aulas porque me dão oportunidade de entender a história do país através da perspectiva local.

Falamos de muitas coisas, mas uma delas sempre me fascinou: a noção da Folkhem, ou literalmente a “casa do povo”. Esse foi um conceito lançado pelos social-democratas no anos 30 para reformar a vida de todos os suecos. Todos teriam direito a um apartamento decente, com água, luz, esgoto etc.

A Folkhem era um ideal, uma visão do “Lar, Doce Lar” que, aliás, foi alcançado. Até porque a Suécia contava com uma série de circunstâncias favoráveis: povo homogênio, sem guerras externas ou internas e com altíssimo grau de controle das autoridades.

A idéia era cortar todos os excessos, tanto o luxo quanto a miséria. Oferecer àqueles que não têm nada um mínimo, que seria financiado pelos impostos altíssimos pagos por todos os outros cidadãos. A idéia do trabalho social apareceu aí ainda mais evidente, como uma necessidade de fazer valer a política do bem-estar (Well faire).

Foi nessa época que a Suécia foi reconhecida mundialmente como exemplo de bem-estar e educação; respeito às leis e progresso. O mais interessante disso tudo, no entanto, foi que a discussão não parou por aí. Fomos até o ponto em que se discutiu a morte da utopia da Folkhem.

Os social-democratas dominaram o poder na Suécia de 1932 até 1976, sem interrupções. Isso ajudou a implementar a idéia da “casa do povo”, mas o sucesso não durou muito. Segundo a professora, a idéia da Folkhem morreu em 1969, no meio das revoluções e protestos socialistas.

Isso porque o mercado de trabalho sueco já não dava conta de absorver todas as pessoas que moravam aqui; imigrantes começaram a chegar em massa e a vida idílica, acabou. Logo depois veio o neo-liberalismo dos anos 80 e a débàcle da imagem de perfeição sueca nos anos 90, quando um escândalo de esterilizações em massa de pessoas com deficiência mental virou notícia no mundo todo.

Eu me lembro que fiquei chocada da Suécia, esse paraíso perfeito, ter práticas quase nazistas em seu dia-a-dia. Mal sabia eu que paraísos perfeitos não existem.

Filed under: Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 21:16

January 25, 2004

A verdade

Stefan foi pra Boden hoje de manhã - por causa do horário insano do único trem do domingo. Acabei de falar com a minha mãe. Chamem o Guiness Book of Records! Foram os trinta minutos mais rápidos da história! Quero mais!!! Tinha tantas coisas pra dizer que eu parecia uma criança quando quer contar uma história e não tem tempo de detalhar e sai falando desenfreadamente, esquecendo palavras, inventando outras, rindo e chorando ao mesmo tempo e sentindo, durante todo o processo, o coração apertadinho no peito, a voz da pessoa ali no ouvido e o amor que nunca acaba.

Minha vida é mesmo uma montanha-russa. Todos os dias estou pra cima e pra baixo, em cima e em baixo, torta, assustada, feliz, exuberante, esperançosa, triste, saudosa. E quando falo com pai, mãe, irmão ao telefone tento manter a torrente abaixo do nariz. Bato os pés e não deixo de respirar. Nado e mantenho o ritmo pra não me “quebrar” totalmente. Tem dias mais fáceis, alguns mais difíceis e outros quase impossíveis. Bom, vou dormir porque amanhã é um outro dia. Amém.

Ave Maria cheia de Graça
O Senhor é convosco
Bendita sois Vós entre as mulheres
Bendito é o fruto do Vosso ventre, Jesus.

Santa Maria, Mãe de Deus,
Roguai por nós pecadores,
Agora e na hora de nossa morte,
Amém.

Ah, um dia essa saudade ainda acaba comigo.

Filed under: Saudade — Maria Fabriani @ 22:36

January 22, 2004

Ainda pensando nas mocréias

Tava me perguntando o porque de estar tão mobilizada pelo lance das mocréias. Com tanta coisa legal e interessante acontecendo, porque não paro de pensar/escrever sobre as infelizes que fazem parte do meu curso e que nem conheço direito? Depois de ponderar um pouco, acho que descobri a razão.

Minha primeira experiência na universidade (jornalismo na UFRJ) foi péssima em vários sentidos: professores desmotivados, livros antigos (ou inexistentes), cópias xerox generalizadas, falta de laboratórios para aulas práticas etc. Por outro lado, o da convivência social, foi um dos melhores períodos da minha vida.

Acho que isso é que está me chateando, essa falta de calor humano tão necessária quando se está dando um passo fenomenal assim, ainda mais “no estrangeiro”. Mas não gosto de choramingar (apesar de adorar reclamar). Afinal, era exatamente isso o que eu queria.

E o mais engraçado, ou irônico, é que eu nem gosto tanto assim de trabalhos em grupo, nem de ficar andando de um lado pra outro com uma amiga a tiracolo. Acho que já passei dessa idade e, sinceramente, prefiro quase sempre a solidão a qualquer tipo de papo circunstancial.

E só pra defender - ou deixar de ser tão má com - as mocréias suecas: elas não são feias não. Algumas até são bonitas. Outras, lindas. Vai ver que são até gente boa e eu é que estou sendo implicante. Então, pra resumir, nada melhor do que um clichê: “Quem viver, verá”.

Filed under: Vida de imigrante — Maria Fabriani @ 20:40

January 21, 2004

Notas

Almoçar é um luxo concedido apenas àqueles que sobreviveram ao primeiro semestre… São tantas providências práticas que precisam ser tomadas que eu precisaria de uma secretária para dar conta de tudo. Não almocei nenhum dia desde segunda-feira.

Hoje comprei os 11 livros obrigatórios para o curso introdutório. Vou começar a ler o primeiro hoje para poder dar tempo de entregar trabalhos, responder às perguntas por escrito, fazer trabalho de campo, pesquisa, relatório e ainda participar de seminários. Gastei uma nota. :c(

Até que não fez tanto frio hoje não, mas também estava tão agasalhada hoje que até suei! O que é horrível porque o suor congela com o frio e você acaba sentindo mais frio ainda. O segredo, me disse meu urso polar, é se vestir em várias camadas, mas evitar sair de casa completamente quentinha.

Ele diz que temos que sentir um pouco de frio mesmo com as roupas (dezenas delas) para que nosso corpo possa funcionar normalmente sem se aquecer demais e provocar o suor. Mas eu não quero saber de passar frio. Me enrolo toda, coloco duas calças, dois casacões enoooooormes e uma botina de respeito.

Nossa, quando mulher quer ser má não há quem agüente, né mesmo??? Nossa, tem cada mocréia na minha turma!!!! :c(

Filed under: Universidade — Maria Fabriani @ 17:19

January 20, 2004

“We must become the change we want to see”

Pois é. Há quase dois anos escrevi essa frase lá em cima da coluna lilás do meu blog porque acredito que precisamos assumir nossa vida, aceitar limitações e descobrir possibilidades que nos permitam viver mais felizes. Precisamos literalmente fazer acontecer. E foi isso que eu fiz.

Queridos, escrevo para contar uma boa notícia: estou em Umeå, cidade mais ao sul e distante quatro horas de carro de Boden, onde se localiza uma das universidades mais importantes da Suécia, a Umeå Universitet. É lá que comecei a estudar nesta segunda-feira, dia 19, no curso de Socionom, que é uma mistura de sociologia com assistência social.

Sim!!! Conquistei minha vaga na universidade!!!!!!!!!

A razão de eu ter escolhido esse curso - sim, era a minha primeira opção! - é minha vontade de trabalhar com imigrantes. Pessoas que, como eu, chegam aqui nessa terra e precisam de ajuda para se adaptar aos costumes, às leis do mercado de trabalho etc. Quero ajudar essas pessoas cheias de valor e que não têm uma vida fácil aqui.

Ainda é tudo muito surreal; as coisas acontecem e eu meio que vou vivendo automaticamente, meio que num estado de graça e confusão. As pessoas me dizem que preciso comprar cartão para fazer cópias xerox, cartão para entrar nas salas de computadores, cartão da biblioteca, cartões, identificações, logins

Finalmente, uma oportunidade, um break! Ainda estou confusa com todos os livros que preciso comprar: 11 publicações apenas para o curso introdutório, que termina em abril. Depois tem sociologia até junho e outros 13 livros. Parece que vou enlouquecer de tanta coisa que tenho que fazer, mas, sei lá, estou me sentindo tão bem!

Consegui alugar um apartamento pertíssimo da universidade, o que é um alívio no meio do inverno. Amanhã uma frente gelada vem do pólo norte e a temperatura aqui vai ficar em torno dos 20 graus negativos. Mas eu estou feliz feliz feliz! As pessoas com quem estudo - 98% mulheres - não são lá essas coisas, mas fazer o quê, né? Não se pode ter tudo.

Tenho pela frente três anos e meio de muito estudo, economia apertadíssima e, infelizmente, dias sem ver meu urso polar. Mas ele estava aqui até agora, porque conseguiu dois dias de licança do trabalho pra me ajudar com a mudança, os ajustes do computador e, claro, me auxiliar no reconhecimento da cidade. Em vão: já me perdi duas vezes… :c)

Nosso carro não agüenta as quatro horas de estrada nesse frio danado, então alugamos um carro pequeno - que pudéssemos pagar - mas que desse conta de carregar a mudança sem problemas. Involuntariamente acabei seguindo o destino de milhares de estudantes europeus, que se mudam pra cidade onde estudarão num fusca.

Nosso fusca, no entanto, era uma máquina de primeira linha. Juro que achava que iríamos ter que amarrar malas no teto mas incrivelmente não só as malas como nós dois coubemos perfeitamente no carrinho, que era amarelo - cor de taxi do Rio. Então viemos nós dois, cinco malas (não apenas de roupas, calma), computador, monitor, impressora e todos os meus dicionários (sete unidades).

As fotos aí de cima eu tirei no caminho. Volto amanhã ou quando conseguir um tempo. U-HU! :c)

Filed under: Conquistas,De bem com a vida — Maria Fabriani @ 22:25
Next Page »
 

Bad Behavior has blocked 1294 access attempts in the last 7 days.