November 30, 2003

Primeiro Advento


Minha janela da sala, com a estrela de papel mais linda. O Father Christmas - figura imitando o papai noel todo de branco - nós ganhamos da minha sogra. Eu reso sempre pra ele não deixar ficar tão frio…
Hoje os suecos comemoram o Primeiro Advento com o Dia da Vitrine. Antigamente as lojas preparavam suas vitrines de Natal durante toda a semana por trás de proteções de papel. As surpresas eram desvendadas no domingo, mas as lojas permaneciam fechadas e as pessoas tinham que se contentar em apenas olhar e planejar o que comprar.
Hoje em dia a grana fala mais alto do que o desejo romântico coletivo e todas as lojas abrem - e vendem pra burro. Acabamos de voltar da cidade e eu nunca vi tanta gente no centro de Boden antes. Um milagre! A temperatura também está ajudando: dois graus positivos, sem vento! Maravilha!
Meu urso polar me lembrou que havíamos ido à cidade nesse mesmo dia, um ano atrás. Me lembrei que estava gelado, um vento frio horroroso e eu só queria ir embora dali, não vi vitrine nenhuma e voltei pra casa com os lábios azuis. Como nossa vida e nossas percepções mudam no espaço de um ano, hein?
São comemorados quatro adventos durante o mês de dezembro, todos os domingos, até o Natal. Comemora-se a chegada de Jesus, que como vocês sabem, acredita-se ter nascido dia 25 de dezembro. Há, então, uma série de rituais aqui, todos incluindo velas e luzes. Bem bonito. No primeiro advento pendura-se uma estrela na janela para significar a estrela que brilhou em Belém quando Jesus nasceu.
Há ainda o costume de se colocar quatro velas como centro de mesa e se acender uma delas em cada domingo. Eu não adotei esse costume porque tenho pânico de o apartamento começar a pegar fogo. Eu e Stefan não temos lá muito boa memória, então achei melhor me limitar à estrela, que vocês podem ver na foto acima. :c)

Filed under: Cinema e televisão,Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 14:17

November 29, 2003

Brasil na mídia escandinava

Acho que deve ser a saudade, porque venho percebendo ultimamente uma verdadeira inundação de Brasil por todos os cantos. A revistinha distribuída nos cinemas daqui traz uma matéria super positiva sobre o filme “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles. Fico orgulhosa pelo filme, mas não pelo que se mostra nele (apesar de ainda não tê-lo visto).
Na quarta-feira estava assistindo ao programa do Jamie “The Naked Chef” Oliver e levei um susto quando ele começou a descrever os pratos que iria fazer: uma feijoada e pratos brasileiros. Parei no ato e não mudei de canal. Na cozinha toda enfeitada com bandeirolas do Brasil, ele cozinhou junto a “Sante” (deve ser uma variação do nosso “Santos”), um brasileiro - acho que carioca - que trabalha com o inglesinho há oito anos em Londres.
Eles fizeram de tudo: a feijoada me pareceu bem autêntica, apesar de o Jamie ter perguntado se não dava pra colocar uns tomates (!) ou umas batatas (!!!!!!) no feijão. O Sante quase caiu pra trás, claro, como qualquer brasileiro honrado. Mas o inglesinho não se deu por vencido e fez até bolinho de bacalhau, só que sem o bacalhau, mas com um outro peixe branco. E só pra sacanear o Sante, mudou a receita e botou chili no bolinho. Heresia! Heresia!!!!! :c)
Aí, no outro dia, estou eu assistindo à minha série dinamarquesa favorita “Nikolaj och Julie” e a Julie está jantando com a irmã, Søs, e um companheiro de trabalho dela. E o que está tocando de música de fundo? Sim, ele mesmo, João Gilberto. E não é a primeira vez que ouço música brasileira como background na TV. Um dos anúncios de um creme Nívea também tem música brasileira, dessa vez mais rápida, acho que da Daniela Mercury.
E como se isso já não fosse o suficiente, uma amiga que mora aqui perto me disse que a revista “Sköna Hem” [shôna rrem], algo como Casa Bonita ou Casa Confortável (o adjetivo skön é bem versátil) fez uma reportagem enorme sobre o Brasil. Comprei a revista e vi que não é apenas uma reportagem, mas uma edição inteira dedicada à arquitetura brasileira no Rio e em São Paulo.
O que é mais legal é que não se fala puramente de arquitetura, mas a matéria conta o que é ser brasileiro e tem insights muito bacanas. Diz lá: “Em São Paulo pergunta-se: ‘Onde você trabalha?’. Enquanto que no Rio, a pergunta é outra: ‘Onde você vai à praia?’”. E olha, mesmo temendo as piadinhas dos meus amigos paulistas, devo dizer que isso é a mais pura verdade. :cD
Acreditem ou não, aqui está dois graus POSITIVOS. O maior presente de Natal pra uma carioca que não poderá ir derreter no verão do Rio esse ano. (Só pra esclarecer: a temperatura média dessa época do ano no local onde eu moro vai de 5 a 15 graus negativos. Por isso estou tão feliz.)
Essa semana foi complicada e não pude responder a emails nem visitar os blogs de vocês. Sorry. Logo, logo volto ao normal, ok? :c)

Filed under: Cinema e televisão,Música — Maria Fabriani @ 09:23

November 27, 2003

Notas

Acabei de voltar do colégio. Hoje o dia foi longo mas produtivo e muito gratificante. Isso porque recebi minhas notas finais dos cursos que estou fazendo, mesmo ainda restando um mês para o final do semestre. E eu me dei bem! :c)
Consegui alcançar o conceito máximo, MVG (Mycket Väl Godkänt = Excelente), em duas matérias: ciências sociais e religião. Nas outras três, Sueco B para imigrantes, Psicologia e Sueco B comum, consegui tirar VG (Väl Godkänt = Muito bom), o que, pra mim, é ótimo.
A razão de eu estar apressando as coisas é que pretendo um dia conseguir uma vaga na universidade e essas notas ajudam muito a aumentar minha média geral, calculada tendo como base minhas notas no ginásio lá no Rio.
Não sei se vou conseguir uma vaga na universidade, o curso que escolhi é muito procurado, mas tudo bem. A gente tenta de qualquer jeito. Se der, deu. Senão, eu vou chorar na cama que é um lugar quente. ;c)
A foto que ilustra este post eu tirei agorinha, depois de ganhar de presente do meu urso polar esse vasinho com os cactus mais lindos. Queria ter cactus já tem um tempo, mas a grana sempre encontrava outros caminhos… Mas hoje, eu mereço. :c)

Filed under: Conquistas,Universidade,Variedades — Maria Fabriani @ 15:28

November 25, 2003

Bowling for Columbine

Acabei de voltar do cinema. Minha turma de sueco foi assistir ao documentário “Bowling for Columbine”, do Michael Moore (foto), que ganhou o Oscar esse ano. Excelente! Que filmaço! A história do documentário é simples: como os americanos são amedrontados diante de tudo e de todos e como a relação deles com armas de fogo não ajuda em nada a acabar com esse medo.
O filme é legal porque fala de assuntos importantes como violência, racismo e política de forma simplificada e irônica, mas muito inteligente. A parte do documentário que mostra o massacre de Columbine é tocante. Mostram-se os filmes de segurança da escola, com os estudantes sendo mortos na biblioteca da escola e os matadores com armas nas mãos, procurando as vítimas.
Mas o filme é muito mais do que isso. Moore visita vários estados americanos e usa imagens jornalísticas para descrever o medo constante com qual a sociedade americana é obrigada a viver no seu dia-a-dia. O filme é mais uma reflexão sobre o poder dos EUA no mundo e de como esse poder muitas vezes é exercido com violência. Eu recomendo muitíssimo.
Só pra fechar o assunto do islamismo, queria dizer o seguinte: nunca fiz apologia de repressão às mulheres. Aliás, o exemplo das mulheres foi infeliz. O que tentei dizer mas não consegui expressar, é que admiro a total entrega que a fé islâmica prega. Para eles, Allah é o maior e isso não se discute. Queiram ou não, deve ser uma sensação incrível de liberdade saber que a resposta para todo e qualquer problema está ao seu alcance, no Corão.
Com isso, não digo que sou a favor nem contra o Islamismo. Estou apenas comentando minhas impressões depois do que li. Acho que deve ser uma delícia poder acreditar em alguma coisa tão totalmente e se ver livre de todas as dúvidas com as quais vivemos diariamente. Mas concordo que não poder questionar uma religião é errado, ou no mínimo duvidoso. É isso.

Filed under: Cinema e televisão — Maria Fabriani @ 16:29

November 24, 2003

Post de segunda-feira

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Não comerei da alface a verde pétala

Não comerei da alface a verde pétala
Nem da cenoura as hóstias desbotadas
Deixarei as pastagens às manadas
E a quem mais aprouver fazer dieta.

Cajus hei de chupar, mangas-espadas
Talvez pouco elegantes para um poeta
Mas pêras e maçãs, deixo-as ao esteta
Que acredita no cromo das saladas.

Não nasci ruminante como os bois
Nem como os coelhos, roedor; nasci
Omnívoro; dêem-me feijão com arroz

E um bife, e um queijo forte, e parati
E eu morrerei, feliz, do coração
De ter vivido sem comer em vão.

Vinícius de Moraes, Los Angeles, 1947

Filed under: Cinema e televisão — Maria Fabriani @ 23:07

Estudando o Islamismo

Estou estudando islamismo pra minha aula de religião. Tenho prova amanhã. Devo dizer que estou me surpreendendo favoravelmente com a fé islâmica pura, isto é, sem a parte do terrorismo, infelizmente cada vez mais ligado à imagem da religião fundada por Mohamed. Aprendo, além dos fundamentos da fé, um pouco de história, o que é fantástico.
Impressionante como o Islam puro e simples não tem nada a ver com a imagem que nós, povos do oeste, estamos acostumados a ouvir na TV. Agora é que eu vejo o quanto a cobertura jornalística tende mesmo a simplificar tudo o máximo possível. A notícia tem que estar digerida, pronta para o consumidor que não tem muito tempo para refletir sobre o que assiste, ouve ou lê.
O mais interessante é que, apesar do livro do meu curso ser simplificado, há uma parte lá em que se menciona a diferença de pensamento do mundo árabe e do mundo de cultura cristã do oeste. No tópico sobre mulheres e seu lugar na sociedade, por exemplo, explica-se que muitas mulheres muçulmanas não entendem o por quê de toda essa preocupação do mundo com a situação delas.
O questionamento se uma mulher deve ter o mesmo valor do que um homem é, ainda de acordo com o que diz o Corão, irrelevante simplesmente porque para eles, homens e mulheres são iguais, mas exercem papéis distintos na sociedade. Quem somos nós para dizer que eles estão errados? O mundo é outro. Veja uma das diferenças apontadas pelo meu livro e que diz respeito à diferença de base da fé para muçulmanos e cristãos:
No mundo muçulmano, a fé absoluta é a base para a tomada de decisão que leva a resolução da maioria dos problemas. Allah é absoluto e não pode ser questionado.
No mundo do oeste, quando se quer resolver um problema, parte-se de premissas distintas, adquiridas na antiguidade. Nós nos questionamos constantemente sobre como resolver o problema da melhor maneira possível.

Filed under: Universidade — Maria Fabriani @ 16:42

November 23, 2003

Domingo

Acabei de ler o Coetzee. Muito bom, viu? Seco, direto e profundo. Bom mesmo. Mas da próxima vez, leio em inglês. Só digo mais uma coisa pra vocês: não sei porque existe cólica na vida. É uma dor totalmente desnecessária e estressante. Abenção o criador do Ponstan e da bolsa de água quente. Até amanhã.

Filed under: Livros — Maria Fabriani @ 16:56

November 21, 2003

Dia de inverno



Filed under: Variedades — Maria Fabriani @ 15:14

November 20, 2003

Matemática

Na minha aula de ciências sociais estamos aprendendo conceitos gerais e básicos de economia. Coisas como PIB etc. É interessante, senão pelas informações em si, pelo menos pelo fato que meu vocabulário em sueco fica maior e mais diversificado a cada dia. Estaria tudo bem se agora não tivéssemos que desenhar gráficos de curva de oferta e de procura e, a partir desses gráficos, deduzir se a economia de mercado está sendo respeitada ou não.
É nesses momentos que regrido à Maria de 20 anos atrás e acontece uma coisa que detesto: me sinto burra. Aqueles numerosinhos, as percentagens, as frases complicadas dos problemas feitas pra fazer você “pensar”. Cara, eu não agüento matemática. Tenho uma mente razoavelmente lógica, sou inteligente e tal, mas não me coloque na frente de um problema de matemática ou física porque eu simplesmente saio correndo.
Aquela coisa de x+y=z é tão chata que eu não consigo me interessar. Nunca consegui. Fiz de tudo para melhorar minhas notas, mas as matérias de exatas sempre foram muito difíceis pra mim. Me dê um texto complicado, com múltiplos subtextos, diálogos impossíveis, personagens sem lógica e eu ficarei feliz em tentar decifrar o que o autor quis dizer. Pra mim, sei lá, parece que há mais dimensões na palavra do que nos números.
Sempre tive sérios problemas com matemática, física e química, apesar de me sair um pouco melhor na última graças a um professor de primeira categoria, o Palhares. Mas nunca repeti de ano, como aconteceu com alguns amigos meus. Aí um dia quando eu já estava na faculdade me dando superbem com jornalismo e estudando sociologia, filosofia etc, aconteceu uma coisa que me fez pensar.
Fui ao casamento de uma amiga de colégio e, já na festa, reencontrei todos os meus antigos amigos, com os quais não tinha mantido contato algum por anos. Conversa vai, conversa vem, um dos meus amigos mais queridos, o Raimundo, me pergunta se eu estava gostando da universidade e quanto era o meu CR. Eu disse quanto era (era muito alto) e ele quase caiu pra trás. “Mas você era uma das piores alunas da turma!”, ele disse.
Aí parei pra pensar. Sim, eu era realmente péssima em algumas coisas, mas em outras, como História, Geografia, Português, Inglês, Artes etc eu era boa aluna, não excelente, mas boa. Só que o que contava, pelo menos na minha época da ginásio, era mesmo o diabo da matemática. É por isso que sou tão traumatizada com esse inferno.

Filed under: Universidade — Maria Fabriani @ 15:42

November 19, 2003

Lista de Natal

Recebemos ontem por email a lista de presentes que as sobrinhas do Stefan (deveria dizer minhas sobrinhas também, né?) querem ganhar no Natal. A mãe delas, Veronica, é irmã do meu urso polar. A lista é hilária, vejam só:
Desejos das crianças:
1) Vale-cinema;
2) Cortinas de banho (“Amanda prefere que elas tenham corações estampados e venham em duas cores: rosa ou lilás”);
3) Vale-presente pra Kapp-Ahl (loja de roupas daqui);
4) Relógio com alarme (Veronica escreve: “Minha idéia. Elas precisam aprender a acordar sozinhas. Especialmente Emelie.”);
5) Uma mãe e um pai novos (“De preferência eles devem ser rei e rainha, ser podres de ricos e morar num castelo. Idéia da Josefine.”)
Desejos da Veronica:
1) Que Stefan e Maria estejam felizes no dia de Natal;
2) Que as crianças estejam mais felizes ainda no Natal;
3) Poder dormir até tarde no dia de Natal;
4) Um marido que seja rápido e efetivo no dia de Natal;
5) Uma sogra simpática no dia de Natal, que não reclame do peso do filho e que, ao mesmo tempo, reclame que ele não comeu tudo o que deveria.
Desejos do marido dela:
1) Dormir;
2) Comer;
3) Dormir na comida;
4) Comer depois de dormir;
5) Dormir no prato.
Desejos da Lona, a cachorrinha:
1) Um osso gostoso;
2) Dois ossos gostosos;
3) Três ossos gostosos;
4) De preferência quatro ossos gostosos;
5) Dar uma mordidinha na perna da sogra.

Filed under: Aniversários — Maria Fabriani @ 08:06
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