Sobre o Montanha-Russa, a vida e as mudanças
É tão frustrante vir aqui e não poder ler os comentários de vocês! Mais uma vez fica comprovado que um blog não é apenas o que se escreve nele, mas a interação com seus eventuais leitores. Well, o Yaccs está fora do ar por conta de um problema com o servidor e deverá ficar assim até amanhã. Tomara que volte logo porque falar sozinha é um saco.
Uma moça chamada Rebecca deixou um comentário dizendo que está realizando um sonho: virá estudar na Suécia por um ano. Mas, depois de ler alguns posts sobre racismo e discriminação aqui do Montanha-Russa, ela ficou muito apreensiva. Vou tentar explicar uma coisa, então.
Olha, tudo o que eu escrevo aqui é um reflexo das minhas experiências e percepções. Mas, como qualquer mortal levemente pessimista, tenho uma tendência a descrever tudo de forma mais dura e difícil do que na realidade.
Uma coisa importante que você, Rebecca, deve ter em mente: comecei a escrever esse blog há quase dois anos exatamente para poder entender a Suécia e tentar localizar o meu lugar nesse mundo novo. Isso porque escrever, pra mim, tem o efeito de esclarecer as coisas, torná-las mais simples. Quando você faz o que eu fiz, muda toda a sua vida de um dia pro outro, literalmente, é muito difícil se adaptar.
Pois bem. A primeira coisa que se sente é uma curiosidade natural com o país novo, a língua, as pessoas, os costumes etc. No meu caso, depois disso veio meio que um desencantamento com a falta de capacidade dos suecos de entender que eu era eu e que isso já bastava para que eles me convidassem para trabalhar como editora-chefe do Aftonbladet com salário astronômico, apartamento em Gamla Stan e carro da firma. :c)
Hoje, percebo, no entanto, que o buraco é mais embaixo. Claro que minhas reinvindicações, os casos esporádicos de preconceito enfrentados por imigrantes e tudo o mais existem, são reais. Mas são exceções. Hoje estou mais conformada com a idéia de que meu caminho aqui é longo. Estou trabalhando pra que ele seja, pelo menos, prazeiroso. Cabe a mim fazer de tudo para que minha vida dê certo, assim como caberá a você trabalhar sua energia, suas expectativas e frustrações para ser feliz aqui, no ano dos seus estudos.
Além de trabalhar duro, a única coisa que eu preciso fazer é acreditar que tudo, no fim, dará certo. Porque essa é a verdade. Um dia ou outro, tudo vai dar certo.
Então, queria dizer pra você, Rebecca, pra não ficar impressionada com as coisas que escrevi lá no início do blog. Tudo muda, evolui. A vida tem seus altos e baixos, exatamente, aliás, como uma Montanha-Russa. :cD
Quando penso na Suécia, minha impressão é que estou diante de uma mulher dura, alta, com o rosto marcado pelas dificuldades da vida. Ela vê, finalmente, na segunda metade da sua vida, seu futuro não tão complicado, com a perspectiva de uma boa pensão e anos tranqüilos de velhice. Essa mulher acha difícil enfrentar mudanças, é totalmente ligada às antigas tradições que lhe foram passadas por sua mãe que as recebeu da avó, que as recebeu da bisavó e assim por diante.
Ontem foi o início do semestre de outono em todas as escolas suecas, até mesmo na que eu freqüento, para adultos. Esse semestre vou estudar um montão de coisas que, com o passar dos dias, eu conto aqui. Mas ontem começamos com Samhällskunskap [samrrélskunskóp], que corresponde a ciências sociais e, claro, sueco.
Está provado: a cafonice européia de andar de sandálias com meia não é um hábito moderno. Uma escavação arqueológica localizada no sul de Londres descobriu um dos pés de uma estátua de bronze que parece estar adornado não apenas com sandálias do estilo Romano, mas com meias.
Ontem fomos buscar nossa restituição do Imposto de Renda - a primeira vez tanto para mim (na Suécia) quanto para Stefan, que não se agüentava de tanta alegria. No nosso banco é sempre fácil de ser atendido, mesmo só existindo uma caixa, que também funciona como recepcionista para quem tem dúvidas.