July 31, 2003

Faxina

Sem brincadeira, não entendo como ainda tenho uma vastíssima cabeleira. Sim, porque basta olhar nos cantos do apartamento, onde o vento literalmente faz a curva, pra ver tufos e mais tufos da preciosa cobertura do meu couro cabeludo devidamente embolados com seus colegas, os tufos de poeira.
Ai, preciso de um dia num spa…

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 12:55

July 30, 2003

Bulle, a receita

Atendendo a pedidos, aqui vai a receita do bulle sueco:
Ingredientes:
150 gramas de manteiga
50 gramas de fermento*
5 decilitros** de leite
1 decilitro*** de açúcar
½ colher de chá de sal
2 colheres de chá de kardemmuma (se tiver - não faço idéia do nome disso em português)
850 gramas de farinha de trigo
Recheio:
100 gramas de manteiga em temperatura ambiente
1 decilitro de açúcar
2 colheres de mesa de canela (pode colocar mais dos dois ou mudar o recheio pro que você quiser)
Para pincelar:
1 ovo
açúcar pérola (acho que chama “açúcar de confeiteiro” no Brasil)
Como fazer:
1) Derreta a manteiga numa panela. Adicione o leite e deixe esquentar até que atinja 37 graus (você pode verificar a temperatura mesmo sem termômetro. Basta sentir a mistura com o dedo. Quando estiver quente mas você ainda conseguir sentir com o dedo sem se queimar, está no ponto).
2) Esfarele o fermento numa tigela. Coloque a mistura de leite e manteiga e mexa até que o fermento se dissolva completamente. Adicione açúcar, sal e caso tenha, a Kardemmuma.
3) Meça a farinha. O importante aqui é despejar a farinha do pacote de forma a que ela caia direto na balança sem que você precise apertá-la por cima. É preciso que haja um pouco de ar no meio dos 850 gramas, senão fica farinha demais.
4) Adicione a farinha ao resto, mas guarde meio decilitro para trabalhar a massa depois.
5) Trabalhe a massa fortemente. Se tiver máquina, por cinco minutos. Se for na mão, dez minutos, até que a massa esteja lisa, fácil de se trabalhar.
6) Deixe a massa descansar por 30 minutos debaixo de um pano de prato.
7) Com o resto da farinha por sobre a mesa, divida a massa em quatro partes. Abra a massa com um rolo até que fique bem fininha.
8) Pincele com a manteiga por sobre toda a superfície da massa e logo depois coloque o açúcar e a canela em doses generosas.
9) Enrole a massa na forma de um rocambole e corte com uma faca as porções individuais.
10) Coloque os bulle já cortados num tabuleiro untado ou com papel especial para bakery. Deixe-os descansar por baixo de um pano de prato por mais 40 minutos.
11) Pincele com os ovos batidos e coloque o açúcar pérola por cima e asse no forno quente a 250 graus de cinco a oito minutos - ou até que eles fiquem com uma cor douradinha.
12) Deixe os bulle esfriar debaixo do pano de prato.
* Atenção pra esse ponto: uso 50 gramas de fermento fresco aqui na Suécia, com a temperatura e as condições atmosféricas daqui (humidade etc). Acho, no entanto, que essa quantidade de fermento pode ser demais se você estiver no Brasil, por exemplo. Isso porque tentei fazer um pão sueco pra minha mãe lá no Rio e, conforme a receita, tinha que colocar 50 gramas de fermento. O pão ficou uma pedra salgada.
** 1 decilitro = 100 ml (mililitros)
*** 1 decilitro de açúcar = mais ou menos 80 gramas.

Filed under: Receitas — Maria Fabriani @ 10:09

July 29, 2003

Jardins Abertos

No último domingo fui visitar quatro jardins aqui na região onde moro. É que foi o dia do “Jardim Aberto”, ou Öppen Trädgård, no qual casas particulares espalhadas pelo país inteiro abrem seus portões aos visitantes que podem andar livremente pelos jardins e até comprar mudas de plantas. A casa em si, claro, fica fechada a visitação. Eu, câmera digital em punho, fiquei maluca com tantas plantas lindas, algumas exóticas, flores magníficas e as pedras cheias de musgo (mãe, essa é pra você!).
O impressionante desses jardins é que durante metade do ano eles ficam cobertos de neve e o solo, congelado. Me exaltei tanto que tirei quase 70 fotos. (!!!) Aqui estão algumas delas, divididas em categorias pra facilitar a visualização. Coloquei thumbnails leves para que vocês pudessem abrir o blog sem problemas e, apenas se quiserem, clicar nas fotos e vê-las maior. Espero que a página não fique muito pesada, mas se estiver, por favor, me avisem por email ou deixe um comentário, ok?
Imagens gerais dos jardins

Lírios de todas as cores

Pequenas casas de jardim e outros detalhes

Rosas de todas as cores

Canteiros de flores e plantas

Flores exóticas



Hoje é aniversário da minha avó Celia. Parabéns, vó. Muitas dessas fotos eu fiz pensando em você.

Filed under: Cinema e televisão,De bem com a vida,Europa & Escandinávia,Vidinha — Maria Fabriani @ 15:03

July 28, 2003

Bulle: uma instituição nacional


Mesmo no meio do frenesi de ler o Harry Potter até o final (não tenho tido tempo de ficar em casa sem fazer nada, acreditem se quiser), ainda arrangei tempo pra fazer bolinhos de café suecos. O nome original dos bolinhos é bulle, e eles são uma mania nacional. (A primeira foto mostra a massa antes de ir pro forno. A segunda, os bolinhos já prontos.)
Aliás, se você pensava que o Brasil era a nação do café, pode ir mudando de idéia. Isso porque Finlândia e Suécia respondem pela maior parte da ingestão de café do planeta - e não é aquela “água suja” que os americanos bebem não. O café fortíssimo é acompanhado pelo bulle - que na verdade são pequenos pães doces, recheados com açúcar e canela.
A combinação café+bulle é uma instituição social, cujo nome, fika, representa uma pausa institucionalizada em todos os locais de trabalho, órgãos públicos e casas particulares. Para-se tudo para se beber café e comer bulle. Todos os dias às 9h30m e às 14hs é considerado descortês fazer qualquer tipo de requisição profissional. Afinal, ir fazer a sua fika é fundamental para se formar contatos, relaxar do trabalho e conversar sobre o tempo (outra mania sueca).
Eu acho essa coisa de fika uma pentelhação, sinceramente. Apesar de gostar dos bulle, esse negócio de ficar interrompendo o trabalho toda a hora é um saco. Nos dois locais onde trabalhei era um suplício: mal chegava de manhã, sentava, lia emails e já eram nove e tanto. Pára tudo pra fika. Depois mais duas horinhas, pára tudo pro almoço. Volta, mais duas horinhas, fika novamente. Depois mais um pouco de trabalho e vai todo mundo pra casa.. jantar.
Não que eu não goste de conversar sobre o tempo ou de comer, mas sou uma criatura que precisa se concentrar no que está fazendo. Acho um saco ter que interromper a toda a hora. Mas reconheço que a fika tem seus méritos sociais. Sem esse espaço paralelo não sei como as pessoas conseguiriam se falar nesse país (nunca vi tanta gente tímida e inibida como aqui).

Filed under: Cinema e televisão — Maria Fabriani @ 10:25

July 26, 2003

Vou te contar uma coisa…

… Deveria ser proibido lançar qualquer livro do Harry Potter no verão. É uma tremenda sacanagem. Explico: o dia está lindo, lindo, lindo. Quente, delicioso. E eu aqui, em casa, capaz apenas de vir aqui ao computador para respirar… Mas o que eu quero mesmo é meter a cara no livro e ler as mais de setecentas páginas até acabar… Ó, céus.
Atualização às 23hs - Estava esvaziando minha maquininha digital e achei fotos passáveis da casinha de descanso onde ficamos no nosso piquenique, sobre o qual escrevi logo ali no dia 22/07. Vejam que coisa mais linda:

Filed under: Livros — Maria Fabriani @ 16:34

Difícil

Difícil
Sonhei muito à noite. Sonhei com a minha avó Celia, que está muito doente, sendo cuidada pela minha mãe com uma paciência e um carinho que me impressionam. Sinto muita falta da minha avó. Tem partes dela espalhadas por toda a minha vida. No jeito em que falo, em que amo, na forma em que me expresso. Sou consciente de que sou o resultado de forças combinadas. Só que além do pai e da mãe, na minha equação tem mais um componente. Minha avó não era apenas avó. Era muito mais. E exatamente agora releio o que acabei de escrever e vejo que escrevi no passado: “minha avó era”, ou invés de “é”. Nunca ninguém me disse que não era pra sempre. Eu não contava com o desgaste da vida. Eu via você tão doce e forte que esquecia de te ver como um ser humano. Que saudade, vó!

Shiva Shakti
Eu dormia e sonhava que a vida era alegria.
Despertei e vi que a vida era serviço.
Servi e aprendi que o serviço era alegria.
Rabindranath Tagore

Copiado da Bia Badaud, sempre inspirada. Mãe, esse post é pra você.

Filed under: Saudade — Maria Fabriani @ 14:59

July 24, 2003

Fullgás

Todos vocês sabem que eu adoro correio, né? Pois então, um dia atrás o cara das entregas rápidas veio aqui e deixou um pacote pra mim. A sorte é que Stefan estava atento porque nós estávamos saindo de casa, já no carro, quando vimos o cara parar o caminhão em frente ao nosso prédio. Era um pacote da Marcia Aguiar, que me mandou um CD da Norah Jones (sempre quis ter!), um CD acústico da Marina (Ah, o sotaque dela me aquece o coração), um pacote de biscoitos mentirinhas “Kedelícia”, um íma de geladeira dos Beatles lindo e um bloquinho promocional da Marina. Marcia, já te disse isso por email, mas nunca é demais: obrigada pelo seu carinho! Beijão!
Estou aqui escrevendo com meus óculos novos, que fui buscar na terça-feira. O cara ainda estava tão sem graça por toda a trapalhada de que foi responsável, que fez óculos escuros para mim e para Stefan de graça. Paguei menos da metade do custo dos óculos - o equivalente apenas ao preço da armação - e ainda acho que paguei muito. Agora estou com dor de cabeça porque minha vista precisa se adaptar aos óculos. :c( Ó vida…
Não vamos mais para a Noruega. Tanto eu quanto Stefan estávamos achando que o nosso carro, meio velhinho apesar de funcionar bem, não iria dar conta das serras mais do que pronunciadas dos fiordes. Vamos deixar pruma outra oportunidade.
Sonhei que 67 pessoas estavam online ao mesmo tempo aqui no Montanha-Russa. Fiquei tão surpresa e feliz… hehehe.

Filed under: Variedades,Vidinha — Maria Fabriani @ 09:50

July 22, 2003

Piquenique no paraíso

Sim, amigos e amigas, eu já fui ao paraíso e voltei pra contar a história. O nome do lugar é Selets Bruk, distante cerca de 30 minutos de carro da minha casa. Foi uma descoberta e tanto. Fizemos um piquenique com direito a churrasquinho, café, torta de banana e salpicão. Estavamos lá eu+Stefan e mais dois casais braso-suecos: Sonia+Lars-Åke e Milena+Roger.
Depois de andar por caminhos que pareciam encantados e quase ver elfos e fadas, comemos ao lado do rio, jogamos um equivalente sueco ao jogo Masters, rimos muito e tivemos uma tarde ma-ra-vi-lho-sa. Assim que acabamos de comer, começou a chover - estava quentíssimo e, claro, muito úmido.
Quando eu ainda estava me recuperando da tristeza de ter que ir embora, descobri que iríamos para uma casinha toda feita de madeira, no meio da floresta. São as chamadas Raststugor, ou as “casas para descanso” [rast = descanso; stugor = casas], que ficam destrancadas a espera dos veranistas pegos de surpresa por algum contratempo. Fiquei boba.
A casinha tinha duas mesas, bancos e cadeiras, um forno para aquecer no inverno e estava conservadíssima, parecendo que alguém tinha acabado de limpá-la. Ficamos conversando até nove da noite, quando a chuva parou e o sol saiu (sim, o sol se põe nessa época do ano lá pelas onze da noite). Já estamos combinando de voltar lá o mais rápido possível… Quem sabe dessa vez encontraremos um elfo? Clique nas thumbnails abaixo e tente achar um troll.:cD

Filed under: De bem com a vida — Maria Fabriani @ 11:38

July 20, 2003

Livros

Comecei a ler o quinto livro do Harry Potter dia 16, logo depois do meu aniversário. Pra variar, estou mais do que viciada. Cada vez que pego livro pra ler (todos os dias antes de dormir) tenho uma sensação ao mesmo tempo boa e ruim. Boa porque estou lendo um livro maravilhoso, divertido, bem escrito, delicioso. E ruim porque a cada página que leio, o livro vai chegando ao fim.
Tenho essa sensação sempre que leio os livros da JK Rowling, desde quando comprei meu exemplar de “Harry Potter and the Sorcerer’s Stone”, em 1999. Mas já senti isso antes. Foi quando fiz 15 anos e ganhei da minha tia Alaíde “A Casa dos Espíritos”, da Isabel Allende.
Nunca vou me esquecer desse livro. O trouxe pra Suécia, como um dos poucos sobreviventes da minha bibliotequinha que me acompanharam por sobre o Atlântico. Cada página que eu lia sentia uma deliciosa sensação de prazer ao mesmo tempo em que me angustiava com o inevitável fim do livro. (Não julgue a história se você viu apenas o filme, com Glenn Close e Jeremy Irons. O livro é muito melhor.)
Outro dia estava mergulhada nas aventuras do Harry quando pensei: “Imagina quando eu terminar de ler o sétimo livro… Como é que vai ser?” Bom, nem quero pensar nessa possibilidade… ainda :c(

Filed under: Livros — Maria Fabriani @ 13:48

July 19, 2003

Conversa fiada

Comentei que ganhei um dos livros de culinária da Nigella de aniversário? (Tack, Milena!!!) Tem cada receita de-li-ci-o-sa! Uma das que mais gosto é a de uma mousse de chocolate branco com maracujá. Que delírio. O problema é encontrar maracujás frescos por aqui.
Aliás, se lembram que uma vespa me mordeu? Pois é, doeu no dia, mas depois passou. O mais engraçado é que dois mosquitos me morderam quase que no mesmo lugar (dedo mindinho do pé direito) e o negócio está super inchado. Acho que sou imune às vespas, nas não aos mosquitos…
Amanhã vou fazer piquenique numa reserva natural aqui perto. Está um calor de louco aqui. Húmido também. Dormimos com as janelas todas escancaradas e é até por isso que os mosquitos fazem a festa comigo… Tremendo banquete.
Ah, sabem a última do ótico maluco? Stefan foi buscar finalmente a lente que estava sem o grau de astigmatismo dele. O cara veio todo meloso, querendo bancar o bom funcionário etc. Foi quando ofereceu a Stefan, sem custos adicionais, lentes de óculos escuros para se colocar por sobre os óculos dele (por encaixe). Stefan até achou uma boa idéia e aceitou. Aí o cara disse: “Ah, sim, mas não tenho as lentes exatas pros seus óculos, então vou ter que mandar fazer”.
Hahaha. No próximo verão meu urso polar poderá ir buscar seus novos óculos escuros…

Filed under: Variedades,Vidinha — Maria Fabriani @ 18:36
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