April 22, 2003

Auto-imagem


Roubei da Bia Badaud. Já foi lá no blog dela? É bacana. Bem escrito e animado. (Dica da Cora)

Filed under: Elucubrações — Maria Fabriani @ 19:44

April 21, 2003

Delícia

Sabe aqueles domingos cariocas em que tudo parece meio parado, a não ser a praia, que fervilha de gente? Pois é, hoje é essa a sensação que tenho aqui em Boden. Tudo bem, aqui não tem praia, mas quem disse que os gramados não podem ser divertidos? A suecada resolveu tirar o mofo da brancura e está todo mundo na rua. Amém! Finalmente constato que tem gente nessa cidade! :cD
Anyway, está quentíssimo aqui: tem feito 15, 16 e até 17 graus o feriado inteiro e é uma delícia sair de casa com essa temperatura. Ao invés de irmos à praia, dormimos até tarde, Stefan trocou os pneus de inverno para os de verão e fizemos umas comprinhas. Estou inspiradíssima na cozinha, mas não vou contar porque senão todo mundo vai dizer que eu só falo de comida.
Agora estamos aqui, com a porta da varanda e as janelas abertas, no maior calorão em plena primavera. Que delícia. Urso Polar resolveu me dar um crash course em música sueca. Compramos um CD do ABBA (Hohoho, tinhamos que começar por algum lugar) e de um outro cantor que eu nunca ouvi falar. Vamos ver no que isso vai dar. :c)
PS.: Gente, estou meio relapsa com os blogs e com as respostas aos comentários. Sorry! Ando meio sem saco de fazer outra coisa a não ser aproveitar enquanto os termômetros estão acima do zero. Já já eu volto. Beijo!
PS 2.: Sobre minha foto da carteira de motorista: aqui tem que mostrar a orelha e, ao mesmo tempo, olhar para a câmera. Meu cabelo está preso num coque porque como ele é muito longo as orelhas ficavam escondidas. Nunca ri tanto pra tirar uma foto na vida.
PS 3.: Sou mais bonitinha ao vivo, viu? Num tenho esse bico aí da foto não, tá? Hohoho.

Filed under: De bem com a vida — Maria Fabriani @ 17:06

April 17, 2003

Ela chegou!!!!

carteira.gif

Minha carteira não é linda??? E é rosa ainda por cima!!! :cDDD
Adoramos “About Schmidt”. O Jack Nicholson é um senhor ator! Ele é o filme e o filme é ele. F-E-N-O-M-E-N-A-L.

Filed under: Conquistas,Pra frente é que se anda,Vida de imigrante — Maria Fabriani @ 17:52

April 16, 2003

Preguiça…

Como a Lu Misura notou, as fotos do post de baixo são das montanhas, distantes quase seis horas de carro de Boden. Aqui está 12 graus positivos hoje, o céu está meio cinzento, mas tudo bem. O carro foi consertado mas como se tratava de uma incógnita elétrica, meu urso polar não pode resolver o problema sozinho e tivemos que pagar 2 mil coroas (200 dólares) pela mão de obra. :c(
Mais pobrezinhos, porém motorizados, estaremos saindo daqui a pouco para ver “About Schmidt”, com o Jack Nicholson. Não estamos fazendo nada de especial. Na verdade, minha vontade é de sair por aí, dirigindo e vendo a paisagem de primavera sueca para não ter que me preocupar com tudo. Ando tão preguiçosa que vou te contar. Fico cansada só de pensar em escrever…
Um beijo e até a próxima.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 14:17

April 15, 2003

Fotos das montanhas suecas


Vista de cima - lindas montanhas cobertas por neve no vilarejo de Kvikkjokk

Onde está Wally? Exercício de guerra na neve (quantos recrutas podem ser vistos na foto?)

Não é o Stefan - meu urso polar é muito mais bonito. Não sei o nome da figura.

Alguém aceita um cafezinho?

Filed under: Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 12:51

April 11, 2003

Típico

Depois de cinco meses de estudos sobre carros, regras e leis de trânsito, finalmente consegui minha carteira. Aí, o carro quebra.

Filed under: Conquistas — Maria Fabriani @ 17:35

Sobre a queda

Estava pensando como interpretar aquelas imagens da estátua do Saddam sendo destruída na praça paraíso, no centro de Bagdá. O povo certamente pareceu bastante feliz - como numa catarse coletiva de permissão e permissividade. Mas uma coisa me fez considerar aquelas imagens estranhas. Parecia tudo tão encenado para as câmeras, a alegria das pessoas que mal olhavam para a estátua que estavam destruindo, mas sim para os cinegrafistas que circulavam pelo local tal qual moscas num monte de açúcar.
Não tenho razões para duvidar da alegria mostrada pelos iraquianos. Antes, acho que eles estão apenas mostrando legitimamente o que quase 30 anos de repressão podem fazer com povo. Mesmo assim, acho que o Iraque terá um caminho dificílimo pela frente. Isso porque não é fácil se acostumar a ser livre e a decidir seu destino com independência. E tem o “problema” da riqueza imensurável do país. Por um lado é uma maravilha; uma moeda de troca universal que pode garantir ao Iraque se destacar entre as nações mais ricas do mundo. Por outro, uma maldição capaz de corromper homens de bem.
Faço um paralelo com a antiga União Soviética, por exemplo. Conheci uma cidadã do Cazaquistão aqui em Boden que me ensinou, sem perceber, uma lição de como essas mudanças políticas afetaram profundamente algumas pessoas. Ela me contou que tinha uma vida boa nos tempos da URSS. Era chefe numa empresa que fabricava móveis, fez universidade e sabia falar inglês - uma raridade naqueles tempos e para a faixa etária dela (por volta dos 40 anos).
Pois bem, o regime caiu e com ele todo o status que ela tinha. Por ser chefe, ela fazia necessariamente parte do Partido Comunista soviético e tinha uma série de funções de controle sobre os trabalhadores da fábrica. Tudo mudou quando veio a Perestróika. Sem saber como se comportar num país novo e numa sociedade nova, ela fugiu para a Suécia. Só conseguiu visto porque se casou com um sueco.
Não vai ser fácil para os iraquianos se acostumarem com o novo estado de coisas. Só espero que uma nova espiral de corrupção e violência não tome conta do país, e que o novo governo seja inteligente o suficiente para resistir à pressão dos EUA e da Grã-Bretanha.

Filed under: Elucubrações — Maria Fabriani @ 12:16

April 10, 2003

Tópicos

Fiquei sabendo que no segundo semestre teremos mais aulas de sueco - atualmente temos quatro, divididas em dois dias apenas. Estou achando ótimo. Mas terei menos tempo para o blog… :c(

Hoje à noite vou assistir a uma competição de Curling. É um esporte incrível, que descobri quando vi pela tevê as olimpíadas de inverno em Salt Lake City. Parece um jogo de xadrez, onde as peças são jogadas e deslizam sobre o gelo até o fim da pista. O time que conseguir posicionar suas peças mais próximas do centro do alvo, ganha.

Estou com muita saudade do meu irmão. Muita.

Ganhei flores dos meus sogros por ter conseguido tirar minha carteira de motorista. Muito bacana. Fiquei muito feliz. São cravos cor-de-rosa, fuchsia, brancos e amarelos.

Aliás, sabiam que essa carteira que eu tenho é provisória? Pois é, quando a pessoa é aprovada e recebe a carteira, recebe uma carteira de experiência. Serão dois anos de probation. Se a polícia me pegar fazendo alguma baianada barbeirada no trânsito “louco” de Boden, minha carteira é retirada e eu tenho que fazer todas as provas novamente. É mole?

Filed under: Variedades — Maria Fabriani @ 18:28

Pequeno conto de férias

Ele ficaria fora por quatro dias. Quatro dias inteirinhos para ficar só, fazendo o que ela gostava. Dizer tchau foi chato mas uma dor necessária. Afinal, eram apenas quatro dias! Ela se dividia entre a saudade que já sentia e a vontade de ficar sozinha.
Ele foi e prometeu ligar quando chegasse ao seu destino. Até seria bom que ele ligasse para avisar que tudo estava bem, desde que isso não atrapalhasse nenhuma das atividades que ela iria fazer: ler até ficar cansada e dormir, tomar banho de banheira por duas horas e sair da água toda enrrugadinha e assistir a todos os programas de celebridades que ele conseguisse. Fez a lista mentalmente e imediatamente sentiu uma pontada de culpa.
Como uma criança que não brincava há muito tempo, ela fechou a porta e sorriu. Foi difícil decidir o que fazer primeiro. Já eram 2 da tarde. Decidiu colocar um CD no som e ir cozinhar. Fez o suflê que tanto amava e até errou a receita, mas estava se divertindo tanto que nem se importou. Recomeçou e deu tudo certo.

“you owe me nothing for giving the love that I give
you owe me nothing for caring the way that I have
I give you thanks for receiving it’s my privilege
and you owe me nothing in return”

Enquanto misturava a farinha com a manteiga e o leite, pensava no que poderia fazer à noite. Ligar para alguma amiga? Não. Visitar alguém? Não. Ela estava tendo uma leve dificuldade para aceitar um simples comando interno: ela queria ficar sozinha. Como nos velhos tempos.
Nada contra ele, no entanto. Estava tudo em cima. Ótimo relacionamento e tal, mas como era bom ficar longe por um tempo!!! Voltou sua atenção uma vez mais para a mistura que havia começado a embolar. Pensou na mãe e em como ela a havia ensinado a fazer esse suflê. Um rápido aperto na garganta, mas nenhuma lágrima.

“and I salute you for your courage
and I applaud your perseverance
and I embrace you for your faith in the face of adversarial forces
that I represent”

Com a mistura básica do suflê pronta, ela só precisava esperar para que esfriasse para juntar os ovos e dar os toques finais do prato. Dançou um pouco com a panela nas mãos. Procurou o caderno de receitas na cozinha e não resistiu ao ritmo. Começou a cantar mas não sabia a letra. Improvisou e riu com sua inabilidade. Um ridículo delicioso.
Pousou a panela para esfriar e olhou na revista da tevê. Ia passar um filme inglês interessante na TV à noite. Alguma coisa sobre uma cidade em Wales que lutava para ter sua primeira montanha, mas o medidor oficial disse que estavam faltando 20 pés para que o monte fosse considerado oficialmente uma montanha. Interessante. Depois de muito tempo poderia assistir ao que quisésse sem polêmicas.
Enquanto separava os ovos, lembrou que não havia almoçado. Mas ela não estava com fome. Ela não tinha vontade de nada nem de ninguém. A única coisa que queria era ficar só. Férias de interação humana. Pensou nisso enquanto olhava para a tevê, muda, ligada para lhe fazer companhia.

“you’ll rescue me right?
in the exact same way they never did
I’ll be happy right?
when your healing powers kick in”

Soundtrack provided by Alanis Morissette’s “Under Rug Swept”, 2002.

Filed under: Elucubrações — Maria Fabriani @ 14:42

April 9, 2003

Ufa!

O dia de ontem foi muito bom. Só pensava na tal da prova prática e nos 40 minutos nos quais teria que dirigir perfeitamente, como uma pessoa nascida e criada nas ruas dessa diminuta cidade. Mas, estranhamente, não estava desesperada de nervoso. Estava ansiosa para que a prova viesse logo e acabasse logo.
Cheguei lá no estacionamento de uma casa de banhos que tem aqui em Boden pouco depois das 14h30m, hora marcada para meu exame. Tinha dirigido a última meia-hora com minha professora de auto-escola que estava chateada. Um homem a havia destratado na frente de todo mundo porque não tinha passado na prova. Ele era russo e eu pensei: “Bonito, um imigrante se comporta assim antes de outra imigrante - eu - ir fazer a prova”.


Estacionei o carro e esperei. Achava que seria um examinador, mas foram dois. DOIS. Muito simpáticos e tal. Comecei fazendo uma verificação de segurança dos freios. Depois saí para dirigir. Ainda no estacionamento, senti que não havia fechado a porta corretamente. Tive que parar para fechá-la. Tremi um pouco mas consegui me segurar. Depois dirigi num caminho conhecido por mim (já havia treinado muito), o que não foi difícil. Passei por um trevo (circulationsplats) e acertei todo o posicionamento e as setas. Fui dirigir na estrada. Tive que fazer uma curva à esquerda, o que é complicado, uma vez que você precisa controlar não somente o trânsito que vem por trás mas o que vem pela frente também.

Passamos por uma linha de trem e a todo o momento eu pensava que precisava me concentrar em tudo o que examinador dissesse. E ele falou à beça. Conversava com o outro cara sobre coisas que eu não entendia e me perguntava como eu tinha vindo parar em Boden; de onde eu vinha no Brasil; qual era a palavra que queria dizer neve em português (snö, [isnô] em sueco); se nós tínhamos neve no Brasil (caiu na gargalhada quando contei que tínhamos sim neve no Brasil, mas apenas no sul e que todos os turistas corriam pra ver um centímetro de neve quando caía).
Sentia que era difícil me concentrar enquanto estivesse conversando com eles, mas quando chegávamos em um cruzamento, eu emudecia e eles também. Eu ficava recitando baixinho, para mim mesma, as leis que havia aprendido nas aulas práticas, com os infindáveis programas de computador e com meu livrão de regras de trânsito. Tomei muito cuidado em não ser uma “tartaruga” no trânsito mas principalmente para não ultrapassar o limite de velocidade. Afinal, foi por essa razão que o russo tinha sido reprovado.

Tive também que achar o caminho para uma loja grande que tem aqui. O examinador foi gentil o suficiente para perguntar se eu podia achar porque havia dito a ele que não morava em Boden havia muito tempo, mas eu achei o caminho de qualquer forma. Estacionei o carro de frente, numa daquelas vagas enoooormes. Ainda assim, sem muita rodagem com o BMW, entrei errado. Mas sabia que eu podia corrigir, indo para trás e voltando. Fiz isso e deu certo. Depois foi apenas me segurar para não fazer nenhuma besteira até o final. Dirigimos pela cidade ainda mais um pouco e depois fomos para o estacionamento da casa de banhos.
Esse teste foi um exercício de controle e disciplina pra mim. Quando terminei, ele me disse que eu tinha sido aprovada (“Du är godkänt, Maria”) e preencheu o papel com o qual posso dirigir até que minha carteira chegue. Saí do carro e só não gritei porque aqui tudo é tão calmo e silencioso que fiquei inibida. Minha professora já estava perto de mim. A abracei e quase chorei. Na verdade, tenho vontade apenas de rir, rir, rir.
Hoje completo 1 ano e 11 meses de vida na Suécia.

Filed under: Conquistas,Vida de imigrante — Maria Fabriani @ 09:57
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