December 31, 2002

FELIZ ANO NOVO!!!


Esse ano foi especial. Foi quando vivi pela primeira vez um inverno rigoroso. Neve. Muita neve. Voltei a ter dez anos de idade várias vezes.
Comecei meu blog em fevereiro, dia 28, e o Montanha-Russa se tornou um espelho da minha vida. Me enxergo melhor quando me leio.
Ajudei a eleger Lula presidente do Brasil.
Mandei dezenas de currículos para dezenas de empregos diferentes. Recebi muitos elogios mas nenhuma oferta. Escrevi uma carta aberta, em sueco, para a ministra. Não obtive resposta mas somente meu exercício bem-sucedido do idioma e a repercussão me mostram que há terreno para uma luta.
Aprendi a viver com o mínimo de dinheiro. Descobri que é totalmente possível.
Tive sentimentos inéditos, profundos e fortes. Ganhei até um pedaço de chão na Lua!
Conheci dezenas de pessoas, brasileiros e estrangeiros, que têm blogs. Gente muito especial. Alguns posso até chamar de amigos, o que acho um luxo. Sou grata, mais uma vez, à Internet, por ter mudado minha vida pra melhor.
Foi um ano no qual “nasci” para a Suécia. Jornais, revistas, TV e rádio começaram a fazer sentido para mim. A língua não é mais cantada, como uma música cuja letra apenas adivinhamos algumas palavras. Agora as sílabas se encaixam em palavras, as palavras em frases, as frases em argumentos, perguntas e respostas. Me alfabetizei.
Sofri muito também. Briguei, fiquei com raiva, ciúmes, inveja. Mas tudo passou. O que não passou foi a saudade. Mas ela é mesmo minha companheira.

Tchau 2002! Ano porreta!
Oi Ano Novo, seja bem-vindo. Abra os braços porque essa criatura aqui está pronta para mergulhar de cabeça.

December 30, 2002

Reveillon à brasileira

Ah, tô tão feliz!!! É que vamos passar o reveillon na casa da minha amiga Sonia, médica brasileira que mora aqui pertinho de mim com o marido sueco. Hurra! Hurra! Hurra! Hurra! Vou fazer o brownie da Nigella pra levar pra reunião, que incluirá ainda outro casal sueco-brasileiro que eu não conheço. Ai, que bom! :cD
Aliás, falando em reveillon, tem uma coisa que me deixa muito estressada no final do ano. É que aqui na Suécia a compra e venda de fogos de artifício é liberada para qualquer um. Dependendo do tipo, até mesmo crianças de 15 anos podem adquiri-los em qualquer supermercado.
Acho isso um absurdo sem tamanho. Ainda não consigo entender como, numa terra onde tudo é reguladíssimo, os cidadãos podem falar no celular enquanto dirigem - mesmo com gelo na pista - e podem comprar brinquedos de final de ano que incluem a mistura literalmente explosiva pólvora + fogo + bebida.

Filed under: Cinema e televisão,De bem com a vida,Europa & Escandinávia,Vidinha — Maria Fabriani @ 10:27

December 29, 2002

“…E.T. phone home…”


Já estamos nos preparando para mais uma noite com filme novo no DVD. Ces acreditam que Stefan nunca viu “E.T.” por inteiro? Gente, acho que esse é um dos filmes mais marcantes de toda a minha geração. O Steven Spielberg é um gênio inspiradíssimo e eu sou fã dos filmes dele (até “Tubarão” acho bacana). Ainda me lembro quando o E.T. aparece pela primeira vez, no meio dos arbustos, depois de ter sido esquecido por sua nave. Estava tão extasiada com o filme que, na excitação, levei um susto e estalei as mãos no rosto para cobrir os olhos. Doeu pacas. :cD
Aliás, esse era o lance do lançamento do E.T.: a imagem do extraterrestre não foi mostrada na campanha de marketing exatamente para que todas as crianças não soubessem como seria esse “monstro”. Gente, eu tinha 11 anos recém-completos, e fui pro Leblon 1 na sessão das duas da tarde com medo. Mas foi uma revelação. Claro que choro até hoje com a cena das flores que voltam a nascer quando o E.T. desperta e, no final do filme, quando ele diz: “I’ll be right here” e aponta para o coração do Elliot… Nossa, já estou aos soluços.

Filed under: Cinema e televisão — Maria Fabriani @ 20:17


Brain cells come
and brain cells go…
But fat cells live forever!!!


Copiei da Kátia. Hai Kai pós-Natalino - ou uma preparação para as decisões de Ano Novo.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 11:52

December 28, 2002

O aprendizado de Stefan

Acabamos de assistir ao DVD do Moulin Rouge, que Stefan me deu de Natal. Para a minha surpresa, ele A-M-O-U o filme. Cantarolamos as músicas - Nirvana, U2, Elton John etc - rimos das cenas engraçadas e nos encantamos com o visual. Já tinha visto o filme uma vez. Pedi o DVD naquela minha listinha só de sacanagem, mas ele leu e comprou. Além do MR, ganhei também a edição de luxo do E.T.. O máximo!
Agora Stefan está aqui do meu lado assoviando “the hills are alive with the sound of music” e eu achando o maior barato. Outro dia vimos na TV Muito Barulho por Nada, com Denzel Washington, Kenneth Branagh e Emma Thompson. Leitor de Shakespeare, ele amou. Meu próximo passo é fazer com que meu amor largue de vez Bruce Willis, Silvester Stallone e entregue-se à poesia imortal de Jane Austen, O Piano, Corrina, Corrina, e todos os filmes da Nora Ephron+Meg Ryan+Tom Hanks. Hahahahahahaha. {Risada diabólica}

Filed under: Cinema e televisão,Vidinha — Maria Fabriani @ 22:28

December 27, 2002

De novo

Vocês sabem que sou dramática, né? E do pior tipo: canceriana-almodovariana. Então, é bom avisar que os meus excessos podem nublar meu julgamento. Por isso, refaço as linhas aí do post de baixo sobre o Natal. E digo: o Natal foi bom porque as crianças adoraram e se não é isso o que indica o sucesso da festa então eu não sei o que é.
As três meninas, filhas da irmã de Stefan, ganharam tantos presentes que até eu fiquei enlouquecida. Estava ajudando uma delas a abrir os pacotes e quando a menina não conseguia romper o papel de embrulho, eu prontamente arrancava o pacote da mão dela e me botava a estraçalhá-lo com volúpia. Hahaha.
Ganhei mais presentes do que dei. Isto se você não contar os dois pudins de leite e os dois pães feitos em casa que levei à festa. As delícias feitas com leite condensado foram devoradas pelas dez pessoas presentes à ceia de Natal. Depois de muita deliberação entre colheradas e mais colheradas dos meus pudins, os suecos chegaram à conclusão que eu deveria fazer mais daquilo para o ano que vem.
Os pães foram servidos junto à smörgåsbord, com muitas saladas de vegetais e maionese, (muita maionese), além de patê de fígado de ganso, presunto cozido, ovos duros com caviar etc. Pensou que acabou? Nãnaninanão. Logo depois veio o jantar propriamente dito, com almondegas de carne, batatas cozidas e costeletas de porco. Levinho não?
Depois da orgia - digo - ceia, abertura de presentes e que tais, as crianças finalmente foram dormir (incrível como elas têm resistência), e nós fomos para a frente da TV para tentar digerir toda aquela comilança. Aí você me pergunta: “Sim, mas não seria melhor dar uma volta na vizinhança para digerir a comida?”. E eu respondo: “Com o termômetro marcando 27 graus negativos… I don’t think so”.

Filed under: Irritação e ironia — Maria Fabriani @ 21:06

O Natal foi bom mas, graças a Deus acabou!

It’s over, finito, la fin, slut! Fomos para a casa da sogrinha dia 23 cedo e só voltamos ontem à noite. Overdose de família. Ganhamos alguns presentes legais, mas teve uma hora em que tudo o que eu queria era estar aqui em casa (ou no Brasil), na frente da televisão, vendo algum filme antigo ou um documentário da BBC.

Hoje tá difícil. Tô com dor de cabeça. Ahhhhhhh…. Um Dorflex por favor!
Olha, queria agradecer pelos emails lindos que recebi. Eles serão devidamente respondidos assim que o Dorflex começar a funcionar, ok?

Filed under: Irritação e ironia — Maria Fabriani @ 12:22

December 23, 2002

Feliz Natal para todos!

Filed under: De bem com a vida — Maria Fabriani @ 09:01

December 22, 2002

Acabou

Apesar de ainda ter pela frente dois meses de frio intenso, a escuridão para mim acaba hoje. Explico: é que hoje é o solstício de inverno - o dia mais curto do ano. A partir de amanhã ganhamos preciosos minutinhos de sol e luz todos os dias. Os suecos não comemoram nada - talvez até pela proximidade do Natal - como fazem quando chega a hora do equinócio, o tal do midsommar, dia 22 ou 23 de junho.
Para mim, no entanto, o dia 22 de dezembro marca um renascimento, da luz, da vida, do calor. Acho inclusive o midsommar meio triste porque a partir dali perde-se luz todos os dias. O ciclo se completa hoje. É o fim. E o começo.
O sol nasceu hoje às 9h51m em Luleå (cidade mais importante do norte e que fica pertinho aqui de Boden) e se pôs às 13h11m. Amanhã, o sol se porá às 13h12m. De pouquinho em pouquinho, a gente chega lá. Não deixa de ser uma lição interessante da natureza, pensando bem.

Filed under: Europa & Escandinávia,Pra frente é que se anda — Maria Fabriani @ 14:23

Nunca subestime a capacidade de auto-ilusão do ser humano

Ontem teve reunião na casa do casal amigo de Stefan. Foi uma espécie de agradecimento por meu amor ter levado o cara para o hospital e ficado lá com ele quando, de madrugada, o cara teve um ataque de dor no estômago ou nos rins ou sabe-se lá onde. Acharam que era pedra nos rins, mas não era. Acharam que era tumor no estômago, mas não era. Acharam tudo e não acertaram nada (esses médicos suecos!). Stefan e esse cara são amigos há muito tempo e se adoram. A mulher dele é uma pentelha e, claro, eu tenho que dar uma de primeira-dama e ser diplomática. Tudo bem. Casamento é compromisso.
A noite até que não foi ruim, devo admitir. A moça foi simpática como sempre, e não precisei ficar acordada até muito tarde. Meia-noite já estava de banho tomado e na cama. Sim porque depois de dez minutos na casa deles, roupa, cabelo e até a alma cheiram a cigarro. Aí não dá. Eles até são educados e vão fumar na varanda, mas mesmo assim o cheiro permanece. Ainda mais pra mim que sou meio humana e meio bloodhound.
Aí, no meio do jantar, o cara diz que está se cuidando para evitar que o misterioso problema em um órgão não-identificado do seu corpo volte a se manifestar. Perguntei, interessada, como ele estava se cuidando. E ele sem a menor cara de pau manda essa:
- Ah, parei de tomar café e também não bebo mais leite.
- Como é? Não bebe mais leite? Mas leite é ótimo para o estômago!
- Sim, mas não podemos descartar alergia à lactose.
- …
O interessante é que o fulano bebe leite desde que nasceu (ele tem 39 anos) e nunca teve qualquer problema. Em contrapartida, bebe álcool que nem um gambá também quase desde que nasceu. Ontem mesmo estava cheio de sprit na cabeça. É a velha história da azeitona na empada. Manja?

Filed under: Irritação e ironia — Maria Fabriani @ 08:30
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