August 27, 2012

Uma filha

Eu tenho uma filha. Mia, seja bem-vinda!

Filed under: Conquistas,De bem com a vida,Gravidez — Maria Fabriani @ 16:53

May 9, 2011

10 anos

Acredite se quiser, mas moro na Suécia há 10 anos. Hoje faz dez anos que subi naquele avião da Lufthansa e me mandei pro desconhecido. Nem sei o que dizer, escrever. Foi, ainda é e sempre será uma viagem. Cabe a mim aproveitar ao máximo.

March 15, 2011

Quase lá

A vida está difícil. Está difícil. Por outro lado, ando muito feliz. É, balanco entre os polos. Sinto que a vida sempre rolou e continua rolando e eu vou com ela, que nem uma rolling stone, sem deixar musgo crescer. E daqui a uns meses completo 40 anos. Puxa vida. Foi ontem que eu achei que era imortal, quando completei 18.

Filed under: Aniversários,Conquistas,Elucubrações,Vidinha — Maria Fabriani @ 08:23

March 22, 2010

Não é por nada não…

…mas o meu irmão passou em vigésimo primeiro lugar no vestibular da UFRJ pra direito. Quantos eram os candidadtos? Ah… só 10.240…

É mole ou qué mais?

Parabéns querido irmão, você é o máximo.

Carlos, estou muito orgulhosa de você, de tudo o que você é. No que diz respeito a você, não precisar conquistar nada, basta ser, existir, que eu já estou gostando. Você sempre foi meu irmãozinho e sempre será. Muito amado. Um beijo! Maria

Num tem pra ninguém!!!!!!!!!!

Filed under: Conquistas,De bem com a vida,Saudade — Maria Fabriani @ 21:10

March 5, 2010

Um dia, em casa

Um dia, em casa. Silêncio. Ouco apenas a neve deslizando do teto da casa (um bom sinal); meus passos no chão; a madeira reclamando; o banho; a secadoura de roupas; o relógio da cozinha; o som do micro. Um pouco de rádio.

Que acordei às cinco da manhã com uma dor de cabeca lancinante ninguém diria. Estou ótima. O silêncio me faz bem. Fico espantada como senti falta da solitude de um dia passado em silêncio, sozinha, em casa.

Depois de decidir o que fazer de almoco, desligo o rádio, com o qual tenho uma relacão de amor e ódio. Gosto de música mas não gosto de barulho contínuo. Só quando me encontro em situacões onde não se pode pensar em nada mais elaborado, no carro por exemplo, é que o rádio é indispensável.

Tudo é absoluto prazer. Arrumo pequenas coisas; esquento um pedaco de omelete com brócolis, bebo água com uma rodela de limão espanhol, amarelo. A refeicão tem que levar pelo menos 15 minutos - tempo suficiente pro corpo dizer pro cérebro de que comida foi ingerida e já já é hora de se mandar sinais de satisfacão.

Hoje é sexta-feira. Estive resfriada a semana inteira. Fui trabalhar na terca e na quinta. Fiquei exausta porque estava difícil de respirar. Hoje resolvi ficar em casa para me recuperar de verdade. Liguei pro trabalho; falei com a chefe, que entendeu. E disse pra eu dar uma andada, “porque o dia está lindo”.

De fato, está. Sol, apenas três graus abaixo de zero. Eu pretendo sair, claro, quero andar. Mas… Nada no mundo é melhor do que a felicidade e o luxo de fazer o que você mais quer na hora em que você deseja.

E hoje, nesse momento, o que quero é deixar o silêncio me abracar, me deitar com o livro da Janet Frame e não me sentir tão estranha; aceitar que há quem goste - prefira! - a solitude à outros estados de socializacão. E que isso é OK.

Tomo café na minha xícara azul-cobalto, finlandesa, com uma coruja e um pavão e várias árvores coloridas. Linda. Estou tão feliz que fico assustada… e com vergonha.

A palavra em sueco do dia é tystnad, silêncio.

Filed under: Conquistas,De bem com a vida,Elucubrações — Maria Fabriani @ 12:44

December 4, 2009

Passou!

carlos_rosto_peqconteceu uma coisa mágica: meu irmão passou no vestibular pra PUC! Não, não que fosse impossível, vejam bem, porque ele é um rapaz inteligentérrimo, sempre com notas altíssimas e tals. Mas é que tem uma coisa especial em passar no vestibular. É como se você pudesse, finalmente, respirar aliviado.

Minha experiência foi assim: depois de um fracasso justamente na PUC, passei e fiquei tão aliviada que chorei muito e jurei que nunca mais, nunca mais, nunca mais, precisaria estudar matemática na vida. Ai, que sensação maravilhosa, que conquista!

(Depois de muuuuitos anos, de mudar de país, hemisfério e quase DNA, me vi forçada a fazer mais uma faculdade em que estatística fazia parte do currículo. E eu tive que estudar, mesmo desgostosa. Matemática já é um perrengue em português, imagina em sueco! Não é pra qualquer um não!)

Mas, voltando ao que interessa: sucesso total do meu irmãozinho. Dezoito anos de idade, um gênio da raça, compreendem? Nossa, queria estar no Rio dos apagões e do calor infernal pra dar um beijo no meu irmão, que é lindo e inteligente. Que orgulho!

Parabéns, Carlos!

A foto ao lado é dele pequenininho, em Búzios. Adoro essa foto. Tão sério, com boné todo colorido. :)

A palavra em sueco do dia é stolt, orgulhosa.

Filed under: Conquistas,De bem com a vida,Rio de Janeiro, Brasil,Saudade — Maria Fabriani @ 22:45

October 8, 2009

Nobel, olimpíadas e trabalho

E a escritora germano-romena Herta Müller (foto) ganhou o prêmio Nobel de literatura desse ano. Nunca li Herta Müller, nem sabia que ela existia. Vou, agora, lê-la, até porque me informei que ela escreve sobre a sensação de estranhamento que o indivíduo sofre em seu próprio país, durante uma ditatura, além do estranhamento que o indivíduo sente com relação à sua vida em geral (aquela coisa de que não adianta estar rodeado de gente para evitar a solidão etc).

Bacana.

Quem anunciou o prêmio foi o escritor sueco Peter Englund, que acabou de começar a trabalhar como secretário da academia sueca. Ele é historiador, bem novo, e vem de Boden. A biblioteca daqui, que fechou na primavera para reformas e da qual senti muitas saudades durante todo o verão, vai ser reaberta agora no final de outubro com uma festança. Peter Englund vem pra sua cidade natal como convidado de honra na inauguração.

No mais, chorei muito quando o Rio ganhou as olimpíadas de 2016. Fiquei surpresa com minha reação; simplesmente não esperava chorar por conta disso. Mas, mais uma vez, a coisa da saudade se faz lembrar, por mais que a vida aqui siga em frente, feliz e repleta de acontecimentos positivos. Não comento o outro lado da moeda, de como esses jogos serão financiados, às custas de quem, etc. Tudo isso me vêm à cabeça, mas me sinto pouco capaz de comentar de forma competente.

E eu, finalmente, depois de oito anos na Suécia, consegui um emprego fixo. Meu trabalho, onde comecei em dezembro de 2007 como temporária, anunciou duas vagas. Eu mandei meu currículo pra minha chefe e consegui uma das vagas. O sistema empregatório daqui é meio complicado, com uma série de leis e tals. Não comento por falta de tempo e saco, mas conseguir um trabalho fixo é, acredite, uma façanha. Seja você imigrante ou nativo. Então, parabéns para mim!

A palavra em sueco do dia é fast anställning, emprego fixo.

Filed under: Conquistas,De bem com a vida,Eu ♥ a Suécia,Livros,Trabalho — Maria Fabriani @ 15:01

August 14, 2009

Dois anos de idade

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A palavra em sueco do dia só poderia ser stolt, orgulhosa(o).

Filed under: Aniversários,Conquistas,De bem com a vida,Max e a maternidade — Maria Fabriani @ 05:05

September 20, 2008

Viva!

Max andou.

O verbo em sueco do dia é att gå, ir, andar.

Filed under: Conquistas,De bem com a vida,Max e a maternidade — Maria Fabriani @ 18:27

August 27, 2008

Pré-escola e feminismo

Primeiro dia em que deixei Max na escolinha e vim pra casa. Ele vai almoçar e tirar a soneca do meio-dia lá. Voltei pra casa e encontrei o apartamento vazio, silencioso. Fui botar roupa pra lavar, louça na máquina, fervi as mamadeiras e as (muitas) chupetas, fiz a cama, fui tomar banho (e usei o sabonete de Max) e aqui estou, meio sem saber o que fazer.

Não posso deixar de dizer que estou feliz da vida. Finalmente posso ler, olhar a chuva, fazer nada. Tenho certeza que Max está numa boa lá, com os amiguinhos dele, com as professoras e com os brinquedinhos da escola. As professoras, Inger, Siv e Margit, são ótimas. Elas têm, cada uma, 30 anos de experiência com o trabalho com crianças e já participaram da adaptação de centenas de pequenos.

Aí, como mãe, eu me sinto feliz por saber que meu filhinho está em boas mãos. E penso também em Alva Myrdal, uma diplomata nativa, socialdemocrata, que foi fundamental para o desenvolvimento das escolinhas públicas suecas, capazes de tomar conta de crianças pequenininhas até os cinco anos de idade, para que os pais - mas principalmente as mães - possam trabalhar.

Alva escreveu com o marido, Gunnar, o livro “Kris i befolkningsfrågan”, publicado em 1934, e que foi um dos mais polêmicos livros de sua época. O título traduzido é “Crise na questão da população”. O principal argumento do casal Myrdal é que a responsabilidade pela criação e educação das crianças suecas deveria ser dividida pelos pais e pelo estado, que empregaria pedagogos profissionais para a tarefa.

No ano seguinte Alva publicou um outro livro, “Stadsbarn” (“Criança da cidade”) onde apresentou idéias de que as escolinhas suecas deveriam funcionar segundo moderna psicologia infantil. Alva Myrdal teve três filhos, foi ministra no governo sueco de 1966 a 1973 e recebeu o prêmio Nobel da paz em 1982 (dividido com o mexicano Alfonso García Robles).

Uma mulher interessantérrima. Ainda mais porque um dos filhos dela, Jan, cortou relações com a família, culpou o pai de ser um déspota e a mãe de ser fraca. Vi há um tempo um documentário em que se mostrava a obcessão do marido, Gunnar, por Alva, que a teria impedido de dedicar mais tempo aos filhos. As imagens de Alma são conflitantes e, por isso mesmo, interessantes.

Para alguns Alva era uma engenheira social que defendia a higiene da raça (lembrem-se que estamos na Europa da décade de 30) e a esterilização em massa. Outros acham que ela era uma pedagoga que colocou as crianças no centro pela primeira vez. Alguns acreditam que ela era a mãe que deixou seus filhos com outros pra fazer sua carreira, enquanto alguns acreditam que ela era uma feminista que abriu caminho para as mulheres combinarem família e trabalho.

Não é a toa que depois da minha querida Doris Lessing o próximo livro a ser lido é “Det tänkande hjärtat : boken om Alva Myrdal” (“O coração pensante: o livro sobre Alva Myrdal”).

A palavra em sueco do dia é förskola, pré-escola.

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