May 23, 2010

Hope

hope
Banksy

Filed under: Elucubrações — Maria Fabriani @ 14:54

May 21, 2010

Blefe

Volta e meia sinto uma confusão interna, uma desesperança, uma irritação e falta de paciência incrível. Não precisa ter acontecido nada de especial, nada de ruim. Essa sensação de estar marcando passo vem às vezes do nada, quando me olho no espelho e não gosto do que vejo, quando faço uma besteira ou cometo um engano. É aí que a pergunta que me persegue sobe à consciência: será que ainda sou um blefe?

A agressividade é o próximo passo. O que me deixa mais triste é que posso ser agressiva comigo mesma silenciosamente, sem que ninguém perceba. Pouco a pouco, escolha a escolha, vou incorporando o desprezo interno a cada fibra da minha pessoa; cada experiência, sentimento, pensamento e ideia são sujeitos a um menosprezo brutal. I take no prisioners.

A palavra em sueco do dia é turbulens, turbulência.

Filed under: Elucubrações — Maria Fabriani @ 20:40

May 9, 2010

Dom Quixote

Falo português com Max o tempo todo. Quando o sueco vem, assim de repente, me embaralho toda, e acho que ele nota. Mas na absoluta maioria das vezes falo português com ele. E ele entende, quase. Mas às vezes, quando digo alguma coisa mais longa ou complicada, noto o olhar vago dele, o olhar de quem não entendeu. O olhar de quem gostaria de ter entendido mas que nem depois de tentar muito consegue. E é nessas horas que me sinto muito só. Eu, Dom Quixote de La Portuguesa, falando ao vento. Tenho esperança que Max compreenda tudo, mas às vezes me dá um cansaço essa coisa de ser sempre minoria.

E hoje completo nove anos de Suécia.

PS.: Obrigada a todos os que comentaram no post abaixo. Me deu alento e confiança de saber que, de fato, a fase passa, assim como todas as outras. Me fez bem saber que um dia minha vida voltará ao normal (e aí, se me conheço bem, sentirei falta da loucura de agora, mark my words).

As palavras em sueco do dia são nio år, nove anos.

Filed under: Aniversários,Elucubrações,Max e a maternidade — Maria Fabriani @ 18:41

March 5, 2010

Um dia, em casa

Um dia, em casa. Silêncio. Ouco apenas a neve deslizando do teto da casa (um bom sinal); meus passos no chão; a madeira reclamando; o banho; a secadoura de roupas; o relógio da cozinha; o som do micro. Um pouco de rádio.

Que acordei às cinco da manhã com uma dor de cabeca lancinante ninguém diria. Estou ótima. O silêncio me faz bem. Fico espantada como senti falta da solitude de um dia passado em silêncio, sozinha, em casa.

Depois de decidir o que fazer de almoco, desligo o rádio, com o qual tenho uma relacão de amor e ódio. Gosto de música mas não gosto de barulho contínuo. Só quando me encontro em situacões onde não se pode pensar em nada mais elaborado, no carro por exemplo, é que o rádio é indispensável.

Tudo é absoluto prazer. Arrumo pequenas coisas; esquento um pedaco de omelete com brócolis, bebo água com uma rodela de limão espanhol, amarelo. A refeicão tem que levar pelo menos 15 minutos - tempo suficiente pro corpo dizer pro cérebro de que comida foi ingerida e já já é hora de se mandar sinais de satisfacão.

Hoje é sexta-feira. Estive resfriada a semana inteira. Fui trabalhar na terca e na quinta. Fiquei exausta porque estava difícil de respirar. Hoje resolvi ficar em casa para me recuperar de verdade. Liguei pro trabalho; falei com a chefe, que entendeu. E disse pra eu dar uma andada, “porque o dia está lindo”.

De fato, está. Sol, apenas três graus abaixo de zero. Eu pretendo sair, claro, quero andar. Mas… Nada no mundo é melhor do que a felicidade e o luxo de fazer o que você mais quer na hora em que você deseja.

E hoje, nesse momento, o que quero é deixar o silêncio me abracar, me deitar com o livro da Janet Frame e não me sentir tão estranha; aceitar que há quem goste - prefira! - a solitude à outros estados de socializacão. E que isso é OK.

Tomo café na minha xícara azul-cobalto, finlandesa, com uma coruja e um pavão e várias árvores coloridas. Linda. Estou tão feliz que fico assustada… e com vergonha.

A palavra em sueco do dia é tystnad, silêncio.

Filed under: Conquistas,De bem com a vida,Elucubrações — Maria Fabriani @ 12:44

January 16, 2010

O Haiti é aqui

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Foto de Gerald Herbert/AP

A imagem é de Redjeson Hausteen Claude, menino de dois anos de idade, que, depois de ter ficado soterrado por dois dias nas ruínas de sua casa em Port-au-Prince, é saldo e vê a mãe. Tudo está no olhar dele. Alívio, alívio, alívio.
O Haiti é aqui mesmo… dentro do meu peito.

A palavra em sueco do dia é räddad, salvo(a).

Filed under: Elucubrações,Jornal,Variedades — Maria Fabriani @ 09:26

January 1, 2010

Hipersensitiva

Eu não acredito em coincidências. Quer dizer, até acredito, mas gostaria muito de não acreditar. De ser assim, racional. Mas, enfim. Às vezes certas coisas acontecem e você não pode deixar de pensar se isso de coincidência realmente existe (o que te leva a pensar na razão da coincidência ter acontecido…). Bom, estava lendo uma revista num dos poucos momentos de paz e solitude que tenho – no banhairo aqui de casa. Aí li a crônica de uma escritora sueca muito jovem, chamada Martina Lowden, que contava que ela é hiepersensitiva, e explicava que sentia tudo ao máximo, que se emocionava ao ver poesia em anúncios de pasta de dente, em vitrines e em manchetes dos jornais. Sentada na farmácia, foi ler uma revista de emagrecimento e se emocionou com o título da reportagem “Ganhei um novo coração”.

Me identifiquei totalmente com o que ela escreveu. O impacto que as palavras têm às vezes é intenso, abre portas que você não sabia que estavam ali, e você começa a descobrir sentido no meio das palavras, ali no espaço em branco, no cimento da construção das frases e meio que enlouquece. Seria ótimo se essa sensação fosse apenas positiva e se limitasse à criação literária, aos momentos em que um insight dá meio que um sopro no seu ouvido e voçê suspira, “Ahh”. Mas a coisa é assim: quem é hipersensitivo é hipersensitivo até quando não quer, quando é uma inconveniência sentir demais, interpretar demais, pensar demais. Aí você se magoa com quem é direto e honesto, aquelas pessoas que se gabam de serem verdadeiras e corajosas por dizerem “apenas a verdade”. Sabe aquelas que insistem em continuar falando enquanto você se recolhe toda, tal e qual um caramujo, visivelmente chocada com a crueldade humana? Pois é.

Aí anteontem à noite fui começar um livro novo. Tinha três escolhas: o manual de Joyce Carol Oates para escritores jovens, os diários de Silvia Plath e A Descoberta do Mundo, de Clarice Lispector. Todos intensíssimos. Escolhi Clarice, que ganhei do meu pai de natal. Vi que era um volume com as crônicas dela, escritas no Jornal do Brasil de 1967 até 1973. Fiquei radiante. De alguma forma a possibilidade de ler Clarice em corpo reduzido, em crônicas curtas, me pareceu mais apropriada. Isso porque, na verdade, fico emocionadíssima ao ler Clarice em português, de forma que agüento apenas algumas páginas por dia. (E por falar em hypersensibilidade… Quando a leio em português, é como se ela estivesse do meu lado na cama, sussurando as palavras no meu ouvido. Fica meio sobrenatural, compreende? Essa coisa de língua materna é profunda, chega pelo cérebro mas vai mais fundo do que qualquer outra coisa.)

Abri o livro aleatoreamente e dei de cara com a crônica chamada “Lembrança de filho pequeno”. Clarice descreve seu filho tomando um sorvete, o rostinho concentrado, a boca e a língua trabalhando na bola do gelado, o menino que não liga que a mãe o observe num momento tão íntimo. O barato disso é que finalmente posso me identificar com a Clarice. Não com a escritora, mas com a mãe que ela foi. A única diferença é que não escrevi tão lindamente o sentimento que dividimos. Isso porque eu também sinto a mesma coisa quando às vezes olho pro meu filho e reparo, realmente reparo nele, como ele olha, como ele fala, como ele franze o cenho, como ele fala com as mãos, como ele explica as coisas mais complicadas com a chupeta na boca, como ele ri e como ele chora. A sensação é de estar se afogando deliciosamente num líquido grosso e saboroso, que me enche até a borda. Fico ali, toda hipersensitiva, com um amor completo no peito, respirando. Virei anfíbia e não sabia.

A palavra em sueco do dia é hyperkänslig, hipersensitiva.

Filed under: De bem com a vida,Elucubrações,Livros — Maria Fabriani @ 11:54

November 10, 2009

Outono 2009

IMG_1674 (Small)

Não faço nada além de acordar, trabalhar, olhar pro meu filho, olhar pro meu marido, dormir, pensar na família distribuída pelo Rio, no Rio, no calor, nas meias de lã que achei e que são maravilhosas porque não pinicam e na neve, que chegou pra ficar. Leio, mas sem muito prazer, infelizmente. Penso também como estou feliz, que toda essa loucura que eu me fiz passar, realmente valeu muito a pena.

Não sei quando recomeçarei a escrever com mais regularidade. Mas todas as vezes que escrevo aqui, vejo que os textos vêm com um certo distanciamento, não com a energia de antes. Ao mesmo tempo, sempre que escrevo e leio o que acabei de escrever, detecto uma certa melancolia no texto. O engraçado é que não tenho a menor idéia de onde a melancolia vem. Não é consciente.

Max doentinho, febrinha, tossindo. Eu ainda às voltas com minhas neuroses com a tal da gripe suína. Até a semana passada a Suécia não vacinava crianças mais novas do que três anos. Agora, tudo mudou. Crianças de seis meses a 15 anos de idade são consideradas grupo de risco e, por isso, ganharão prioridade. Eu já me vacinei faz algumas semanas, por conta do meu trabalho. Dor no braço, nada demais.

A foto é do meu jardim no domingo passado, às 10 da manhã. E, sim, ainda estamos no outono. Pelo menos oficialmente.

A palavra em sueco do dia é vacker, bonito(a).

Filed under: Elucubrações,Eu ♥ a Suécia,Max e a maternidade,Vidinha — Maria Fabriani @ 20:01

August 5, 2009

Navegar é preciso

odisseia

Então, em dezembro passado nos mudamos. Depois desse verão maravilhoso, começamos na segunda-feira na escolinha nova. Duas semanas de introdução. Primeiro dia, Max grita durante 15 minutos, se agarra em mim, chora, pede pra ir pra casa. Eu tento parecer forte, dou um sorrisinho amarelo pra todas as professoras da nova escolinha, sentadas no pátio. Olhando. O coração apertadinho no peito. Vontade de sair correndo, gritando, “foi tudo um engano, desculpe!!!”

Depois ele relaxa. Vê umas outras crianças andando de velocípede e vai lá investigar. Ele está quase descobrindo a mecânica do pedal, como interage com a perna dele e todo o resto. Mas o que ele gosta mesmo é de dirigir o velocípede na vala e depois carregá-lo de volta à pista. Tudo isso pra ganhar elogios da professora nova, que diz que ele é forte. E ele responde com um franzir de testa mais lindo do universo, fazendo cara de forte, compreende? Uma coisa.

Tem feito dias lindos aqui; melhor temperatura da Suécia inteira, dias lindos de sol maravilhoso, um atrás do outro. I am in awe. Estou até bronzeada! Não me lembro da última vez que fiquei dourada assim. O que aconteceu é que descobri um canto do jardim que serve como local de descanso/leitura/bronzeamento. E eu só quero ficar lá. Com meu filho em volta de mim, zoneando e gritando “mamãe, mamãe, mamããããããeeeeee” a cada 10 segundos.

Mas aí, a escolinha. Navegar é preciso. Segundo dia, ontem. Apesar do tempo espetacular, ficamos dentro da “sala de aula”, na verdade uma série de quartos, salas, amplos, cheios de brinquedos, almofadas etc. Max chorou/gritou apenas por cinco minutos. Foi brincar com os caminhões, investigou as bonecas, foi ver um espelho gozado pendurado na parede. Hoje meu urso está de folga e quer levar Max. É apenas uma hora por dia, pelo menos na primeira semana.

Sim, as professoras são ótimas, assim como na outra creche. Não tenho dúvidas que Max vai aprender muito lá, que vai fazer amigos, que vai se desenvolver, que vai crescer. Mas, ainda assim… Veja bem: não quero reclamar do irreclamável; do maravilhoso sistema sueco de creches (pago, mind you, mas ainda assim) que oferece às criancas dias ótimos e variados, comida saudável e muito carinho e às mães e pais a possibilidade de trabalho decente. Não. O que quero dizer aqui é uma coisa diferente. É o fato de eu morrer de paixão de deixar meu filho com quem quer que seja.

Penso nisso e me pergundo o inevitável: “Quem é essa pessoa?”

Bom, vocês que me lêem com olhos amigos sabem que sou dada a elucubracões (aqueles que me lêem com outros olhos pensam diferente, tipo “chata”, “problemática” ou “neurótica”, o que, pensando bem, é uma leitura muito acurada, hehe). Mas então. Não quero enlouquecer (novamente) o assunto creche. Sei que está tudo bem e que Max vai se adaptar eventualmente e que ele vai amar as professorinhas, todas, aliás, velhinhas, algumas até meio caquéticas – o que é ótimo, aliás. Eu acredito que quanto mais rugas mais paciência. Ele vai se adaptar. Com certeza.

O problema aí sou eu, cara pálida. Quando é que eu vou parar de sentir esse medo, de deixar meu filho com esse pessoal? Quando é que essa odisséia termina?

A palavra em sueco do dia é inskolning, adaptação na escola.

June 3, 2009

Ainda sobre medos

Desde que soube sobre o acidente com o avião da Air France comecei a sentir uma série de coisas estranhas. Uma sensação de descompasso, uns medos estranhos, sem fundamento. Meu urso reagiu e perguntou o que é que estava errado.

Não costumo ser bitolada, mas não consegui dizer o que era. Tentei racionalizar e pensei: “Tô com medo de descobrir algum conhecido querido na lista dos mortos”. Mas não era exatamente isso. Achei que era porque foi exatamente o vôo que voei na minha última visita ao Rio. Mas não era isso também não.

Aí li sobre a família sueca que, justamente por conta do periogo de acidentes aéreos, decidiu se dividir: o pai e a filha seguiram antes pra França no vôo anterior. A mãe o o filho morreram.

Imediatamente focalizei tudo: esses tipos de acidentes, trágicos e imprevisíveis, me fazem pensar na minha própria mortalidade, na minha pobre condição humana. E o pior: me faz pensar na mortalidade da minha pequena família.

Esse, em si, é um pensamento difícil demais pra ser expresso em voz alta. É aquela coisa que dá nervoso e angústia só de pensar.

Por isso, paro por aqui.

Filed under: Elucubrações — Maria Fabriani @ 16:00

April 21, 2009

O medo e o medo do medo

Então, essa coisa de ser crítica comigo mesma é muito trabalhoso. Exige muita energia e trabalho pra melhorar uma coisa que, na realidade, já é boa, na sua maioria, ok, e, às vezes, até ótima. Quem me acompanha no meu blog de livros sabe que ando lendo menos ficção atualmente. Estou numa fase de estudos. Tenho a sensação de que preciso aprender a reconhecer que sou uma pessoa-mãe-amiga-mulher legal, por vezes até bem legal.

Li “I trygghetsnarkomanernas land: Sverige och det nationella paniksyndromet” ou “No país dos viciados em segurança: a Suécia e a síndrome nacional do pânico”, do psiquiatra David Eberhard, e aprendi que meu medo é um fato comum, aceito e encorajado socialmente. Li “I huvudet på en mamma” ou “Na cabeça de uma mãe”, da jornalista Hanne Kjöller, e aprendi que meu pânico pelo resultado da equação Max+perigos é um fato comum, aceito e encorajado socialmente.

Aí parei pra pensar (quando finalmente tive tempo, agora, durante meus dias de folga) e reparei como estava amedrontada, com tudo e todos. Cada situação era uma ameaça, um problema a ser resolvido, tragédias a serem evitadas. Minha vida, que é muito feliz, estava ficando limitadíssima, o que é um fato muito impressionante, se levarmos em conta que sempre fui muito pra frentex e pouco medrosa. Cadê a minha ousadia de que tanto me orgulhava?

Ela está aqui no meu peito, perto do meu coração, junto à tudo que descobri sobre mim nesses 37 anos e que guardo com muito amor e cuidado. Mas a Maria Ousada andava sumida, de férias, ausente. Pra resgatá-la, comecei então a me informar. Meu próximo passo depois dos livros acima é saber mais sobre duas teorias desenvolvidas por Donald Winnicott, pediatra e psicanalista britânico (1896-1971). O que me interessa particularmente são: Holding Environment e Good-Enough Mother.

O Holding Environment pode ser descrito como um ambiente tanto físico como psíquico em que o bebê é protegido sem saber que é protegido. Aqui é crucial que a mãe esteja presente quando necessário para poder interpretar as necessidades do filho. E aí entra o conceito da Good-Enough Mother. Além de estar presente e interpretar, essa mãe, que é boa o suficiente, precisa interpretar direito as necessidades do filho e adaptar, então, suas respostas às necessidades da criança.

Tenho uma série de questionamentos à essas teorias, mas principalmente à da mãe-boa-o-suficiente: Uma delas: ela foi criada por um homem burguês rico, branco e europeu, nascido no século 19. Outra: como mãe (quase) quero acreditar que as mães são especiais, quer dizer mais especiais do que os pais. Mas na verdade, não sei se acredito nisso. Aqui em casa foi assim: fiquei em casa até Max completar quatro meses. Quando consegui um emprego, meu urso tirou licença paternidade e ficou com Max até ele completar um ano, quer dizer, muito mais tempo do que eu.

Hoje Max é, acredito, saudavelmente apegado à mim e ao pai, de forma bem igual. Aqui me resguardo: essa sensação pode, claro, ser uma ilusão. Sabe-se lá o que meu filho vai achar disso tudo quando ele virar adolescente. Mas, sinceramente, até o presente momento, sinto um gut feeling que estamos, eu e meu urso, fazendo tudo certinho - ou, mais provavelmente, menos erradinho. Só o tempo dirá. Me pergunte novamente em 2021.

A palavra em sueco do dia é tillräcklig, suficiente.

Filed under: Elucubrações,Livros,Max e a maternidade — Maria Fabriani @ 08:19
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