June 18, 2012

Stream of consciousness

Tanta coisa aconteceu desde que escrevi o último post, esse sobre o livro de Jonathan Franzen, no primeiro dia do ano (o Montanha-Russa completou 10 anos de idade, a Suécia ganhou o Eurovision - competição de música européia, a princesa coroada Vitória deu à luz a uma menina linda, Estelle, a seleção sueca foi eliminada do campeonato europeu de futebol e uma série de maluquices aconteceram nesse país sui generes que se eu contasse vocês não iriam nem acreditar). Mas a maior mudança aconteceu dentro de mim, literalmente: no dia 2 de janeiro descobri que estava grávida mais uma vez e isso mudou tudo. Passei janeiro e fevereiro passando malíssimo, meu médico constatou que eu estava com anemia e, a partir de marco as coisas melhoraram um pouco. Li o que escrevi aqui quando ainda blogava todos os dias e anunciei a vinda de Max. Fiquei impressionada com minha candura em falar de coisas tão íntimas. Me deu vontade de apagar tudo, o blog inteiro porque tudo passou a ser íntimo demais! Acho que essa coisa de blog foi/é, pra mim, meio mágica. Ele me ajudou a atravessar anos difíceis, mas me custou muito também. E agora, José: eu queria muito escrever mas não quero mais me expor. O que fazer? Sinto que sempre que escrevo aqui é de forma vigiada, censurada, a naturalidade de antes não existe mais. Cometo muito mais erros também - gramaticais, de tom. Basta dizer que meu português piorou e minhas idéias mudaram. Acho que estou morando aqui há tempo demais e perdi meus olhos estrangeiros, o que torna difícil fazer esse blog interessante. Isso porque compreendi que tinha duas coisas que fazia o Montanha bacana: o fato de eu escrever de forma pessoal (às vezes, muito pessoal) e o fato de eu escrever como uma estrangeira na Suécia, com todos os estranhamentos que isso significa. Agora fiquei muito mais fechada e a vida sueca não me é mais tão estranha. Mas minha sensação é que preciso do blog, ou será que o que preciso mesmo é escrever? Será que a coisa do blog já passou e eu devo deixá-la desaparecer? Seria uma pena. Queria, na verdade, escrever um livro. Sempre foi uma vontade, um desejo, que eu nunca dei vazão. Mas me falta disciplina. E depois, escrever sobre o quê? Agora preciso encontrar um livro pra ler, pra me absorver nessas quatro semanas de férias. Acho que vou ler Marcel Proust porque fiquei com impressão que é necessário um certo nível de imersão. Li mais Jonathan Franzen nesse período de silêncio aqui e ele também estranhou “O processo” de Kafka. Mas, minha atenção agora está totalmente voltada à barriga, cujo habitante é um baby lindo (já vimos muitas vezes, no ultrasom), cujo sexo ainda não sabemos e só saberemos na hora agá. Só que não quero ler nada sobre gravidez ou parto, estou meio que de saco cheio disso. Pro baby só compramos um carrinho até agora. Hoje é meu primeiro dia de férias do meu trabalho e tenho projetos mil, arrumar, arrumar, arrumar a casa. Guardar finalmente os casacos pesadíssimos de inverno, ver as caixas de roupas de baby, ver o que falta. Max brinca com um amigo aqui em casa e eu ganhei uns minutinhos livres no computador. Max é Darth Vader. Engraçado que ele se identificou om o cara mais peste do filme, e não está nem aí pra Luke Skywalker. Só penso em arrumar o quarto de Max, que vai se mudar pro quarto de brinquedos e deixar seu quarto antigo para o baby. Quero fazer uma estante pros livros e brinquedos - atualmente todos espalhados pelo chão porque ninguém aguenta ficar pegando tudo e guardar nas caixas plásticas compradas exatamente para evitar que tudo ficasse espalhado no chão. Quero pintar tudo de branco, quero tanto tantas coisas! Só penso em organizar tudo para a chegada de mais uma pessoa nessa família e minha cabeça anda à mil. E nesse momento o baby deu um chute (forte!) na minha barriga e tudo está bem.

Filed under: Elucubrações,Gravidez,Vidinha — Maria Fabriani @ 12:14

November 11, 2011

Dramática

(Estava escrevendo uma coisa e me perdi nas palavras. A idéia primeiro ficou dramática demais, depois ridícula demais, depois íntima demais. Depois ela morreu, envergonhada demais. Tentei primeiros socorros mas ela não ressuscitou.)

Filed under: Elucubrações,Vidinha — Maria Fabriani @ 16:05

October 14, 2011

Falando em ficar sozinha…

Meu urso está fazendo sauna na casa do vizinho. Max dorme. Com um olho assisto a um documentário, algo sobre o sistema solar. Com o outro estou fazendo o que me é costumeiro quando saboreio minha solidão: planejo compras de livros. Sei que soa meio lame, mas a possibilidade de comprar e ler livros interessantes me dá um prazer incrível. O problema é que às vezes até essa atividade bacana pode ser um pouco demais. Ainda mais quando acaba-se de receber um pacote de livros encomendados na semana passada. Ainda mais quando trabalha-se apenas 75% - e recebe-se apenas 75% do salário. Ainda mais quando resolve-se contratar uma empresa pra limpar a casa a cada duas semanas (mais do que isso é impossivelmente caro). Ainda mais - e principalmente - porque quero evitar excessos.

O que estou lendo agora? Ah, nada glamouroso. Trata-se de “Physician”, de Noah Gordon. Na verdade, é uma releitura. O mais bacana é que eu e meu urso estávamos conversando no outro dia (na verdade, durante nossas férias no Rio no verão). Não sei porque entramos nessa de lembrar de um livro que gostamos muito. Eu lembrei desse do Noah Gordon, mas tinha esquecido do título e do autor. Só lembrava da história que me impressionou quando o li há quase 20 anos (antes de urso, Suécia e Max acontecerem). E não é que meu urso sabia exatamente que livro era, disse que também tinha lido e chegamos à conclusão que lemos mais ou menos na mesma época? Ora vejam só.

Filed under: De bem com a vida,Elucubrações,Livros — Maria Fabriani @ 20:32

October 13, 2011

“How to be alone”

Adoro! Adoro porque me dá um alento. Porque sinto uma falta danada de ficar sozinha. Ao mesmo tempo em que tenho plena consciência que sinto isso porque sei que a solidão é escolhida e temporária.

Filed under: De bem com a vida,Elucubrações,Vidinha — Maria Fabriani @ 20:03

October 11, 2011

O mistério dos números primos

Bernhard Riemann

Estou nesse exato momento assistindo a um documentário intitulado “O mistério dos números primos”. Gosto muito de ver documentários sobre astronomia, física, química, mas especialmente matemática. Gosto de ver gente apaixonada por números. Gosto da dedicação dos cientistas, gosto que essas pessoas (homens na sua maioria) dedicam a vida a resolver um problema. Gosto que os problemas são muito maiores do que os números. Gosto que há uma necessidade de encontrar algum tipo de explicação… para tudo. A theory for everything.

A sensação que tenho é que no final acaba-se por se falar não em números, mas em vida, sentido, natureza e a possível existência de mistérios ocultos que expliquem a vida. Gosto de pensar em matemática como uma linguagem. Ao mesmo tempo, adoro já ter passado por escola e universidade e não precisar mais estudar matemática. Vamos ver como é que vai ser quando Max precisar ajuda com dever de casa (!!!).

Enfin, mes infants, quando se fala por exemplo em Euler e sobre a hipótese de Riemann, (chave para a compreensão dos números primos), fala-se não apenas da teoria dos números primos, mas imagina-se que talvez os números primos tenham uma razão de ser e estejam conectados à beleza universal, uma espécie de forma perfeita. Existe coisa mais interessante?

Nunca gostei de matemática. Quer dizer, gostei, mas só até quando conseguia resolver os problemas. Quando começava a falhar, o que acontecia sempre, ia me dando um desespero muito grande, uma sensação de incompetência que me deixava inconformada. Mas gosto de matemática quando apresentada como “arte”, como teoria de ordem do universo.

Esse documentário que estou assistindo, já meio antigo, é japonês e não tão bom. Gosto muito de assistir aos documentários da BBC, série Horizon, apresentados por Marcus du Sautoy, que é professor “for the Public Understanding of Science” e professor de matemática na universidade de Oxford. Os documentários dele são bacanérrimos. Veja aqui uma página dele na BBC.

Filed under: De bem com a vida,Elucubrações,Vidinha — Maria Fabriani @ 19:31

September 17, 2011

Despedida

Dia lindo. A foto acima é do meu jardim às 18 hs, mais ou menos. Início do final do outono (hoje de madrugada deve ter “frost”, ou seja a temperatura deve cair abaixo de zero onde eu moro). Me dei conta disso e pensei: é um tipo de despedida, como se deixasse de respirar, fechasse a boca e o nariz debaixo d’água, até a chegada da primavera, lá pra março, abril, quando o fôlego volta.

(Tudo isso veio em sueco, enquanto fazia panquecas pro meu filho, como todos os sábados:
sista höst dag, sol
perfekt ljus
känns som ett avsked
jag andas djupt
och håller andan
tills mars någongång)

Filed under: De bem com a vida,Elucubrações,Eu ♥ a Suécia,Vidinha — Maria Fabriani @ 20:20

September 3, 2011

O pulso ainda pulsa

Fomos ao Rio no verão daqui (inverno de lá). Max conheceu a cidade em que a mãe nasceu e viveu durante 29 anos, o avô (com quem antes apenas havia falado no Skype) e a praia de ipanema (se jogava, de roupa e tudo, na água, não aguentava esperar e nunca mais queria sair da água, nem mesmo quando os lábios ficavam azuis de frio). Tomou sorvete, bebeu água de côco (e não gostou), brincou na areia e até fez amigos cariocas. Falou português também, quando precisou. Visitamos o jardim botânico três vezes, brincamos e tomamos muito suco de fruta.

Andamos pelas ruas do Rio, os três. Na verdade, essa era uma necessidade minha; de sair andando, vendo as coisas, ouvindo os barulhos (altíssimos), sentindo os cheiros (fortíssimos) das ruas do Rio. Andamos muito, até que descobri que minha família não tinha essa necessidade. Então passamos a andar de ônibus, de metrô e de táxi. Às vezes os motoristas de táxi ou os passageiros dos ônibus comentavam sobre Max, que nunca parava de falar em sueco e comentar o que via. “Que língua ele fala?”, “Quantos anos ele tem?”, “Só três? E já fala uma língua estrangeira?” Hohoho.

Nos sentimos muito seguros no Rio. Nenhum problema. E, no final, o tal do aperto no coração aconteceu, como era de se esperar, mas inesperadamente (?) fiquei feliz em voltar pra “casa”. Aqui também estava tudo bem, mas uma família de porcos-espinho tinha se instalado no jardim e achou muito estranho ter que dividir o espaço com seres tão grandes e barulhentos. Trouxemos pouquíssimas coisas, mais livros em português, pequenas lembrancinhas, uns dois ou três presentinhos. O que mais aconteceu nessa viagem foi reencontrar pessoas amadas. E chega.

Aqui, mudei de emprego. Estou adorando.

No entanto: não me sinto mais livre o suficiente para escrever aqui. Tenho a sensação de que escrevo sobre o que está bem perto de mim, o que necessariamente é influenciado, por exemplo, pelo meu trabalho. E o meu trabalho não pode ser comentado, a não ser em termos gerais, sem detalhes específicos. E eu não sou boa em generalizações - ou, eu não gosto de generalizações. O texto fica fraco, vago, sem interesse. Gosto de detalhe, gosto de casos específicos, gosto de dizer o que penso sobre um determinado assunto. Ainda não sei como resolverei esse dilema (talvez um blog sem assinatura?), mas tenho pena por ter perdido a possibilidade de ser mais aberta sobre o que penso.

E eu completei 40 anos no Rio. Ainda não sinto crise alguma. Acho que ela deve vir quando eu completar 50. E Max completou quatro anos. Os quatro anos mais intensivos da minha vida. Minha impressão é que meu filho sempre esteve comigo. Que ele e eu dividimos tudo não há quatro anos mas há quarenta.

March 15, 2011

Quase lá

A vida está difícil. Está difícil. Por outro lado, ando muito feliz. É, balanco entre os polos. Sinto que a vida sempre rolou e continua rolando e eu vou com ela, que nem uma rolling stone, sem deixar musgo crescer. E daqui a uns meses completo 40 anos. Puxa vida. Foi ontem que eu achei que era imortal, quando completei 18.

Filed under: Aniversários,Conquistas,Elucubrações,Vidinha — Maria Fabriani @ 08:23

November 28, 2010

O que dizer?

O que dizer sobre o que está acontecendo no Rio? O que dizer?

A palavra em sueco do dia é krig, guerra.

Filed under: Elucubrações — Maria Fabriani @ 19:11

July 2, 2010

Perdemos!

Acho ainda incrível que uma seleção de atletas bem treinadíssimos, profissionais, pode perder as estribeiras assim, de uma hora pra outra, porque o time da Holanda fez um gol. No segundo tempo os 11 (e depois os 10) jogadores pareciam pequenos meninos, chateados, xingando e batendo uns nos outros porque estavam frustrados, cansados, com sono ou com fome. Sinceramente! Pra mim futebol é o que a Holanda fez: saiu de baixo, foi criando oportunidades e acabou faturando dois gols acontecidos no meio da idiotia brasileira.

Tentei fazer a minha parte daqui do outro lado do mundo. Tanto meu urso como Max estavam com a camisa da seleção. Max quis fazer pipi numa hora lá (estamos trabalhando para que ele fique livre das fraldas). Quando o vesti novamente fechei o short e a camisa ficou por dentro. A camisa estava por fora quando o Brasil fez gol. Fiquei meio enlouquecida, quis tirar a camisa de dentro; Max achou aquilo muito engraçado e saiu correndo, se enroscando de rir. E eu atrás, desesperada pra tirar a camisa de dentro do short. Tirei… e imediatamente a Holanda fez dois a um.

Mas, na verdade, assistir à copa é sempre uma coisa difícil. Tenho a impressão que fica ainda mais complicado estando aqui. Todo mundo sabe que eu gosto de futebol. Faço brincadeiras no Facebook com meus conhecidos, sou deveras atrevida quando descrevo as qualidades brasileiras no campo. Mas às vezes vem a perda, e aí tenho que aturar a ironia nativa. Ainda não descobri em mim a possibilidade de levar na brincadeira esse tipo de escárnio. Talvez toque num ponto fraco, o chamado soft spot, sei lá.

Mas a verdade é que o futebol é uma das únicas coisas em que somos fantásticos, que nos destacamos. É como se eu tivesse uma necessidade de localizar naqueles 11 jogadores um amor, uma saudade do meu país que é difícil de explicar. Muitas vezes me vejo justificando pros nativos minha saudade do Brasil e sempre dizendo “apesar das desigualdades, sinto muita falta do Rio”. É engraçado mais meio trágico que preciso disso pra me permitir “vestir a camisa”. Mostra, na verdade, uma ambiguidade entre a Maria de antes e a Maria de agora.

Aí vem a copa, quando posso me soltar e quando é liberado, por um mês, a amar a pátria-amada-salve-salve. Aí vem um jogo como esse, com um total melt down, e eu me pergunto se devo arranjar um outro esporte pra torcer pelo Brasil.

Como estamos na liga mundial de vôlei?

A palavra em sueco do dia é förlust, perda.

Filed under: Copa 2010,Elucubrações — Maria Fabriani @ 22:04
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