Perdemos!
Acho ainda incrível que uma seleção de atletas bem treinadíssimos, profissionais, pode perder as estribeiras assim, de uma hora pra outra, porque o time da Holanda fez um gol. No segundo tempo os 11 (e depois os 10) jogadores pareciam pequenos meninos, chateados, xingando e batendo uns nos outros porque estavam frustrados, cansados, com sono ou com fome. Sinceramente! Pra mim futebol é o que a Holanda fez: saiu de baixo, foi criando oportunidades e acabou faturando dois gols acontecidos no meio da idiotia brasileira.
Tentei fazer a minha parte daqui do outro lado do mundo. Tanto meu urso como Max estavam com a camisa da seleção. Max quis fazer pipi numa hora lá (estamos trabalhando para que ele fique livre das fraldas). Quando o vesti novamente fechei o short e a camisa ficou por dentro. A camisa estava por fora quando o Brasil fez gol. Fiquei meio enlouquecida, quis tirar a camisa de dentro; Max achou aquilo muito engraçado e saiu correndo, se enroscando de rir. E eu atrás, desesperada pra tirar a camisa de dentro do short. Tirei… e imediatamente a Holanda fez dois a um.
Mas, na verdade, assistir à copa é sempre uma coisa difícil. Tenho a impressão que fica ainda mais complicado estando aqui. Todo mundo sabe que eu gosto de futebol. Faço brincadeiras no Facebook com meus conhecidos, sou deveras atrevida quando descrevo as qualidades brasileiras no campo. Mas às vezes vem a perda, e aí tenho que aturar a ironia nativa. Ainda não descobri em mim a possibilidade de levar na brincadeira esse tipo de escárnio. Talvez toque num ponto fraco, o chamado soft spot, sei lá.
Mas a verdade é que o futebol é uma das únicas coisas em que somos fantásticos, que nos destacamos. É como se eu tivesse uma necessidade de localizar naqueles 11 jogadores um amor, uma saudade do meu país que é difícil de explicar. Muitas vezes me vejo justificando pros nativos minha saudade do Brasil e sempre dizendo “apesar das desigualdades, sinto muita falta do Rio”. É engraçado mais meio trágico que preciso disso pra me permitir “vestir a camisa”. Mostra, na verdade, uma ambiguidade entre a Maria de antes e a Maria de agora.
Aí vem a copa, quando posso me soltar e quando é liberado, por um mês, a amar a pátria-amada-salve-salve. Aí vem um jogo como esse, com um total melt down, e eu me pergunto se devo arranjar um outro esporte pra torcer pelo Brasil.
Como estamos na liga mundial de vôlei?
A palavra em sueco do dia é förlust, perda.
Mas, sei lá. O Brasil dá uma impressão de estar meio frágil. Se enfrenta uma equipe com jogo de defesa competente, fica sem saber o que fazer. É por isso que nós temos que ganhar hoje contra Portugal. Isso porque se perdermos vamos para a chave da Argentina e aí, não tem pra ninguém. Acho que a Argentina ganha na raça.