August 27, 2012

Uma filha

Eu tenho uma filha. Mia, seja bem-vinda!

Filed under: Conquistas,De bem com a vida,Gravidez — Maria Fabriani @ 16:53

July 11, 2012

Você tem sede de quê?

Sonhei com camelos. Muitos camelos. Acordei com uma azia danada. Ainda sobre sonhos: Uma colega de trabalho que também está grávida e vai ter filho uma semana antes de mim, sonhou que eu terei uma menina.

Filed under: De bem com a vida,Gravidez,Vidinha — Maria Fabriani @ 14:33

June 18, 2012

Stream of consciousness

Tanta coisa aconteceu desde que escrevi o último post, esse sobre o livro de Jonathan Franzen, no primeiro dia do ano (o Montanha-Russa completou 10 anos de idade, a Suécia ganhou o Eurovision - competição de música européia, a princesa coroada Vitória deu à luz a uma menina linda, Estelle, a seleção sueca foi eliminada do campeonato europeu de futebol e uma série de maluquices aconteceram nesse país sui generes que se eu contasse vocês não iriam nem acreditar). Mas a maior mudança aconteceu dentro de mim, literalmente: no dia 2 de janeiro descobri que estava grávida mais uma vez e isso mudou tudo. Passei janeiro e fevereiro passando malíssimo, meu médico constatou que eu estava com anemia e, a partir de marco as coisas melhoraram um pouco. Li o que escrevi aqui quando ainda blogava todos os dias e anunciei a vinda de Max. Fiquei impressionada com minha candura em falar de coisas tão íntimas. Me deu vontade de apagar tudo, o blog inteiro porque tudo passou a ser íntimo demais! Acho que essa coisa de blog foi/é, pra mim, meio mágica. Ele me ajudou a atravessar anos difíceis, mas me custou muito também. E agora, José: eu queria muito escrever mas não quero mais me expor. O que fazer? Sinto que sempre que escrevo aqui é de forma vigiada, censurada, a naturalidade de antes não existe mais. Cometo muito mais erros também - gramaticais, de tom. Basta dizer que meu português piorou e minhas idéias mudaram. Acho que estou morando aqui há tempo demais e perdi meus olhos estrangeiros, o que torna difícil fazer esse blog interessante. Isso porque compreendi que tinha duas coisas que fazia o Montanha bacana: o fato de eu escrever de forma pessoal (às vezes, muito pessoal) e o fato de eu escrever como uma estrangeira na Suécia, com todos os estranhamentos que isso significa. Agora fiquei muito mais fechada e a vida sueca não me é mais tão estranha. Mas minha sensação é que preciso do blog, ou será que o que preciso mesmo é escrever? Será que a coisa do blog já passou e eu devo deixá-la desaparecer? Seria uma pena. Queria, na verdade, escrever um livro. Sempre foi uma vontade, um desejo, que eu nunca dei vazão. Mas me falta disciplina. E depois, escrever sobre o quê? Agora preciso encontrar um livro pra ler, pra me absorver nessas quatro semanas de férias. Acho que vou ler Marcel Proust porque fiquei com impressão que é necessário um certo nível de imersão. Li mais Jonathan Franzen nesse período de silêncio aqui e ele também estranhou “O processo” de Kafka. Mas, minha atenção agora está totalmente voltada à barriga, cujo habitante é um baby lindo (já vimos muitas vezes, no ultrasom), cujo sexo ainda não sabemos e só saberemos na hora agá. Só que não quero ler nada sobre gravidez ou parto, estou meio que de saco cheio disso. Pro baby só compramos um carrinho até agora. Hoje é meu primeiro dia de férias do meu trabalho e tenho projetos mil, arrumar, arrumar, arrumar a casa. Guardar finalmente os casacos pesadíssimos de inverno, ver as caixas de roupas de baby, ver o que falta. Max brinca com um amigo aqui em casa e eu ganhei uns minutinhos livres no computador. Max é Darth Vader. Engraçado que ele se identificou om o cara mais peste do filme, e não está nem aí pra Luke Skywalker. Só penso em arrumar o quarto de Max, que vai se mudar pro quarto de brinquedos e deixar seu quarto antigo para o baby. Quero fazer uma estante pros livros e brinquedos - atualmente todos espalhados pelo chão porque ninguém aguenta ficar pegando tudo e guardar nas caixas plásticas compradas exatamente para evitar que tudo ficasse espalhado no chão. Quero pintar tudo de branco, quero tanto tantas coisas! Só penso em organizar tudo para a chegada de mais uma pessoa nessa família e minha cabeça anda à mil. E nesse momento o baby deu um chute (forte!) na minha barriga e tudo está bem.

Filed under: Elucubrações,Gravidez,Vidinha — Maria Fabriani @ 12:14

August 14, 2007

Hi! I’m new here

Aqui está ele. Max nasceu dia 14 de agosto, às oito e dezoito da manhã, depois de uma cesariana planejada (ele estava sentado). Meu filho veio ao mundo com 3.960 gramas e 51 centímetros. Estamos todos MUITO BEM, porém cansados. Escrevo esse post hoje, sexta, dia 17, porque acabamos de chegar em casa. Antes de deixarmos o hospital os médicos fizeram uma série de exames em Max, que passou em todos com flying colors. Temos algumas centenas de fotos; algumas com certeza vão aparecer por aqui tão cedo eu possa arrumar um tempo pro resto da minha vida. Nesse exato momento, Max dorme com o pai no quarto verde-água, ambos exaustos. Obrigada pelos emails e os comentários carinhosos. Assim que der, eu volto com as fotos. Mas enquanto não posso, deixo uma foto ainda na maternidade e um aceno de mão from the new guy… (ele não é antipático não, só tá um pouco cansadinho). Autógrafos mais tarde, ok? hohoho.

A palavra em sueco do dia é välkommen, bem-vindo.

Filed under: Aniversários,Conquistas,De bem com a vida,Gravidez,Max e a maternidade — Maria Fabriani @ 08:18

August 12, 2007

Divisor de águas

E os dias vão passando, com uma lentidão que me faz pensar em meses, e eu me vejo observando tudo o que faço, como se quisesse registrar os últimos passos de uma Maria que não existirá mais de uma hora pra outra; ou melhor, para controlar (ou lembrar) como eu era momentos antes do meu filho vir ao mundo. Essa idéia de lembrar quem sou/era na iminência da mudança radical é boa, até porque dou adeus a essa versão de mim com uma melancolia apenas relativa - o que é, aliás, um alívio (existencialmente falando).

No banho, escolho o shampoo cuidadosamente entre duas possibilidades, uma brasileira, outra globalizada. O sabão líquido é globalizado-mel ou globalizado-amêndoa. Fui obrigada a comprar outro (globalizado-leite) pra levar pra maternidade e ainda acho que fiz besteira. Li que os cheiros da mãe são importantes e quero manter uma certa regularidade pro meu filho não ficar desorientado. Hehehe, sei lá, mas fico com receio dele me perder no meio das pessoas, dele perder meu cheiro.

O creme que uso tem que ser o mesmo e já foi providenciado em buckloads. As roupas: o que usar? Como estará meu corpo depois do parto? O sapato? Gosto de tênis mais prefiro sandálias. Se bem que meus escrúpulos contra sandálias com meias já foram devidamente mandados pro beleléu há muito tempo, então menos uma crise. Vai estar frio? Ou melhor, vou voltar a sentir frio depois de meses de maior volume de sangue e suores extremos?

Mas a decisão mais séria mesmo nesse momento divisor de águas é o que estarei lendo no dia do nascimento. Estou a poucas páginas do final do Terminei meu último Jenny Diski, o que é ao mesmo tempo bom e ruim. Isso porque volta e meia me pegava voando alto, sem prestar atenção ao que Jenny me conta; enquanto outras vezes ficava tão concentrada que lia tudo rápido demais - o que levou, inevitavelmente, claro, ao final do livro. E agora, José?

Não quero inflacionar o significado dessa escolha até certo ponto desimportante nesse momentoso instante, nem sei se terei tempo ou vontade de deitar meus olhos em outra coisa/pessoa que não meu filho quando ele finalmente nascer, mas caso queira ou precise dar uma fugidinha da realidade, um livro sempre é, foi e será meu melhor amigo (junto com uma barra de chocolate, já que I don’t do drugs - sejam elas ilegais ou legais).

Então cá estou eu, sem saber o que fazer. Tive uma idéia, no entanto, que pode ser interessante. Acho que depois de Jenny Diski começarei a reler um dos meus livros favoritos: “A fada que tinha idéias”, de Fernanda Lopes de Almeida, que ganhei da minha mãe pouco antes de completar sete anos com a seguinte dedicatória: “Para você, Maria, gostar de ler e de ser livre. Um beijo da mamãe, 20 de maio de 1978. Regina Ignez”.

Apesar de já saber ler, me cansava fácil com os textos (e, tenho a impressão, me assustava um pouco com a solidão de ler sozinha, a qual mais tarde foi redescoberta e devidamente apreciada) por isso pedia pra mamãe ler pra mim. Ela, quando tinha tempo, me atendia. Ainda me lembro da minha alegria. Ouvir minha mãe ler pra mim no sofá da sala era o momento mais feliz da minha vida.

E quem não quer ser feliz? Mesmo que seja uma felicidade revisitada; um pequeno nugget dourado que guardo na lembrança para ser apreciado em momentos especiais como este. (Te amo, mãe!)

A palavra em sueco do dia é mor, mãe.

Filed under: De bem com a vida,Elucubrações,Gravidez,Livros — Maria Fabriani @ 08:06

August 8, 2007

Calor, insetos, inspiração e estilo

E esse calor? Menina, uma coisa louca. Don’t get me wrong, eu me delicio com os 30 graus no sol que vem fazendo aqui no norte, apesar das caras feias da maioria dos nativos, que já voltaram a trabalhar depois das férias de verão (a maioria tira férias em julho; são as chamadas “férias industriais”, estabelecidas há decênios junto com o surgimento dos direitos trabalhistas). Sofro um pouco, por causa do final da gravidez, mas relevo o relativo desconforto (afinal, 30 graus, pruma carioca, é um refresco, concorda?) e tento armazenar cada minutinho de sol na alma, na pele, nos meus olhos. Isso porque daqui a alguns meses vou precisar me lembrar do que é bom no meio da escuridão do inverno.

E com o calor vem as moscas. E as moscas daqui são maiores do que as que estou acostumada a ver no Rio. Maiores e mais burras. Isso porque as moscas daqui se contentam em entrar na sua casa e ficar circulando bobamente os lustres da sala, do quarto e até da cozinha, sem nunca se dignar a descer e pousar numa comida, numa pessoa, num objeto. As únicas que o fazem são as chatíssimas drosófilas, ou as mosquinhas das frutas. Esse perrengue me força a colocar minhas bananas na geladeira, o que detesto. Quem pode ingerir banana gelada? Eu certamente não posso. É contra a natureza e, tenho certeza, deve fazer mal à saúde.

Mas quando não estou a observar as moscas bobas nativas ou a me irritar com as inquisitivas drosófilas (ou pensando em Max, ou limpando o apartamento, ou procurando emprego e me desesperando), leio mais um livro de Jenny Diski e me inspiro. Não sei o que acontece quando me encontro com a prosa dela; é como se eu tivesse vendo uma imagem da minha escrita futura (ou do que eu gostaria de poder escrever, caso tivesse tamanho talento) e me reconhecesse (muito pretenciosamente) no estilo que gostaria de ter, um dia, quem sabe, se tiver sorte e me esforçar muito.

Aliás, essa coisa de estilo é mesmo um mistério. Tenho meus autores favoritos (em livros, em revistas, em jornais e em blogs) que sigo sempre, mas que não necessariamente são pessoas com quem gostaria de manter contato regular (ou mesmo fortuito). Tem um jornalista e escritor sueco chamado Fredrik Strage que escreve quase que exclusivamente sobre música. E não é world music ou algo melodioso acessível a meus ouvidos de meia-idade. Não, o cidadão escreve sobre underground rock e hip-hop sueco. E eu, pra minha surpresa, leio tudo assinado por ele, cada palavra, mesmo sem saber, por exemplo, da importância de Nine Inch Nails no cenário da música mundial. Não me imagino amiga de Strage e provavelmente não teríamos sobre o que conversar.

Nos blogs é a mesma coisa. Tenho os meus preferidos por razões pessoais e aqueles que gosto por questões puramente estilísticas, mas cujos autores não me agradam em particular. Mas, ainda assim, há algo de interessante naquela pessoa, algo que ele/ela consegue ver no dia-a-dia que considero inusitado, franco, extravagante ou mesmo apaixonante. No final das contas, raciocino, essa pessoa não pode ser tããão ruim assim, já que mostra nitidamente um lado criativo ou observador, algum talento pra enxergar o mundo de forma pessoal - e saber expressar isso de forma intelegível (aliás, existe essa palavra?).

É a mesma coisa com Jenny Diski. Esse livro que devoro aos poucos (me forço a economizar e tenho vontade de voltar ao início pra “passar a limpo” minha leitura, pra ter certeza de que não perdi nada) é sobre uma viagem que ela fez ao redor dos EUA de trem. Até a página 50, no entanto, nem sinal de terra. É que até lá ela descreve sua viagem de navio cargueiro pelo Atlântico, os marinheiros croatas, os companheiros de viagem (um adorável casal americano e um odioso casal alemão), o mar e o nada, que ela, compulsivamente, enxerga dia após dia quando olha pela janela. Mágico.

A palavra em sueco do dia é trollbindande, enfeitiçante (Obrigada, Roger!).

Filed under: De bem com a vida,Gravidez,Jornal,Livros,Vidinha — Maria Fabriani @ 10:12

August 6, 2007

Três coisas

Max - Ainda aqui, dentro de mim. Sem novidades. (Ele se mexe muito, porém de forma mais leve do que antes. O que antes era caratê, agora é tai chi chuan. Parece que ele dá umas mudadas de posição, coça a cabeça ou o pé só pra deixar claro pra mãe dele que está tudo bem e que não há razão pra pânico. Meu urso sonha com o filho, meu pai sonha com o neto, minha mãe sonha com o neto. Só eu é que não lembro de sonho algum quando acordo.)

Harry Potter - Últimas cem páginas. Pior livro da série. (Acabei de acabar. Talvez não o pior, mas o segundo pior, já que, como Margot bem observou, o pior é mesmo “Harry Potter And The Chamber Of Secrets”. Dentre as coisas que não gostei nesse último foram os longos períodos de elucubrações de Harry, Ron e Hermione e a necessidade, lógica, de J.K. Rowling de atar todos os nós da trama. Sem entregar nada da história, posso afirmar que sentirei falta do Ron, que sempre foi meu preferido.)

Maria - Em total estado de suspensão. (My life is on hold. Tudo o que sou está prestes a mudar, quase que overnight (dependendo de como será o parto), pruma coisa/condição que não tenho a menor idéia do que será. Olho no espelho e dou adeus à barriga, que amo de paixão, mas que me cansa enormemente. Vontade (instinto?) de abraçar essa criança que se mexe dentro de mim. Impossível tomar qualquer tipo de decisão agora. Tudo precisa esperar.)

A palavra em sueco do dia é förväntan, expectativa.

Filed under: Gravidez,Livros,Vidinha — Maria Fabriani @ 09:13

July 30, 2007

Passagens

Quem me conhece sabe que passar a ferro nunca foi um dos meus passatempos prediletos. Aliás, a verdade é que minha aversão é tanta que costumo dizer que a atividade vai contra minhas mais profundas convicções religiosas (que incluem, entre outras, tratar ao próximo como gostaria de ser tratada; não judiar de animais e crianças; viver, na medida do possível, uma vida independente; respeitar os pontos fracos dos amigos e inimigos (esse é difícil); além de nunca desperdiçar meu tempo e energia elétrica com atividades inúteis e repetitivas).

Afinal, qual o problema em se dormir com um lençol amassadinho? Não fazemos isso todas as noites, depois da “inauguração” da roupa de cama, no dia em que trocamos? E sou contra passar roupa também. Tudo bem que fica-se mais bem apresentado, como minha avó dizia (aliás, parabéns, vó, onde quer que você esteja, pelo aniversário ontem!), mas minha aversão consegue me convencer que ninguém vai se importar com minhas roupas mais do que eu mesma, então, a decisão é pretty simple: o ferro quase nunca sai do armário.

Mas nesses últimos dias ele não apenas tem saído do armário como, pior, tem permanecido do lado de fora. A coisa é que com a chegada de Max, há que haver uma certa medida de cuidados. As roupinhas, tanto as usadas como as novas, precisam ser lavadas e algumas, infelizmente, passadas. Isso porque o meu pobre cérebro pode até aceitar que eu saia por aí meio amarrotada, mas meu filho não merece ficar com assaduras por conta do lençol engruvinhado em que dormirá boa parte do dia (e, esperemos, da noite).

Então, estamos vivendo dias de glória para esse aparelho desagradável e com o qual não sinto a menor intimidade. O lado bom da história é que essa necessidade de se passar a ferro deve sumir dentro em breve, quando Max ultrapassar a fase crítica de recém-nascido e eu conquistar uma certa rotina. Isso porque se tem uma coisa que caracteriza os suecos é sua praticidade. São poucas as roupas de crianças (e de adultos) daqui que precisam ser passadas a ferro hoje em dia (tudo bem que todas são fabricadas na China, na Índia ou em Bangladesh, mas isso é uma outra discussão).

E eu agradeço encarecidamente a possibilidade iminente de voltar à minha vida pacata (ainda que amassadinha).

Mudando de assunto. Acabei de saber: Ingmar Bergman morreu em casa, aos 89 anos. :(
BBC. Le Monde. El país. Corriere della sera.

A palavra em sueco do dia é järn, ferro (tanto o de passar roupa quanto a substância química)

Filed under: De bem com a vida,Eu ♥ a Suécia,Gravidez,Vidinha — Maria Fabriani @ 11:05

July 28, 2007

Rapidinhas

Esperando meu pequeno príncipe

Tá chegando a hora. A partir de hoje Max está prontinho pra nascer, que nem um pãozinho no ponto, e caso escolha fazê-lo, não será mais considerado prematuro. Não escrevi aqui antes porque minha energia se concentrou no meu pãozinho, no parto cada vez mais próximo (gulp!) e em pequenos detalhes aparentemente sem importância mas que na cabecinha de uma quase-mãe assumem proporções estratosféricas. Quer dizer, tudo como dantes no quartel d’abrantes.

Dói muito. Amoreco, minha parteira, está feliz com minhas dores atuais, que lembram a chatice das dores pré-menstruais conhecidas pelas mulheres que, como eu, têm a má sorte de senti-las. Ela disse que essas dores são “o início do início do fim”, o que me custou alguns neurônios pra registrar e compreender. Na verdade, tudo o que eu queria após nossa última consulta, era colo. Quase pedi pra ela, mas depois de alguns segundos de consideração, desisti. Não tenho mesmo a menor idéia de como se pede colo em sueco.

Harry Potter. Nosso exemplar chegou na segunda, dia 23, e já foi devidamente devorado pelo meu urso, que adorou o que leu. Eu ainda o estou guardando para a maternidade. Eu sei, eu sei, não terei tempo pra me coçar lá, mas como ando meio abestalhada, ainda consigo me enganar a ponto de achar que a vida não vai mudar muito dentro em breve. E, como sou angustiada, fui lá e li a última linha da última página do último capítulo. A palavra “scar” está lá, mas não é a última.

Responsa. Artigo de um psiquiatra no jornal de hoje diz que um bebê de seis meses de idade se lembra de um acontecimento específico por mais de um dia depois de ter sido exposto a ele por 90 segundos. Aos nove meses, o bebê se lembra por um mês de um acontecimento a que foi exposto por 20 segundos. Um bebê de um ano pode lembrar de um acontecimento por dois meses, enquanto uma criança de 18 meses se recorda do acontecido por seis meses.

A palavra em sueco do dia é nästan, quase.

Filed under: De bem com a vida,Gravidez,Jornal,Livros — Maria Fabriani @ 00:14

July 15, 2007

De pernas e de barrigas

A última novidade é que agora acordo todos os dias com câimbra nas duas batatas-da-perna. Liguei pra mamãe, e ela me disse que também teve. Dei uma googlada e parece que dores nas panturrilhas são comuns no final da gravidez. Eu acho um porre, mas, na verdade, está tudo bem. As dores não são nada mais do que um desconforto. Minha mãe me disse que é porque o bebê está mais pesado agora, o eixo de equilíbrio do corpo muda etc e tal. Li também que pode ser por falta de sal. Não sei se é verdade, já que não posso ter certeza da probabilidade da informação. Mas não posso começar a consumir mais sal agora. Entre câimbra nas pernas e eclâmpsia, fico com a primeira, lógico. Fui à parteira hoje e ela me confirmou que essas dores são comuns e que se dão graças a um “desequilíbrio de sais no corpo”, principalmente potássio (Na mosca, Naluh!). Nada a ser feito.

E a barriga continua crescendo. E aí é muito engraçado: todo mundo que encontro, principalmente amigos do meu urso (já que meus amigos moram quase todos em Umeå), se esquecem de sua timidez nata, estendem a mão em plena rua e tocam minha barriga amorosamente. Nunca recebi tantos afagos de quase estranhos suecos antes. E o melhor é que eu acho o maior barato. É como se minha barriga não fosse uma parte muito íntima minha, mas fosse meio que um patrimônio social. Como se Max já estivesse ganhando seu espaço no mundo através de mim. É estranhíssimo, mas me dá uma sensação ótima receber afagos de quem mal conheço.


E hoje é o meu dia. Maria, versão 3.6 :)

A palavra em sueco do dia é vaden, a batata-da-perna.

Filed under: Aniversários,Gravidez,Vidinha — Maria Fabriani @ 14:48
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