May 9, 2011

10 anos

Acredite se quiser, mas moro na Suécia há 10 anos. Hoje faz dez anos que subi naquele avião da Lufthansa e me mandei pro desconhecido. Nem sei o que dizer, escrever. Foi, ainda é e sempre será uma viagem. Cabe a mim aproveitar ao máximo.

December 31, 2009

Filed under: De bem com a vida,Pra frente é que se anda — Maria Fabriani @ 06:48

August 5, 2009

Navegar é preciso

odisseia

Então, em dezembro passado nos mudamos. Depois desse verão maravilhoso, começamos na segunda-feira na escolinha nova. Duas semanas de introdução. Primeiro dia, Max grita durante 15 minutos, se agarra em mim, chora, pede pra ir pra casa. Eu tento parecer forte, dou um sorrisinho amarelo pra todas as professoras da nova escolinha, sentadas no pátio. Olhando. O coração apertadinho no peito. Vontade de sair correndo, gritando, “foi tudo um engano, desculpe!!!”

Depois ele relaxa. Vê umas outras crianças andando de velocípede e vai lá investigar. Ele está quase descobrindo a mecânica do pedal, como interage com a perna dele e todo o resto. Mas o que ele gosta mesmo é de dirigir o velocípede na vala e depois carregá-lo de volta à pista. Tudo isso pra ganhar elogios da professora nova, que diz que ele é forte. E ele responde com um franzir de testa mais lindo do universo, fazendo cara de forte, compreende? Uma coisa.

Tem feito dias lindos aqui; melhor temperatura da Suécia inteira, dias lindos de sol maravilhoso, um atrás do outro. I am in awe. Estou até bronzeada! Não me lembro da última vez que fiquei dourada assim. O que aconteceu é que descobri um canto do jardim que serve como local de descanso/leitura/bronzeamento. E eu só quero ficar lá. Com meu filho em volta de mim, zoneando e gritando “mamãe, mamãe, mamããããããeeeeee” a cada 10 segundos.

Mas aí, a escolinha. Navegar é preciso. Segundo dia, ontem. Apesar do tempo espetacular, ficamos dentro da “sala de aula”, na verdade uma série de quartos, salas, amplos, cheios de brinquedos, almofadas etc. Max chorou/gritou apenas por cinco minutos. Foi brincar com os caminhões, investigou as bonecas, foi ver um espelho gozado pendurado na parede. Hoje meu urso está de folga e quer levar Max. É apenas uma hora por dia, pelo menos na primeira semana.

Sim, as professoras são ótimas, assim como na outra creche. Não tenho dúvidas que Max vai aprender muito lá, que vai fazer amigos, que vai se desenvolver, que vai crescer. Mas, ainda assim… Veja bem: não quero reclamar do irreclamável; do maravilhoso sistema sueco de creches (pago, mind you, mas ainda assim) que oferece às criancas dias ótimos e variados, comida saudável e muito carinho e às mães e pais a possibilidade de trabalho decente. Não. O que quero dizer aqui é uma coisa diferente. É o fato de eu morrer de paixão de deixar meu filho com quem quer que seja.

Penso nisso e me pergundo o inevitável: “Quem é essa pessoa?”

Bom, vocês que me lêem com olhos amigos sabem que sou dada a elucubracões (aqueles que me lêem com outros olhos pensam diferente, tipo “chata”, “problemática” ou “neurótica”, o que, pensando bem, é uma leitura muito acurada, hehe). Mas então. Não quero enlouquecer (novamente) o assunto creche. Sei que está tudo bem e que Max vai se adaptar eventualmente e que ele vai amar as professorinhas, todas, aliás, velhinhas, algumas até meio caquéticas – o que é ótimo, aliás. Eu acredito que quanto mais rugas mais paciência. Ele vai se adaptar. Com certeza.

O problema aí sou eu, cara pálida. Quando é que eu vou parar de sentir esse medo, de deixar meu filho com esse pessoal? Quando é que essa odisséia termina?

A palavra em sueco do dia é inskolning, adaptação na escola.

July 27, 2008

Sem saber o que dizer, mas dizendo assim mesmo

Meu irmão e a mãe dele vieram me visitar e passaram duas semanas aqui. Foi um barato poder mostrar pra eles o meu pedaço de mundo, a minha vida construída nos últimos sete anos. E aí eles foram embora pro Rio.

Definitivamente, é sempre pior pra quem fica.

Sinto uma falta enorme disso aqui. Meu cérebro está meio desacostumado a pensar em forma de posts, o que é uma pena. Às vezes sento-me na frente do computador e tento escrever. Aí parece que só vem coisa repetida, considerações sobre o tempo, ou a falta dele, o meu filho, as delícias de ser mãe, o trabalho que é interessantíssimo porém algo sobre o que não posso escrever por razões legais. Aí páro, apago e desisto. Invariavelmente me sinto frustrada.

Mas comigo é sempre assim. Quando as coisas estão meio tumultuadas, enboladas, encalacradas, o melhor é fechar os olhos e se jogar de cabeça (minha especialidade) no meio da dificuldade. Então, vejamos: outro dia li no jornal uma série de pequenos artigos sobre que personagens de livros os jornalistas gostariam de conhecer caso pudessem. O nome da série é o amigo oculto. A única autora citada que eu conheco é Virginia Woolf, que escreveu “To The Lighthouse”, onde Mrs Ramsay é a protagonista.

A jornalista que escreveu o artigo disse que gostaria de conhecer Mrs Ramsay porque ela (a jornalista) gosta de mulheres que sabem como e apreciam a arte de dar uma festa, de perceber todos os convidados, os interesses e gostos de cada um, de fazer com que a experiência da festa seja algo agradável. Eu, na minha simplicidade, não sabia, mas existe uma série de regras para se dar uma reunião bem-sucedida. Evidentemente, o sucesso da sua party não depende apenas da sorte. Imagina só.

Eu não sei qual o personagem que eu gostaria de conhecer. Quer dizer, saber eu sei, mas não tenho idéia se seria uma boa ou não. Meu escolhido seria o Holden Caufield, do “Apanhador no Campo de Centeio”. Se bem que sei lá se ia dar pra conversar com ele. Acho que eu teria gostado de conhecê-lo lá por 1984, 85, quando eu li o livro diversas vezes e fiquei meio que apaixonada por ele (pelo livro e pelo Holden). Mas isso foi há mais de 20 anos. Hoje as coisas estão um pouco diferentes.

Diferentes como, você pergunta? Não faço idéia. Só sei que de fato as coisas estão diferentes, meu modo de perceber o mundo mudou muito. Não posso colocar a culpa (ou dar o crédito) dessa mudança apenas ao fato de eu ter mudado de vida tão radicalmente nos últimos sete anos. Acho que é uma combinação de fatores, inclusive pelo fato de eu estar ficando mais velha (dia 15 completei mais uma primavera, 37 até agora. Obrigada, obrigada.)

Outro dia vi um programa na TV sobre genética ou alguma coisa semelhante. O apresentador contava que as pessoas podem modificar seus cérebros com muito treinamento e mudanças radicais de vida. Aprender uma língua fluentemente, por exemplo, é um modo de se modificar a massa ccinzenta. Já devo ter dado início a várias novas interconexões de neurônios, ainda mais tendo aprendido sueco, que é um idioma todo ao contrário (pra quem vem do português).

Mas, mais do que isso, a coisa de tentar enxergar o impossível (se sentir em casa na tundra, aceitar a saudade constante, lidar com o medo de perder quem se ama, descobrir um amor impossivelmente enorme saído da depressão, aceitar a alegria simples de um dia de sol ao léu) como possível, isso sim faz com que o cérebro mude. E, convenhamos, um aninho ou dois aqui ou ali também doesn’t hurt.

Agora, chega.

A palavra em sueco do dia é bror, irmão.

Filed under: Elucubrações,Pra frente é que se anda,Saudade,Vidinha — Maria Fabriani @ 10:10

June 17, 2008

De novela e de estresse

Meu urso virou noveleiro. Ele já estava sob suspeita porque em nossa mais recente viagem ao Rio ele grudava na TV misteriosamente sempre à mesma hora: sete da noite, horário exato da novela das sete (uma engraçada, do Silvio de Abreu, acho). Confrontado com as indisputáveis evidências, ele ainda tentou se defender, dizendo que queria melhorar seu português.

Mas agora não tem jeito. Ele virou noveleiro mesmo. A prova é que um canal nativo começou a mostrar a série “Cidade dos Homens”, com as aventuras de Laranjinha e Acerola. Sem brincadeira, o homem tá aficcionado. E, volta e meia, ele solta uns: “Qualé, meu irmão?” que quase me fazem cair pra trás. Eu faço graça, mas adoro. Afinal, ele é o meu gringo preferido.

Mudando de assunto: descobri uma receita perfeita pra liberar o estresse acumulado na cabeça, nos ombros e na mandíbula, três dos locais em que mais percebo minha tensão acumulando.

Basta parar tudo o que você estiver fazendo, respirar fundo e cantar: “Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”

Garanto que todas as preocupações se evaporam num instante. Essa receitinha é ainda mais eficaz quando cantada com voz grossa e gesticulação adequada.

Agora volto ao trabalho.

“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”

A palavra em sueco do dia é lösning, solução.

Filed under: Cinema e televisão,Pra frente é que se anda,Vidinha — Maria Fabriani @ 07:05

December 29, 2007

A palavra em sueco do dia é vallmo, papoula.

Filed under: De bem com a vida,Pra frente é que se anda,Vidinha — Maria Fabriani @ 07:58

June 5, 2007

Mais casa nova e blog

Ainda estou me acostumando com os barulhos da casa nova; examino como a luz aparece de manhã (ou de madrugada, em se tratando do verão escandinavo) e como evolui ao longo do dia; e ainda não sei se a cafeteira e o kettle vão ficar onde estão ou se teremos de achar outra solução. Decisões, decisões. Meu jornal só começará a ser entregue aqui na semana que vem e hoje preciso resolver uma série de detalhes burocráticos inevitáveis da minha nova vida de ex-estudante. Por tanto, mudança que é “bom”, nada. Ou só um pouco. Já temos internet mas com senha temporária porque a operadora precisa de 15 dias (oh!) para fazer todas as mudanças, inclusive a transferência do nosso telefone (que funciona pela banda larga).

Olha só, estou enfrentando alguns problemas com o Montanha, quer dizer, com os comentários do Montanha. Alguns de vocês têm tido dificuldades para comentar aqui. Infelizmente, o que está causando isso é algo insondável, um verdadeiro pavão misterioso pássaro formoso. Em outras palavras: não faço a menor idéia. Não bani ninguém e o tal do WordPress manda dizer, em mensagens mal-educadas, que certas pessoas não podem comentar por representar “risco ao servidor”. O interessante é que as duas pessoas que me contataram com esse problema moram no Brasil… A única coisa que posso fazer então é pedir desculpas pelo transtorno e esperar que esses dois amigos relevem o pequeno glitch.

A palavra em sueco do dia é pavão, påfågel.

Filed under: Pra frente é que se anda,Vidinha — Maria Fabriani @ 07:38

December 1, 2006

Dia mundial da luta contra a AIDS

BBC Brasil: “Brasil é ‘estrela’ no dia mundial da luta contra a AIDS, diz jornal.”

A palavra em sueco do dia é stolthet, orgulho.

Filed under: De bem com a vida,Pra frente é que se anda — Maria Fabriani @ 10:17

November 29, 2006

Linda


Foto: Vanda

A palavra em sueco do dia é nejlika, cravo.

Filed under: Elucubrações,Pra frente é que se anda — Maria Fabriani @ 19:03

October 1, 2006

Domingo

E hoje eu não vou votar. É simplesmente longe demais viajar até Estocolmo para fazê-lo. Ao mesmo tempo, acho que perdi o romantismo de achar que meu voto influenciaria o resultado final. Não tenho idéia como farei para justificar, se a embaixada vai me mandar catar coquinho, vai me proibir de ir ao Brasil, vai me atazanar a vida. Simplesmente esqueci de me preocupar com isso durante o mês de setembro, esqueci que seria talvez uma boa idéia dar uma ligada para lá e perguntar como é que se faz.

De qualquer maneira, é uma pena não poder votar, ao mesmo tempo em que acho essa coisa de voto obrigatório totalmente anti-democrática. Meu ponto de vista é o seguinte: tenho minhas idéias do que acho ser o melhor para o Brasil. Se fosse votar hoje, contribuiria para que minhas idéias se transformassem em realidade. Mas não moro no Brasil há mais de cinco anos. Não sei como estão as coisas na realidade, não tenho como avaliar. Quando estive lá há poucas semanas, me senti em casa, mas sabia que era uma turista também.

Além do mais, não sou daquelas pessoas que tem as respostas absolutas de/para tudo. Muito pelo contrário. Faço parte do mar de gente que têm dúvidas sobre quase tudo. Mas, voltando à vaca-fria. Você fica intrigada(o) com o texto acima e não aguenta sua curiosidade. Clica no espaço dos comentários e me pergunta: “Mas Maria, você iria votar em quem?” E eu te responderia como a sueca “perfeita” que sou: “Olha, Fulana(o), o voto é secreto.” Tsc, tsc, tsc.

Mudando completamente de assunto. Hoje escrevi um cartão pra minha amiga R., que generosamente me emprestou um celular extra durante minha estadia no Rio. Por uma confusão nossa, não devolvi o aparelho antes de embarcar de volta e por isso o mandarei pelo correio. Vou colocar o cartão na caixa, junto com o celular, como um agradecimento mais pessoal. No entanto, o texto do cartão ficou estranhíssimo. Acho que R., que me conhece muito bem, vai achar que fiquei meio maluca depois que voltei pra Suécia. Hehehe, digamos que ela não estará complemente equivocada.

Que coisa pavorosa esse acidente de avião na Amazônia. Nossa senhora.

A palavra em sueco do dia é Brasilien, Brasil.

Filed under: Pra frente é que se anda,Vidinha — Maria Fabriani @ 12:21
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