September 9, 2006

O Watergate sueco

Em uma semana a Suécia terá eleições gerais. O prognóstico é de uma guerra acirrada entre o bloco de esquerda, liderado pelos Socialdemocratas, e o bloco de direita, liderado pelos Moderados. Tudo indica que os moderados de Fredrik Reinfeldt (já escrevi sobre ele, aqui) devem ganhar, apesar da tradição socialista ser muito forte por aqui. Tudo ia bem até que na última semana um escândalo sacudiu o país.

Vários representantes do Folkpartiet, um outro partido de direita que forma uma aliança com os Moderados, foram indiciados por espionagem. Eles conseguiram acessar a SAPnet, a intranet socialdemocrata, onde todos os segredos da campanha política dos inimigos ficava guardada. Isso é, claro, um crime previsto em lei. Chama-se dataintrång e pode ser traduzido mais ou menos como “violação de dados” ou “espionagem virtual”.

Depois de conseguir a senha de um socialdemocrata descuidado, um empregado da seção jovem do Folkpartiet visitou a intranet dos socialdemocratas várias vezes desde o ano passado. Muitas decisões da campanha do seu partido foram baseadas no que os socialdemocratas estavam planejando. Esse cara e outros figurões do Folkpartiet, inclusive o secretário geral do partido, foram demitidos, ou pediram demissão.

Até um repórter político do jornal Expressen foi indiciado como espião. Ele ficou sabendo da história toda no início desse ano e, ao invés de escrever sobre o acontecido e dar o furo, jogou a ética jornalística pra escanteio e aproveitou pra também dar uma olhada nos planos socialdemocratas. O líder do Folkpartiet, Lars Lejonborg, continua afirmando que não sabia de nada. Eu não acredito, but hey, this is just me.

Não sou do tipo empreendedor. Gosto de trabalhar, mas tenho dificuldade em identificar oportunidades de negócios. Mas hoje isso mudou. Estou me preparando para juntar meu primeiro milhão em breve. A idéia me veio agora a pouco, enquanto via as palavras de busca no Google por meio das quais as pessoas chegam ao meu blog de livros. Vou fazer um site pra vender resumos de livros variados, principalmente dos clássicos. Cobraria cem doletas por resumos de até uma página A4. Ficaria rica em cima da burrice alheia.

Hoje o verão voltou (talvez para dizer adeus de vez). Está 20 graus lá fora (no sol) e as pessoas andam pela rua em mangas de camisa. Eu, claro, estou amando. A porta da varanda aberta, música no stereo (Marit Bergman, os sambas da Marisa Monte e Laleh) e eu aqui, curtindo um dia calmo. O problema é que com o calor vêm os bichinhos, que aqui são superalimentados, enoooormes. Até o presente momento, já matei quatro (QUATRO!) abelhas aqui dentro de casa. Fico meio que em pânico, mas vou em frente e completo a carnificina com a ajuda do meu melhor amigo (depois do meu urso), o aerossol contra insetos Radar e um jornal.

Hoje faz um ano que ela se foi.
Tomara que estejas bem, vó.
Te amo muito.
Sua neta, Maria.

A palavra em sueco do dia é saknad, saudade (tradução aproximada).

Filed under: Europa & Escandinávia,Jornal,Música,Saudade — Maria Fabriani @ 12:35

June 12, 2006

Fly Me to the Moon

Fly me to the moon
And let me play among the stars
Let me see what spring is like
On Jupiter and Mars
In other words hold my hand
In other words darling kiss me

Fill my life with song
And let me sing forevermore
You are all I hope for
All I worship and adore
In other words please be true
In other words I love you
(Música de Bart Howard)

A palavra em sueco do dia é lycka, alegria.

Filed under: De bem com a vida,Música — Maria Fabriani @ 16:49

May 22, 2006

Viva os monstros finlandeses!

Fim de semana corrido. Apesar de estar morrendo de vontade de escrever, simplesmente não tive tempo. Levei meu urso para o aeroporto (Estocolmo a trabalho), esperei minha sogra que veio me visitar no sábado e acabou dormindo aqui. Assistimos ao festival da música européia, aqui chamado de Melodifestivalen, votei como louca (três SMS:s) na Finlândia, liguei pro meu irmãozinho pra desejar feliz aniversário, a sogra se foi na tarde de domingo, quase morri de dor de cabeça, fui buscar urso no aeroporto e assistimos a “Match Point” e aí sim a morte foi quase certa, dessa vez por raiva por ter alugado um filme tão ruim (que diabos aconteceu com o Woody Allen?)

O Melodifestivalen foi nesse final de semana. Assim como a Marcia de Souza comentou, não escrevi sobre o evento esse ano, como fiz nos anos anteriores (maio de 2004, março e maio de 2005) por uma razão simples: a música que representaria a Suécia foi apresentada por uma cantora nativa que eu detesto com todas as minhas forças, a famigerada Carola. Ela é uma dessas pessoas que têm um ego gigantesco, que aprenderam que é preciso deixar claro a todos que ela se garante e que nada nem ninguém a atinge etc. Não que haja algo de errado em se ter boa auto-estima. O problema é quando esse tipo de pessoa acha que é um doce mas ao mesmo tempo mostra uma agressividade enorme com quem não se curva ao seu “brilho”.

E foi o que aconteceu na noite de sábado para domingo na Grécia, onde a final foi realizada. Ela cantou bem, deu seus costumeiros dós-de-peito (gritaria danada) e conquistou um quinto lugar geral. Depois de saber o resultado final, ela estava danada da vida (hohoho). Mas quem ganhou foi o meu favorito, o grupo finlandês Lordi (foto), que cantou “Hard Rock Hallelluja” e arrebentou a boca do balão. Os integrantes da banda se vestiram como monstros e zumbis e deram um show! Em entrevistas prévias à final, o vocalista Mr. Lordi não falava muito. Quando os jornalistas reclamaram, ele retrucou: “Monstros não falam, apenas soltam grunhidos.” Depois da vitória, no entanto, ele deu uma coletiva num inglês corretíssimo e ainda vestido de monstro, disse que estava aliviado.

“Antes não conseguíamos assinar um contrato com uma gravadora de jeito algum. Ou o problema eram nossas roupas ou nossa música”, explicou. Mas a julgar pela quantidade de pontos que eles receberam (com várias notas máximas), parece que os executivos das gravadoras finlandesas têm de entrar num curso intensivo de psicologia do mercado fonográfico europeu. Eu adoro Melodifestivalen, por razões que já escrevi aqui: a política misturada à música, as músicas cantadas nos idiomas locais (o que acontece apenas ás vezes infelizmente, já que a maioria das músicas é em inglês), o ambiente alegre e assumidamente cafona, as plumas e paetês, o exagero. Isso tudo me deixa feliz. Hehehe.

O bacana disso tudo é que a Finlândia participa do Melodifestivalen há 40 anos (!!!) sem quase nunca ter chegado nem perto dos primeiros lugares. Os noticiários da TV de ontem à noite mostraram cenas da extrema alegria finlandesa, gente nas ruas de Helsinki gritando, bebendo, sem acreditar no que havia acontecido. Parecia Brasil depois de vencer a copa. Uma pessoa disse: “Temos que comemorar agora porque é pouco provável que esse momento vá se repetir num futuro próximo”. Numa matéria do jornal sueco Svenska Dagbladet, os finlandeses confirmam a importância da vitória: “Segern är kanske större än livet”, o que quer dizer “A vitória é talvez maior do que a vida”.

Falando em música: hoje a TV 4 sueca vai mostrar a festa de premiação do Polar Music Price, conferido pelo rei sueco Carlos XVI Gustavo a músicos de todo o mundo. Foi esse o prêmio que o Gilberto Gil ganhou ano passado, lembram-se? Os premiados desse ano são o maestro russo Valery Gergiev e nada menos do que o grupo Led Zeppelin!

O verbo em sueco do dia é att provocera, provocar.

Filed under: Cinema e televisão,Europa & Escandinávia,Jornal,Música — Maria Fabriani @ 07:54

January 9, 2006

A saudade essencial

Já estou em Umeå para o fim do quarto semestre e o início do quinto. Aqui está menos frio do que em Boden. Lá, estava 20 abaixo de zero, aqui “apenas” 10. Tô quase saindo de biquini. Hehe. No caminho, ouvi no rádio uma música deliciosa da Simone Moreno (foto à direita), cantora brasileira casada com um sueco e que mora aqui há três anos, e o Timbuktu (foto aqui de baixo), um artista nascido em Lund, no extremo sul sueco, de pais americanos.

Enquanto Simone canta “Vem pra Bahia, terra da alegria” em ritmo de batucada/reggae, responde Timbuktu “Vi drar till Malmö” (“Nos mandamos para Malmö”). Cantei, dancei (sentada dentro do carro), fiquei feliz com o ritmo da música, com a letra despretenciosa, com a harmonia dos dois, ela em português, ele em sueco com moooito sotaque, com a sensação de alegria que me deu. Logo depois comecei a chorar.

Me deu uma saudade enooooorme do português, da ginga, do calor, da risada fácil, da espontaneidade, de ser natural, brasileiro. Repara não, eu sou bem ajustada, feliz, contente. Mas às vezes dá um nó aqui no peito que vou te contar. E eu não entendo nada. O choro vem do vácuo e não tem razão de ser porque não estou triste ou deprimida. Não sei não, mas tenho a impressão de que é isso que é a verdadeira e essencial saudade.

Adoro o Timbuktu desde antes, porque ele faz músicas interessantes, mesmo pra quem, como eu, não é muito fã de hip-hop. As minhas preferidas dele são “Alla vill till himmelen men ingen vill dö” (Todos querem ir pro céu mas ninguém quer morrer) e a maravilhosa “Det löser sig” (mais ou menos “as coisas se resolvem” ou “tudo vai acabar dando certo”). AMO essa música. Já a Simone Moreno está arrebentando por aqui e vai até cantar no Melodifestivalen desse ano. Sucesso!

Saiba o que é Melodifestivalen aqui.

A palavra em sueco do dia é skön, belo, formoso, bonito, agradável.

Filed under: Música,Saudade — Maria Fabriani @ 18:10

August 11, 2005

Privilégio

Você já se deu conta hoje de que é um afortunado por poder ouvir e entender a poesia melodiosa cantada por Elis Regina, Marisa Monte, Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, João Gilberto etc? Na frente do computador, pensando em outra coisa, me dei conta de repente que “A Paz”, do Gil, que faz parte da minha biblioteca de música online, estava tocando. Uma melodia especial essa do português. Não por ser português, mas por ser minha língua.

A palavra em sueco do dia é musik, música.

Filed under: Música,Saudade — Maria Fabriani @ 19:40

June 30, 2005

Notícias do mundo virtual na Suécia

cao_no_computador.gifBlog :: Está a maior discussão sobre o fenômeno dos blogs, que só agora explodiu por aqui. Todos os jornais lançaram diários online de jornalistas cobrindo eventos especiais (festivais de música, shows, eventos esportivos, feminismo e dia-a-dia politico), o que, segundo os críticos, é uma chatice sem fim. “O mainstream da mídia ocupou mais um espaço editorial”, dizem uns. Colunas e artigos nos cadernos de cultura consideram o fenômeno dos blogs como um acontecimento inevitável - e nem sempre bem-vindo.

O último artigo que li a respeito foi escrito pelo jornalista Ola Larsmo, no jornal que assino. Ele desfia seu desgosto para com os blogs e cita até o filósofo e crítico teórico alemão Jürgen Habermas. Larsmo escreve que as novas mídias digitais mudam as circunstâncias para o que Habermas descreveu como a “esfera pública” e a “esfera privada”. Uhm, eu concordo. Mas será que isso é necessariamente algo negativo?

Tudo bem que o tablóide mais vendido do país exagerou e botou um reporter pra escrever um blog sobre seu desejo de parar de fumar. O deadline para o último cigarro seria dia 1 de junho. Não sei se ele conseguiu - achei o blog tão chato que deixei de ler. Mas a coisa era séria. O jornal lançou inclusive uma campanha para que os leitores também parassem de fumar (o que não é nada ruim). Eu acho engraçada essa discussão, apesar de ter uma visão muito pessoal do fenômeno bloguístico. Pra mim, blog é sinônimo de interação e, na maioria das vezes, prazer. Não uma exibição de poder.

Música :: A Suécia criminalizou a troca de música online. A partir de amanhã é formalmente proibido baixar e trocar música e filmes pela Internet. A lei, discutidíssima aqui, encontra muita resistência. Os serviços de armazenamento de arquivos criticam os métodos de combate ao “crime”, que envolvem blitzes e apreensão de servidores. Os usuários dizem que a lei serve apenas aos interesses das grandes gravadoras, que perdem grana com quem deixa de comprar o CD ou o DVD por ter acesso ao arquivo de graça, pela Internet.

A polêmica atingiu até o ministro da justiça, Thomas Bodström. Ele defende a lei, claro, mas juristas afirmam que a lei é ilegal. Isso porque está lá no texto que os pequenos usuários que tiverem baixado músicas e filmes online podem ser presos. O problema é que eles seriam localizados e identificados com a ajuda do número do seu IP, que funciona como uma espécie de identidade do computador. Acontece que esse número de IP é considerado um personuppgift, uma informação pessoal, cujo acesso é regulado por uma outra lei, que não permite o uso de informações pessoais para esse fim.

Nessa confusão jurídica, todo mundo continua baixando horrores, pirateando tudo quanto é filme e espalhando pela Web. A arma das gravadoras e dos estúdios de cinema é o chamado Spoofing: arquivos aparentemente genuínos mas que não contêm música ou filme são lançados nos servidores mais acessados. Em minutos, os arquivos se espalham pelo mundo todo. A gravadora da Madonna lançou uma série de arquivos fantasmas juntamente com o lançamento do último disco da cantora. Quando o usuário abria o arquivo, lá vem a voz da Madonna dizendo: “What the hell do you think you’re doing???”. Hohoho. Acho esse até mais legal do que as últimas músicas dela.

A palavra em sueco do dia é frihet [frirret], liberdade.

Filed under: Europa & Escandinávia,Música — Maria Fabriani @ 13:55

June 24, 2005

Uma rapidinha

barra_midsommar.jpg

Rápido, antes que o servidor da Pixelzine caia de joelhos novamente, vamos lá. E o pior é que nem tenho muitas novidades pra contar, mas me sinto meio que obrigada a escrever, já que não sei quando o Montanha vai estar online novamente… Exatamente como uma criança esfomeada come mais do que deveria só pra garantir que não passará fome.

Estou aqui ouvindo uma rádio anos 80, que é um escândalo. Tocando agora, Madonna: “Get into the groove/Boy you’ve got to prove/Your love to me, yeah”. Acabou de tocar uma música do The Cure, um grupo que eu amava quando era adolescente (vai entender). Fui até ao show deles no maracanazinho (a pior acústica do mundo) e sabia todas as letras das músicas!

Me lembro que fomos muitos amigos do colégio e nos sentamos no fiofó do judas, lááá na última arquibancada. Na confusão, um dos rapazes caiu da arquibancada de concreto e quebrou o braço. Foi aquele alvoroço! Ficamos todos com muito medo de que ele precisasse de uma transfusão de sangue e que, por causa disso, pegasse AIDS. Paranóias dignas do meio dos anos 80.

Hoje é o tal do midsommar. As festividades aqui em casa estão resumidas a um churrasco pra duas pessoas (carne pro urso e salmão pra mim), batatas (salada com maionese pro urso, batatas cozidas na água e sal pra mim) e salada com muita cebola (uhm, adoro). Conseguimos nos abster das sobremesas doces. Temos bananas e chiclete sem açúcar, caso os munchies resolvam nos infernizar muito.

A frase em sueco do dia é Glad midsommar!, Feliz solstício de verão!

barra_midsommar.jpg

Filed under: Irritação e ironia,Música — Maria Fabriani @ 14:51

May 23, 2005

Feliz Aniversário, Carlos!

Hoje é aniversário do meu irmão, Carlos, que está fazendo 14 anos. Parabéns, meu irmão! Nos falamos mais tarde. (Eu sei, eu sei, a foto é beeeem antiga. Mas tenho duas razões de tê-la publicado: primeiro porque o scanner aqui de casa pifou e segundo porque eu ADORO essa sua foto linda).

Update => Dia muito cheio e emocionante: eu e meu urso fizemos uma pequena feijoada para os tios dele que vão ao Brasil em dezembro. Tudo saiu como planejado e eles adoraram o feijão. No final, vimos minhas fotos do Rio. Às dez da noite liguei pro meu irmão e consegui não chorar, apesar do aperto no coração. Sei que escrever isso parece clichê, mas escrevo aqui a sensação literal que tive há pouco, um peso no meio do peito, uma saudade monumental. Difícil de controlar, mas eu consegui não chorar.

Aí, pra completar a noite, fui ver a entraga do Polar Priset ao Gilberto Gil. Festa linda, cheia de gente vestida em smoking e longos, inclusive o Rei, a Rainha (que cantarolou uma música do Jorge Benjor e conversou a noite toda com o Gil em português) e a princesa coroada. Teve também show de Lisa Nilsson e Håkan Hellström, artistas suecos ligados ao Brasil e que cantaram em português. Aí, quando Lisa Nilsson e Simone Moreno cantaram “Aquele abraço” e “Andar com fé”, eu não aguentei. Chorei. Tô chorando até agora. Pelas escolhas que fiz, pelas felicidades novas, mas também pela ausência de outras.

“Andá com fé eu vou, que a fé não costuma falhá”.

Comecei a assistir a um documentário suíço sobre a Maria Bethania, que gravei ontem, mas não consegui terminar de ver. Preciso dar um tempo na emoção. Acho que vou assistir à CSI New York (que também gravei enquanto os tios de meu urso estavam aqui em casa) pra ver se durmo melhor. Assassinato (de mentirinha) é muito melhor do que saudade (de verdade).

Liguei para a nossa operadora de telefonia, que é a maior do país (e mais comum) pra saber como fazer para ligar a cobrar pro Brasil (num oferecimento Telepapai). Qual não foi a minha surpresa quando fui informada que o serviço de ligações a cobrar foi desativado em setembro de 2004. Isso mesmo: se você mora ou está visitando a Suécia num precisa nem tentar ligar a cobrar porque você não vai conseguir. Esse serviço não existe mais aqui.

Estou boba até agora. Perguntei pra menininha do serviço do consumidor se eu morava em Uganda ao invés de um dos países mais desenvolvidos do mundo. Ela ficou muda, sem saber o que dizer. Se bem que, por outro lado, posso até tentar compreender essa loucura. Aqui telefonia é coisa tão banal, parte normal das despesas do lar nativo, que tenho a impressão que os suecos não têm necessidade de ligar a cobrar. Talvez eles sejam ricos demais pra precisar disso. Será?

Filed under: Aniversários,Música — Maria Fabriani @ 07:49

May 19, 2005

Mais música

Hoje é a semi-final do festival de música Eurovision (aqui chamado de Melodifestivalen). Na noite de hoje competem 25 países por um lugar na final. Os dez países que receberem mais votos seguem para a final, no sábado. E se lembra que eu escrevi logo ali em baixo que a Noruega era imprestável em festival de música? Pois é, engulo minhas palavras. A música com que o país concorre esse ano é um sarro de engraçada. O grupo, chamado Wig Wam (veja foto acima), é uma mistura do Kiss com o Scorpions, só pra cês terem uma idéia (se lembram da língua do Gene Simmons?).

01_sweden01_050517.gifEm comparação, a Suécia já está classificada pra final e não precisa participar desse qualifying, mas os especialistas dizem que Martin Stenmark (o lindinho do meio na foto ao lado), defensor das cores nativas, não tem uma chance sequer. Eu concordo. Vocês que vêm sempre aqui sabem que eu me irritei muito com a música vencedora da eliminatória sueca. O vencedor, bonitinho que só ele, delivers, mas a música é ri-dí-cu-la. Quer ver o vídeo da música, gravado, claro, em Las Vegas? Clica aqui. Vê e depois me explica, se puder, a razão da existência daquele coelhinho branco no vídeo.

Pra variar, o festival de música virou um evento político (leia mais sobre isso aqui). E calhou de ser na Ucrânia, onde uma revolução pacífica derrotou no ano passado um dos últimos presidentes remanescentes da antiga União Soviética. A música que defenderá o país, incluive, é um rock-hip hop revolucionário. Mas o presidente ucraniano, Viktor Jusjtjenko, mesmo tendo sido eleito democraticamente e dizendo representar um novo tempo, queria recorrer a um artifício tipicamente soviético para inaugurar os trabalhos: fazer um discurso na abertura do evento principal, o que foi devidamente vetado pela direção do festival, que, aliás, é sueca.

E quem vai ganhar, perguntam-me vocês, em insustentável agonia. Do alto dos meus dois anos de experiência em festivais europeus de música, afirmo que a vencedora será a Grécia, cuja música é defendida pela lindíssima sueco-grega Helena Paparizou (ela nasceu e foi criada na Suécia, de pais gregos).

Filed under: Europa & Escandinávia,Música — Maria Fabriani @ 10:01

May 18, 2005

Ópera

Eu adoro música. Gosto de vários estilos, dos clássicos dos anos 70 e 80, R&B, samba (não-pagode) e, claro, MPB. Gosto também de ópera e de clássicos (Adagio de Albignoni é um dos meus favoritos, apesar de ser meio deprê, e entre as árias, Nessun Dorma, cantada durante o Turandot de Puccini). Sim, eu gosto de ópera. Cresci ouvindo “A Flauta Mágica” de Mozart e incontáveis árias interpretadas por Maria Callas (foto ao lado - pra mim ela é única, não tem pra ninguém).

Meus pais sempre tiveram muito bom-gosto no que diz respeito a música. Meu pai é mais pro jazz, Chet Baker, Miles Davis etc. Minha mãe sempre gostou de ópera. Me lembro inclusive que tivemos de devolver um canário que compramos porque o passarinho cantava enlouquecidamente, numa espécie de competição com as sopranos todas as vezes que mamãe escutava seus discos nas manhãs de sábado e domingo na nossa casa de vila em Botafogo.

Ainda no Santo Inácio (colégio carioca) onde passei dez anos da minha vida, comecei a cantar no coral. Me lembro que não conhecia ninguém muito bem, mas incentivada por vovó, acabei indo. Eu tinha uns 11, 12 anos. No primeiro dia assisti à aula de fora, antes de fazer um teste pra determinar se era primeira, segunda ou terceira voz (acabei sendo primeira voz, mais fininha, tipo soprano, o que apenas mostra como a professora era incompetente).

Antes, o coral ia apresentar uma música. Conhecia de vista uma menina magrinha que já fazia parte do coral e fiquei surpresa por vê-la ali. O nome dela era Elisabeth e ela tinha uma voz meio débil, muito infantil. Nunca me esqueço que quando ela abriu a boca pra cantar - como solista - eu quase chorei de emoção. Que voz, que força!

Me lembro nitidamente que fiquei envergonhada de ter ficado tão emocionada. Não consegui entender o porquê daquela emoção que apareceu no meio do meu estômago, assim que a Beth começou a cantar. Fiquei tão envergonhada que não me lembro da música que ela cantou… e olha que eu sei cantar até hoje as músicas que aprendi no coral, até mesmo uma cantiga de ninar em alemão (oh!).

Um domingo bobo desses estava zapeando pelos canais de TV e dei de cara com um programa do estilo “Idol”, só que ligado à ópera. Os candidatos tinham de cantar na frente de especialistas e o vencedor ganharia um papel numa ópera a ser encenada em Londres. Apesar de não gostar de reality shows, não consegui deixar de assistir.

Estudantes, executivas, professoras, assistentes sociais, agentes de turismo, todos se submeteram ao treinamento duro e se saíram muito bem. Mas a melhor de todas foi Jane Gilchrist, que até antes de participar do show era caixa de supermercado. Vi no site do Channel 4 que ela ganhou o concurso juntamente com uma outra concorrente.

Que voz! Minhanossasenhora. Não sou educada o suficiente in those matters pra entender de acordes, sutilezas musicais ou que tais. Sou daquelas que sabe apenas apreciar algo bom. Meu gosto é, antes de tudo, instintivo. Por isso mesmo acho ópera o maior barato, porque na verdade, o interessante não são apenas os dó de peito de sopranos, tenores e contraltos, mas antes de mais nada, como esses artistas cantam - a emoção depositada em cada sílaba. Acho que o que me atrai em ópera no final das contas é o excesso, a falta de limites.

Quando vi e ouvi essa Jane Gilchrist cantando fiquei muito emocionada. E o melhor é que ela sempre quis cantar, mas acabou se casando cedo, tendo filhos etc e o sonho foi deixado de lado. E eu adoro quando sonhos se tornam realidade. A-D-O-R-O.

Já escrevi sobre ópera aqui.

Filed under: De bem com a vida,Música — Maria Fabriani @ 15:35
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