O Watergate sueco
Em uma semana a Suécia terá eleições gerais. O prognóstico é de uma guerra acirrada entre o bloco de esquerda, liderado pelos Socialdemocratas, e o bloco de direita, liderado pelos Moderados. Tudo indica que os moderados de Fredrik Reinfeldt (já escrevi sobre ele, aqui) devem ganhar, apesar da tradição socialista ser muito forte por aqui. Tudo ia bem até que na última semana um escândalo sacudiu o país.
Vários representantes do Folkpartiet, um outro partido de direita que forma uma aliança com os Moderados, foram indiciados por espionagem. Eles conseguiram acessar a SAPnet, a intranet socialdemocrata, onde todos os segredos da campanha política dos inimigos ficava guardada. Isso é, claro, um crime previsto em lei. Chama-se dataintrång e pode ser traduzido mais ou menos como “violação de dados” ou “espionagem virtual”.
Depois de conseguir a senha de um socialdemocrata descuidado, um empregado da seção jovem do Folkpartiet visitou a intranet dos socialdemocratas várias vezes desde o ano passado. Muitas decisões da campanha do seu partido foram baseadas no que os socialdemocratas estavam planejando. Esse cara e outros figurões do Folkpartiet, inclusive o secretário geral do partido, foram demitidos, ou pediram demissão.
Até um repórter político do jornal Expressen foi indiciado como espião. Ele ficou sabendo da história toda no início desse ano e, ao invés de escrever sobre o acontecido e dar o furo, jogou a ética jornalística pra escanteio e aproveitou pra também dar uma olhada nos planos socialdemocratas. O líder do Folkpartiet, Lars Lejonborg, continua afirmando que não sabia de nada. Eu não acredito, but hey, this is just me.

Não sou do tipo empreendedor. Gosto de trabalhar, mas tenho dificuldade em identificar oportunidades de negócios. Mas hoje isso mudou. Estou me preparando para juntar meu primeiro milhão em breve. A idéia me veio agora a pouco, enquanto via as palavras de busca no Google por meio das quais as pessoas chegam ao meu blog de livros. Vou fazer um site pra vender resumos de livros variados, principalmente dos clássicos. Cobraria cem doletas por resumos de até uma página A4. Ficaria rica em cima da burrice alheia.

Hoje o verão voltou (talvez para dizer adeus de vez). Está 20 graus lá fora (no sol) e as pessoas andam pela rua em mangas de camisa. Eu, claro, estou amando. A porta da varanda aberta, música no stereo (Marit Bergman, os sambas da Marisa Monte e Laleh) e eu aqui, curtindo um dia calmo. O problema é que com o calor vêm os bichinhos, que aqui são superalimentados, enoooormes. Até o presente momento, já matei quatro (QUATRO!) abelhas aqui dentro de casa. Fico meio que em pânico, mas vou em frente e completo a carnificina com a ajuda do meu melhor amigo (depois do meu urso), o aerossol contra insetos Radar e um jornal.

Hoje faz um ano que ela se foi.
Tomara que estejas bem, vó.
Te amo muito.
Sua neta, Maria.
A palavra em sueco do dia é saknad, saudade (tradução aproximada).
E foi o que aconteceu na noite de sábado para domingo na Grécia, onde a final foi realizada. Ela cantou bem, deu seus costumeiros dós-de-peito (gritaria danada) e conquistou um quinto lugar geral. Depois de saber o resultado final, ela estava danada da vida (hohoho). Mas quem ganhou foi o meu favorito, o grupo finlandês Lordi (foto), que cantou “Hard Rock Hallelluja” e arrebentou a boca do balão. Os integrantes da banda se vestiram como monstros e zumbis e deram um show! Em entrevistas prévias à final, o vocalista Mr. Lordi não falava muito. Quando os jornalistas reclamaram, ele retrucou: “Monstros não falam, apenas soltam grunhidos.” Depois da vitória, no entanto, ele deu uma coletiva num inglês corretíssimo e ainda vestido de monstro, disse que estava aliviado.
Falando em música: hoje a TV 4 sueca vai mostrar a festa de premiação do 
Enquanto Simone canta “Vem pra Bahia, terra da alegria” em ritmo de batucada/reggae, responde Timbuktu “Vi drar till Malmö” (“Nos mandamos para Malmö”). Cantei, dancei (sentada dentro do carro), fiquei feliz com o ritmo da música, com a letra despretenciosa, com a harmonia dos dois, ela em português, ele em sueco com moooito sotaque, com a sensação de alegria que me deu. Logo depois comecei a chorar.
Blog :: Está a maior discussão sobre o fenômeno dos blogs, que só agora explodiu por aqui. Todos os jornais lançaram diários online de jornalistas cobrindo eventos especiais (festivais de música, shows, eventos esportivos, feminismo e dia-a-dia politico), o que, segundo os críticos, é uma chatice sem fim. “O mainstream da mídia ocupou mais um espaço editorial”, dizem uns. Colunas e artigos nos cadernos de cultura consideram o fenômeno dos blogs como um acontecimento inevitável - e nem sempre bem-vindo.
A palavra em sueco do dia é frihet [frirret], liberdade.
A frase em sueco do dia é Glad midsommar!, Feliz solstício de verão!

Hoje é a semi-final do festival de música
Em comparação, a Suécia já está classificada pra final e não precisa participar desse qualifying, mas os especialistas dizem que Martin Stenmark (o lindinho do meio na foto ao lado), defensor das cores nativas, não tem uma chance sequer. Eu concordo. Vocês que vêm sempre aqui sabem que
Eu adoro música. Gosto de vários estilos, dos clássicos dos anos 70 e 80, R&B, samba (não-pagode) e, claro, MPB. Gosto também de ópera e de clássicos (Adagio de Albignoni é um dos meus favoritos, apesar de ser meio deprê, e entre as árias, Nessun Dorma, cantada durante o Turandot de Puccini). Sim, eu gosto de ópera. Cresci ouvindo “A Flauta Mágica” de Mozart e incontáveis árias interpretadas por Maria Callas (foto ao lado - pra mim ela é única, não tem pra ninguém).
Já escrevi sobre ópera 