March 13, 2010

Anna Bergendahl

E acabou de acabar a final do Melodifestivalen, que escolhe uma música sueca pra participar do Eurovion Song Contest (festival de música européia). Ganhou a minha favorita, Anna Bergendahl, 18 anos de idade. Cantou lindamente “This is my life”, abriu os bracos, curtiu o momento, lindo! A voz dela é semelhante à voz da Tracy Chapman (se lembram?) só que muito mais forte, com um vibrato lindo no fundo. Ah, seu eu pudesse cantar assim…

Eu adoro Melodifestivalen. E não estou sozinha. O programa, que é produzido pela maravilhosa TV estatal sueca, é o maior programa do país, com milhões de espectadores. Se levarmos en consideracão que a Suécia inteira tem pouco mais de 9 milhões de habitantes, dá pra ver o peso do show. Essa menina vai agora cantar em Oslo, na Noruega, onde o Eurovision de 2010 vai ser realizado. Os noruegueses ganharam no ano passado com a música contagiante (e bobinha) de um rapaz de origem ucraniana.

Mas, claro, as chances de Anna Bergendahl são poucas. Mais e mais os países Europa querem votar nos vizinhos, nos antigos colonizadores (pasmem) ou em músicas com muitos tambores e ritmos meio que folclóricos. Pra ganhar a música tem mesmo que ser contagiante, muito melhor do que tudo o que se mostra no Eurovision. Tudo é muito kitsch, mas, até por isso mesmo, divertidíssimo.

A palavra em sueco do dia é talang, talento.

Filed under: Cinema e televisão,Europa & Escandinávia,Música — Maria Fabriani @ 22:08

June 19, 2009

It’s a kind of magic

Estou lendo Obama. Muito bom, muito bom.

Terminei o quarto livro da série Martha Quest, da Doris Lessing. Gostei mais desse do que do terceiro. Porém, não gosto da Martha. O que gosto é quando DL escreve sobre a mãe da Martha, uma dragon-lady fascinante, ou sobre a filha da Martha, que Martha abandonou no livro e DL vida real e sobre a qual não se conta muita coisa. (Deve ser o maior bode da paróquia.)

Em duas semanas entro de férias.

Hoje não trabalhamos por conta do midsommar (literalmente “o meio do verão”), que comemora o solstício de verão por aqui. Vamos fazer churrasco; carne pro urso, salmão pra mim e salsichinhas pro Max.

Vocês conhecem o programa mais maravilhoso do planeta? Se ainda não conhecem, lhes apresento Spotify. Lá pode-se ouvir todas as músicas que você quiser de graça, em streaming. É legal (juridicamente falando), o que é ainda mais legal.

Filed under: De bem com a vida,Livros,Música,Vidinha — Maria Fabriani @ 09:23

January 20, 2008

200 anos da quinta de Beethoven

Observe o Karajan, nessa filmagem de 1966, de olhos fechados o tempo todo. Não consigo evitar: me dá uma inveja danada estar assim, dentro da música. O processo é tão impressionante que vai além da competência. O que ele faz com a sinfonia de Beethoven é mais do que “saber como se faz”, é um “poder fazer”. É aquela coisa, quem pode, pode. Mesmo.

A palavra em sueco do dia é vigör, vigor.

Filed under: Aniversários,De bem com a vida,Música — Maria Fabriani @ 08:05

November 29, 2007

Hint, hint

Pra facilitar a vida do ocupadíssimo Noel, dicas de presentes que me deixariam feliz:

1) Viagem pro Rio pra mostrar Max pros meus pais e amigos;
2) Livros - Gomorra de Roberto Saviano; How to Cure a Fanatic de Amos Oz; Kom och hälsa på mig om tusen år de Bodil Malmsten; Molnfri bombnatt de Vibeke Olsson; Nu vill jag sjunga dig milda sånger av Linda Olsson; On Cats de Doris Lessing; The Emperor’s Children de Claire Messud; Uncle Tungsten: Memories of a Chemical Boyhood de Oliver Sacks; Imperial Life in the Emerald City: Inside Iraq’s Green Zone de Rajiv Chandrasekaran.
3) Um trabalho to be proud of.
4) Qualquer CD do Kent.

A palavra em sueco do dia é julklappar, presentes de natal.

Filed under: De bem com a vida,Livros,Música,Vidinha — Maria Fabriani @ 07:50

May 10, 2007

Música na Finlândia

Depois de muitos meses de leituras sérias, idéias coerentes e rigorosas considerações acadêmicas, chegou a hora de soltar a franga. Isso porque hoje começa o maior festival de cafonice européia, panquêique e muitas plumas e paetês. Pois é, quem acompanha o Montanha há mais tempo já sabe que o mês de maio, além de ser lindo por comportar o aniversário do meu irmão, é também o mês da final do festival europeu de música o chamado Eurovision Song Contest. Pra quem não tem idéia do que estou falando, leia os posts de maio de 2004, março e maio de 2005 além de maio de 2006.

A Suécia inteira pára para assistir ao festival. Os jornais cobrem freneticamente o evento. A televisão estatal nativa vai transmitir hoje a semifinal e espera-se público recorde de pelo menos dois milhões de espectadores. Isso, num país de nove milhões de almas, é gente pra caramba. Mas não é hoje que a música sueca se apresentará. Isso porque os nativos se classificaram direto pra final, que acontece no sábado em Helsinki, na Finlândia (ganhadora do ano passado). Mesmo assim a espectativa é grande, já que a estatística mostra que os vencedores dos últimos anos vieram das semininais.

Mais uma vez os suecos estão eufóricos e acham que a música nativa vai ganhar com toda a certeza. Eu gosto da contribuição nacional, descrita como um boogie chamado “The Worrying Kind” com o grupo The Ark (foto acima). Esse é um grupo já conhecidíssimo nacionalmente e com certo cartaz internacional. O grupo, liderado por Ola Salo, um ser híbrido e interessantíssimo (no meio da foto, de cabelos longos, escuros), canta o chamado “glam-rock”, uma coisa também híbrida, com forte influências David Bowieanas — o que é sempre uma boa. Eu gosto das letras e do beat deles.

A confiança na vitória é tão grande que o site de apostas Ladbrokes.com está dando como certa a vitória do The Ark no Eurovison no sábado. O grupo de Ola Salo, até outro dia, daria até cinco vezes o dinheiro do apostador. Em segundo lugar vem o maluco DJ Bobo da Suíça com uma música horrorosa sobre vampiros (??!!) e a terceira é a sérbia Marija Serifovic, com uma power-balada típica das Bálcãs. Em último lugar, segundo o site de apostas, virá o cantor que defende as cores da Albânia, Fredrik Ndico. Caso ele ganhe, a vitória pagará 200 vezes o dinheiro apostado.

A palavra em sueco do dia é Melodifestivalen, literalmente, festival da melodia, mas é o nome sueco para o Eurovision.

Filed under: Cinema e televisão,De bem com a vida,Eu ♥ a Suécia,Música — Maria Fabriani @ 09:29

February 9, 2007

Uma rapidinha

Finalmente um respiro. Acabei de colocar o ponto final no meu trabalho que conclui o primeiro curso desse semestre, sobre trabalho social numa sociedade multicultural. E o melhor é que estou muito satisfeita com o resultado. O trabalho é uma análise do caso do encontro de uma menina com o pai que acaba de chegar à Suécia depois de anos numa prisão iraquiana. O que pode ser feito para ajudar a família? Havia a necessidade de combinar minha análise com a leitura de seis livros, que deveriam ser citados. Isso tudo apartir de uma entrevista que meu grupo fez com uma atriz, que interpretou o papel da menina. Foi difícil, mas interessantíssimo.

No mais, minha vida anda meio sem graça (intelectualmente falando). Não li coisa alguma nas últimas semanas a não ser os livros do curso, tudo o que sai no meu jornal me parece insípido e não vou ao cinema desde o verão, no Brasil. A única coisa que me salva é, como sempre, Marisa Monte, cujo CD de samba não sai da minha vitrola. Ela canta a lindíssima “Cantinho escondido” e eu, mais que depressa, acompanho: “Coração não tem barreira, não/Desce ladeira, perde freio devagar/Eu quero ver a cachoeira desabar/Montanha, roleta russa, felicidade/Posso me perder pela cidade/Fazer circo pegar fogo de verdade/Mas tenho meu canto cativo pra voltar.”

Mas, se vocês querem mesmo saber a verdade, estou é flutuando em felicidade.

Mais uma coisa: queria agradecer a todos pelos comentários enviados para o post abaixo, do professor paulista genial. Obrigada especialmente à Nissia, que nunca havia comentado no Montanha e abriu os trabalhos muitíssimo bem. Ah, esqueci de contar: meu urso me deu um tocador de MP3 de presente de Valentines (que é semana que vem aqui), pra eu não morrer de tédio nas minhas longas viagens de ônibus entre Boden e Umeå (quatro horas). O bichinho é do tamanho de uma caixinha de fósforos e, acreditem, cor-de-rosa (ele me explicou que infelizmente a loja não tinha roxo no estoque). Uia! Agora o problema é que eu não consigo escutar certas músicas sem cantar junto. O mico é certo porém inevitável. E vamo que vamo.

A palavra em sueco do dia é lycka, alegria, felicidade.

Filed under: De bem com a vida,Música,Vidinha — Maria Fabriani @ 10:06

December 4, 2006

It takes a fool to remain sane

ausa pro café, minutos atrás. Uma das professoras aqui do estágio (escola de sueco para estrangeiros) me vem com essa: “Ah, estou tão cansada! Acabei de dar aula pra uma moça da Tunísia que sabia muito pouco árabe e nada de sueco e que só podia se comunicar em francês. E eu não sei nada de francês! E quando pedi ajuda a outros alunos descobri que o árabe que ela sabia não tinha nada a ver com o árabe de Iraque e Irã, por exemplo!”

E eu: “Mas no Irã eles não falam árabe, mas persa.”
Ela: “….”

Ai. Preciso me concentrar e não perder as estribeiras por conta da ignorância alheia. Se ela está feliz com o nível de conhecimento que tem, se ela acha que, como professora de estrangeiros, pode continuar achando que iranianos e iraquianos são um povo só, que falam todos a mesma língua, quem sou eu pra frustrá-la? Imagino que deva ser uma experiência e tanto ser tão ignorante. Será que dói? Só sei é que dói em mim, no final do dia, quando percebo que ela recebe salário pra fazer o que faz e eu não.

O título do post vem de uma música do grupo sueco The Ark.

Update:: Pra (tentar) levantar o astral. Deu na BBC: “Arsonists warned not to kid around with Sweden’s straw goat.” Hohoho.

A palavra em sueco do dia é okunnighet, ignorância.

Filed under: Irritação e ironia,Música — Maria Fabriani @ 10:11

December 3, 2006

Primeiro advento e música

hegou a hora da contagem regressiva até o natal. E, como vocês todos que lêem o Montanha já sabem, a Suécia comemora quatro adventos nos quatro domingos anteriores ao dia 25 de dezembro. A explicação é a seguinte:

“O primeiro advento é o primeiro dia do ano eclesiástico da igreja sueca. A palavra advento, advent em sueco, vem do latim adventus e quer dizer espera ou chegada (depende da interpretação). Nesse domingo as igrejas daqui costumam ficar cheias, as missas são bonitas, com coral e tal. Eu não vou à igreja aqui (aliás, nem aqui nem em lugar algum), mas acho bacana essas tradições que incluem velas, orações, quietude, esperança. A cada domingo até o Natal acende-se uma vela, como na imagem aí de cima.”

Imagino como posso fugir da repetição dos posts, depois de quase cinco anos de blog. Alguma idéia? Alguém? (Obrigada, Drica-NY/FL e Mauricéia!)

No mais, tudo certinho. Outro dia estava assistindo a um programa de música na TV estatal sueca e vi uma entrevista de Lily Allen, artista britânica que se lançou graças ao My Space. Dei uma googlada e descobri o site dela. Enquanto tentava me orientar no meio do monte de informações da página — que confusão! — as músicas dela começaram a tocar. Achei melhor desistir de entender a loucura do site e me distrair com a música. Basta clicar no link e ouvir her songs, assim como o que me parece ser uma tracklist de suas músicas favoritas. Uma dica: never mind the rap parts. All the rest is better!

PS.: Tava assistindo à VH1 agora a pouco e vi que a Lily Allen colaborou no novo CD do Robbie Williams! Será que compro o disco novo dele? Alguém sabe se é bom? Ouvi uma música na VH1 que achei bacana, mas e o resto? Não, eu não faço download de mp3. Sou covardíssima e não quero ser uma outlaw!

E ontem não botei o nariz pra fora de casa. Oh!

A palavra em sueco do dia é lat, preguiçosa (o).

Filed under: Europa & Escandinávia,Música — Maria Fabriani @ 11:13

December 2, 2006

Window in the skies

od morning. My name is Maria and I am a consumer of “The best of…” CDs. Uhh, nice to take it out of my chest. O último da lista foi “U2 18 singles”. Uma sensação de prazer barato sobe pela minha coluna, dá um arrepio, mas sinceramente? I don’t really give a damn. U2 é parte da minha vida. E para quem, como eu, não tem grana pra comprar todos os CDs dos caras, esse “the best of…” é the sweetest thing.

No mais, o dia de hoje está fantástico, seis graus positivos, my heart is a bloom, e são apenas 11 da matina. Acho que vou dar uma saída, because I wanna feel sunlight on my face, e porque preciso comprar margarina. Talvez me empolgue e compre fermento para fazer pão. Talvez não. Ainda não me decidi. Sei que preciso me decidir logo porque o sol está quase se pondo. Hoje ele nasceu às 9h18 da manhã e desaparecerá às 13h25.

Os preparativos pro natal já estão quase todos prontos, já que aqui precisa-se entrar na dança nativa e sempre sempre sempre planejar com muuuuuuuita antecedência. Já mandei presentes pra família do meu pai e pra da minha mãe. Yeahhh. Agora falta a família local. Estamos procurando presentes pras nossas três sobrinhas, mas we still haven’t found what we are looking for. Pra minha sogra compramos um livro audível (e-book?).

Comprei dois presentes pro meu urso. Um foi ele mesmo quem escolheu: um mouse wireless todo cheio de marra. O outro é surpresa e eu comprei, mesmo sem $poder$, in the name of love. Não escrevo mais sobre isso porque meu urso volta e meia lê isso aqui. Em português primeiro, pra testar seus avanços no meu idioma, mas depois traduzido com a ajuda do Babble Fish. Mas tudo bem, because he knows that I move in mysterious ways.

A palavra em sueco do dia é platta, chato, liso, plano, raso e gíria para disco, CD.

Filed under: De bem com a vida,Música,Vidinha — Maria Fabriani @ 11:07

October 6, 2006

Música e contradições

Cheguei em casa mais cedo, depois de uma semana difícil, na qual aprendi pelo menos duas coisas a meu respeito. Primeira: que ver sofrimento estampado na cara de uma outra pessoa me assusta, porque me lembra do meu próprio sofrimento; e segunda: ainda preciso treinar muito para não julgar uma pessoa a partir dos meus parâmetros, porque na verdade, os parâmetros dela são diferentes, mais complicados do que os meus, mas principalmente totalmente válidos.

Cheguei em casa depois de receber notícias ruins e de conseguir sublimar parte delas. Vi, com felicidade, que o carteiro tinha entregue um presente de mim para mim mesma. Pensei: “Até que enfim, um break!” No chão do hall, uma caixa comprida com cinco CDs esperava por mim. Comprei meus preferidíssimos Timbuktu (Alla vill till himmelen men ingen vill dö = Todos querem ir pro céu mas ninguém quer morrer), Marit Bergman (I Think Its a Rainbow), Steve Wonder (The Definitive Collection), e ainda Lisa Nilsson (Hotel Vermont 609) e Anna Ternheim (Somebody Outside).

Corri para escutar Anna Ternheim, sobre quem estava muito curiosa depois de escutar no rádio a faixa “To be gone”. Aí, resolvi iniciar o processo delicioso de investigar todos os outros CDs, ver suas capas, os livretos de informação, tudo. Timbuktu, sobre quem já escrevi aqui, é uma delícia com o sotaque especial dos nativos que vêm de Malmö, no extremo sul da Suécia; Steve Wonder é, well, Steve Wonder; e Marit Bergman já é uma das minhas cantoras prediletas há anos.

Peguei então o CD da Lisa Nilsson, que é uma artista sueca conhecida por suas canções melosas gravadas nos anos 90. A mais conhecida sendo “Himmelen runt hörnet” (algo como “O céu na esquina”). Sempre a achei legal como cantora, mas ela começou a me interessar mais apartir do ano passado, quando a vi numa entrevista em que contava sobre sua viagem ao Brasil. Lisa foi pro Rio em 2004 depois de um divórcio. O intuito era se encontrar. Claro, ela não apenas se encontrou como à música de Milton Nascimento, da Tropicália, Dorival Caymmi, Djavan etc.

Enquanto Anna Ternheim cantava a linda “I say no” (“I say no/ Oh how sweet a girl like you can be/ When she tries/ You’re changing skin like I change clothes/ You’re faking it well but it shows”…), eu lia o encarte do CD da Lisa Nilsson, onde ela conta a história do seu encontro com o Rio, de como fez o CD, mostra fotos de sua estadia, conta que dias antes de gravar parte do CD num estúdio na Barra, o mesmo microfone foi usado por Caetano Veloso etc. A esquina onde ela morava, o bar pé-sujo mostrado em uma foto, o trânsito, as pessoas, tudo aquilo mexeu comigo.

Aí, claro, comecei a chorar.

E aqui estou, exposta, numa sexta-feira, aos meus sentimentos de fragilidade e de insegurança. Exposta às minhas falhas, à impaciência, à saudade, à falta de perspectiva, ao medo de ter cometido um erro muito grande. Mas, enquanto Lisa Nilsson canta, em português, Ponta de Areia, de Milton Nascimento e Fernando Brandt, penso que fiz tudo certo. Que por mais que esteja cansada e por mais que a dúvida me torture e me acompanhe, sei — lááá no fundo — que fiz a coisa certa. Acabo achando graça dessa minha desconfiança rebelde.

Sou uma pessimista esperançosa. E, por isso, uma contradição ambulante.

A palavra em sueco de hoje é tvivel, dúvida.

Filed under: Elucubrações,Música,Saudade — Maria Fabriani @ 13:34
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