Ainda vivos
Três refugiados afegãos em greve de fome tiveram um colapso ontem à tarde/noite e foram levados para o hospital. Três já foram liberados, mas um homem de 60 anos ainda está no hospital. Os refugiados precisaram de ajuda médica por conta de desidratação. Não sei se os três liberados voltaram para a rua ou se resolveram interromper a greve de fome. (Norrbottens Kuriren)
Essa não é a primeira greve de fome iniciada em abril. Refugiados na cidade de Holmsund (perto de Umeå) também entraram em greve de fome no dia 15 de abril. A notícia do jornal local tem seis linhas — o que quer dizer que o repórter escreveu talvez três linhas no computador. O conteúdo é esse: “Greve de fome em Holmsund, publicado em 16 de abril 2013 às 15.30. — Seis pessoas na casa de refugiados Mäster Erik em Holmsund iniciaram ontem uma greve de fome. O motivo é sua insatisfação com a decisão da Migrationsverket (órgão de imigração sueco) de que serão extraditados para seus países de origem. Cinco das pessoas em greve de fome vêm do Afeganistão e o sexto vem do Irã. — Eles não nos escutam, diz Reza Rahim ao jornal VK.”
O pior não é a notícia curta, sem desenvolvimento. O pior não é o fato do repórter não ter perguntado a Reza Rahim o porquê dele achar que o órgão de imigração sueco não presta atenção ao que eles dizem. O pior não são os comentários ao artigo, um deles, de uma pessoa anônima (lógico), que quer que a comida que os refugiados se negam a comer seja doada para não estragar. O pior mesmo é a falta de interesse geral nesse tipo de acontecimento. O pior é que quase ninguém presta atenção se um refugiado morre aqui ou ali.
A palavra em sueco do dia é besvikelse, desapontamento.


Acabei de ler um livro sensacional. O nome é “De apatiska” (mais ou menos “Os apáticos”) e o autor é Gellert Tamas (foto). Ele é jornalista e responsável pelo meu livro favorito no que diz respeito à história recente sueca: “Lasermannen”, sobre o qual escrevi 