December 18, 2011

Quarto advento

E hoje é o último advento. Domingo que vem é natal. E dezembro está acabando, a luz do dia está quase voltando (aqui no topo do mundo) e eu estou quase de férias (quatro dias entre o natal e o ano novo). Essa semana sou responsável pela “fika” (lanche às 9.30 e às 14 da tarde, muito importante, quando se senta em volta de velas e fala-se besteiras) do meu trabalho, na quarta-feira. Por isso, vou tentar fazer hoje uma receita maravilhosa, uma coisa chamada panforte, com chocolate amargo, laranja e nozes. Fiz uma vez há séculos e acertei, vamos ver se conseguirei acertar novamente (minha capacidade culinária aumentou muitíssimo nesses 10 anos de Suécia, mas volta e meia sofro com low selfsteem. Quando tento uma coisa mais avançada, fico meio que apavorada de não conseguir atingir a perfeição - sim porque só a perfeição é desejável - e, como uma profecia auto-anunciada, tudo fica péssimo). Mas se der certo, se ficar bonito e gostoso (vou ter que provar pra ver se está comível), eu mostro aqui e até dou a receita.

Filed under: De bem com a vida,Eu ♥ a Suécia — Maria Fabriani @ 10:08

December 11, 2011

Terceiro advento

Muito emocionante a cerimônia de entrega do prêmio Nobel, ontem. O poeta Tomas Tranströmer chorou, assim como a esposa de um dos ganhadores do prêmio de medicina, que recebeu o prêmio das mãos do rei em nome do marido. O Nobel não pode ser póstumo, mas quando a academia de ciências sueca ligou pra Ralph Steinman, quem atendeu foi a esposa porque ele havia morrido três dias antes. O prêmio foi mesmo assim pra ele porque a academia não sabia da morte de Steinman.

Tranströmer, numa cadeira de rodas, recebeu a medalha e o diploma das mãos do rei Carlos Gustavo. Ele foi ovacionado com palmas prolongadas. Evidente o orgulho nacional dos nativos. E eu fiquei emocionada. Por ser um poeta e por ser um sueco. Olha lá!

Ontem caiu muita neve. Muita. Quando o sol voltar a brilhar, lá pra janeiro ou fevereiro, talvez março, eu tiro uma foto e boto aqui. Hoje resolvemos montar a árvore de natal porque o papai noel está se aproximando a passos largos. E eu gosto muito pelas razões enumeradas no post anterior, mas principalmente porque depois do natal terei alguns dias de férias muito merecidas.

Obrigada pelos comentários no post anterior, pelas dicas. Meu urso está tentando resolver a questão do computador. Pelo que compreendi não perdemos tudo; não perdemos nossas fotos por exemplo. Ainda estamos no processo de recuperação. Os e-mails que perdi, estão perdidos, mas meu pai tem cópias. Então, all is well. :)

Filed under: De bem com a vida,Eu ♥ a Suécia — Maria Fabriani @ 12:01

December 5, 2011

Segundo advento

Estou feliz porque uma questão no trabalho se resolveu do jeito que eu queria. Por outro lado, estou meio tristonha porque nosso computador resolveu que estava muito difícil de viver e morreu. Tínhamos backup de quase tudo, mas perdi todos os meus emails que eu guardava desde 2001, quando me mudei pra cá. Todas as cartas do meu pai, do meu irmão, dos meus poucos amigos brasileiros que ainda se comunicam comigo. Perdi tudo. É um tipo de morte… Ainda mais quando se é canceriana.

Mas o melhor é que estou assistindo a um programa de ciência que sempre vemos às segundas-feiras. Hoje mostram reportagens e entrevistas com todos os laureados com o Nobel desse ano. Estou me deliciando porque as matérias são feitas para gente como eu: amadores completos com um interesse poético - não exato - por ciência. Aí fico meio com inveja dos repórteres, que viajam pra encontrar esses professores e pesquisadores legais em universidades bacanérrimas. Well, well, and the journalist in me awakens.

Filed under: De bem com a vida,Eu ♥ a Suécia — Maria Fabriani @ 20:03

November 27, 2011

Primeiro advento

Hoje é o primeiro advento (explicações nos anos interiores, please). Eu adoro os adventos por várias razões:
- os adventos, que são quatro, acontecem no final de novembro e em dezembro, em contagem regressiva até o natal. Gosto de contagens regressivas. Vai explicar.
- o natal passou a ser mais bacana depois que Max aconteceu na minha vida. E a cada ano fica melhor.
- dia 13 de dezembro é o dia de santa Luzia, aqui Lucia, que é um dia muito lindo (explicações nos anos interiores.)
- é em dezembro que acontece o solstício de inverno (again, explicações nos anos interiores), quando começamos a receber mais luz todos os dias.
- quando acaba dezembro, o inverno fica mais fácil de se aguentar, exatamente porque fica mais claro todos os dias.
- quando acaba dezembro o estresse de natal acaba, o que é sempre positivo.

E, acredite se quiser, ainda não temos neve. O que é maravilhoso do meu ponto de vista. Ao mesmo tempo, meu NSA (Nervo Simpático Adaptativo) entra em ação e começo a sentir meio que uma saudadezinha - muito envergonhada - da tal da neve. Porque de fato é lindo vê-la caindo. Apesar de ser chato conviver com ela durante meses à fio.

Fomos à cidade ver as lojas, que hoje fazem um dia especial pra mostrar suas vitrines de natal. Vimos o papai noel, que estava à disposição para fotos produzidíssimas por uma quantia módica (50 coroas; divide por 3 e terás o equivalente em reais). Max, somo sempre muito esperto - e também meio apreensivo - disse que não queria ir sentar ao lado do velho noel. “Não quero falar com ele, mãe”.

Então tá.

Filed under: De bem com a vida,Eu ♥ a Suécia — Maria Fabriani @ 20:20

October 22, 2011

Tudo bem

Estou em pé, na cozinha, ouço rádio (P1) e faço panquecas como todos os sábados (se não faço tenho uma insurreição nas mãos). Meu urso na sala, meio assistindo TV, meio brincando com o tablet que ganhou de aniversário. Max anda de um lado pro outro, fala o tempo todo, conta histórias de canhões que explodem, me oferece peixe (de papel) pra comer, pergunta se as panquecas estão prontas, faz quebra-cabeça do filme “Cars” e joga o ursinho preferido no chão pra demonstrar que ele - o urso - não pode voar. E eu reparo que isso é vida, e vida boa. Estou feliz.

E hoje nevou.

Filed under: De bem com a vida,Eu ♥ a Suécia,Vidinha — Maria Fabriani @ 16:27

October 9, 2011

“Corrupção” à la Suède

O assunto da semana é que o líder do partido socialdemocrata sueco, Håkan Juholt [rôôkan iuurrôlt] foi pego com a boca na botija: há anos ele recebe indevidamente ajuda financeira para pagar um apartamento em Estocolmo. Isso é comum, já que os parlamentares vêm de todos os cantos e precisam morar na capital onde é praticamente impossível conseguir um apartamento e, além do mais, são obrigados a manter suas casas/apartamentos nas suas cidades natais.

Juholt diz que não estava a par das regras, mas ninguém acredita. Ele é parlamentar desde 1996. Ele recebeu mais ou menos 200 000 coroas (cerca 60 000 reais) a mais. Ele já pagou tudo de volta. Apesar disso, parece que a confiança dos nativos por ele e pelo partido ficou abalada. O que não ajuda dos socialdemocratas, que já estão na oposição há seis anos.

Mas Juholt não é o primeiro líder socialdemocrata a ter problemas com regras: a outra líder dos socialdemocratas, Mona Sahlin, foi acusada de corrupção nos anos 90. O que ela tinha feito? Ah, ela comprou um chocolate Toblerone com o cartão de crédito do parlamento. Quando o partido de direita Moderaterna subiu ao poder, chamou uma série de pessoas para ocupar cargos ministeriais. Vários caíram antes de sequer tomar posse. A razão: alguns não pagavam o imposto da televisão, outros tinha babás sem carteira assinada.

Fico sempre enternecida com os casos de “corrupção” suecos! É ou não é uma gracinha?

October 6, 2011

Poeta ganha o nobel de literatura


O poeta sueco Tomas Tranströmer. Foto: DN.se

O poeta sueco Tomas Tranströmer (foto), 80 anos, ganhou o Nobel de literatura desse ano. Ele é o oitavo sueco a ser escolhido. Os últimos nativos a ganharem o prêmio, Eyvind Johnson (que vem de Boden!) e Harry Martinson, dividiram a honra em 1974. Naquela época a escolha da academia sueca foi muito criticada por se tratar de dois escritores suecos e desconhecidos do grande público. Além do mais, eles eram membros da academia que os escolheu, o que causou um certo desconforto.

Com Tranströmer a coisa é bem diferente. Ele é uma unanimidade na Suécia e nos países nórdicos. Ele é considerado fácil de ler e já foi traduzido para dezenas de idiomas (mas no Brasil, infelizmente, a obra dele ainda não existe). Além de poeta, ele é psicólogo e trabalhou muitos anos numa cadeia em Estocolmo. Ele é casado desde 1958 com Monica. O casal tem duas filhas. Em 1990 Tranströmer sofreu um derrame e perdeu quase toda a capacidade de falar. Mas ele continuou a escrever e a tocar piano (queria ser músico).

Li alguns poemas dele online (os livros estão todos esgotados) e achei fascinante como ele descreve o que está dentro de mim/na minha cabeça sem nunca ter me encontrado. Gosto que ele fala da vida emocional e espiritual com uma linguagem que inclui referências da natureza. Isso o faz tipicamente sueco, mas o fato dele escrever sobre as coisas mais básicas do ser humano (vida, morte, amor, medos, angústias etc), faz com que ele soe universal.

Pessoalmente, adorei que tenha sido um poeta, apesar de ter sido, na minha opinião, i poeta errado (tsc, tsc).

Filed under: Eu ♥ a Suécia,Europa & Escandinávia,Livros — Maria Fabriani @ 20:44

September 18, 2011

Counting my blessings

E eu achei que ontem seria o último dia. Hoje também está lindo. E eu vou levar meu filho pra aula de natação. Inté.

Filed under: De bem com a vida,Eu ♥ a Suécia,Max e a maternidade — Maria Fabriani @ 11:02

September 17, 2011

Despedida

Dia lindo. A foto acima é do meu jardim às 18 hs, mais ou menos. Início do final do outono (hoje de madrugada deve ter “frost”, ou seja a temperatura deve cair abaixo de zero onde eu moro). Me dei conta disso e pensei: é um tipo de despedida, como se deixasse de respirar, fechasse a boca e o nariz debaixo d’água, até a chegada da primavera, lá pra março, abril, quando o fôlego volta.

(Tudo isso veio em sueco, enquanto fazia panquecas pro meu filho, como todos os sábados:
sista höst dag, sol
perfekt ljus
känns som ett avsked
jag andas djupt
och håller andan
tills mars någongång)

Filed under: De bem com a vida,Elucubrações,Eu ♥ a Suécia,Vidinha — Maria Fabriani @ 20:20

September 3, 2011

O pulso ainda pulsa

Fomos ao Rio no verão daqui (inverno de lá). Max conheceu a cidade em que a mãe nasceu e viveu durante 29 anos, o avô (com quem antes apenas havia falado no Skype) e a praia de ipanema (se jogava, de roupa e tudo, na água, não aguentava esperar e nunca mais queria sair da água, nem mesmo quando os lábios ficavam azuis de frio). Tomou sorvete, bebeu água de côco (e não gostou), brincou na areia e até fez amigos cariocas. Falou português também, quando precisou. Visitamos o jardim botânico três vezes, brincamos e tomamos muito suco de fruta.

Andamos pelas ruas do Rio, os três. Na verdade, essa era uma necessidade minha; de sair andando, vendo as coisas, ouvindo os barulhos (altíssimos), sentindo os cheiros (fortíssimos) das ruas do Rio. Andamos muito, até que descobri que minha família não tinha essa necessidade. Então passamos a andar de ônibus, de metrô e de táxi. Às vezes os motoristas de táxi ou os passageiros dos ônibus comentavam sobre Max, que nunca parava de falar em sueco e comentar o que via. “Que língua ele fala?”, “Quantos anos ele tem?”, “Só três? E já fala uma língua estrangeira?” Hohoho.

Nos sentimos muito seguros no Rio. Nenhum problema. E, no final, o tal do aperto no coração aconteceu, como era de se esperar, mas inesperadamente (?) fiquei feliz em voltar pra “casa”. Aqui também estava tudo bem, mas uma família de porcos-espinho tinha se instalado no jardim e achou muito estranho ter que dividir o espaço com seres tão grandes e barulhentos. Trouxemos pouquíssimas coisas, mais livros em português, pequenas lembrancinhas, uns dois ou três presentinhos. O que mais aconteceu nessa viagem foi reencontrar pessoas amadas. E chega.

Aqui, mudei de emprego. Estou adorando.

No entanto: não me sinto mais livre o suficiente para escrever aqui. Tenho a sensação de que escrevo sobre o que está bem perto de mim, o que necessariamente é influenciado, por exemplo, pelo meu trabalho. E o meu trabalho não pode ser comentado, a não ser em termos gerais, sem detalhes específicos. E eu não sou boa em generalizações - ou, eu não gosto de generalizações. O texto fica fraco, vago, sem interesse. Gosto de detalhe, gosto de casos específicos, gosto de dizer o que penso sobre um determinado assunto. Ainda não sei como resolverei esse dilema (talvez um blog sem assinatura?), mas tenho pena por ter perdido a possibilidade de ser mais aberta sobre o que penso.

E eu completei 40 anos no Rio. Ainda não sinto crise alguma. Acho que ela deve vir quando eu completar 50. E Max completou quatro anos. Os quatro anos mais intensivos da minha vida. Minha impressão é que meu filho sempre esteve comigo. Que ele e eu dividimos tudo não há quatro anos mas há quarenta.

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