May 2, 2011

Obama killed Usama

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Alguém pode traduzir isso pro Obama? Espero que os fanáticos não explodam aviões esse ano. Tomara que escolham outro tipo de diversão.

Filed under: Europa & Escandinávia,Irritação e ironia,Jornal — Maria Fabriani @ 09:29

June 1, 2010

“Ship to Gaza”

“Ship to Gaza”. Não se fala de outra coisa.

O comboio de navios com ajuda humanitária com destino à Gaza e que foram abordados em águas internacionais pelo exército israelense. Muitos suecos viajavam em vários navios. O docente Mattias Gardell, um dos responsáveis pela ação, e a mulher dele, Edda Manga, que estavam no navio Mavi Marmara quando os israelenses atacaram e mataram 10 pessoas, ainda estão desaparecidos.

Ontem milhares de suecos saíram às ruas do país inteiro pra protestar contra a agressão israelense. Políticos querem que a Suécia mande buscar o embaixador do país em Israel. Ninguém compreende a brutalidade israelense. Muitos ponderam que o fato do exército ter abordado os navios em águas internacionais é suficiente para qualificar a ação israelense como pirataria.

O escritor Henning Mankell, a médica Viktoria Strand, o parlamentar do partido verde sueco Mehmed Kaplan, o artista Dror Feiler e o organizador do projeto “Ship to Gaza” Saman Ali, todos viajando no navio Sofia, foram apresentados com duas escolhas: ou concordavam em ser extraditados ou seriam presos a espera de julgamento. As informacões que chegam aos jornais é que Mankell, Strand e Kaplan teriam sido conduzidos para o aeroporto Gurion para transporte.

O que aconteceu com os outros dois ninguém sabe. O governo israelense não dá qualquer informação. Provavelmente eles estão fazendo companhia a outros quatro suecos enjaulados na prisão de Beersheba: Ulf Carmesund, teólogo e secretário internacional da Broderskapsrörelsen (grupo cristão dentro do partido social-democrata); Henry Ascher, pediatra e cientista especializado em saúde de imigrantes/refugiados; Kimberly Soto Aguayo, membro dos grupos de apoio à Palestina na Suécia e Amil Sarsour, líder de uma organização de ajuda a imigrantes na cidade de Uppsala. Todos viajavam no navio Sfendoni.

O departamento de assuntos exteriores da Suécia está em Israel pra apurar a situação dos suecos desaparecidos e os que estão na prisão. O ministro sueco de relações exteriores, Carl Bildt, um cara meio chato, disse que não é hora de mandar o embaixador nativo voltar a Estocolmo. O negócio é colocar pressão no governo israelense para que a situação não piore ainda mais.

Aqui o link da página “Ship to Gaza”. Incrivelmente, tem uma versão em português.

A palavra em sueco do dia é bedrövelse, não tem tradução exata, mas pode ser lido como aflição, angústia, pesar, desgraça, miséria, dificuldade ou luto.

February 2, 2010

Eu quero!

“Why This World. A Biography of Clarice Lispector”, de Benjamin Moser. Fiquei sabendo do livro no sábado passado, por meio de um artigo no meu jornal.

No mais, está um frio do cão.

Filed under: De bem com a vida,Jornal,Livros — Maria Fabriani @ 06:32

January 16, 2010

O Haiti é aqui

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Foto de Gerald Herbert/AP

A imagem é de Redjeson Hausteen Claude, menino de dois anos de idade, que, depois de ter ficado soterrado por dois dias nas ruínas de sua casa em Port-au-Prince, é saldo e vê a mãe. Tudo está no olhar dele. Alívio, alívio, alívio.
O Haiti é aqui mesmo… dentro do meu peito.

A palavra em sueco do dia é räddad, salvo(a).

Filed under: Elucubrações,Jornal,Variedades — Maria Fabriani @ 09:26

November 10, 2008

Bitch!

Tava andando pelos meus favoritos pra ver se achava alguma coisa interessante pra escrever aqui. Aí, como sempre, fui parar no meu jornal e vi essa pérola: “Bli bitchig och gå ner i vikt” (mais ou menos: “Se torne uma ‘bitch’ e emagreça”). Cuma? Todos os meus sentidos levaram um choque e comecei a ler o artigo imeadiatamente.

Trata-se do método Stahre (ou, em sueco “Stahremetoden”) desenvolvido pela terapeuta sueca Lisbeth Stahre. Ela diz que as mulheres pagam um preço altíssimo pela tradição de dar prioridade às necessidades dos outros em detrimento das suas próprias necessidades. Obesidade é uma conseqüência dessa tradição.

Lisbeth Stahre diz o óbvio: obesidade não tem a ver apenas com comida, mas com estresse, sentimentos negativos e uma imagem negativa de si mesma. O tal do círculo destrutivo que é tão difícil de ser quebrado. O método Stahre inclui coisinhas lógicas e difíceis como aprender a dizer “não” e a reconhecer seus limites.

O programa, também chamado Cognitive Eating Control Therapy, combina métodos pedagógicos com KBT (iniciais em sueco para terapia cognitiva) e mindfulness, um método semelhante à meditação em que os praticantes são estimulados a se concentrarem no presente e desligar as amarguras do passado ou as preocupações com o futuro.

Tem também terapia em grupo, receitas de pratos com baixo teor glicêmico e ensinamentos sobre porções de comida, já que muitas pessoas obesas perdem a noção do que é uma porção normal. Tudo perfeito, mas e a coisa de soltar os bichos e emagracer? Disso o artigo não fala mais. Um pena. É essa a parte que mais me interessou.

Na verdade, tenho horror de ser gorda, não gosto, não quero. Tenho horror das limitações que essa condição me traz. Fico chateada de me sentir fora dos padrões. Mas, ao mesmo tempo, tem uma coisinha aqui dentro de mim que susurra: “Imagina se os padrões estiverem errados?”

Leio, avidamente, a literatura afirmativa que fortalece as “mulheres grandes” (em inglês “big women”, um eufemismo típico americano que não sei se aceito ou rejeito, até porque não sou tão “big” como elas lá nos EUA), e tento tento tento encontrar o meu grupo, where I belong.

E o mais interessante é que nem sei ainda se sou gregária ao ponto de precisar achar um grupo onde pertença. Isso, na verdade, é uma grandíssima utopia. Quase o tempo todo tenho a impressão de ser singular, de uma forma espontânea. Ou, pelo menos, gostaria de ser assim.

Ah, viver. Como é que eu vou saber se estou sendo justa colocando minhas necessidades à frente das dos outros? Vale fazer isso quando se tem uma criança de 15 meses grudada em você (ou você grudada na criança, hehehe). Vou rodar minha saia com quem? Em cima de quem? E quando vou saber que é melhor parar? Quem é que diz: “Vai, Maria, ser bitch na vida!”?

A palavra em sueco do dia é ragata, mulher raivosa (hehehe, adoro)

Filed under: Jornal,Vidinha — Maria Fabriani @ 08:41

February 23, 2008

Relatório da semana

Ôôôôô semaninha pesada. Sábado passado fomos pela primeira vez em seis meses ao ambulatório porque Max não estava bem. Tinha dores não definidas nem localizadas, chorava e nós não sabíamos o que era. Eu achava que era torcicolo, porque Max não olhava pro lado direito, só pro esquerdo. Mas pode criança tão pequena ter torcicolo? Tudo bem que ele dorme como uma minhoquinha enroscada, mas será?

Bom, teve uma hora lá em que entrei levemente em pânico, porque achei que podia ser um tipo de miningite lateral. Acabou que o plantonista, muito gente boa, depois de examinar tudo, disse que podia sim ser dor no pescoço. Contribuiu pro diagnóstico o fato de Max ter dado um berro daqueles de macho quando o cara massageou o pescocinho dele. Quase morri de pena. No domingo, quando eu ainda estava me recuperando do susto, Max já estava bem, pronto pra outra.

E Max agora tem dois dentes nascidos e que coçam uma enormidade. Meus dedos viraram o mordedor oficial (sim porque os três comprados não dão conta do recado, só a mamãe é macia o suficiente) e meu querido filhinho fofo da silva quase extrai sangue de sua amada mãe todos os dias. Aliás, outra novidade: quarta-feira, eu no meio de uma reunião semanal importante, toca o celular. Vejo que é meu urso, ligando de casa. Atendo correndo, já saindo da sala depois de me desculpar trocentas vezes. O coração na boca.

Eu: “O que é que foi?”
Urso: “Está ocupada?”
Eu: “Hoje é quarta-feira…”
Urso: “Ahh, a sua reunião! Desculpe!”
Eu: “Não tem problema! Está tudo bem com Max!?”
Urso: “Está tudo bem sim, desculpa ter ligado, mas é que eu queria contar que Max está falando ‘papai’”
Eu: “Hãã? Papai?”
Urso: “É”
Eu: “E ‘mamãe’ ele fala também?”

Fala. Quer dizer, “fala”, entre aspas mesmo porque estamos nos primeiros estágios da articulação de sílabas. O vocabulário de Max atualmente é composto de gritinhos de alegria, risos, choro e as novidades: Ba….ba, Ma….ma. Confesso que chorei a primeira vez que ouvi ele fazer esse ensaio de “mamãe”. Mas o melhor da festa mesmo é que Max olha pra mim quando “fala” ma….ma. E eu me vejo cada vez mais descendo no poço do ridículo da maternidade.

Aí a semana passou assim, vapt-vupt, muito trabalho, amém etc e tal.

Estou frustradíssima no que diz respeito aos livros que tenho escolhido pra ler. Parei no meio de “The Emperor’s Children”, de Claire Messud, e comecei “Världens mått” (“A Medida do Mundo”) de Daniel Kehlmann. Também emperrei no meio da viagem de Alexander von Humboldt ao Amazonas. Mas me nego a desistir desse também. Se bem que ainda não desisti da Claire Messud completamente. Vamos ver se eu recupero o interesse qualquer dia desses.

No jornal as coisas andam interessantes. Urso de outro pro Brasil, Cuba sem Fidel, independência do Kosovo, revolta na Sérvia, os nativos começam a notar que a China não é essa maravilha toda depois que o Spielberg deixou o cargo de consultor artístico das olimpíadas, e uma coluna do jornalista Nathan Shachar, ex-correspondente na América Latina do meu jornal, em que ele escreve sobre o que eu já tinha reparado: a mídia sueca não está nem aí pra América Latina, apesar de 200 empresas suecas estarem estabelicidas no Brasil, por exemplo. Somos, de fato, o continente esquecido.

E hoje, na TV nativa, tem filmaço chorôrô sueco: “Den bästa av mödrar” (tradução literal: “A melhor das mães”, veja a foto acima). O enredo é simples: menino finlandês vem pra Suécia neutra pra evitar a segunda guerra mundial. Não conto mais nada que é pra não estragar a experiência. Mas note duas coisas em especial: a locação onde o filme foi rodado e, se você conseguir parar de chorar, repare na jóia que é a interpretação de Maria Lundqvist, a mãe do título. Uma cooooooisa.

A palavra em sueco do dia é babbla, balbuciar.

February 6, 2008

Sorry, Hillary

Pois é. Ontem foi a super tuesday e ao que tudo indica, Hillary Clinton se saiu melhor do que o esperado (ela ganhou na Califórnia). Isso se considerado o apoio que Barack Obama tem recebido de estrelas de Hollywood e da classe média americana. Acredite se quiser, mas até o governo de direita sueco apoia Obama. É o que eu (quase) sempre digo: You simply gotta love Sweden, é ou não é?

O primeiro-ministro nativo, o moderado Fredrik Reinfeldt, deu entrevistas ontem dizendo que apoiava o candidato democrata porque a política que ele defende é semelhante à política dele (Reinfeldt). Das duas, uma: ou os moderados suecos estão mais pra centro-esquerda do que direita, ou a centro-esquerda americana é bem conservadora.

Particularmente estou divididinha da silva. Minha impressão é que Hillary é competente, forte, decidida. Caso pudesse, votaria por ela por essas qualidades e, claro, pelo fato dela ser uma mulher (pode parecer idiotia, mas acredito que está na hora de uma mulher ocupar o mais importante cargo político-econômico do mundo). Mas, como escrevi, trata-se de um non-educated guess.

Meu outro palpite é que Barack Obama é um cara legal, jovem, e por ser negro, tem uma visão de mundo diferente, e que, por isso mesmo, pode vir a ser um dos presidentes mais democratas que os EUA já tiveram. Li a matéria de hoje do meu jornal em que a correspondende do jornal na África foi até o interior do confuso Quênia pra entrevistar Sarah Hussein Obama, 86 anos (foto acima), avó de Barack Obama.

Não posso deixar de enxergar as eleições americanas e ambos os candidatos democratas (sim porque, o republicano eu nem considero) com esses olhos de colonizada com os quais nasci e com os quais hei de morrer. E aí preciso escolher Obama. Isso porque acredito sinceramente que quem tem uma avó assim, simplesmente não pode ser gente ruim.

E àqueles que se perguntam: “Por que essa criatura está tão interessada nas eleições americanas?” Minha resposta é: o mundo é globalizado, cara pálida. Um espirro da economia americana representa uma pneumonia na economia mundial. Eu vivo no mundo. E eu preciso trabalhar.

A palavra em sueco do dia é farmor, avó por parte de pai.

Filed under: Eu ♥ a Suécia,Jornal,Notícias do primeiro mundo — Maria Fabriani @ 13:14

February 3, 2008

Na carne

Como começar a escrever sobre uma decisão burocrática e protecionista de um clube multinacional de elite e que denigre a imagem de um país de terceiro mundo frente à comunidade internacional? Não sei. Pensei muito anteontem, quando li a notícia no jornal. Não encontrei resposta. Tentei desopilar, esquecer. Mas, por alguma razão que me escapa à consciência, não consegui. Então simplesmente me sentei aqui a cinco segundos atrás e comecei a digitar.

A coisa é essa: a comunidade européia decidiu essa semana banir a importação de carne brasileira para a Europa. Segundo um artigo no caderno de economia do meu jornal, o negócio de exportação de carne do Brasil pra Europa movimenta anualmente 27 bilhões de coroas suecas, o que equivale a mais ou menos 5 bilhões de dólares. A Suécia, que importa muita carne do Brasil, já conta com um aumento de 40% do preço da carne bovina de primeira.

O lance é que a comunidade européia começou essa semana a achar um problema sério o fato da carne brasileira não poder ser identificada. Isto é, não diz na etiqueta de onde a carne vem, de que fazenda exatamente. Os brasileiros respondem dizendo que há problemas logísticos para cumprir a exigência: as cabeças de gado do Brasil são mais de 180 milhões (mais ou menos uma pra cada habitante), o que torna impossível, ou pelo menos muito difícil, o cumprimento da exigência européia.

Os europeus, com um poder de compra espetacular, exigem que isso seja feito. E dizem que sem isso não se pode ter certeza da qualidade da carne ou se há problemas sanitários, como a doença da vaca louca, por exemplo. O argumento, é plausível porém oportunista, já que nunca tivemos casos da doença de Creutzfeldt-Jakob no Brasil. Tanto é que até um político da direita sueca ficou revoltado. Não com a difamação do Brasil – isso já seria pedir demais – mas com o fato de os suecos agora terão de comprar carne 40% mais cara.

Aí, no final do artigo, lê-se a verdade nua e crua: a decisão de banir a carne brasileira é o resultado de um lobby fortíssimo dos fazendeiros irlandeses, que querem o mercado da carne todinho pra eles.

Na verdade, eu pouco me importo com a queda de faturamento dos produtores de carne/criadores de gado brasileiros, que já têm, como sabemos, os bolsos repletos de doletas. Mas uma coisa me provocou quando li essa notícia. Alguma coisa sobre protecionismo, sobre ganância, sobre levar vantagem por meios anti-éticos. Fiquei chateada. Fiquei sim. Será complexo de terceiro mundo? É, pode ser.

Ou não.

A palavra em sueco do dia é undanflykt, desculpa esfarrapada.

Filed under: Europa & Escandinávia,Irritação e ironia,Jornal — Maria Fabriani @ 07:39

December 22, 2007

Acabou


ais um post-tradição. Mas esse é importante: ontem foi o dia mais curto do ano, o chamado solstício de inverno, e hoje já estamos ganhando minutinhos de luz diariamente. A foto acima, copiada do meu jornal, é de Lovikka, uma cidadezinha localizada acima do Círculo Polar Ártico, quer dizer, pertinho aqui de mim.

E finalmente estou de folga depois de uma semana intensíssima. Vou trabalhar na próxima quinta e na sexta, mas agora estou de folga. Não me desgrudo de Max. E ontem, no trabalho, foi engraçado. Todas as sextas temos uma reunião às dez pra que possamos relaxar e, quem quiser, falar sobre algo difícil que tenha acontecido durante a semana.

Uma vez que lida-se com gente com problemas durante nossos longos dias de trabalho, há sempre o que se dizer. Mas, antes, faz-se um relaxamento. E aí o que acontece? Eu quase durmo. Tudo bem que não cheguei a roncar (eu acho), mas tive, uhm, uma certa dificuldade em abrir os olhos quando o exercício acabou. Olha o mico! Hohoho.

Amanhã eu volto pro último advento.

A palavra em sueco do dia é generad, envergonhada.

Filed under: De bem com a vida,Europa & Escandinávia,Jornal,Trabalho — Maria Fabriani @ 05:53

November 18, 2007

Selvagem

Li a entrevista de Sean Penn concedida ao jornalista Nicholas Wennö do meu jornal e fiquei irritada. Não, não tenho nada contra o ator/diretor que, aliás, considero um dos poucos artistas de Hollywood com alguma coisa na cabeça além de cabelo. Mais do que isso, Penn tem é guts. É feio-charmoso e bacana, inteligente, engajado. Gosto dele. Mas aí li que ele dirigiu o filme “Into the Wild”, baseado no livro homônimo de Jon Krakauer. O filme está sendo/será/foi mostrado no Stockholm International Film Festival.

Li esse livro em 1998, em Nova York, onde passei um mês maravilhoso durante minhas primeiras férias de trabalho. Naquela época era repórter da Internet World e consegui passar trinta dias na Big Apple afiando meu inglês. Morei num quarto de estudante no Upper East Side e tive algumas das experiências mais bacanas da minha vida. Fui a um musical e odiei, chorei quando ouvi uma banda no Cotton Club no Harlem, testemunhei in loco o caso Clinton-Lewinsky, vi o Spike Lee no Madison Squire Garden durante um jogo de basquete entre o Indiana Pacers e o NY Knicks que assisti com um italiano gay e maluco, fui a um balé no Lincoln Center com váááários mineiros de Bêagá, assisti “As Good As it Gets”, “Titanic” e “Wag the Dog”, gastei uma fortuna em presentes pro meu irmão na lojinha do Museu de História Natural, passeei todos os dias pelo Central Park, fui a Nova Jersey comprar rip-offs num outlet e voltei pro Rio penniless.

Foi ótimo!

E o primeiríssimo livro em inglês que li, deitada na cama do meu quarto de estudante em Nova York, ouvindo as sirenes das ambulâncias onipresentes, foi justamente um exemplar de “Into the Wild”, que havia comprado na Barnes & Nobles one block away from my home e onde sempre dava uma passada ao sair do metrô, depois de um dia inteiro de aula de inglês, ministrada num edifício ao lado do World Trade Center. Fiquei impressionadíssima com a história de Chris McCandless, de 22 anos, que em abril de 1992, entra sozinho numa reserva natural do Alasca pra nunca mais sair. Ele tinha resolvido viver de forma simples, citava Thoreau e a filosofia de volta à natureza, aos básicos, à vida simples, de Russeau.

Fiquei irritada porque, quando me mudei pra Suécia, o “Into the Wild” foi um dos livros que eu doei e que, por isso, não me acompanhou até aqui. E eu queria reler a saga de McCandless. Afinal, apesar de não ser adepta de Thoreau, eu vivo, de fato, na tundra. (Update: não me aguentei e comprei o livro novamente. Vou me dar de natal. Nessa altura do campeonato, todas as desculpas valeriam. Hohoho)

A palavra em sueco do dia é obygd, lugar selvagem (= wilderness).

Filed under: Jornal,Livros,Saudade,Vidinha — Maria Fabriani @ 07:29
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