August 22, 2005

Moda, amor e palavras

Sou uma criatura que não gosta de modas. Tenho a impressão de que preciso observar várias pessoas tentar primeiro, para só depois, com calma, ver se é alguma coisa pra mim. O que, aliás, é estranho, porque na vida geral sou exatamente o oposto disso, me jogo antes e penso depois… Anyway, apesar dessa demora, tenho sim a capacidade de adotar novidades - apesar de sempre estar unfashionably late.

A última foi o tal do feeding (não, não dá pra escrever em português), com o qual, a partir de uma única página leitora, fico sabendo se os blogs e sites que gosto de ler foram atualizados ou não. É uma bênção. Cadastro lá tanto os news sites que mucho me gusto como a grande maioria de vocês, camaradas blogueiros. Existem páginas pessoais, no entanto, que não têm um feeding, o que é uma pena. Feeding, já! Vai , meu filho! É indolor.

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O querido André Machado, escritor, jornalista, blogueiro e gente de primeira categoria, escreveu uma matéria muito interessante sobre o Amor na Internet. André ouviu muitos internautas (ahhh, essa palavra já tá mais pra lá do que pra cá), entre eles yours truly e até o psicanalista Alberto Goldin. Está muito legal, viu. Recomendo. Como o Globo pede cadastro e uma série de chatices sem fim, copiei o texto do André prum documento Word. Quem quiser ler, tá aqui.

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Nas minhas andanças pelos sites da vida, descobri mais uma jóia: o blog de um jornalista parisiense que foi morar no Rio. Acho fascinante a maneira como Olivier Hensgen enxerga o modo de vida, os trejeitos e, principalmente, os defeitos de quem mora na minha cidade (e no meu país). O nome é Carnet Carioca e é um delícia. Tem foto panorâmica da Lagoa Rodrigo de Freitas com o texto: “Quantas metrópolis possuem vistas comparáveis?” e duas fotos da praia, com o gol do futebol de areia demarcados por dois chinelos de dedo e, do outro lado, dois côcos verdes enterrados na areia.

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Não sei se vocês repararam (well, alguns o fizeram e até me mandaram emails furibundos a respeito) mas eu ando meio de mau com a língua portuguesa. À medida em que meu urso melhora seus conhecimentos e não comete mais tantos erros de concordância, vou perdendo terreno, me esqueço de palavras, de suas grafias, do que elas querem dizer. E o pior é que nem posso colocar a culpa nas minhas leituras, predominantemente em línguas estrangeiras, porque ganhei uma porção de livros bacanas em português nesse verão.

Tem vezes que meu cérebro dá um nó; a palavra que quero escrever desaparece e fico apenas com a versão em sueco ou inglês a borbulhar na minha frente. E juro que não estou besta ou metida. Estou, na verdade, mais pra desesperada porque obviamente meu português se deteriora a olhos vistos, enquanto o sueco ou o inglês não melhoram mais do que o normal. Por isso, começo aqui a campanha: “Dê um Dicionário Aurélio Online pra Maria Fabriani”. Só serve online e a última versão, por favor. :c)

A palavra em sueco do dia é måndag [môôndag], segunda-feira.

Filed under: De bem com a vida,Maria fala francês — Maria Fabriani @ 11:36

August 5, 2005

Francês, inglês e bombas atômicas

Ainda sob os auspícios do meu projeto MFF2005 (Maria Fala Francês - 2005), andei flanando por uma série de sites interessantes. Fui lá no Le Monde e encontrei o blog de Martine Rousseau e Olivier Houdart, que corrigem les absurdités que saem no jornal diário e discutem a língua francesa em geral. Ainda estou muitíssimo enferrujada pra entender qualquer discussão gramatical mais profunda, mas me diverti com a Le mot du lundi, ou A Palavra de segunda-feira e ensaios fotográficos que os dois publicam lá.

Um dos ensaios mais legais é o Les attributs du sujet, ou Os Atributos do Sujeito. As fotos, da genitália de estátuas localizadas no Louvre, recebem nomes devidamente explicados em pequenos textos na lateral. Olivier Houdart reclama, por exemplo, na foto do corpo feminino, que batiza de Terra Incognita.

“Ce ventre sans aspérités fait penser aux antiques cartes qui présentaient des continents entiers en blanc, faute de connaissances précises.”

(“Este ventre sem asperezas faz pensar nos antigos mapas que apresentavam continentes inteiros em branco, por falta de conhecimentos precisos”)

Mas além de olharem pro próprio umbigo, Rousseau e Houdart descobrem sites interessantes (veja a página de dicionários), como os que eles linkaram por ocasião do aniversário de 60 anos das bombas atômicas jogadas em Hiroshima e Nagasaki. O marco será relembrado a partir de amanhã, data exata da devastação sofrida por Hiroshima. Nagasaki caiu três dias depois.

Idéia genial (que, como quase todas as idéias geniais, já foi pensada por um americano e virou livro): ler a Enciclopédia Britannica do início ao fim e comentar entradas engraçadas, dúvidas, encontrar erros e descobrir palavras novas. Andy Ratto, estudante em Berkeley, leu o livro de AJ Jacobs, ficou inspirado, começou a ler a EB e está escrevendo um blog sobre sua experiência. Ele ainda está na letra “A”, mas já rendeu pelo menos dois posts interessantes sobre “Atheism”. :c)

A palavra em sueco do dia é besserwisser, metido a sabido (também conhecido na língua popular como “pentelho”).

Filed under: Jornal,Maria fala francês — Maria Fabriani @ 12:31

August 4, 2005

Stupeur et tremblements

Já faz tempo que quero reavivar meu francês, dormente durante os últimos dez anos. Comecei a aprender em 1990 por influência da minha amiga de faculdade Ana Flavia (somos amigas até hoje) e só parei em 1994 porque não dava pra coordenar com o trabalho. Graças a uma professora miraculosa, Cristina, ao meu pai e à própria Aliança, que me forneceu uma meia-bolsa de estudos, cheguei quase até o final do segundo ano do Nancy.

Em 1993, quando viajei pela Europa de mochilão, parei quase duas semanas em Paris, exatamente para poder “gastar meu francês”. Um dia, lavava minhas roupas numa lavanderia perto do albergue, quando a minha máquina, claro, parou de funcionar. Tive de procurar a responsável pelo estabelecimento e esclarecer a situação. Depois de resolvido, duas senhoras francesas ali presentes me perguntaram de onde eu vinha. Elas tinham visto uma calça minha de veludo preto e queriam saber onde comprar igual. “No Brasil”, disse eu. “Ah, eu jurava que você era italiana”, disse uma delas. “É, por causa do sotaque”, completou a outra.

Nem preciso dizer que fiquei deprimida o resto do dia. Depois de três anos de estudos quase diários do idioma (eu ainda estava na faculdade então), tinha conseguido falar bem, mas com um dos sotaques mais carregados da Europa. :c/ Acabei me consolando com o fato de poder ler Camus e Flaubert no original - mas que não me façam ler em voz alta! Dentro da minha cabeça mon français est parfait! :c)

Portanto, minha experiência com o idioma de Victor Hugo nos últimos dez anos tem sido muito limitada. Desde que vim morar aqui, então, ainda mais diminuta. Quando em vez ouço alguns segundos de discursos do Jacques Chirac, geralmente nos noticiários suecos, com legendas. Me esforço, então, para não ler o texto e tentar entender. Não gosto do Chirac e não concordo com quase nada que ele diz com sua cara comprida, mas que ele sabe falar bem o francês, ah, isso ele sabe.

Foi aí que escrevi para a minha “francoparlante”-mor, a grande Tetê, e perguntei se ela tinha dicas de livros fáceis em francês pra me sugerir. Qual não foi minha surpresa quando Tetê não apenas me escreveu um email com muitas dicas, como me mandou de presente dois livros: “Stupeur et tremblements”, de Amélie Nothomb (que aliás já me havia sido sugerido pela Angelique) e “L’enfant de Noé”, de Eric-Emmanuel Schimitt. Merci, merci! :c)

Estou me deliciando com as aventuras de Emélie na empresa japonesa Yumimoto. Como um samurai diminuto, ela se ocupa em virar as páginas dos calendários de toda a empresa, contempla o nada, serve café e chá, distribui cartas, “ajuda” o departamento de contabilidade (com resultados catastróficos), faz relatórios sobre o consumo de manteiga na Bélgica, admira a beleza de sua chefe direta, Fubuki Mori, troca papel higiênico nos banheiros da companhia e é continuamente humilhada por chefes e chefes dos chefes. O livro é um barato. O mais legal é que Nothomb consegue fazer um divertidíssimo tratado sobre a sociedade japonesa, especialmente as mulheres nipônicas. Comecei a ler ontem e já estou quase acabando. Recomendo!

O livro da Amélie Nothomb já virou filme. Veja também o site em inglês.

A palavra em sueco do dia é, claro, Frankrike, França.

Filed under: Livros,Maria fala francês — Maria Fabriani @ 09:06
 

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