December 21, 2009

Here comes the sun!

Pois é… Amanhã já começamos a ganhar minutinhos de luz todos os dias. Lá pra fevereiro os dias já são bem mais perto do que chamamos de “normais”.

E, pra comemorar, queria pedir ajuda. Sim. A coisa é essa: tenho pouquíssimos livros em português pra ler pro Max. Todos os livros que ganhamos já foram lidos, relidos, trelidos e ele quer coisas mais avançadas, com história, personagens (eu faço todas as vozes) etc. Podem me dar dicas de livros bacanas em português pra eu encomendar? Tem que ter figuras bonitas e coloridas, pode ter texto longo que ele gosta (e eu também).

Agradecida pelas dicas.

A palavra em sueco do dia é hjälp, ajuda.

Filed under: De bem com a vida,Livros,Max e a maternidade — Maria Fabriani @ 21:12

October 8, 2009

Nobel, olimpíadas e trabalho

E a escritora germano-romena Herta Müller (foto) ganhou o prêmio Nobel de literatura desse ano. Nunca li Herta Müller, nem sabia que ela existia. Vou, agora, lê-la, até porque me informei que ela escreve sobre a sensação de estranhamento que o indivíduo sofre em seu próprio país, durante uma ditatura, além do estranhamento que o indivíduo sente com relação à sua vida em geral (aquela coisa de que não adianta estar rodeado de gente para evitar a solidão etc).

Bacana.

Quem anunciou o prêmio foi o escritor sueco Peter Englund, que acabou de começar a trabalhar como secretário da academia sueca. Ele é historiador, bem novo, e vem de Boden. A biblioteca daqui, que fechou na primavera para reformas e da qual senti muitas saudades durante todo o verão, vai ser reaberta agora no final de outubro com uma festança. Peter Englund vem pra sua cidade natal como convidado de honra na inauguração.

No mais, chorei muito quando o Rio ganhou as olimpíadas de 2016. Fiquei surpresa com minha reação; simplesmente não esperava chorar por conta disso. Mas, mais uma vez, a coisa da saudade se faz lembrar, por mais que a vida aqui siga em frente, feliz e repleta de acontecimentos positivos. Não comento o outro lado da moeda, de como esses jogos serão financiados, às custas de quem, etc. Tudo isso me vêm à cabeça, mas me sinto pouco capaz de comentar de forma competente.

E eu, finalmente, depois de oito anos na Suécia, consegui um emprego fixo. Meu trabalho, onde comecei em dezembro de 2007 como temporária, anunciou duas vagas. Eu mandei meu currículo pra minha chefe e consegui uma das vagas. O sistema empregatório daqui é meio complicado, com uma série de leis e tals. Não comento por falta de tempo e saco, mas conseguir um trabalho fixo é, acredite, uma façanha. Seja você imigrante ou nativo. Então, parabéns para mim!

A palavra em sueco do dia é fast anställning, emprego fixo.

Filed under: Conquistas,De bem com a vida,Eu ♥ a Suécia,Livros,Trabalho — Maria Fabriani @ 15:01

August 6, 2009

Aquelas coisas

Tentei. Não apenas uma vez, mas duas vezes. Tentei ler “Pilgrim at Tinker Creek”, de Annie Dillard, mas não consegui. O livro, escrito em 1972, é uma série de, uhm…, observações que a autora faz sobre a região onde mora, perto do tal do Tinker Creek, com as montanhas etc. A idéia do livro é bacana: páginas e mais páginas de observações sobre a fauna e a flora locais, uma narradora indiscutivelmente interessante, que, de quando em vez, mistura no texto considerações filosóficas.

Parece feito sob medida pra mim, mas não é. E o pior é que eu não sei explicar exatamente o porque de eu não gostar. O livro ganhou prêmios, a escritora é competentérrima, a premissa bacana, mas eu simplesmente me vejo pensando na morte da bezerra no meio da maioria das frases. Perco o fio da meada, volto atrás pra ver o que perdi. Quase como quando você conversa com uma pessoa que fala sem parar, você não aguenta, desliga a atenção e, de repente, ele/ela diz uma coisa interessante. Aí, você: “Peraí, oquêquecêdisse?”

Aí, quando já tinha alcançado a página 70, depois de dias de esforços, fiz o que nunca faço: li o final do livro. Não adiantou muito. Aí fui mais à frente e li o posfácio e uma parte chamada “Many Years Afterward”. Nessas seis páginas entendi o porque de eu não gostar do livro. A própria Annie Dillard, agora na casa dos 60 anos, escreve que tem meio que vergonha de como ela era autoritária e de como isso se projetou no livro, que é também pretencioso. Quer dizer, ela não escreveu isso in so many words, mas é mais ou menos isso que ela quis dizer. (Juro.)

Aí desisti. Sinceramente, desisti. Fui procurar alguma coisa decente pra reler. Acabei, como sempre, com minha querida Jenny Diski. Mas até essa paixão tem certos limites. Precisava de algo novo. A biblioteca pública de Boden está fechada para obras de maneira que a única coisa a fazer era encomendar livros bacanas. Mandei brasa uma manhã insone e acabei com “When you are engulfed in flames”, David Sedaris; “My life in France”, Julia Child e Alex Prud’homme; “Journal Of Joyce Carol Oates: 1973-1982”, Joyce Carol Oates; e “The Secret Diary of Adrian Mole, Aged 13 3/4”, Sue Townsend (que descobri depois de uma matéria que li no BoingBoing).

Os livros chegaram na sexta passada. Devorei o funny guy Sedaris primeiro. Gostei muito. Tem uma história conhecida, que ele usou num outro livro, mas o resto do material é novo. E legal. Não é um livro pra pensar, só pra curtir. Ele é engraçado e faz observações interessantes sobre si próprio e o seu mundinho. Gosto dele, gosto da atitude debochada dele, até porque não sei ser debochada e gostaria muito de ser (de quando em vez). Mas esse livro é menos “alegre” do que os outros. Sedaris vive desde há muitos anos em Paris e eu acho que ele mudou nesse tempo. Ficou menos doido, mais… uhm, europeu.

O da Julia Child eu não entendi direito porque comprei. Acho que pode ter sido apenas o resultado do impulso. Pode ser também porque estou numa trip de descorbrir meus dotes culinários (a última descoberta é que eu realmente sei cozinhar uma comidinha básica e aprendi a ver como massa de pão funciona). Vou ler e descobrir se foi um achado ou uma besteira. Os diários da Oates eu já queria ler há tempos, mas sei lá porque estava adiando. Perguntei pro meu pai se já tinha sido lancado em português, mas não. Aí comprei. Vai ser o último a ser lido, acho.

iwdayala0169cAí pensei bem e vi que o que me interessa (nesse momento) são histórias pessoais, escritores escrevem sobre seus pensamentos, sobre pessoas, acontecimentos mas principalmente sobre si próprios. (O livro do Adrian Mole, o único ficção da lista, pode ser visto como a exceção que confirma a regra.) E acho que foi isso que não gostei no Annie Dillard. A mulher é certamente ótima, ganhou o Pulitzer e tals, mas ela não é pra mim. Ela tá lá na casinha dela, no meio do nada, escrevendo sobre sapos que são chupados vivos por insetos, sobre esperanças (não o sentimento, mas o inseto), e eu, aqui no meu canto, com a cabeca a mil e a última coisa que eu quero saber é como a água do Tinker Creek congela durante o inverno.

(Aliás: o livro é cultíssimo entre a elite pensante norte-americana. Iinfelizmente, tenho que dizer que I didn’t got it. Acho que um componente que não pode ser esquecido é o fato que tentei ler o livro em inglês. Talvez meu inglês não seja bom o suficiente para lê-lo? É possível, é possível. Será que tem esse livro em português?)

A palavra em sueco do dia é bok, livro.

Filed under: Livros — Maria Fabriani @ 04:21

July 11, 2009

Barack Obama é o bicho!

Terminei de ler o livro de memórias de Barack Obama , “Dreams from My father”. O que achei? O livro é excelente, interessantérrimo como seu autor. Acho, no entanto, que o título não faz justiça ao conteúdo. Pra mim, o livro deveria ter um título que envolvesse a palavra “descoberta”. Isso porque Barack se descobre continuamente nos mais variados papéis que a sociedade exige que ele cumpra. Como Barry pros avós maternos (brancos), e com quem morou grande parte da vida, como negro nos EUA, como Barack pra comunidade carente do South Side em Chicago e, finalmente, como o filho pródigo que retorna à casa, quando ele visita o Quênia e a família paterna.

O livro cobre a infância de Barack nos EUA e na Indonésia (correndo descalço com os amigos da escola por plantações de arroz), sua adolescência entre amigos ricos (e quase sempre brancos) numa escola exclusiva no Havaí, e parte de sua vida adulta em Chicago, onde ele trabalhou como organizador, uma espécie de trabalho social em que a pessoa é contratada por uma ONG para mobilizar a comunidade com o intuito de conseguir melhorias locais. (Uma das coisas que mais o impressina em Chicago são as famílias compostas de mães e filhos, sem pais.) Aí, depois disso tudo, vem o capítulo da África, em que Barack foi visitar sua família paterna e, mais uma vez, descobrir quem ele é de verdade.

No meio dessas viagens todas está um homem com uma mãe branca (foto, sempre presente, a “única constante” na vida dele) e um pai africano, ausente, que ele nunca encontrou a não ser por uma vez, aos 11 anos de idade. A família materna deu à Barack uma metade do quebra-cabeça. A outra metade, ele tentou descobrir por conta própria, indo trabalhar numa área pobre de Chicago, onde a maioria da população é negra. E, depois, com a viagem ao Quênia, onde o resto das peças do quebra-cabeça se encaixaram. (Obviamente não é tão simples assim, o cara ainda é novo e muitas outras peças do quebra-cabeça dele ainda não foram descobertas. Generalizo com a melhor das intenções).

Fiquei empolgada quando reparei, depois das primeiras páginas, que o livro é muito bem escrito. As histórias vêm uma atrás da outra, as lembranças, os acontecimentos, as decisões e, principalmente, as elucubrações de Barack, durante o processo de autoconhecimento. Tudo bem escrito, ritmado, bonito. Leio sempre à noite, antes de dormir, pra relaxar. O que geralmente acontece é que vou ficando com sono e acabo dormindo. Com esse livro, no entanto, não consegui relaxar. As histórias eram simplesmente boas demais.

Vou contar uma coisa pra vocês: esse cara é bom demais. Só não digo que ele é perfeito porque ele fuma. Sinceramente, não é todos os dias em que a maior potência do planeta tem como presidente um homem capaz de se perguntar quem ele é, um cara que se interessa pelo sentido das coisas, enfim, uma pessoa com consciência. Um homem com uma vida interessantíssima, cheia de acontecimentos e obstáculos e, claro, cheia de conquistas. Tomara que ele sobreviva - literalmente - às pressões do cargo que assumiu.

PS.: Hoje no noticiário daqui só dá Obama em sua visita à África, depois da reunião do G8 na Itália. Vi um monte de gente nas ruas de Ghana, o primeiro país visitado por ele, todos felizes de ver o primeiro presidente americano com descendência africana. Emocionante.

A palavra em sueco do dia só pode ser hopp, esperança.

Filed under: Livros — Maria Fabriani @ 11:47

July 1, 2009

“Lar,”

Lar

Preciso dizer? Compre. Vale a pena.

Filed under: Livros — Maria Fabriani @ 05:41

June 19, 2009

It’s a kind of magic

Estou lendo Obama. Muito bom, muito bom.

Terminei o quarto livro da série Martha Quest, da Doris Lessing. Gostei mais desse do que do terceiro. Porém, não gosto da Martha. O que gosto é quando DL escreve sobre a mãe da Martha, uma dragon-lady fascinante, ou sobre a filha da Martha, que Martha abandonou no livro e DL vida real e sobre a qual não se conta muita coisa. (Deve ser o maior bode da paróquia.)

Em duas semanas entro de férias.

Hoje não trabalhamos por conta do midsommar (literalmente “o meio do verão”), que comemora o solstício de verão por aqui. Vamos fazer churrasco; carne pro urso, salmão pra mim e salsichinhas pro Max.

Vocês conhecem o programa mais maravilhoso do planeta? Se ainda não conhecem, lhes apresento Spotify. Lá pode-se ouvir todas as músicas que você quiser de graça, em streaming. É legal (juridicamente falando), o que é ainda mais legal.

Filed under: De bem com a vida,Livros,Música,Vidinha — Maria Fabriani @ 09:23

April 21, 2009

O medo e o medo do medo

Então, essa coisa de ser crítica comigo mesma é muito trabalhoso. Exige muita energia e trabalho pra melhorar uma coisa que, na realidade, já é boa, na sua maioria, ok, e, às vezes, até ótima. Quem me acompanha no meu blog de livros sabe que ando lendo menos ficção atualmente. Estou numa fase de estudos. Tenho a sensação de que preciso aprender a reconhecer que sou uma pessoa-mãe-amiga-mulher legal, por vezes até bem legal.

Li “I trygghetsnarkomanernas land: Sverige och det nationella paniksyndromet” ou “No país dos viciados em segurança: a Suécia e a síndrome nacional do pânico”, do psiquiatra David Eberhard, e aprendi que meu medo é um fato comum, aceito e encorajado socialmente. Li “I huvudet på en mamma” ou “Na cabeça de uma mãe”, da jornalista Hanne Kjöller, e aprendi que meu pânico pelo resultado da equação Max+perigos é um fato comum, aceito e encorajado socialmente.

Aí parei pra pensar (quando finalmente tive tempo, agora, durante meus dias de folga) e reparei como estava amedrontada, com tudo e todos. Cada situação era uma ameaça, um problema a ser resolvido, tragédias a serem evitadas. Minha vida, que é muito feliz, estava ficando limitadíssima, o que é um fato muito impressionante, se levarmos em conta que sempre fui muito pra frentex e pouco medrosa. Cadê a minha ousadia de que tanto me orgulhava?

Ela está aqui no meu peito, perto do meu coração, junto à tudo que descobri sobre mim nesses 37 anos e que guardo com muito amor e cuidado. Mas a Maria Ousada andava sumida, de férias, ausente. Pra resgatá-la, comecei então a me informar. Meu próximo passo depois dos livros acima é saber mais sobre duas teorias desenvolvidas por Donald Winnicott, pediatra e psicanalista britânico (1896-1971). O que me interessa particularmente são: Holding Environment e Good-Enough Mother.

O Holding Environment pode ser descrito como um ambiente tanto físico como psíquico em que o bebê é protegido sem saber que é protegido. Aqui é crucial que a mãe esteja presente quando necessário para poder interpretar as necessidades do filho. E aí entra o conceito da Good-Enough Mother. Além de estar presente e interpretar, essa mãe, que é boa o suficiente, precisa interpretar direito as necessidades do filho e adaptar, então, suas respostas às necessidades da criança.

Tenho uma série de questionamentos à essas teorias, mas principalmente à da mãe-boa-o-suficiente: Uma delas: ela foi criada por um homem burguês rico, branco e europeu, nascido no século 19. Outra: como mãe (quase) quero acreditar que as mães são especiais, quer dizer mais especiais do que os pais. Mas na verdade, não sei se acredito nisso. Aqui em casa foi assim: fiquei em casa até Max completar quatro meses. Quando consegui um emprego, meu urso tirou licença paternidade e ficou com Max até ele completar um ano, quer dizer, muito mais tempo do que eu.

Hoje Max é, acredito, saudavelmente apegado à mim e ao pai, de forma bem igual. Aqui me resguardo: essa sensação pode, claro, ser uma ilusão. Sabe-se lá o que meu filho vai achar disso tudo quando ele virar adolescente. Mas, sinceramente, até o presente momento, sinto um gut feeling que estamos, eu e meu urso, fazendo tudo certinho - ou, mais provavelmente, menos erradinho. Só o tempo dirá. Me pergunte novamente em 2021.

A palavra em sueco do dia é tillräcklig, suficiente.

Filed under: Elucubrações,Livros,Max e a maternidade — Maria Fabriani @ 08:19

October 10, 2008

J.M.G. Le Clèzio

Mais um escritor laureado com o Nobel de literatura do qual tinha apenas ouvido falar mas nunca cheguei a ler. Nem mesmo quando me meti a ler francês no original. Mas dei uma olhada na cobertura do prêmio do meu jornal, e gostei do que li. A cobertura, como acontece na maioria das vezes em que o Nobel vai pra um escritor desconhecido do grande público, fala mais do escritor do que de sua obra.

Lá está que le Clèzio nasceu em Nice de mãe francesa e pai franco-mauriciano (sei lá como se diz, a família tem raízes nas Ilhas Maurícius), que viajou o mundo todo, que morou um tempo com índios na América do Sul (e com os quais descobriu mais uma “dimensão espiritual”, seja lá isso o que for), que tem uma filha nascida nos anos 60 com sua primeira mulher, que é polonesa, e um outro filho com sua segunda mulher, que é marroquina.

Tem também sobre os livros dele. Um dos mais citados é ”O Africano”, um romance com traços autobiográficos. Conta a história, em forma romanceada, do pai de Le Clèzio, que se mandou pra Nigéria quando ele ainda era um menino e lá ficou, durante a segunda guerra mundial. Le Clèzio, durante essa época, vivia na França, com a mãe. Só reviu o pai aos oito anos de idade. Está lá que Le Clèzio é muito influenciado pelo Camus, e aí eu já gostei.

Mesmo assim. Ainda teria preferido ver uma mulher recebendo a medalha do rei Carlos Gustavo. E, claro, de preferência, uma mulher sulamericana.

Olha, que bonito…
“L’Africain”, pour Clézio, J. M. G. le
“J’ai longtemps rêvé que ma mère était noire. Je m’étais inventé une histoire, un passé, pour fuir la réalité à mon retour d’Afrique, dans ce pays, dans cette ville où je ne connaissais personne, où j’étais devenu un étranger. Puis j’ai découvert, lorsque mon père, à l’âge de la retraite, est revenu vivre avec nous en France, que c’était lui l’Africain. Cela a été difficile à admettre. Il m’a fallu retourner en arrière, recommencer, essayer de comprendre. En souvenir de cela, j’ai écrit ce petit livre.”

A palavra em sueco do dia é längtan, saudade (mais ou menos).

Filed under: Eu ♥ a Suécia,Livros — Maria Fabriani @ 13:49

July 28, 2008

Exigente

Tô passando por uma dificuldade enorme de encontrar livros que goste de ler. Não pode ter qualquer referência a crianças (principalmente meninos) que sofrem, são mortos, têm fome (emocional ou física), são seqüestrados ou coisas que o valha. Não quero ler sobre sofrimento desemfreado, aquela coisa tão crua que me dá angústia. Também não estou interessada em ler ficção metida a besta ou romances que investigam novas formas em detrimento do conteúdo.

O que quero tem que ser leve sem ser leviano, simples sem ser simplório, concentrado sem ser curto e grosso. Quero que o livro que escolher me resgate da minha realidade rame-rame mas, ao mesmo tempo, me faça pensar. Que me surpreenda, me deixe de queixo caído, me inspire, me dê algo em troca das horas investidas lendo as páginas do livro. Se um livro me garantir apenas uma dessas coisas listadas aí em cima já estou feliz.

Tava pensando em investigar Jenny Diski mais uma vez. Mas como já li tudo não-ficção dela, achei melhor não prosseguir (medo de uma possível decepção). Um dos últimos livros que li e que me deixou feliz da vida foi um do Dennis Lehane, “Shutter Island”. Fui tentá-lo novamente e me deparei com “Gone, baby, gone”. Li, lá em 2006, antes da minha vida mudar. Agora voltei aos clássicos, como Truman Capote (ótimo) e Tolstoi, por segurança.

Dois livros da Doris Lessing (ambos da série Martha Quest), um da Toni Morrison, e um da Virginia Woolf esperam para serem lidos. Ganhei de Cristina, mulher do meu pai e mãe do meu irmão, um em português, escrito por um argentino, que também está à espera. Nesse momento leio “O perfume”, e já estou meio de saco cheio. Sabe-se lá o por quê. Talvez pela esquisitisse geral do livro, talvez pela gouchisse geral da leitora.

Na verdade, tô achando é que estou de saco cheio de ler em sueco. Acho que vou começar a requisitar livros em português na minha biblioteca local. Alguma dica?

A palavra em sueco do dia é krävande, exigente.

Filed under: Livros,Variedades,Vidinha — Maria Fabriani @ 12:35

May 15, 2008

Ah…

…a página em branco.

Consolo de uma balzaca avançada: com o passar dos anos pode-se constatar verdades de várias formas, cínica, bem-humorada, melancólica etc. Então lá vai: fui ver TV hoje de manhã e qual foi a notícia de maior destaque? O fato de fazendeiros nativos, criadores de gado leiteiro, soltarem suas vaquinhas no pasto depois que os animais passaram os muitos meses de inverno confinados indoors. As vaquinhas pulam, dão coices, ficam como loucas. Pode-ser ver a notícia com diferentes olhos e classificá-la como provinciana, matuta ou simplemente bucólica.

Atendendo a pedidos: Max já está “falando”; grita que é uma beleza; fala “mama” o tempo todo e “papa” também; engatinha; adora tomar banho; come comidinha e frutinha mas gosta mesmo é de mastigar papel; acorda cedo demais e, quando a mamãe está em casa com ele, se nega a dormir durante o dia; tem fascinação por fios de todos os tipos e qualidades; fica felicíssimo quando sentado no andador; explora a casa toda e solta gritinhos de alegria; está com seis dentes e crescendo horrores. Última vez que fomos ao controle, há um mês, estava com 73 centímetros e 9.850 gramas.

Absolutamente nada que leio no jornal me agrada atualmente. Visito o Globo e fico de boca aberta com o caso do pai e da madrasta que mataram a Isabella. Aqui foram dois os casos recentes de crianças mortas: um serial killer seqüestrou e matou uma menina chamada Engla, mais ou menos dez anos, cem metros da casa dela, e duas crianças, dois e quatro anos de idade, foram mortas a marteladas por uma conhecida do marido da mãe, nativa da Alemanha. A mãe das crianças, que também foi atacada, se salvou. A razão, ao que tudo indica, é ciúmes. E loucura, naturalmente.

E por falar em leitura, estou relendo “Anna Karenina”. A escolha foi feita conscientemente, pra fazer contraponto ao último livro que li, “Nu vill jag sjunga dig milda sånger”, de Linda Olsson, que foi uma porcaria. Mas só tenho a mim mesma para culpar. Li a resenha e achei bacana, conferi o livro na livraria antes de comprar online e vi que tinha blurbs ótimos, cheios de adjetivos positivos. Gostei do título (“Agora quero cantar-lhe músicas amenas”) e da capa. Mas que frustração! Aquela coisa dos dentes dos cavalos é a mais pura verdade.

Uma das coisas que ando pensando atualmente é como se faz para nos sentirmos “em casa” em algum lugar. Vi uma entrevista na TV do escritor Michael Chabon, cujo mais recente livro, “The Yiddish Policemen’s Union”, é uma ficção que se passa numa cidadezinha do Alasca, onde os judeus se estabeleceram depois da segunda grande guerra. Chabon queria imaginar o mundo sem o estado de Israel e como seria ser judeu e ter de fazer de um lugar qualquer a sua casa. Estou meio que fascinada com isso.

Filed under: Livros,Max e a maternidade,Vidinha — Maria Fabriani @ 08:26
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