June 3, 2007

Finito

Pois é. Me formei. Parece até brincadeira. Mas depois de três anos e meio de muitos livros, inúmeras horas em ônibus pra cima e pra baixo, algumas chateações, cinco amizades de primeira e diversas descobertas acadêmicas agradáveis (entre elas: o fato de ter aprendido a escrever de verdade em sueco!), me formei. Agora, além de balzaca, quase mãe, jornalista, carioca e social-democrata, sou também assistente social. Alguém aí tem um emprego pra mim?

Bom, cheguei à Umeå na terça passada, para defender minha monografia. Quatro horas no ônibus e depois mais três horas sentada numa sala de aula botaram pressão na minha judiada bacia. Mas correu tudo bem. Aprovada. Dia seguinte fui andar na cidade com Maria, Jenny e Elin. Compritas. Body Butter na Body Shop e Moleskine na Åkerbloms. À noite teve festa num restaurante. Comemos peixe e, de sobremesa, cheese cake com maravilhosos morangos suecos. Eu e Max dançamos muito. Felicidade total.

Quinta fui almoçar com Eva no centro (sanduíche de salmão com cream cheese) e depois fui jantar com Elin num outro restaurante (salmão novamente, I can’t get enough!). Acordei cedo na sexta, dia da formatura. Isso porque a cerimônia de entrega dos diplomas aconteceria ao meio-dia e eu ainda precisava me embonecar. Dia lindo, brisa fresca, 22 graus. Minha família sueca veio em peso para me prestigiar. Fiquei feliz. Meu urso fez filme para mandar pros meus pais, no Rio. Usei um colar da minha avó e fiquei emocionada.

E agora a vida continua. A novidade do momento é que estamos nos mudando. E eu confirmei uma suspeita: de fato, odeio me mudar. Não apenas pelo fato de não gostar de fisicamente empacotar e desempacotar coisas, mas porque do ponto de vista emocional, me dá uma angústia desgraçada desmontar uma vida, mesmo sabendo que vou montá-la tão legal (ou melhor) em outro lugar. O lado bom: está sol e o quarto de Max é verde-água. :)

A palavra em sueco do dia é utveckling, desenvolvimento.

Filed under: Conquistas,Universidade — Maria Fabriani @ 06:33

May 25, 2007

Da escrita e da leitura

Cá estou eu, afundada com a tal da oposição à monografia de uma outra aluna. O sistema sueco é assim: além da entrega da monografia e em conjunto com a defesa, precisa-se apresentar e criticar construtivamente uma outra monografia, de um colega-estudante. Acho interessante porém muito trabalhoso. Isso porque, pra dizer a verdade, não é todo mundo que sabe escrever de forma clara e - mais raro ainda - interessante. A monografia a qual farei oposição seria legal caso não tivesse tantas deficiências.

Sem contar detalhes, posso dizer que o trabalho inclui idéias sobre feminismo e a imagem do feminino nos tempos atuais. Entre os livros de base está “O segundo sexo”, da Simone de Beauvoir. Dizendo assim, tinha que ser legal, né? Pois é. Mas não é. Além de não ter ido muito fundo, a autora me distrai do conteúdo com sua capacidade de me chocar com a falta de estilo ao escrever. Várias frases duram um parágrafo inteiro, sendo que pontos finais e vírgulas são completamente ignorados.

Passando da escrita pra leitura porque quero comentar o livro de Åsa Linderborg, “Mig äger ingen” (algo como “A mim ninguém possui”), o qual ainda não terminei mas que já é um dos meus favoritos all times. A obra é uma autobiografia. Linderborg escreveu o livro depois da morte do pai, Leif, e conta a história dos dois e de como ele tomou conta dela depois que a mãe se separou do pai quando Åsa tinha quatro anos. Só que Leif, que nunca se recuperou da separação, era alcoolista.

Agora você pode pensar que o livro é simples e direto. Tipo “história-triste-de-menina-com-pai-alcoolista”. A diferença é que Åsa Linderborg conta a história dos dois com um enorme afeto pelo pai. A generosidade não diminuiu mesmo depois de ele ter começado a beber tão intensamente que parou de pagar o aluguel e quando ela, na sua adolescência, resolveu ir morar com a mãe (com quem sempre manteve contato) porque doia demais ver a decadência dele.

Åsa Linderborg é jornalista de cultura de um dos jornais mais vendidos da Suécia. Além de contar sua história familiar, Linderborg descreve a história das classes suecas. Os trabalhadores, os intelectuais, os políticos. Tudo isso visto por intermédio de um pai trabalhador e de uma menina que cada vez mais se parece e pensa como a mãe, uma intelectual comunista. Mas o mais impressionante: não há ódio no livro. Há, sim, claro, raiva adolescente de um pai tão amado mas que é incapaz de resolver sua vida de forma diferente, sem o álcool. Há raiva, não ressentimento. Não há egoismo, do tipo “olha o que você fez comigo”.

O livro é um banho de generosidade e de capacidade de enxergar os limites alheios, mesmo as limitações daqueles que crescemos considerando os seres mais perfeitos do planeta. Como é difícil crescer sem pensar no que um pai ou uma mãe quer que você seja, ou quer que você se comporte! Como é difícil aceitar que aquela pessoa que te criou vive de acordo com suas próprias limitações e que eventualmente ele/ela vai cobrar algo impossível de você, ou então algo importante, mas que você não sabe como atingir. E o pior! Não cabe a você cobrar nada. O jogo é assim: há que haver diálogo e, na melhor das hipóteses, entendimento mútuo e aceitação. Mas o fato é que é muito difícil ser generosa quando a relação é uma grande confusão afetiva!

A palavra em sueco do dia é pappa, pai.

Filed under: Elucubrações,Livros,Universidade — Maria Fabriani @ 08:41

May 22, 2007

Filha pródiga

Finalmente dou as caras por aqui. Não que não quisesse fazê-lo antes, mas diversas coisas me impediram. A primeira: a monografia, que precisava dos retoques finais. Semana passada estava tão obcecada com a bichinha que não conseguia parar de ler - e de encontrar pequeníssimos erros - que necessariamente tinham que ser consertados antes da última impressão. Acho que li e reli essa monografia tantas vezes que, caso ela se perdesse, poderia reconstituí-la de cabeça (se bem que tenho tantos backups que isso não seria necessário). Minha amiga Elin acabou de entregá-la à professora lá em Umeå e eu respiro aliviada.

A segunda: o tempo lindo que tem feito nos últimos dias. Isso porque choveu canivetes durante quase três semanas, o que fez com que cada dia de sol ganhasse uma dimensão especial. Acho que de fato estou virando sueca porque basta eu ver um solzinho se esgueirando pelas persianas que meu coração já pula, faço mil planos pro dia e não sossego enquanto não sair de casa. O fato da temperatura ainda estar por volta dos 13 graus (na sombra) e de estar ventando, não é lá muito importante. Isso porque uma mulher grávida não sente frio. Mesmo sendo ela uma carioca da gema morando no meio da tundra sueca.

A terceira: não posso sentar durante longos períodos de tempo na frente do computador. Isso porque há mais ou menos um mês comecei a sentir uma dor na bacia chamada pelos nativos de foglossning e que vem infernizando minha vidinha. A dor é normal em mulheres grávidas e diz respeito ao amolecimento das juntas (cartilagens) que unem os quatro ossos da bacia. Isso acontece porque a mulher grávida produz um hormônio chamado relaxina, que faz o que o nome indica, relaxa as cartilagens para que o bebê possa passar pela bacia na hora do nascimento. Em inglês, essa dor chama-se Pelvic Joint Pain ou Symphysis Pubis Dysfunction.

O fenômeno do amolecimento das juntas é normal e acontece com todas as grávidas. A diferença é que algumas mulheres sentem mais, enquanto outras sentem menos. Essa dor se manifesta de maneira diferente em cada pessoa. Em mim ela vai e volta; fica apenas alguns dias e causa dor nas pernas e nas costas, um desconforto generalizado na região pélvica e uma certa dificuldade de locomoção. Aí, assim como veio, ela desaparece e eu volto ao normal novamente. Mas como na semana que vem terei de ir pra Umeå defender minha monografia (e fazer oposição a outra), além de precisar necessariamente ir à diversas festas durante a semana toda (hãhã), não quero dar mole e provocar a danada.

Tenho uma amiga sueca, J., que me contou sua via-crúcis com a tal da dor pélvica. Ela começou a senti-la no segundo mês de gravidez e só parou cinco meses após o nascimento da filha. Fiquei assustadíssima, mas o que sinto não chega aos pés do desconforto dela. Todo mundo sabe dessa dor aqui. O mais interessante é que essa dor, tão comum aqui, parece não existir no Brasil. Perguntei a amigas e a mães de amigas (elas próprias minhas amigas) e ninguém diz ter sentido nada assim. Talvez no Brasil essa dor não seja diagnosticada, mas sim considerada como uma decorrência normal da gravidez (mais uma diferença entre o primeiro e o terceiro mundos, I guess…).

Fora isso tenho me deliciado com os movimentos intensíssimos de Max na minha barriga (esse menino sabe chutar, viu?) e com livros bacanérrimos. Terminei há séculos o “On Trying To Keep Still”, da Jenny Diski e, gostei tanto, que o estou relendo, paralelamente com outro livro: “Mig äger ingen”, de Åsa Linderborg. O livro da Jenny Diski, que ganha a vida como jornalista de turismo e escritora, conta a história dela durante três viagens e da sua busca pela solitude, pela imobilidade. Parece deprê, mas não é não. Aliás, morri de rir com muitos trechos do livro, que mistura passagens da vida da autora com viagens dela à Nova Zelândia, a um cottage no meio do campo inglês e à Lapônia sueca. Sabe aquela pessoa que escreve lindamente sobre o nada? Pois é.

A palavra em sueco do dia é glad, feliz.

Filed under: Cinema e televisão,Conquistas,De bem com a vida,Gravidez,Universidade — Maria Fabriani @ 11:46

April 23, 2007

A razão do meu silêncio

A quem interessar possa.

A palavra em sueco do dia é c-uppsats, monografia de final de curso universitário.

Filed under: Livros,Universidade — Maria Fabriani @ 08:16

February 26, 2007

Help!

Acordada, me angustio por ainda não ter me decidido sobre que assunto tratar na minha monografia. Dormindo, sonho que estou correndo, apressada, em corredores de uma feira de tecnologia, mas não encontro o que quero (que imagino ser a saída). Aí acordo de novo e vou verificar o que marquei pra fazer hoje no meu calendário. Resolvo dar uma folheada e fico com falta de ar, porque não dá pra ficar tranquila quando uma palestra entitulada “Feyerabend e o anarquismo epistemológico” está marcada pra semana que vem. E pior: vai cair na prova.

A palavra em sueco do dia é tentamen, a prova.

Filed under: Universidade,Vidinha — Maria Fabriani @ 16:39

February 23, 2007

Sonhos, universidade e o segredo sueco

Ontem foi um dia peculiar. Não, nada de estranho aconteceu, mas fiquei sabendo que três pessoas que não se conhecem sonharam comigo. E o melhor: os sonhos foram todos positivos. Quer dizer, uma das pessoas, J., minha amiga da faculdade, me contou que havia sonhado que eu tinha ficado magra, loira e burra. Bom, sonho apenas 33% positivo, então. Os outros dois sonhos foram tão maravilhosos que eu prefiro guardar só pra mim mesma. Oh, iéss, até mesmo blogueira das antigas tem necessidade de privacidade… Quem diria.

Na faculdade as coisas estão chatíssimas. O curso maravilhoso de multiculturalismo acabou e agora entramos no último curso (antes de escrever a monografia). O curso chama-se mais ou menos Teoria Científica e é um saco. Eu sei que é importante e tals, mas ainda assim. Nem tudo o que é importante é legal, certo? Impostos são importantes, mas o que sobra do contra-cheque não é legal. Vacinas são importantes, mas injeção não é legal. A chatice aumenta ainda mais quando dou uma olhada no termômetro de manhã e vejo que dia após dia a temperatura não sai dos 20, 15 graus ne-ga-ti-vos. Olha, não é mole não. (Por outro lado, isso não quer dizer que sinta falta do verão carioca. Nunquinha da silva sauro eu gostei de ir trabalhar com sol de 40 graus batendo na moleira.)

Alguns de vocês lembram quando escrevi aqui sobre uma mancha na história recente sueca, o caso da esterilização em massa de mulheres consideradas não-desejáveis, que durou de 1935 até 1975. Pois é, essa história virou um filme que está sendo lançado hoje. O nome em sueco é “Den nya människan”, que pode ser traduzido como “A nova pessoa” ou algo semelhante. Cerca de 30 mil mulheres (e alguns homens) foram levados a sanatórios e lá submetidos à operação. As idéias de higiene da raça ainda tinham forte aceitação na sociedade sueca depois da guerra. Não por ideais nazistas, mas pela busca de uma nova sociedade, mas “limpa”, superior — um ideal defendido pela maioria social-democrata que queria fazer da Suécia, até então um país atrasadíssimo e paupérrimo, uma superpotência.

Eu volto a escrever no dia 28. Ganha um doce quem acertar o por quê. :)

A palavra em sueco do dia é drömmar, sonhos.

Filed under: De bem com a vida,Europa & Escandinávia,Universidade — Maria Fabriani @ 09:14

January 17, 2007

Primeira semana

Essa primeira semana está sendo corridíssima. Muitas palestras, trabalhos de grupo e hoje tivemos inclusive uma palestra extra com Bengt Jarl, psicólogo especialista em tratamento de criminosos sexuais (pedófilos e que tais). Ele falou durante três horas para um auditório repleto de estudantes de psicologia e de, como eu, assistência social. Foi interessantíssimo.

Fiquei fascinada com as histórias que ele contou depois de 20 anos de experiência de trabalho apenas com esse tipo de criminosos. Fascinada e horrorizada. Mas esse trabalho é, infelizmente, um campo cada vez mais visível para profissionais como psicólogos e assistentes sociais. No final, tive de fazer uma pergunta.

“Como é que você aguenta?”, perguntei. Disse que sabia que ele era profissional e que era evidente que ele sabia separar as visões distorcidas de seus pacientes (quase apenas homens) da imagem que ele próprio tinha da sua masculinidade. Mesmo assim, continuei, acho incrível que um profissional possa se engajar no caso de pacientes sem ficar completamente enojado com o crime cometido.

A resposta foi simples: em todos os trabalhos que teve, ele sempre teve acompanhamento psicológico (muito comum pra quem é psicólogo) ou o chamado handledning, que é sueco para supervisão, ou o contato com uma pessoa mais experiente e que possa agir como um parceiro de conversa franca (mais comum para assistentes sociais).

Ele destacou ainda que o importante para que o tratamento dê certo (e para que o profissional não pire), é que o psicólogo ou assistente social saiba separar a pessoa sentada na sua frente do crime cometido por ele/ela. Acho isso uma das coisas mais complicadas de se conseguir atingir. É muito difícil não ter questões morais no tratamento de criminosos sexuais.

É muito difícil, acho eu, não recorrer ao primitivismo e dizer que esse tipo de criminoso devia ser castrado e pronto. Bengt Jarl disse que a chamada castração química não funciona em todos os casos. Sinceramente, ainda acho que preciso de muito anos de experiência, de muito conhecimento, de muitos argumentos para poder sair do primitivismo e me elevar ao nível profissional dele. Se é que algum dia conseguirei.

A palavra em sueco do dia é förövare, criminoso.

Filed under: De bem com a vida,Universidade — Maria Fabriani @ 17:12

January 15, 2007

Mais um semestre

Primeiro dia de aula depois de seis meses de estágio. Ainda estou tendo dificuldade de me sentir bem aqui em Umeå (uma cidade que, apesar de tudo, eu amo de paixåo). É bom rever minhas amigas e de saber que trabalharemos no mesmo grupo. Nesse semestre nossa turma se dividiu um vários cursos. O bom é que todas as chatas escolheram outros cursos! Escolhi um curso para assistentes sociais que pretendem trabalhar com pessoas de outras etnias e multiculturalismo. São tantas palestras interessantes, tantos livros legais! Estou feliz.

Ah, uma coisa: depois que meu urso instalou meu computador aqui no meu quartinho alugado, notamos que alguns emails tinham sumido da minha caixa postal. Desculpa aí se eu não respondi a alguma mensagem enviada nos últimos dias. Se você me mandou um email, eu n�o respondi e você faz questão de uma resposta, mande novamente. No mais, a vida continua. Estou sem poder ler meu jornal, o que me deixa menos contente. Sei que a Internet está aí, ainda mais com banda larga, mas sou das antigas. Gosto do papel.

Desisti de ler o tal livro da Kiran Desai e o doei para a biblioteca pública de Boden. Agora estou com uma pilha de livros do curso, muito interessantes, para ler. O primeiro, que precisa ser lido pra amanhã, eu não apenas já li como comentei aqui. Me lembro que quando li esse livro pela primeira vez ainda estava naquela fase de reação: tudo era muito negativo aqui. Hoje tenho uma visão um pouco mais equilibrada das coisas, apesar de ainda sentir uma grande insegurança no futuro. Nada que possa ser resolvido com estudos. Apenas com paciência, insistência e um pouco de sorte.

A palavra em sueco do dia é mångkulturell, multicultural.

Filed under: De bem com a vida,Universidade — Maria Fabriani @ 17:17

November 15, 2006

Cartas de dentro da bolha


Ilustração de Shaun Lawley

Outro dia assisti a uma parte de um Globe Trekker, no Discovery, em que uma mocinha visita lugares na Flórida e tenta fazer comédia de tudo. Ela visitava a cidade de Celebration, que foi fundada pela Disney, e conversava com um grupo de mulheres que pareciam saídas de Stepford ou de Wisteria Lane. Elas eram exemplos típicos das chamadas soccer moms, todas iguaizinhas, cabelos lisos, calça e camisa de cores pastéis, sorriso branquíssimo, dentes perfeitos. Uma delas dizia que gostava muito de viajar mas que preferia voltar pra casa. “Ah, quando dobro a esquina e vejo aquela picket fence, sinto uma calma invadir meu peito, e penso ‘I’m inside the buble’”.

Nessa hora aí deu um click aqui dentro da minha cabeça, minha mente desligou-se do programa boboca e pensou: deve ser uma maravilha essa coisa de poder se sentir protegida dentro de uma “bolha” — mesmo sendo isso uma ilusão sem tamanho. Essa é uma sensação impossível de ser sentida para quem como eu morou a vida toda no Rio de Janeiro. Mesmo aqui no topo do mundo, onde quase nada de ruim acontece, ainda me sobressalto com barulhos estranhos e estou sempre na defensiva quando saio pra rua à noite (o que aqui é à tarde também, já que nessa época do ano escurece às 14h30).

Hoje foi um desses dias de isolamento sensorial. Deveria estar no estágio das 8 às 17. Mas cá estou eu, em casa num pleno dia de semana. Tirei o dia para acabar de ler um dos livros que peguei emprestado na biblioteca e terminar de escrever as provas pra universidade. O problema é que minha atenção está all over the place e eu não consigo me concentrar. O livro também não ajuda. Posso apenas especular o que meus professores têm contra ensaios com idéias lineares. Na minha singela opinião, só porque é linear não precisa ser chato ou pouco criativo. E a coisa da bolha não é uma boa. Fico logo entediada.

Começo então a sonhar com coisas que não tenho mas que gostaria de ter, pessoas que não estão aqui e que eu gostaria que estivessem e assim por diante. É um reflexo bem meu, esse. E sei que de muita gente boa pelo mundo inteiro. Por isso é que nessas ocasiães não me deixo comprar nada, nem um palitinho impulsivo sequer, e não ligo pra ninguém porque corro o risco de dizer besteiras. Mas, indulge me: se tivesse mesmo grana, comprava Special Topics in Calamity Physics, de Marisha Pessl; The Inheritance of Loss, de Kiran Desai (ganhou o Booker Price), assim como To Kill A Mockingbird, de Harper Lee, que nunca li, e os levava como bagagem de mão pra duas semanas nas ilhas Mauritius.

E por falar em bolha… Hoje foi um dia importantíssimo para o norte sueco. É que hoje foi a inauguração da Ikea de Haparanda, cidade que fica na fronteira entre Suécia e Finlândia (duas horas de carro de Boden). A cidade parou. E não é pra menos. A instalação da loja de decoração na pequena cidade de pouco mais de dez mil habitantes representa cerca de 1500 novos empregos locais, seja na própria butique ou nos negócios paralelos. Um exemplo: é impossível encontrar um quarto de hotel em Haparanda até o ano que vem. O pequeno birô de turismo local atende chamadas de suecos, finlandeses, noruegueses e russos. O prefeito Sven-Eric Bucht diz que a instalação da loja de móveis na cidade é o maior acontecimento da história da região desde 1809, quando Suécia e Rússia entraram num acordo e a fronteira entre os dois países foi desenhada (à época, a Finlândia era russa).

A palavra em sueco do dia é avskärmad, isolado(a).

Filed under: Elucubrações,Livros,Universidade,Vidinha — Maria Fabriani @ 16:45

November 8, 2006

T de trabalho, v de vida (atualizado)

Minha vida nesse momento está seca. Estou em casa, mas nem por isso posso fazer o que quero. Sou obrigada a ler dois livros em pouco mais de 15 dias (os peguei emprestados na biblioteca), escrever três trabalhos de quatro páginas cada e ainda sorrir no final do dia (tem ainda mais, mas deixo pra lá pra não cansar vossos ouvidos). Só não reclamo mais porque sei que prefiro assim do que a vida sem propósito — e por ter certeza de que existe coisa pior.

Por outro lado, estou contente por uma amiga que está grávida de uma menininha (parabéns!) e por outra amiga que está começando seu caminho de volta à superfície. Um beijo nas duas.

No mais: estou agora no meu break. Que acabou de acabar. Té mais.

Update, �s 17h40:: O dia foi produtivo. Li quase um livro todo e consegui escrever bastante. Ainda não acabei tudo, mas estou bem próxima ao meu objetivo. Amanhã tem mais.

Agora dei uma volta pela internet pra ler meus sites favoritos. Antes de mais nada, clique aqui (link mp3) e ouça Marit Bergman cantar sua versão de “My Love” de Justin Timberlake. Vale a pena. Tããão boniiiito. Depois, enquanto ouve a música, confira os demographics da blogosfera, aqui. Anota aí: existem hoje 57 milhões de blogs (100 mil são criados por dia). Diariamente escrevemos 1,3 milhões de posts, sendo 39% em inglês, 33% em japonês, 10% em chinês, 3% em espanhol, 2% em português, 2% em italiano, 2% em russo e 2% em francês, assim como 1% em alemão, 1% em persa, e 5% em outras línguas. (Fonte: Technorati)

A palavra em sueco do dia é kaffepaus, pausa para o café.

Filed under: Livros,Universidade,Vidinha — Maria Fabriani @ 09:48
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