May 9, 2011

10 anos

Acredite se quiser, mas moro na Suécia há 10 anos. Hoje faz dez anos que subi naquele avião da Lufthansa e me mandei pro desconhecido. Nem sei o que dizer, escrever. Foi, ainda é e sempre será uma viagem. Cabe a mim aproveitar ao máximo.

July 9, 2010

Vi e lembrei…

… do Rio.

A palavra em sueco do dia é varmvatten, água quente.

Filed under: Saudade — Maria Fabriani @ 15:48

March 22, 2010

Não é por nada não…

…mas o meu irmão passou em vigésimo primeiro lugar no vestibular da UFRJ pra direito. Quantos eram os candidadtos? Ah… só 10.240…

É mole ou qué mais?

Parabéns querido irmão, você é o máximo.

Carlos, estou muito orgulhosa de você, de tudo o que você é. No que diz respeito a você, não precisar conquistar nada, basta ser, existir, que eu já estou gostando. Você sempre foi meu irmãozinho e sempre será. Muito amado. Um beijo! Maria

Num tem pra ninguém!!!!!!!!!!

Filed under: Conquistas,De bem com a vida,Saudade — Maria Fabriani @ 21:10

December 4, 2009

Passou!

carlos_rosto_peqconteceu uma coisa mágica: meu irmão passou no vestibular pra PUC! Não, não que fosse impossível, vejam bem, porque ele é um rapaz inteligentérrimo, sempre com notas altíssimas e tals. Mas é que tem uma coisa especial em passar no vestibular. É como se você pudesse, finalmente, respirar aliviado.

Minha experiência foi assim: depois de um fracasso justamente na PUC, passei e fiquei tão aliviada que chorei muito e jurei que nunca mais, nunca mais, nunca mais, precisaria estudar matemática na vida. Ai, que sensação maravilhosa, que conquista!

(Depois de muuuuitos anos, de mudar de país, hemisfério e quase DNA, me vi forçada a fazer mais uma faculdade em que estatística fazia parte do currículo. E eu tive que estudar, mesmo desgostosa. Matemática já é um perrengue em português, imagina em sueco! Não é pra qualquer um não!)

Mas, voltando ao que interessa: sucesso total do meu irmãozinho. Dezoito anos de idade, um gênio da raça, compreendem? Nossa, queria estar no Rio dos apagões e do calor infernal pra dar um beijo no meu irmão, que é lindo e inteligente. Que orgulho!

Parabéns, Carlos!

A foto ao lado é dele pequenininho, em Búzios. Adoro essa foto. Tão sério, com boné todo colorido. :)

A palavra em sueco do dia é stolt, orgulhosa.

Filed under: Conquistas,De bem com a vida,Rio de Janeiro, Brasil,Saudade — Maria Fabriani @ 22:45

July 27, 2008

Sem saber o que dizer, mas dizendo assim mesmo

Meu irmão e a mãe dele vieram me visitar e passaram duas semanas aqui. Foi um barato poder mostrar pra eles o meu pedaço de mundo, a minha vida construída nos últimos sete anos. E aí eles foram embora pro Rio.

Definitivamente, é sempre pior pra quem fica.

Sinto uma falta enorme disso aqui. Meu cérebro está meio desacostumado a pensar em forma de posts, o que é uma pena. Às vezes sento-me na frente do computador e tento escrever. Aí parece que só vem coisa repetida, considerações sobre o tempo, ou a falta dele, o meu filho, as delícias de ser mãe, o trabalho que é interessantíssimo porém algo sobre o que não posso escrever por razões legais. Aí páro, apago e desisto. Invariavelmente me sinto frustrada.

Mas comigo é sempre assim. Quando as coisas estão meio tumultuadas, enboladas, encalacradas, o melhor é fechar os olhos e se jogar de cabeça (minha especialidade) no meio da dificuldade. Então, vejamos: outro dia li no jornal uma série de pequenos artigos sobre que personagens de livros os jornalistas gostariam de conhecer caso pudessem. O nome da série é o amigo oculto. A única autora citada que eu conheco é Virginia Woolf, que escreveu “To The Lighthouse”, onde Mrs Ramsay é a protagonista.

A jornalista que escreveu o artigo disse que gostaria de conhecer Mrs Ramsay porque ela (a jornalista) gosta de mulheres que sabem como e apreciam a arte de dar uma festa, de perceber todos os convidados, os interesses e gostos de cada um, de fazer com que a experiência da festa seja algo agradável. Eu, na minha simplicidade, não sabia, mas existe uma série de regras para se dar uma reunião bem-sucedida. Evidentemente, o sucesso da sua party não depende apenas da sorte. Imagina só.

Eu não sei qual o personagem que eu gostaria de conhecer. Quer dizer, saber eu sei, mas não tenho idéia se seria uma boa ou não. Meu escolhido seria o Holden Caufield, do “Apanhador no Campo de Centeio”. Se bem que sei lá se ia dar pra conversar com ele. Acho que eu teria gostado de conhecê-lo lá por 1984, 85, quando eu li o livro diversas vezes e fiquei meio que apaixonada por ele (pelo livro e pelo Holden). Mas isso foi há mais de 20 anos. Hoje as coisas estão um pouco diferentes.

Diferentes como, você pergunta? Não faço idéia. Só sei que de fato as coisas estão diferentes, meu modo de perceber o mundo mudou muito. Não posso colocar a culpa (ou dar o crédito) dessa mudança apenas ao fato de eu ter mudado de vida tão radicalmente nos últimos sete anos. Acho que é uma combinação de fatores, inclusive pelo fato de eu estar ficando mais velha (dia 15 completei mais uma primavera, 37 até agora. Obrigada, obrigada.)

Outro dia vi um programa na TV sobre genética ou alguma coisa semelhante. O apresentador contava que as pessoas podem modificar seus cérebros com muito treinamento e mudanças radicais de vida. Aprender uma língua fluentemente, por exemplo, é um modo de se modificar a massa ccinzenta. Já devo ter dado início a várias novas interconexões de neurônios, ainda mais tendo aprendido sueco, que é um idioma todo ao contrário (pra quem vem do português).

Mas, mais do que isso, a coisa de tentar enxergar o impossível (se sentir em casa na tundra, aceitar a saudade constante, lidar com o medo de perder quem se ama, descobrir um amor impossivelmente enorme saído da depressão, aceitar a alegria simples de um dia de sol ao léu) como possível, isso sim faz com que o cérebro mude. E, convenhamos, um aninho ou dois aqui ou ali também doesn’t hurt.

Agora, chega.

A palavra em sueco do dia é bror, irmão.

Filed under: Elucubrações,Pra frente é que se anda,Saudade,Vidinha — Maria Fabriani @ 10:10

November 18, 2007

Selvagem

Li a entrevista de Sean Penn concedida ao jornalista Nicholas Wennö do meu jornal e fiquei irritada. Não, não tenho nada contra o ator/diretor que, aliás, considero um dos poucos artistas de Hollywood com alguma coisa na cabeça além de cabelo. Mais do que isso, Penn tem é guts. É feio-charmoso e bacana, inteligente, engajado. Gosto dele. Mas aí li que ele dirigiu o filme “Into the Wild”, baseado no livro homônimo de Jon Krakauer. O filme está sendo/será/foi mostrado no Stockholm International Film Festival.

Li esse livro em 1998, em Nova York, onde passei um mês maravilhoso durante minhas primeiras férias de trabalho. Naquela época era repórter da Internet World e consegui passar trinta dias na Big Apple afiando meu inglês. Morei num quarto de estudante no Upper East Side e tive algumas das experiências mais bacanas da minha vida. Fui a um musical e odiei, chorei quando ouvi uma banda no Cotton Club no Harlem, testemunhei in loco o caso Clinton-Lewinsky, vi o Spike Lee no Madison Squire Garden durante um jogo de basquete entre o Indiana Pacers e o NY Knicks que assisti com um italiano gay e maluco, fui a um balé no Lincoln Center com váááários mineiros de Bêagá, assisti “As Good As it Gets”, “Titanic” e “Wag the Dog”, gastei uma fortuna em presentes pro meu irmão na lojinha do Museu de História Natural, passeei todos os dias pelo Central Park, fui a Nova Jersey comprar rip-offs num outlet e voltei pro Rio penniless.

Foi ótimo!

E o primeiríssimo livro em inglês que li, deitada na cama do meu quarto de estudante em Nova York, ouvindo as sirenes das ambulâncias onipresentes, foi justamente um exemplar de “Into the Wild”, que havia comprado na Barnes & Nobles one block away from my home e onde sempre dava uma passada ao sair do metrô, depois de um dia inteiro de aula de inglês, ministrada num edifício ao lado do World Trade Center. Fiquei impressionadíssima com a história de Chris McCandless, de 22 anos, que em abril de 1992, entra sozinho numa reserva natural do Alasca pra nunca mais sair. Ele tinha resolvido viver de forma simples, citava Thoreau e a filosofia de volta à natureza, aos básicos, à vida simples, de Russeau.

Fiquei irritada porque, quando me mudei pra Suécia, o “Into the Wild” foi um dos livros que eu doei e que, por isso, não me acompanhou até aqui. E eu queria reler a saga de McCandless. Afinal, apesar de não ser adepta de Thoreau, eu vivo, de fato, na tundra. (Update: não me aguentei e comprei o livro novamente. Vou me dar de natal. Nessa altura do campeonato, todas as desculpas valeriam. Hohoho)

A palavra em sueco do dia é obygd, lugar selvagem (= wilderness).

Filed under: Jornal,Livros,Saudade,Vidinha — Maria Fabriani @ 07:29

October 28, 2007

There is no time, she writes

We have to bomb the rebel cities
from a great height, find shelter
for the refugees, carry a sick kitten
to the shade of a blighted elm,
fall in love, walk by the breakwater,
learn the words to separate,
marry, see a lawyer, grow old,

and always the wind seethes
in the bladelike leaves,
always the ant under its burden,
proud and indomitable, she writes,
always the faint music, the touch
of the other’s hand, and no way
to return, or even turn,
no way to face ourselves:

writing this, I pressed so hard
she says, the words are embedded
in the grain of the desk
and it is dark but I sense you
listening, trying to frame an answer
there where the dark turns inward
and a small bell chimes
in the stupefying heat. — D. Nurkse

(Retirado do blog da escritora sueca Bodil Malmsten.)

A segunda palavra em sueco do dia é dikt, poema.

Filed under: Elucubrações,Saudade,Vidinha — Maria Fabriani @ 16:55

Sem amenidades

E hoje saímos do horário de verão para o de inverno, ou seja a hora original. Isso significa que estou apenas três horas distante do Rio. Quer dizer, três horas e trocentos mil quilômetros, claro. Aliás, essa distância, pra mim, é difícil. A dos quilômetros, não a das horas. Pra outras pessoas que moram aqui (ou em outros países da Europa), no entanto, ir ao Brasil é algo normal, atividade anual.

Pra mim é diferente. Com certeza, claro, por conta da falta de la plata, a coisa da viagem seja mais difícil, mas também, acredito, que mais do que o investimento financeiro, há o investimento emocional, que também não pode ser desprezado. É dureza ir ao Rio, ver o tempo passando pros meus pais, meu irmão, meus amigos. O sentimento de perda é enorme.

É como se fosse mais difícil testemunhar isso de longe. Ou de perto.

Anyway. Agora está ficando frio de verdade aqui. Sete graus de dia. Já nevou, mas derreteu. Deve nevar de verdade algum dia em novembro (ou dezembro, se der sorte) e aí só derrete em abril. Coisa boa: dessa vez não tenho angústia com a falta de luz (o sol nasceu hoje às 7h11min e se porá às 15h21min) porque o tempo não me importa; olho menos pras janelas e mais pra Max, meu sol particular e portátil.

No entanto, não vou mentir: a perspectiva de passar o natal aqui pesa no meu peito. Quando era criança queria ter árvore de natal, mas sempre tive que me consolar com as decorações que vovó pendurava na árvore da felicidade dela. Já maiorzinha, não me lembro de ter achado natal a coisa mais maravilhosa do mundo. Quando comecei a trabalhar, preferia dar plantão no natal do que no ano novo.

Continuo assim. Gosto da passagem do ano, mas poderia deixar de festejar o dia 24 de dezembro num piscar de olhos. E aqui, devo dizer, gente como eu é coisa desprezada. Párias, incapazes de reconhecer as alegrias da família. Gente chata, simplesmente. E acho difícil me alegrar no natal, talvez porque seja um feriado tão ligado à família e eu estou longe da minha (pois é, sou prosaica mesmo…).

Nossa, acabei de ler o que escrevi e levei um susto. É que tinha vindo aqui pra falar de amenidades…

A propósito:

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim. — Carlos Drummond de Andrade

Da série “Eu-tento-me-convencer-quem-sabe-um-dia-eu-consigo”.

A palavra do dia em sueco é substans, substância.

Filed under: Elucubrações,Saudade,Vidinha — Maria Fabriani @ 08:42

January 15, 2007

Meg (não) se foi

No início do Montanha-Russa, em fevereiro de 2002, eram poucos os interessados em ler meu blog. Apenas amigos dos meus tempos de jornalismo, algumas pessoas que conheci por intermédio de outros amigos etc. A blogosfera era então, bem limitada. Lia alguns blogs e descobria outros, numa viagem diária pela vida de pessoas diferentes. Ainda me lembro de como era cândida nos meus posts, de como me expunha sem medo, como me colocava inteira ali. Não tinha medo de ataques e de gente ruim, até porque a maioria deixava comentários engraçados e bacanas. Uma dessas pessoas que surgiu do nada foi a Meg, que chegou distribuindo carinho.

Hoje, cansada de minhas próprias agruras (e doçuras), sentei no computador para escrever um post novo. Quando terminei, fui na Cora, como sempre faço, com saudades do meu Rio. Mas ao invés de fotos encontrei um post sobre a morte de Meg. Uma parte de mim pensa: que bom, ela descansou. Outra parte, mais egoísta, pensa: que pena, o mundo precisa de gente delicada como a Meg.

Boa viagem, amiga!

Filed under: Saudade — Maria Fabriani @ 17:15

January 10, 2007

A pé

Neste exato momento daria tudo para estar andando numa praia de areia clara e quente. Lá pelos lados de Búzios ou mesmo Paraty. Não que sinta falta do calor — não sinto mesmo — mas gosto muito da sensação de liberdade de poder andar descalça na areia. Na grama. Na rua. Sentir o cheiro de maresia. Colocar um short e uma camiseta e sair pra rua.

Hoje sonhei com minha avó materna. Eu estava em casa (no Rio) conversando com alguém na sala. Ela olhava pra mim e sorria, da porta da cozinha. Um sorriso de profundo afeto. Acordei emocionadíssima.

Hoje não tem palavra em sueco.

Filed under: Saudade,Vidinha — Maria Fabriani @ 11:30
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