March 13, 2010

Anna Bergendahl

E acabou de acabar a final do Melodifestivalen, que escolhe uma música sueca pra participar do Eurovion Song Contest (festival de música européia). Ganhou a minha favorita, Anna Bergendahl, 18 anos de idade. Cantou lindamente “This is my life”, abriu os bracos, curtiu o momento, lindo! A voz dela é semelhante à voz da Tracy Chapman (se lembram?) só que muito mais forte, com um vibrato lindo no fundo. Ah, seu eu pudesse cantar assim…

Eu adoro Melodifestivalen. E não estou sozinha. O programa, que é produzido pela maravilhosa TV estatal sueca, é o maior programa do país, com milhões de espectadores. Se levarmos en consideracão que a Suécia inteira tem pouco mais de 9 milhões de habitantes, dá pra ver o peso do show. Essa menina vai agora cantar em Oslo, na Noruega, onde o Eurovision de 2010 vai ser realizado. Os noruegueses ganharam no ano passado com a música contagiante (e bobinha) de um rapaz de origem ucraniana.

Mas, claro, as chances de Anna Bergendahl são poucas. Mais e mais os países Europa querem votar nos vizinhos, nos antigos colonizadores (pasmem) ou em músicas com muitos tambores e ritmos meio que folclóricos. Pra ganhar a música tem mesmo que ser contagiante, muito melhor do que tudo o que se mostra no Eurovision. Tudo é muito kitsch, mas, até por isso mesmo, divertidíssimo.

A palavra em sueco do dia é talang, talento.

Filed under: Cinema e televisão,Europa & Escandinávia,Música — Maria Fabriani @ 22:08

November 30, 2008

Primeiro advento e música!

Li, há anos, uma matéria sobre o início da carreira de alguns autores. Esqueci todos, mas a forma como que a escritora inglesa P.D. James começou a escrever me chamou a atenção. Ela começou a escrever depois dos 30, à noite, depois de um dia cheio de trabalho, filhos, casa, marido. Olha, isso é que é energia. Eu mal consigo me arrastar pra cama, quando mais escrever sequer um post meia-boca. Mas também, a diferença básica entre nós duas é que ela é uma escritora. Já eu, já fui blogueira. Hoje, nem isso.

(Estou num fim-de-semana de auto-comiserasão louco. Um porre. Deixa pra lá.)

Feliz primeiro advento a quem acredita e àqueles que não o fazem, uma boa semana. Aliás, uma dica: se passar na sua televisão, não perca: um documentário chamado “El Sistema”, que conta a história de um programa que ensina música clássica às crianças menos favorecidas da Venezuela há três décadas. Um dos frutos internacionalmente conhecidos é o maestro (liiiiiiiiiiiiiindo) Gustavo Dudamel, que atualmente é regente da sinfonia de Gotemburgo, Suécia.

Mais sobre o advento em 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007.

Matéria da BBC sobre o sistema venezuelano, em inglês.

A palavra em sueco do dia é konst, arte.

Filed under: Cinema e televisão,Vidinha — Maria Fabriani @ 21:36

August 1, 2008

”Silêncio, old man!”

Contei que vi ”Juno” em DVD? Pois é, há muito tempo não ficava tão ligada num filme como fiquei nesse. Gostei principalmente dos diálogos. Vi que o roteiro foi escrito por Diablo Cody (ela tem um nome de batismo, mas que é convencional demais pra ela) me lembrei que já tinha ouvido falar dela. Achei que era ela que foi casada com o Marilyn Manson, mas estava errada.

Vi na pequena biografia escrita por uma fã no IMDB, que ela nasceu em Chicago em 1978 e que exerceu durante um tempo a profissão de stripper. Continuei lendo, pra saber se tinha alguma coisa na bio dela que explicasse tal fato e acabei achando: ela estudou num colégio (high school) católico (eu tenho uma tese de que as mentes mais brilhantes da comédia fazem parte das grandes religiões organizadas, catolicismo, judaismo, islamismo).

Aí li mais um pouco e achei que ela escreveu um livro! Chama-se Candy Girl: A Year in the Life of an Unlikely Stripper, lançado em 2005. E mais: ela tem um blog! E ainda mais: ela começou a carreira bem sucedidérrima como screenwriter escrevendo no blog! Bacanérrima a matéria da Wired sobre isso.

Veja só você. O que eu acho disso? Acho ótimo. Ainda não viu “Juno”? Vai lá ver, vai. Vale a pena.

(P.S.: Geralmente tenho horror de gente que escreve dando ordens a quem lê, tipo a frase que escrevi aí em cima. O que acontece comigo é que meu nervo rebelde recebe um golpe fortíssimo e eu faço questão de não fazer o que a pessoa que escreveu quer que eu faça. Por isso nunca dou ordens aqui, apesar disso aqui ser o meu pedaço no ciberespaço. Mas, dessa vez, vale a pena.)

A palavra em sueco do dia é knasig, maluquéti.

Filed under: Cinema e televisão,De bem com a vida,Vidinha — Maria Fabriani @ 07:06

July 29, 2008

O boicote

É muito engraçado: quando recomeço a escrever aqui, parece que abrem-se as porteiras da minha cachola e várias idéias pululam, tentando chamar minha atenção, tipo assim, “me escreva! me escreva!”. O problema é que na sua maioria essas idéias são apenas pequenas pedrinhas de pensamento, coisas que ando matutando há tempos mas não sei como desenvolver. Mas, como estou atualmente me jogando de cabeça nisso aqui, lá vai.

Gosto de esporte - principalmente daquele praticado pelos outros e ao qual possa assistir aconchegada no meu sofá - mas essa coisa da olimpíada chinesa me tira do sério. Há semanas meu jornal escreve uma série de reportagens sobre as mudanças que os chineses estão tendo que enfrentar pelo “bem maior”, a coisa do desenvolvimento etc e tal. E é um tal de famílias sendo forçadas a deixar suas casas habitadas a decênios, gente sofrendo, criança chorando, famílias separadas pela mão inclemente do partido.

Sem falar nos jornalistas aprisionados por criticarem o regime, aquela coisa feita de homens para homens. Isso, aliás, me provoca deveras: repare bem nas imagens das reuniões dos parlamentos de China, Rússia, Irã etc. Só tem homem. Isso é um dos maiores absurdos da face da terra. Aí você vai ver quem são os agraciados dos prêmios humanitários europeus, só dá mulher iraniana, paquistani, vietnamesa. Não há então como negar que vontade de mudar existe, só que as mulheres desses países têm uma dificuldade imensa de penetrar o establishment político e econômico local.

Mas, voltando à vaca fria: vou boicotar as olimpíadas. Não, vocês não me veríam mesmo desfilando sob a bandeira brasileira no estádio estranhão de Pequim, mas meu sofá vai ter uma chance de recuperação durante as duas semanas dos jogos. Meu boicote será facilitado pelo fato de eu trabalhar muito e de passar o resto do meus momentos livres com Max, além do horário ingrato dedicado às competições por conta do fuso horário. Porém: boicote ou não, torcerei intensivamente e à distância pelo vôlei brasileiro.

A palavra em sueco do dia é bojkott, boicote.

Filed under: Cinema e televisão,De bem com a vida,Vidinha — Maria Fabriani @ 06:39

June 17, 2008

De novela e de estresse

Meu urso virou noveleiro. Ele já estava sob suspeita porque em nossa mais recente viagem ao Rio ele grudava na TV misteriosamente sempre à mesma hora: sete da noite, horário exato da novela das sete (uma engraçada, do Silvio de Abreu, acho). Confrontado com as indisputáveis evidências, ele ainda tentou se defender, dizendo que queria melhorar seu português.

Mas agora não tem jeito. Ele virou noveleiro mesmo. A prova é que um canal nativo começou a mostrar a série “Cidade dos Homens”, com as aventuras de Laranjinha e Acerola. Sem brincadeira, o homem tá aficcionado. E, volta e meia, ele solta uns: “Qualé, meu irmão?” que quase me fazem cair pra trás. Eu faço graça, mas adoro. Afinal, ele é o meu gringo preferido.

Mudando de assunto: descobri uma receita perfeita pra liberar o estresse acumulado na cabeça, nos ombros e na mandíbula, três dos locais em que mais percebo minha tensão acumulando.

Basta parar tudo o que você estiver fazendo, respirar fundo e cantar: “Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”

Garanto que todas as preocupações se evaporam num instante. Essa receitinha é ainda mais eficaz quando cantada com voz grossa e gesticulação adequada.

Agora volto ao trabalho.

“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”

A palavra em sueco do dia é lösning, solução.

Filed under: Cinema e televisão,Pra frente é que se anda,Vidinha — Maria Fabriani @ 07:05

March 29, 2008

Enjoy the silence

O título acima é o nome de uma música do Depeche Mode que vem sendo usada na campanha de marketing de uma empresa de telefonia daqui. Gosto muito quando a popculture espelha a minha vida, e foi exatamente isso que aconteceu. De repente me dei conta de que andava pela casa ou pela rua cantarolando “Words like violence/Break the silence/Come crashing in/Into my little world”. As palavras se encaixam como uma luva.

No mais, o que dizer? The juices are running again. Uma vez por semana me aboleto no sofá pra não perder um minuto sequer de “Barnmorskorna”, em português “Parteiras”, programa que mostra a rotina de algumas dessas professionais que têm como trabalho ajudar mulheres a dar a luz. Ah, se eu pudesse tolerar cortes sangrentos, gente rasgada e sofrendo, bem que eu voltaria pra universidade (pela terceira vez) e me formaria como parteira.

Não perco o programa porque me faz voltar ao meu parto, como foi e tudo mais. Pois é, ainda estou nessa. Pra certas coisas, sou uma slow learner. Hehehe. O momento em que tiraram Max de dentro de mim e ele chorou. Acho que inclusive é necessário psicologicamente falando revisitar o que pra mim foi uma surpresa total, apesar de anunciada. Eu me lembro de tudo, de cada detalhe. E quero lembrar de mais e nunca mais esquecer.

Acabei de ler ontem “Kidnappad Hjärna”, em português “Cérebro seqüestrado”, um livro sobre o consumo de drogas e como é difícil deixar de tomá-las. Tem de tudo, tabaco, álcool, cocaína, heroína e anfetamina. Uma das coisas mais interessantes: o padrão de intoxicação escandinavo (beber até cair nos finais de semana) propicia o alcoolismo, ao contrário do consumo moderado e diário de álcool, como acontece na França e na Itália, por exemplo.

No mais: Vows are spoken, to be broken. Feelings are intense, words are trivial. Pleasures remain, so does the pain. Words are meaningless and forgettable.

All I ever wanted, all I ever needed, is here in my arms.
Words are very unnecessary, they can only do harm.

A palavra em sueco do dia é tystnad, silêncio.

Filed under: Cinema e televisão,Livros,Max e a maternidade,Vidinha — Maria Fabriani @ 09:50

February 23, 2008

Relatório da semana

Ôôôôô semaninha pesada. Sábado passado fomos pela primeira vez em seis meses ao ambulatório porque Max não estava bem. Tinha dores não definidas nem localizadas, chorava e nós não sabíamos o que era. Eu achava que era torcicolo, porque Max não olhava pro lado direito, só pro esquerdo. Mas pode criança tão pequena ter torcicolo? Tudo bem que ele dorme como uma minhoquinha enroscada, mas será?

Bom, teve uma hora lá em que entrei levemente em pânico, porque achei que podia ser um tipo de miningite lateral. Acabou que o plantonista, muito gente boa, depois de examinar tudo, disse que podia sim ser dor no pescoço. Contribuiu pro diagnóstico o fato de Max ter dado um berro daqueles de macho quando o cara massageou o pescocinho dele. Quase morri de pena. No domingo, quando eu ainda estava me recuperando do susto, Max já estava bem, pronto pra outra.

E Max agora tem dois dentes nascidos e que coçam uma enormidade. Meus dedos viraram o mordedor oficial (sim porque os três comprados não dão conta do recado, só a mamãe é macia o suficiente) e meu querido filhinho fofo da silva quase extrai sangue de sua amada mãe todos os dias. Aliás, outra novidade: quarta-feira, eu no meio de uma reunião semanal importante, toca o celular. Vejo que é meu urso, ligando de casa. Atendo correndo, já saindo da sala depois de me desculpar trocentas vezes. O coração na boca.

Eu: “O que é que foi?”
Urso: “Está ocupada?”
Eu: “Hoje é quarta-feira…”
Urso: “Ahh, a sua reunião! Desculpe!”
Eu: “Não tem problema! Está tudo bem com Max!?”
Urso: “Está tudo bem sim, desculpa ter ligado, mas é que eu queria contar que Max está falando ‘papai’”
Eu: “Hãã? Papai?”
Urso: “É”
Eu: “E ‘mamãe’ ele fala também?”

Fala. Quer dizer, “fala”, entre aspas mesmo porque estamos nos primeiros estágios da articulação de sílabas. O vocabulário de Max atualmente é composto de gritinhos de alegria, risos, choro e as novidades: Ba….ba, Ma….ma. Confesso que chorei a primeira vez que ouvi ele fazer esse ensaio de “mamãe”. Mas o melhor da festa mesmo é que Max olha pra mim quando “fala” ma….ma. E eu me vejo cada vez mais descendo no poço do ridículo da maternidade.

Aí a semana passou assim, vapt-vupt, muito trabalho, amém etc e tal.

Estou frustradíssima no que diz respeito aos livros que tenho escolhido pra ler. Parei no meio de “The Emperor’s Children”, de Claire Messud, e comecei “Världens mått” (“A Medida do Mundo”) de Daniel Kehlmann. Também emperrei no meio da viagem de Alexander von Humboldt ao Amazonas. Mas me nego a desistir desse também. Se bem que ainda não desisti da Claire Messud completamente. Vamos ver se eu recupero o interesse qualquer dia desses.

No jornal as coisas andam interessantes. Urso de outro pro Brasil, Cuba sem Fidel, independência do Kosovo, revolta na Sérvia, os nativos começam a notar que a China não é essa maravilha toda depois que o Spielberg deixou o cargo de consultor artístico das olimpíadas, e uma coluna do jornalista Nathan Shachar, ex-correspondente na América Latina do meu jornal, em que ele escreve sobre o que eu já tinha reparado: a mídia sueca não está nem aí pra América Latina, apesar de 200 empresas suecas estarem estabelicidas no Brasil, por exemplo. Somos, de fato, o continente esquecido.

E hoje, na TV nativa, tem filmaço chorôrô sueco: “Den bästa av mödrar” (tradução literal: “A melhor das mães”, veja a foto acima). O enredo é simples: menino finlandês vem pra Suécia neutra pra evitar a segunda guerra mundial. Não conto mais nada que é pra não estragar a experiência. Mas note duas coisas em especial: a locação onde o filme foi rodado e, se você conseguir parar de chorar, repare na jóia que é a interpretação de Maria Lundqvist, a mãe do título. Uma cooooooisa.

A palavra em sueco do dia é babbla, balbuciar.

December 13, 2007

Lucia e Greta

oje é dia de Lucia, cuja história eu já contei aqui (2006, 2005 e 2004). Uma das coisas interessantes desse dia é que come-se um bolinho/pão especial, feito com açafrão, os chamados Lussekatter, cuja receita em português pode ser obtida em blogs variados. Eu, no entanto, não gosto do pão, que acho sem gosto (sorry aos sofisticados, mas açafrão não é mesmo my cup of tea). Prefiro o valor simbólico da data, a chegada da luz, tra-lá-lá.

E ontem de tarde foi engraçado. Coloquei Max no tapete de brincadeira dele (como chama isso em português, meudeusdocéu?), aquele colorido que já apareceu em fotos aqui, e fui fazer outra coisa (sem glamour, lavar louça, arrumar a cama, fazer xixi etc). Depois de alguns segundos, ele parou de “falar” e tudo ficou quieto. Alarmada, saí correndo pra ver o que era. Estava tudo bem. Ele, deitadinho, concentradíssimo na televisão, fascinado com Greta Garbo como Anna Karenina.

A palavra em sueco do dia é skådespelare, atriz, ator.

October 31, 2007

Deliverance

Paul Potts teve uma infância difícil. Gordo, era presa fácil para os bullies do colégio. Paul cresceu solitário, inseguro, feio. Os dentes irregulares, o olhar hesitante, travalhava como vendedor de telefones. Até que um dia, contrário a tudo o que fez na vida, ele ousou. Se inscreveu num programa caça-talentos da TV britânica. Na frente do juri, abriu a boca, cantou “Nessun Dorma” do Turandot de Puccini e encantou o mundo. Agora, quatro meses depois do momento mágico, CD gravado e um dos mais vendidos na Grã-Bretanha (e também na Suécia), Paul vem a Estocolmo para cantar numa festa que vai juntar fundos para a campanha para a prevenção do câncer de mama. Numa entrevista ele disse que sua voz o salvou dos anos difíceis. Vi o filme em que ele encanta o juri (aí em cima) e fiquei com inveja.

Imagina se todas as crianças sacaneadas tivessem um talento desses?

Dia desses passou na TV “Der Untergang” e nós gravamos. Que filmaço! Não conhecia Bruno Ganz, que é espetacular. Deu pena* do coitado do Hitler, um homem torto, infeliz, sem qualquer contato com a realidade, que não podia acreditar que tudo o que fez deu errado. Filmaço. Vi um documentário uma vez, sei lá quando, que mostrava o grande desgosto de Hitler por nunca ter sido aceito numa academia de artes. Ele queria ser pintor e se achava muito refinado, mas nunca foi reconhecido. Com certeza não sou a primeira a pensar — ou a escrever — isso, mas imagina do que o mundo teria sido poupado caso ele tivesse tido uma vida mais fácil, menos tortuosa? Caso tivesse tido algum tipo de reconhecimento, de resposta emocional?

Sempre quis cantar. Quando era criança fazia shows incríveis pra parede do meu quarto. Meu repertório incluia Gal Costa, Rita Lee e Elis Regina. Mas principalmente Rita Lee. Cantei em festivais da música do meu colégio, fui do coral (primeira voz), mas tenho consciência que o som que sai da minha boca não é lá essas coisas; é normalzinho, sem nada demais. Mas isso não me impede de adorar cantores e cantoras com vozes maravilhosas. E, ainda hoje, todas as vezes que canto, qualquer que seja a música, aparecem lágrimas no meus olhos. E não são lágrimas de tristeza, mas sim de reconhecimento, de emoção do reencontro com a Maria essencial.

* Atenção! Não faço apologia ao nazismo em geral ou a Hitler em particular. O que escrevi diz respeito a um filme. E só. É melhor explicar antes de começar a receber emails furiosos de internautas doidos.

A palavra em sueco do dia é befrielse, libertação.

Filed under: Cinema e televisão,De bem com a vida,Vidinha — Maria Fabriani @ 08:37

July 17, 2007

Aniversário, auto-estima e comida

Ah, essa coisa de aniversário é muito boa. Não que a passagem dos anos me deixe de perturbar, claro que me perturba, mas, por outro lado, a sensação que tenho é de infantil contentamento, uma celebração de mim mesma com quem me ama ou gosta de mim (narcisista, eu? Nããão. Mas, sinceramente: quem não é?). Além do mais, não é possível que isso seja assim tão negativo freudianamente falando. Não por um dia (ou mesmo uma semana, ou um mês). Então no dia fomos jantar fora e depois assistir ao último filme do Harry Potter. Valeu a pena. Muito bom, recomendo.

Falando em auto-estima, a minha continua ótima porque estamos nos finalmentes da arrumação do apartamento novo - o que me deixa feliz. Já não há mais caixas no escritório e tudo o que era pra ser pendurado já o foi. Quer dizer, tudo menos a cortina do quarto de Max, o que está fora do meu alcance. Tenho sim é que esperar que meu pobre urso, de férias, acabe de limpar o apartamento antigo para poder ter tempo de se dedicar a esses pequenos detalhes domésticos ainda (não) pendentes (pun intended).

Sempre que tenho tempo (ando lendo livros ótimos e saindo muito), dou uma olhada na TV de tarde. Não sei se eu já contei mas de uma hora pra outra parece que os deuses televisivos resolveram me abençoar com sua generosidade (talvez, especulo, por serviços prestados de boa consumidora ao longo de mais de 30 anos). Não sei o que fiz, qual meu carma positivo, mas o fato é que surgiu um canal novo na nossa programação básica da TV a cabo sem que precisemos pagar mais: o maravilhoso BBC Food.

A diversidade de apresentadores já é, em si, um regozijo. Tem de tudo, ingleses, irlandeses, australianos, noruegueses e até canadenses. Mas são os britânicos os mais esquisitos/interessantes. Pra não ficarem na mesmice de cozinhar carneiro com menta, eles resolvem ser exóticos. Isso quer dizer ir pra algum país africano e cozinhar no meio de um mercado movimentadíssimo, onde moscas e todos os tipos de insetos fazem questão de participar do programa. Ou então, no melhor dos programas até hoje, vi um gaiato cozinhar uma galinha inteira debaixo da terra no meio da savana da Tanzânia. A receita era uma coisa pavorosa, a galinha ficou cheia de terra, mas eu estava fascinada pelo entusiasmo dele. Uma coisa.

A minha preferida é, no entanto, a irlandesa Rachel Allen (essa da foto aí ao lado). Foi amor a primeira vista. Primeiro pelo sotaque. Um inglês rococó lindinho. Segundo pelas receitas dela, tão fáceis que até eu conseguiria realizá-las com certo sucesso, caso algum dia resolvesse levantar do sofá pra tentar. Rachel não é sexy como a minha preferida Nigella, mas ela é mais a girl next door, aquela que faz trecos bacaninhas. O legal é que ela, sempre que pode, coloca álcool nas receitas. Eu acho hilário. E ela nem tem cara de bebum, né?

O verbo em sueco do dia é att supa, beber muito álcool.

Filed under: Cinema e televisão,De bem com a vida,Vidinha — Maria Fabriani @ 17:13
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