Ôôôôô semaninha pesada. Sábado passado fomos pela primeira vez em seis meses ao ambulatório porque Max não estava bem. Tinha dores não definidas nem localizadas, chorava e nós não sabíamos o que era. Eu achava que era torcicolo, porque Max não olhava pro lado direito, só pro esquerdo. Mas pode criança tão pequena ter torcicolo? Tudo bem que ele dorme como uma minhoquinha enroscada, mas será?
Bom, teve uma hora lá em que entrei levemente em pânico, porque achei que podia ser um tipo de miningite lateral. Acabou que o plantonista, muito gente boa, depois de examinar tudo, disse que podia sim ser dor no pescoço. Contribuiu pro diagnóstico o fato de Max ter dado um berro daqueles de macho quando o cara massageou o pescocinho dele. Quase morri de pena. No domingo, quando eu ainda estava me recuperando do susto, Max já estava bem, pronto pra outra.
E Max agora tem dois dentes nascidos e que coçam uma enormidade. Meus dedos viraram o mordedor oficial (sim porque os três comprados não dão conta do recado, só a mamãe é macia o suficiente) e meu querido filhinho fofo da silva quase extrai sangue de sua amada mãe todos os dias. Aliás, outra novidade: quarta-feira, eu no meio de uma reunião semanal importante, toca o celular. Vejo que é meu urso, ligando de casa. Atendo correndo, já saindo da sala depois de me desculpar trocentas vezes. O coração na boca.
Eu: “O que é que foi?”
Urso: “Está ocupada?”
Eu: “Hoje é quarta-feira…”
Urso: “Ahh, a sua reunião! Desculpe!”
Eu: “Não tem problema! Está tudo bem com Max!?”
Urso: “Está tudo bem sim, desculpa ter ligado, mas é que eu queria contar que Max está falando ‘papai’”
Eu: “Hãã? Papai?”
Urso: “É”
Eu: “E ‘mamãe’ ele fala também?”
Fala. Quer dizer, “fala”, entre aspas mesmo porque estamos nos primeiros estágios da articulação de sílabas. O vocabulário de Max atualmente é composto de gritinhos de alegria, risos, choro e as novidades: Ba….ba, Ma….ma. Confesso que chorei a primeira vez que ouvi ele fazer esse ensaio de “mamãe”. Mas o melhor da festa mesmo é que Max olha pra mim quando “fala” ma….ma. E eu me vejo cada vez mais descendo no poço do ridículo da maternidade.
Aí a semana passou assim, vapt-vupt, muito trabalho, amém etc e tal.
Estou frustradíssima no que diz respeito aos livros que tenho escolhido pra ler. Parei no meio de “The Emperor’s Children”, de Claire Messud, e comecei “Världens mått” (“A Medida do Mundo”) de Daniel Kehlmann. Também emperrei no meio da viagem de Alexander von Humboldt ao Amazonas. Mas me nego a desistir desse também. Se bem que ainda não desisti da Claire Messud completamente. Vamos ver se eu recupero o interesse qualquer dia desses.
No jornal as coisas andam interessantes. Urso de outro pro Brasil, Cuba sem Fidel, independência do Kosovo, revolta na Sérvia, os nativos começam a notar que a China não é essa maravilha toda depois que o Spielberg deixou o cargo de consultor artístico das olimpíadas, e uma coluna do jornalista Nathan Shachar, ex-correspondente na América Latina do meu jornal, em que ele escreve sobre o que eu já tinha reparado: a mídia sueca não está nem aí pra América Latina, apesar de 200 empresas suecas estarem estabelicidas no Brasil, por exemplo. Somos, de fato, o continente esquecido.
E hoje, na TV nativa, tem filmaço chorôrô sueco: “Den bästa av mödrar” (tradução literal: “A melhor das mães”, veja a foto acima). O enredo é simples: menino finlandês vem pra Suécia neutra pra evitar a segunda guerra mundial. Não conto mais nada que é pra não estragar a experiência. Mas note duas coisas em especial: a locação onde o filme foi rodado e, se você conseguir parar de chorar, repare na jóia que é a interpretação de Maria Lundqvist, a mãe do título. Uma cooooooisa.
A palavra em sueco do dia é babbla, balbuciar.