November 30, 2008

Primeiro advento e música!

Li, há anos, uma matéria sobre o início da carreira de alguns autores. Esqueci todos, mas a forma como que a escritora inglesa P.D. James começou a escrever me chamou a atenção. Ela começou a escrever depois dos 30, à noite, depois de um dia cheio de trabalho, filhos, casa, marido. Olha, isso é que é energia. Eu mal consigo me arrastar pra cama, quando mais escrever sequer um post meia-boca. Mas também, a diferença básica entre nós duas é que ela é uma escritora. Já eu, já fui blogueira. Hoje, nem isso.

(Estou num fim-de-semana de auto-comiserasão louco. Um porre. Deixa pra lá.)

Feliz primeiro advento a quem acredita e àqueles que não o fazem, uma boa semana. Aliás, uma dica: se passar na sua televisão, não perca: um documentário chamado “El Sistema”, que conta a história de um programa que ensina música clássica às crianças menos favorecidas da Venezuela há três décadas. Um dos frutos internacionalmente conhecidos é o maestro (liiiiiiiiiiiiiindo) Gustavo Dudamel, que atualmente é regente da sinfonia de Gotemburgo, Suécia.

Mais sobre o advento em 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007.

Matéria da BBC sobre o sistema venezuelano, em inglês.

A palavra em sueco do dia é konst, arte.

Filed under: Cinema e televisão, Vidinha — Maria Fabriani @ 21:36

November 10, 2008

Bitch!

Tava andando pelos meus favoritos pra ver se achava alguma coisa interessante pra escrever aqui. Aí, como sempre, fui parar no meu jornal e vi essa pérola: “Bli bitchig och gå ner i vikt” (mais ou menos: “Se torne uma ‘bitch’ e emagreça”). Cuma? Todos os meus sentidos levaram um choque e comecei a ler o artigo imeadiatamente.

Trata-se do método Stahre (ou, em sueco “Stahremetoden”) desenvolvido pela terapeuta sueca Lisbeth Stahre. Ela diz que as mulheres pagam um preço altíssimo pela tradição de dar prioridade às necessidades dos outros em detrimento das suas próprias necessidades. Obesidade é uma conseqüência dessa tradição.

Lisbeth Stahre diz o óbvio: obesidade não tem a ver apenas com comida, mas com estresse, sentimentos negativos e uma imagem negativa de si mesma. O tal do círculo destrutivo que é tão difícil de ser quebrado. O método Stahre inclui coisinhas lógicas e difíceis como aprender a dizer “não” e a reconhecer seus limites.

O programa, também chamado Cognitive Eating Control Therapy, combina métodos pedagógicos com KBT (iniciais em sueco para terapia cognitiva) e mindfulness, um método semelhante à meditação em que os praticantes são estimulados a se concentrarem no presente e desligar as amarguras do passado ou as preocupações com o futuro.

Tem também terapia em grupo, receitas de pratos com baixo teor glicêmico e ensinamentos sobre porções de comida, já que muitas pessoas obesas perdem a noção do que é uma porção normal. Tudo perfeito, mas e a coisa de soltar os bichos e emagracer? Disso o artigo não fala mais. Um pena. É essa a parte que mais me interessou.

Na verdade, tenho horror de ser gorda, não gosto, não quero. Tenho horror das limitações que essa condição me traz. Fico chateada de me sentir fora dos padrões. Mas, ao mesmo tempo, tem uma coisinha aqui dentro de mim que susurra: “Imagina se os padrões estiverem errados?”

Leio, avidamente, a literatura afirmativa que fortalece as “mulheres grandes” (em inglês “big women”, um eufemismo típico americano que não sei se aceito ou rejeito, até porque não sou tão “big” como elas lá nos EUA), e tento tento tento encontrar o meu grupo, where I belong.

E o mais interessante é que nem sei ainda se sou gregária ao ponto de precisar achar um grupo onde pertença. Isso, na verdade, é uma grandíssima utopia. Quase o tempo todo tenho a impressão de ser singular, de uma forma espontânea. Ou, pelo menos, gostaria de ser assim.

Ah, viver. Como é que eu vou saber se estou sendo justa colocando minhas necessidades à frente das dos outros? Vale fazer isso quando se tem uma criança de 15 meses grudada em você (ou você grudada na criança, hehehe). Vou rodar minha saia com quem? Em cima de quem? E quando vou saber que é melhor parar? Quem é que diz: “Vai, Maria, ser bitch na vida!”?

A palavra em sueco do dia é ragata, mulher raivosa (hehehe, adoro)

Filed under: Jornal, Vidinha — Maria Fabriani @ 08:41

October 10, 2008

J.M.G. Le Clèzio

Mais um escritor laureado com o Nobel de literatura do qual tinha apenas ouvido falar mas nunca cheguei a ler. Nem mesmo quando me meti a ler francês no original. Mas dei uma olhada na cobertura do prêmio do meu jornal, e gostei do que li. A cobertura, como acontece na maioria das vezes em que o Nobel vai pra um escritor desconhecido do grande público, fala mais do escritor do que de sua obra.

Lá está que le Clèzio nasceu em Nice de mãe francesa e pai franco-mauriciano (sei lá como se diz, a família tem raízes nas Ilhas Maurícius), que viajou o mundo todo, que morou um tempo com índios na América do Sul (e com os quais descobriu mais uma “dimensão espiritual”, seja lá isso o que for), que tem uma filha nascida nos anos 60 com sua primeira mulher, que é polonesa, e um outro filho com sua segunda mulher, que é marroquina.

Tem também sobre os livros dele. Um dos mais citados é ”O Africano”, um romance com traços autobiográficos. Conta a história, em forma romanceada, do pai de Le Clèzio, que se mandou pra Nigéria quando ele ainda era um menino e lá ficou, durante a segunda guerra mundial. Le Clèzio, durante essa época, vivia na França, com a mãe. Só reviu o pai aos oito anos de idade. Está lá que Le Clèzio é muito influenciado pelo Camus, e aí eu já gostei.

Mesmo assim. Ainda teria preferido ver uma mulher recebendo a medalha do rei Carlos Gustavo. E, claro, de preferência, uma mulher sulamericana.

Olha, que bonito…
“L’Africain”, pour Clézio, J. M. G. le
“J’ai longtemps rêvé que ma mère était noire. Je m’étais inventé une histoire, un passé, pour fuir la réalité à mon retour d’Afrique, dans ce pays, dans cette ville où je ne connaissais personne, où j’étais devenu un étranger. Puis j’ai découvert, lorsque mon père, à l’âge de la retraite, est revenu vivre avec nous en France, que c’était lui l’Africain. Cela a été difficile à admettre. Il m’a fallu retourner en arrière, recommencer, essayer de comprendre. En souvenir de cela, j’ai écrit ce petit livre.”

A palavra em sueco do dia é längtan, saudade (mais ou menos).

Filed under: Eu ♥ a Suécia, Livros — Maria Fabriani @ 13:49

September 20, 2008

Viva!

Max andou.

O verbo em sueco do dia é att gå, ir, andar.

Filed under: Conquistas, De bem com a vida, Max e a maternidade — Maria Fabriani @ 18:27

September 6, 2008

Can you sing the alphabet?

Aaaaaaaaaahhhhhhh…

Filed under: De bem com a vida — Maria Fabriani @ 05:33

August 27, 2008

Pré-escola e feminismo

Primeiro dia em que deixei Max na escolinha e vim pra casa. Ele vai almoçar e tirar a soneca do meio-dia lá. Voltei pra casa e encontrei o apartamento vazio, silencioso. Fui botar roupa pra lavar, louça na máquina, fervi as mamadeiras e as (muitas) chupetas, fiz a cama, fui tomar banho (e usei o sabonete de Max) e aqui estou, meio sem saber o que fazer.

Não posso deixar de dizer que estou feliz da vida. Finalmente posso ler, olhar a chuva, fazer nada. Tenho certeza que Max está numa boa lá, com os amiguinhos dele, com as professoras e com os brinquedinhos da escola. As professoras, Inger, Siv e Margit, são ótimas. Elas têm, cada uma, 30 anos de experiência com o trabalho com crianças e já participaram da adaptação de centenas de pequenos.

Aí, como mãe, eu me sinto feliz por saber que meu filhinho está em boas mãos. E penso também em Alva Myrdal, uma diplomata nativa, socialdemocrata, que foi fundamental para o desenvolvimento das escolinhas públicas suecas, capazes de tomar conta de crianças pequenininhas até os cinco anos de idade, para que os pais - mas principalmente as mães - possam trabalhar.

Alva escreveu com o marido, Gunnar, o livro “Kris i befolkningsfrågan”, publicado em 1934, e que foi um dos mais polêmicos livros de sua época. O título traduzido é “Crise na questão da população”. O principal argumento do casal Myrdal é que a responsabilidade pela criação e educação das crianças suecas deveria ser dividida pelos pais e pelo estado, que empregaria pedagogos profissionais para a tarefa.

No ano seguinte Alva publicou um outro livro, “Stadsbarn” (“Criança da cidade”) onde apresentou idéias de que as escolinhas suecas deveriam funcionar segundo moderna psicologia infantil. Alva Myrdal teve três filhos, foi ministra no governo sueco de 1966 a 1973 e recebeu o prêmio Nobel da paz em 1982 (dividido com o mexicano Alfonso García Robles).

Uma mulher interessantérrima. Ainda mais porque um dos filhos dela, Jan, cortou relações com a família, culpou o pai de ser um déspota e a mãe de ser fraca. Vi há um tempo um documentário em que se mostrava a obcessão do marido, Gunnar, por Alva, que a teria impedido de dedicar mais tempo aos filhos. As imagens de Alma são conflitantes e, por isso mesmo, interessantes.

Para alguns Alva era uma engenheira social que defendia a higiene da raça (lembrem-se que estamos na Europa da décade de 30) e a esterilização em massa. Outros acham que ela era uma pedagoga que colocou as crianças no centro pela primeira vez. Alguns acreditam que ela era a mãe que deixou seus filhos com outros pra fazer sua carreira, enquanto alguns acreditam que ela era uma feminista que abriu caminho para as mulheres combinarem família e trabalho.

Não é a toa que depois da minha querida Doris Lessing o próximo livro a ser lido é “Det tänkande hjärtat : boken om Alva Myrdal” (“O coração pensante: o livro sobre Alva Myrdal”).

A palavra em sueco do dia é förskola, pré-escola.

August 14, 2008

Um ano!

Demorei pra publicar o post do primeiro ano porque as festividades me impediram. Teve festa na quinta (eu estava de folga), com a família, e ontem, sábado, com os amigos. Muitos presentes, muitos sorrisos, muitos beijos. Max está quase andando sozinho, como podem ver na foto acima. O carrinho ainda é uma ajuda indispensável, mas ele já está quase perdendo a paciência com a lentidão das rodinhas.

E agora é se preparar para o que vem amanhã, segunda. Pois é, amanhã eu e Max vamos pra escolinha, começar a fazer a adaptação dele. Tirei duas semanas de férias pra poder estar presente durante todo o tempo necessário. Não posso dizer que a adaptação é apenas pra Max. Eu é que preciso me adaptar a confiar o meu filho a outra pessoa que nunca vi na vida. Já disse à ela (chama-se Inger), que estou com angústia.

Ela riu. Não um riso de ironia, mas um riso de reconhecimento. E eu gostei dela.

As palavras em sueco do dia são ett år, um ano.

Filed under: Aniversários, Conquistas, De bem com a vida, Max e a maternidade — Maria Fabriani @ 07:19

August 12, 2008

Pra frentex

Teve uma moça que me escreveu perguntando se na Suécia existiam adoções. Desculpe, esqueci teu nome, mas aqui vai um textinho sobre o assunto. Em se tratando de crianças nascidas aqui, as adoções são raríssimas. As mais freqüentes no entanto são aquelas realizadas por um padrasto ou madrasta, que adota o(a) filho(a) de seu(sua) companheiro(a).

Na lei de serviço social, segundo a qual trabalho, não tem sequer um capítulo sobre adoção. Há sim, alguns parágrafos em que se trata apenas de adoções internacionais. Essas sim são muito comuns por aqui. Os países mais visitados por casais suecos para adoção são China, Índia e Coréia do Sul, mas há também contatos com orfanatos na América Latina e na África.

A lei do serviço social prevê a intervenção do estado quando uma criança é maltratada pelos pais biológicos de alguma forma, ou caso os pais tenham problemas de vícios de drogas ou álcool. A regra é essa: o serviço social identifica o problema e, durante o tempo de avaliação, coloca a criança temporariamente numa casa de família (fostercare, em inglês).

Em outros países do mundo desenvolvido, tipo EUA, essas crianças são mais facilmente adotadas pelos pais postiços. Aqui na Suécia, no entanto, isso é mais difícil já que a intenção é sempre a de reunir a criança com seus pais biológicos. Há uma crença forte na recuperação de quem tem problemas com vícios. Todo o trabalho social é voltado exatamente para recuperação de quem tem problemas.

O fato de quase não existirem adoções de bebês suecos deve-se também a outros fatores. Principalmente ao fato da Suécia ser um país tão desenvolvido no sentido da educação sexual e informação contraceptiva. As crianças têm aula de “samlevnad”, quer dizer, coexistência, desde pequenos no colégio. Lá eles aprendem o que é pílula anticonceptional, como se usa camisinha e coisas desse tipo.

O acesso a “pílula do dia seguinte”, por exemplo, é facilitado ao extremo. Quem quer que seja pode ir a uma farmácia e comprar um pacote direto na prateleira. Quer tomar pílula anticoncepcional? Ótimo, vai ao ambulatório perto da sua casa e pede pro médico que ele não faz perguntas e manda a receita eletronicamente pra farmácia.

Além disso, o direito ao aborto é garantido por lei desde 1974. Toda e qualquer mulher sueca pode ir a um ambulatório é pedir para fazer um aborto até a 18 semana de gestação. Ajuda médica e psicológica são oferecidas na hora. Uma estatística do órgão de saúde pública sueco (Socialstyrelsen) mostra que durante o ano de 2007 foram feitos 37 205 abortos na Suécia.

O que eu acho disso? Eu acho que deveria ser mais fácil a adoção interna de crianças em fostercare. Muitas vezes os pais das crianças têm problemas que dificilmente encontram solução e aí resta à criança ficar em perpétuo limbo, no meio de duas famílias, sem poder se apegar a nenhuma das duas. Sobre as facilidades médicas pra prevenção (incluindo aborto), eu acho tudo Ó-T-I-M-O.

A palavra em sueco do dia é rätt, certo.

Filed under: Eu ♥ a Suécia, Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 14:52

August 5, 2008

Viking

No domingo fomos visitar a Hängan, um museu ao ar livre que estava tendo um fim-de-semana viking. Museu ao ar livre é sinônimo de conjunto de casas antiquérrimas, com valor histórico, trazidas de vários lugares da região para completar a exposição. Tinha tendas vikings, show com espadas e vestimentas de época, jóias liiiiindas, o maior barato. Além de ver as construções, experimentamos arco e flexa (sou ótima!), vimos bichos, cavalos, coelhos, galinhas e os nossos favoritos, os porcos. Bacanérrimo.

A palavra em sueco do dia é tidsmaskin, máquina do tempo.

Filed under: De bem com a vida, Eu ♥ a Suécia, Europa & Escandinávia, Vidinha — Maria Fabriani @ 05:59

August 4, 2008

Atividades

Sempre achei um fenômeno aquelas famílias que participam de mil e uma atividades nos finais de semana, mesmo depois dos pais terem trabalhado a semana toda, nine to five ou mais. Eu, a namorada=>juntada=>casada que nunca pensou em ter filhos (de verdade), me jogava no sofá e imaginava que coisa chata ter que fazer alguma coisa quando tudo o que se quer na vida é dormir. Mas aí a maré mudou e acabei mãe de um rebento acessícimo e, mais, achando o maior barato ir fazer coisas legais nos meus dias de folga. Quem diria.

Então, agitamos nesse final de semana. No sábado fomos ver o navio Ostindiefararen Götheborg, que é uma beleza sem tamanho. É uma réplica do navio original, que afundou perto da Suécia em 12 de setembro de 1745, depois de sua terceira viagem à China. Esqueci a câmera em casa e, depois de ficar danada da vida comigo mesma durante uns dois minutos, resolvi o problema tirando fotos com o celular do meu urso. Todas ficaram assim assim. Mas o navio é esse aí da foto oficial, ao lado. O navio fez uma viagem até a China, além de outras tantas, foi batizado pelo rei Carlos Gustavo e tals. Lindo, não?

Comprei um chaveirinho com um nó náutico bonitinho pra presentear meu urso. Ele ficou todo contente, só faltava fazer planos de comprar um barco e sair navegando pelos sete mares. (Sozinho, porque eu quero mais é terra firme e banheiro com bidê, obrigada.) O problema é que o diabo do chaveirinho é banhado em alcatrão (tar, en inglês), aquela coisa que os marinheiros usavam nas cordas dos navios. O treco empesteou o apartamento todo. Meu urso acha o máximo, coisa de sueco que associa alcatrão a verões passados al mare.

A palavra em sueco do dia é gammal, velho, antigo.

Filed under: De bem com a vida, Eu ♥ a Suécia, Europa & Escandinávia, Vidinha — Maria Fabriani @ 07:00

August 1, 2008

”Silêncio, old man!”

Contei que vi ”Juno” em DVD? Pois é, há muito tempo não ficava tão ligada num filme como fiquei nesse. Gostei principalmente dos diálogos. Vi que o roteiro foi escrito por Diablo Cody (ela tem um nome de batismo, mas que é convencional demais pra ela) me lembrei que já tinha ouvido falar dela. Achei que era ela que foi casada com o Marilyn Manson, mas estava errada.

Vi na pequena biografia escrita por uma fã no IMDB, que ela nasceu em Chicago em 1978 e que exerceu durante um tempo a profissão de stripper. Continuei lendo, pra saber se tinha alguma coisa na bio dela que explicasse tal fato e acabei achando: ela estudou num colégio (high school) católico (eu tenho uma tese de que as mentes mais brilhantes da comédia fazem parte das grandes religiões organizadas, catolicismo, judaismo, islamismo).

Aí li mais um pouco e achei que ela escreveu um livro! Chama-se Candy Girl: A Year in the Life of an Unlikely Stripper, lançado em 2005. E mais: ela tem um blog! E ainda mais: ela começou a carreira bem sucedidérrima como screenwriter escrevendo no blog! Bacanérrima a matéria da Wired sobre isso.

Veja só você. O que eu acho disso? Acho ótimo. Ainda não viu “Juno”? Vai lá ver, vai. Vale a pena.

(P.S.: Geralmente tenho horror de gente que escreve dando ordens a quem lê, tipo a frase que escrevi aí em cima. O que acontece comigo é que meu nervo rebelde recebe um golpe fortíssimo e eu faço questão de não fazer o que a pessoa que escreveu quer que eu faça. Por isso nunca dou ordens aqui, apesar disso aqui ser o meu pedaço no ciberespaço. Mas, dessa vez, vale a pena.)

A palavra em sueco do dia é knasig, maluquéti.

Filed under: Cinema e televisão, De bem com a vida, Vidinha — Maria Fabriani @ 07:06

July 30, 2008

Very superstitious

O mundo inteiro já deve saber, mas eu acabei de descobrir: o gosto estético de uma pessoa depende muito do seu background cultural. Outro dia fomos visitar uma parte da família sueca. A casa, lindíssima, é bem decoradérrima, com sofás pretos, quadros e esculturas cuidadosamente escolhidas (uns legais outros menos) e, bem ao estilo escandinavo, linhas retas e sem firulas.

A decoração fica completa com pequenos detalhes coloridos, o que contribui para acentuar as linhas elegantes da sala, da cozinha (aqui, cozinha é coisa séria. Me lembrem de escrever sobre as cozinhas suecas, por favor), da casa toda. Mas aí tem a questão das velas, objetos comuns na decoração das casas daqui. As velas escolhidas eram pretas. E daquelas grandes, o que qualquer brasileiro de meia-tigela identifica como aquelas “de despacho”.

Eu não sou uma pessoa ligada a religião, vocês sabem, mas respeito quem é, etc e tal. Mas a coisa cultural é um buraco que está mais embaixo do que eu esperava. Nunca, em minhas 37 primaveras, sequer considerei a compra de uma vela preta com a intenção de decoração (nem como nenhuma outra intenção, mind you). Ver a velona lá, no meio da mesa, toda decorada com pequenas pedrinhas rolicinhas, imitando um ar marinho, me deu um susto.

Também não compro velas vermelhas (a não ser que seja natal). Me considero uma compradora de velas conservadora: gosto das beges, amarelas e das verdes, eventualmente das azuis. Mas isso depende muito se a vela é cheirosa ou não. Volta e meia invisto numa vela carérrima sueca, da marca Sia, que é ótima. O cheiro da de baunilha é levíssimo, quase imperceptível, mas ainda assim deixa um perfume delicioso no ambiente.

Aquelas velas cor-de-rosa com perfume de flores me deixam enjoada. Pra mim tem que ser delicado, senão não dá. A vela preta da casa dos familiares suecos não era cheirosa (imagino qual o cheiro que se colocaria numa vela preta?) e nem foi acesa, porque até de noite tínhamos luz do sol. Explicamos o por quê de nossa reticência com as velas pretas para os gentis porém atônitos anfitriões. Seria interessante saber o que eles pensaram disso.

A palavra em sueco do dia é vidskeplig, supersticioso(a).

Filed under: Elucubrações, Europa & Escandinávia, Vidinha — Maria Fabriani @ 06:43

July 29, 2008

O boicote

É muito engraçado: quando recomeço a escrever aqui, parece que abrem-se as porteiras da minha cachola e várias idéias pululam, tentando chamar minha atenção, tipo assim, “me escreva! me escreva!”. O problema é que na sua maioria essas idéias são apenas pequenas pedrinhas de pensamento, coisas que ando matutando há tempos mas não sei como desenvolver. Mas, como estou atualmente me jogando de cabeça nisso aqui, lá vai.

Gosto de esporte - principalmente daquele praticado pelos outros e ao qual possa assistir aconchegada no meu sofá - mas essa coisa da olimpíada chinesa me tira do sério. Há semanas meu jornal escreve uma série de reportagens sobre as mudanças que os chineses estão tendo que enfrentar pelo “bem maior”, a coisa do desenvolvimento etc e tal. E é um tal de famílias sendo forçadas a deixar suas casas habitadas a decênios, gente sofrendo, criança chorando, famílias separadas pela mão inclemente do partido.

Sem falar nos jornalistas aprisionados por criticarem o regime, aquela coisa feita de homens para homens. Isso, aliás, me provoca deveras: repare bem nas imagens das reuniões dos parlamentos de China, Rússia, Irã etc. Só tem homem. Isso é um dos maiores absurdos da face da terra. Aí você vai ver quem são os agraciados dos prêmios humanitários europeus, só dá mulher iraniana, paquistani, vietnamesa. Não há então como negar que vontade de mudar existe, só que as mulheres desses países têm uma dificuldade imensa de penetrar o establishment político e econômico local.

Mas, voltando à vaca fria: vou boicotar as olimpíadas. Não, vocês não me veríam mesmo desfilando sob a bandeira brasileira no estádio estranhão de Pequim, mas meu sofá vai ter uma chance de recuperação durante as duas semanas dos jogos. Meu boicote será facilitado pelo fato de eu trabalhar muito e de passar o resto do meus momentos livres com Max, além do horário ingrato dedicado às competições por conta do fuso horário. Porém: boicote ou não, torcerei intensivamente e à distância pelo vôlei brasileiro.

A palavra em sueco do dia é bojkott, boicote.

Filed under: Cinema e televisão, De bem com a vida, Vidinha — Maria Fabriani @ 06:39

July 28, 2008

Exigente

Tô passando por uma dificuldade enorme de encontrar livros que goste de ler. Não pode ter qualquer referência a crianças (principalmente meninos) que sofrem, são mortos, têm fome (emocional ou física), são seqüestrados ou coisas que o valha. Não quero ler sobre sofrimento desemfreado, aquela coisa tão crua que me dá angústia. Também não estou interessada em ler ficção metida a besta ou romances que investigam novas formas em detrimento do conteúdo.

O que quero tem que ser leve sem ser leviano, simples sem ser simplório, concentrado sem ser curto e grosso. Quero que o livro que escolher me resgate da minha realidade rame-rame mas, ao mesmo tempo, me faça pensar. Que me surpreenda, me deixe de queixo caído, me inspire, me dê algo em troca das horas investidas lendo as páginas do livro. Se um livro me garantir apenas uma dessas coisas listadas aí em cima já estou feliz.

Tava pensando em investigar Jenny Diski mais uma vez. Mas como já li tudo não-ficção dela, achei melhor não prosseguir (medo de uma possível decepção). Um dos últimos livros que li e que me deixou feliz da vida foi um do Dennis Lehane, “Shutter Island”. Fui tentá-lo novamente e me deparei com “Gone, baby, gone”. Li, lá em 2006, antes da minha vida mudar. Agora voltei aos clássicos, como Truman Capote (ótimo) e Tolstoi, por segurança.

Dois livros da Doris Lessing (ambos da série Martha Quest), um da Toni Morrison, e um da Virginia Woolf esperam para serem lidos. Ganhei de Cristina, mulher do meu pai e mãe do meu irmão, um em português, escrito por um argentino, que também está à espera. Nesse momento leio “O perfume”, e já estou meio de saco cheio. Sabe-se lá o por quê. Talvez pela esquisitisse geral do livro, talvez pela gouchisse geral da leitora.

Na verdade, tô achando é que estou de saco cheio de ler em sueco. Acho que vou começar a requisitar livros em português na minha biblioteca local. Alguma dica?

A palavra em sueco do dia é krävande, exigente.

Filed under: Livros, Variedades, Vidinha — Maria Fabriani @ 12:35

July 27, 2008

Sem saber o que dizer, mas dizendo assim mesmo

Meu irmão e a mãe dele vieram me visitar e passaram duas semanas aqui. Foi um barato poder mostrar pra eles o meu pedaço de mundo, a minha vida construída nos últimos sete anos. E aí eles foram embora pro Rio.

Definitivamente, é sempre pior pra quem fica.

Sinto uma falta enorme disso aqui. Meu cérebro está meio desacostumado a pensar em forma de posts, o que é uma pena. Às vezes sento-me na frente do computador e tento escrever. Aí parece que só vem coisa repetida, considerações sobre o tempo, ou a falta dele, o meu filho, as delícias de ser mãe, o trabalho que é interessantíssimo porém algo sobre o que não posso escrever por razões legais. Aí páro, apago e desisto. Invariavelmente me sinto frustrada.

Mas comigo é sempre assim. Quando as coisas estão meio tumultuadas, enboladas, encalacradas, o melhor é fechar os olhos e se jogar de cabeça (minha especialidade) no meio da dificuldade. Então, vejamos: outro dia li no jornal uma série de pequenos artigos sobre que personagens de livros os jornalistas gostariam de conhecer caso pudessem. O nome da série é o amigo oculto. A única autora citada que eu conheco é Virginia Woolf, que escreveu “To The Lighthouse”, onde Mrs Ramsay é a protagonista.

A jornalista que escreveu o artigo disse que gostaria de conhecer Mrs Ramsay porque ela (a jornalista) gosta de mulheres que sabem como e apreciam a arte de dar uma festa, de perceber todos os convidados, os interesses e gostos de cada um, de fazer com que a experiência da festa seja algo agradável. Eu, na minha simplicidade, não sabia, mas existe uma série de regras para se dar uma reunião bem-sucedida. Evidentemente, o sucesso da sua party não depende apenas da sorte. Imagina só.

Eu não sei qual o personagem que eu gostaria de conhecer. Quer dizer, saber eu sei, mas não tenho idéia se seria uma boa ou não. Meu escolhido seria o Holden Caufield, do “Apanhador no Campo de Centeio”. Se bem que sei lá se ia dar pra conversar com ele. Acho que eu teria gostado de conhecê-lo lá por 1984, 85, quando eu li o livro diversas vezes e fiquei meio que apaixonada por ele (pelo livro e pelo Holden). Mas isso foi há mais de 20 anos. Hoje as coisas estão um pouco diferentes.

Diferentes como, você pergunta? Não faço idéia. Só sei que de fato as coisas estão diferentes, meu modo de perceber o mundo mudou muito. Não posso colocar a culpa (ou dar o crédito) dessa mudança apenas ao fato de eu ter mudado de vida tão radicalmente nos últimos sete anos. Acho que é uma combinação de fatores, inclusive pelo fato de eu estar ficando mais velha (dia 15 completei mais uma primavera, 37 até agora. Obrigada, obrigada.)

Outro dia vi um programa na TV sobre genética ou alguma coisa semelhante. O apresentador contava que as pessoas podem modificar seus cérebros com muito treinamento e mudanças radicais de vida. Aprender uma língua fluentemente, por exemplo, é um modo de se modificar a massa ccinzenta. Já devo ter dado início a várias novas interconexões de neurônios, ainda mais tendo aprendido sueco, que é um idioma todo ao contrário (pra quem vem do português).

Mas, mais do que isso, a coisa de tentar enxergar o impossível (se sentir em casa na tundra, aceitar a saudade constante, lidar com o medo de perder quem se ama, descobrir um amor impossivelmente enorme saído da depressão, aceitar a alegria simples de um dia de sol ao léu) como possível, isso sim faz com que o cérebro mude. E, convenhamos, um aninho ou dois aqui ou ali também doesn’t hurt.

Agora, chega.

A palavra em sueco do dia é bror, irmão.

Filed under: Elucubrações, Pra frente é que se anda, Saudade, Vidinha — Maria Fabriani @ 10:10

July 14, 2008

Onze meses!



Coisa mais fofa, originally uploaded by Montanha-Russa.

A coisa mais linda do mundo. Onze meses, oito dentes e muita energia.

As palavras em sueco do dia são elva månader, onze meses.

Filed under: Aniversários, Conquistas, De bem com a vida, Max e a maternidade, Vidinha — Maria Fabriani @ 06:45

June 17, 2008

De novela e de estresse

Meu urso virou noveleiro. Ele já estava sob suspeita porque em nossa mais recente viagem ao Rio ele grudava na TV misteriosamente sempre à mesma hora: sete da noite, horário exato da novela das sete (uma engraçada, do Silvio de Abreu, acho). Confrontado com as indisputáveis evidências, ele ainda tentou se defender, dizendo que queria melhorar seu português.

Mas agora não tem jeito. Ele virou noveleiro mesmo. A prova é que um canal nativo começou a mostrar a série “Cidade dos Homens”, com as aventuras de Laranjinha e Acerola. Sem brincadeira, o homem tá aficcionado. E, volta e meia, ele solta uns: “Qualé, meu irmão?” que quase me fazem cair pra trás. Eu faço graça, mas adoro. Afinal, ele é o meu gringo preferido.

Mudando de assunto: descobri uma receita perfeita pra liberar o estresse acumulado na cabeça, nos ombros e na mandíbula, três dos locais em que mais percebo minha tensão acumulando.

Basta parar tudo o que você estiver fazendo, respirar fundo e cantar: “Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”

Garanto que todas as preocupações se evaporam num instante. Essa receitinha é ainda mais eficaz quando cantada com voz grossa e gesticulação adequada.

Agora volto ao trabalho.

“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”“Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro da cara de mau!”

A palavra em sueco do dia é lösning, solução.

Filed under: Cinema e televisão, Pra frente é que se anda, Vidinha — Maria Fabriani @ 07:05

June 14, 2008

Dez meses!




A coisa mais linda!, originally uploaded by Montanha-Russa.

Filed under: Aniversários, Conquistas, De bem com a vida, Max e a maternidade — Maria Fabriani @ 06:38




LINDO!, originally uploaded by Montanha-Russa.

Fomos ao controle dos dez meses só pra constatar o que já sabíamos: está tudo ótimo. Com seus 77 centímetros e 10.240 gramas, Max encantou a enfermeira. Feliz da vida, sentou no colo dela (que nunca tinha visto antes) e até bateu palminha, que é como ele pede para que cantemos pra ele.

Queria agradecer à Marcia Pururuca (não coloco o link porque não sei se você quer) pela gentileza de me mandar vááááários sabonetes Phebo, obrigada, queridoca. Você é mesmo uma pessoa adorável. Näo sei quando poderei retribuir, mas acredite, um dia, o carteiro vai chegar com presentinhos. Obrigada mesmo!

Estou doente desde quarta-feira. Totalmente afônica, tosse, nariz entupido e até febre (só na noite de quarta pra quinta). Um saco.

E o campeonato de futebol europeu começou, na Áustria e na Suíça. Ia escrever um longo post sobre como a Suíça é um país, hum…, complicado de se gostar, mas aí fiquei doente e minhas forças tiveram de ser concentradas em outras coisas, tipo: respirar, lavar as mãos e o rosto trocentas vezes por dia pra não espalhar os micróbios pro resto da família etc.

Mas o time que me impressionou muito até agora foi a Holanda de Van Basten. Gente, que futebol! A minha amiga M. já escreveu sobre isso (não dou o link porque sei que ela não quer), mas eu reforço: que timaço! Destroçaram (humilharam!) e botaram a França de Henry na roda. Resultado: quatro a um pros holandeses. Parece o Brasil com pulmão e inspiração. Ótimo!

Já a Suécia está fazendo o seu rami-rami de sempre. A diferença é que agora parece que o técnico sueco resolveu deixar de ser besta e deixou o Zlatan Ibrahimovic solto, fazendo o que ele faz melhor: improvisando na linha do gol. Os gregos tiveram um gostinho essa semana (ganhamos de dois a zero), hoje é a vez da Espanha. Se bem que, sejamos realistas, os espanhóis estão melhores do que os gregos. Se eles marcarem o Zlatan direitinho, a Suécia morre.

A palavra em sueco do dia é tio månader, dez meses.

Filed under: Aniversários, Conquistas, De bem com a vida, Max e a maternidade — Maria Fabriani @ 06:34

May 31, 2008

Night out

E ontem foi a primeira vez que saí de casa sozinha pra me divertir com amigos desde agosto do ano passado. Depois do futebol (perdemos de sete a dois, já dei todas as cambalhotas necessárias) fui jantar fora com o pessoal do trabalho. Foi tão bacana! O restaurante imita o convés de um navio e fica às margens de um rio que corta Boden ao meio. O dia estava quente, 20 graus, ensolarado, perfeito. Não posso nem começar a descrever minha alegria em ter camaradas de trabalho novamente. Dos chopes no Jobi a um suco de laranja no M/S Bränna em Boden passaram sete anos no mínimo interessantes.

E hoje o dia promete. :)

A palavra em sueco do dia é värme, calor.

Filed under: Conquistas, De bem com a vida, Eu ♥ a Suécia, Trabalho — Maria Fabriani @ 07:50
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