July 1, 2009

“Lar,”

Lar

Preciso dizer? Compre. Vale a pena.

Filed under: Livros — Maria Fabriani @ 05:41

June 26, 2009

Jacko

Gente. E o Michael Jackson, hein? Que coisa. Eu era fã… Quer dizer, era fã na época em que ele ainda fazia boa música, não se envolvia com crianças… e ainda tinha nariz. Que coisa.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 13:24

June 19, 2009

It’s a kind of magic

Estou lendo Obama. Muito bom, muito bom.

Terminei o quarto livro da série Martha Quest, da Doris Lessing. Gostei mais desse do que do terceiro. Porém, não gosto da Martha. O que gosto é quando DL escreve sobre a mãe da Martha, uma dragon-lady fascinante, ou sobre a filha da Martha, que Martha abandonou no livro e DL vida real e sobre a qual não se conta muita coisa. (Deve ser o maior bode da paróquia.)

Em duas semanas entro de férias.

Hoje não trabalhamos por conta do midsommar (literalmente “o meio do verão”), que comemora o solstício de verão por aqui. Vamos fazer churrasco; carne pro urso, salmão pra mim e salsichinhas pro Max.

Vocês conhecem o programa mais maravilhoso do planeta? Se ainda não conhecem, lhes apresento Spotify. Lá pode-se ouvir todas as músicas que você quiser de graça, em streaming. É legal (juridicamente falando), o que é ainda mais legal.

Filed under: De bem com a vida, Livros, Música, Vidinha — Maria Fabriani @ 09:23

June 3, 2009

Ainda sobre medos

Desde que soube sobre o acidente com o avião da Air France comecei a sentir uma série de coisas estranhas. Uma sensação de descompasso, uns medos estranhos, sem fundamento. Meu urso reagiu e perguntou o que é que estava errado.

Não costumo ser bitolada, mas não consegui dizer o que era. Tentei racionalizar e pensei: “Tô com medo de descobrir algum conhecido querido na lista dos mortos”. Mas não era exatamente isso. Achei que era porque foi exatamente o vôo que voei na minha última visita ao Rio. Mas não era isso também não.

Aí li sobre a família sueca que, justamente por conta do periogo de acidentes aéreos, decidiu se dividir: o pai e a filha seguiram antes pra França no vôo anterior. A mãe o o filho morreram.

Imediatamente focalizei tudo: esses tipos de acidentes, trágicos e imprevisíveis, me fazem pensar na minha própria mortalidade, na minha pobre condição humana. E o pior: me faz pensar na mortalidade da minha pequena família.

Esse, em si, é um pensamento difícil demais pra ser expresso em voz alta. É aquela coisa que dá nervoso e angústia só de pensar.

Por isso, paro por aqui.

Filed under: Elucubrações — Maria Fabriani @ 16:00

April 30, 2009

Hohoho


Vídeo inspiração pros que ainda estão em dúvida. :)

E hoje é aniversário do rei Carlos Gustavo da Suécia e também o feriado de valborg, que é quando os suecos dizem alô pra primavera. O costume é se juntar num campo qualquer, fazer uma fogueira enorme (grande mesmo), tacar fogo e ficar olhando queimar. Como todas as festas daqui, essa também envolve bebidas alcoólicas aos cântaros. Mas tirando isso, é um feriado bacana.

Acho legal essa coisa de fazer fogueira, de queimar tudo quanto é velho e abrir espaço pro novo. Imagina poder fazer uma faxininha mental de quando em vez? Seria ótimo. Se não me engano, esse feriado tem um lance de umas bruxas, que seriam mandadas embora, ou coisa que o valha, mas estou sem tempo/saco de procurar a história certa hoje. O legal é que está um tempo lindo, sol, calor (10 graus positivos, meus queridos, é a glória!)

A palavra em sueco do dia é majbrasa, fogueira de maio.

Filed under: De bem com a vida — Maria Fabriani @ 14:33

April 21, 2009

O medo e o medo do medo

Então, essa coisa de ser crítica comigo mesma é muito trabalhoso. Exige muita energia e trabalho pra melhorar uma coisa que, na realidade, já é boa, na sua maioria, ok, e, às vezes, até ótima. Quem me acompanha no meu blog de livros sabe que ando lendo menos ficção atualmente. Estou numa fase de estudos. Tenho a sensação de que preciso aprender a reconhecer que sou uma pessoa-mãe-amiga-mulher legal, por vezes até bem legal.

Li “I trygghetsnarkomanernas land: Sverige och det nationella paniksyndromet” ou “No país dos viciados em segurança: a Suécia e a síndrome nacional do pânico”, do psiquiatra David Eberhard, e aprendi que meu medo é um fato comum, aceito e encorajado socialmente. Li “I huvudet på en mamma” ou “Na cabeça de uma mãe”, da jornalista Hanne Kjöller, e aprendi que meu pânico pelo resultado da equação Max+perigos é um fato comum, aceito e encorajado socialmente.

Aí parei pra pensar (quando finalmente tive tempo, agora, durante meus dias de folga) e reparei como estava amedrontada, com tudo e todos. Cada situação era uma ameaça, um problema a ser resolvido, tragédias a serem evitadas. Minha vida, que é muito feliz, estava ficando limitadíssima, o que é um fato muito impressionante, se levarmos em conta que sempre fui muito pra frentex e pouco medrosa. Cadê a minha ousadia de que tanto me orgulhava?

Ela está aqui no meu peito, perto do meu coração, junto à tudo que descobri sobre mim nesses 37 anos e que guardo com muito amor e cuidado. Mas a Maria Ousada andava sumida, de férias, ausente. Pra resgatá-la, comecei então a me informar. Meu próximo passo depois dos livros acima é saber mais sobre duas teorias desenvolvidas por Donald Winnicott, pediatra e psicanalista britânico (1896-1971). O que me interessa particularmente são: Holding Environment e Good-Enough Mother.

O Holding Environment pode ser descrito como um ambiente tanto físico como psíquico em que o bebê é protegido sem saber que é protegido. Aqui é crucial que a mãe esteja presente quando necessário para poder interpretar as necessidades do filho. E aí entra o conceito da Good-Enough Mother. Além de estar presente e interpretar, essa mãe, que é boa o suficiente, precisa interpretar direito as necessidades do filho e adaptar, então, suas respostas às necessidades da criança.

Tenho uma série de questionamentos à essas teorias, mas principalmente à da mãe-boa-o-suficiente: Uma delas: ela foi criada por um homem burguês rico, branco e europeu, nascido no século 19. Outra: como mãe (quase) quero acreditar que as mães são especiais, quer dizer mais especiais do que os pais. Mas na verdade, não sei se acredito nisso. Aqui em casa foi assim: fiquei em casa até Max completar quatro meses. Quando consegui um emprego, meu urso tirou licença paternidade e ficou com Max até ele completar um ano, quer dizer, muito mais tempo do que eu.

Hoje Max é, acredito, saudavelmente apegado à mim e ao pai, de forma bem igual. Aqui me resguardo: essa sensação pode, claro, ser uma ilusão. Sabe-se lá o que meu filho vai achar disso tudo quando ele virar adolescente. Mas, sinceramente, até o presente momento, sinto um gut feeling que estamos, eu e meu urso, fazendo tudo certinho - ou, mais provavelmente, menos erradinho. Só o tempo dirá. Me pergunte novamente em 2021.

A palavra em sueco do dia é tillräcklig, suficiente.

Filed under: Elucubrações, Livros, Max e a maternidade — Maria Fabriani @ 08:19

April 20, 2009

*Puff*

Há muito tempo queria voltar a escrever, só não sabia sobre o quê. Até que a páscoa chegou, fiquei de folga uns diazinhos e a vontade tomou conta. Comecei e apaguei, recomecei e apaguei novamente. Deixei de lado. Tudo soava tão falso! Por outro lado, sei também que sou uma das pessoas mais críticas que conheco. Tenho dificuldades de liberar qualquer texto porque sempre acho que está horrível.

Mas, sem medo de soar esotérica (mentira, com medo!), acredito que quando nos decidimos por fazer alguma coisa, assim aquela Decisão, com d maiúsculo, então nos abrimos pro mundo e pescamos sinais e eventos que reforçam a decisão em si. Quer dizer, minha vontade de escrever era tanta que me decidi e, por isso, comecei a reparar em várias coisas que me ajudaram a chegar até aqui, sentar e mandar brasa.

Aí, ontem à tarde, Max dormindo sua soneca do meio dia, fui assistir TV. Tava ventando muito, me enrolei nos cobertores da sala (tenho dois; um pras costas e outros pros meus pés, também conhecidos como pedras de gelo) e vi uma entrevista com uma das minhas escritoras favoritas all times, Joyce Carol Oates (JCO). (Gosto tanto dela que queria até fazer uma coisa incrivelmente cafona e batizar a filha que nunca tive com o nome dela.)

Bom, na entrevista, feita à propósito do lançamento sueco da primeira parte dos diários dela entre os anos 1973-1982, JCO comenta sobre o ato de escrever: “Esses jovens que andam de um lado pro outro com música nos ouvidos provavelmente não se tornarão escritores, porque pra escrever é preciso pensar.” E mais: “Quem é feliz não escreve, simplesmente porque não se tem tempo de parar para escrever.”

Isso dito por uma das escritoras mais prolíferas da atualidade, repare bem. (Nota da redação: Logo depois de dizer isso ela olhou pra baixo e contou que o marido com quem ficou casada por mais de 40 anos morreu ano passado.) JCO diz que é muito importante escrever um diário, principalmente pra escritores, e que ela nunca é má com quem quer que seja nos seus diários. E eu acredito nela.

Mas JCO faz tudo parecer tão simples. E eu aprecio simplicidade, veja bem, porém sou incapaz de agir e pensar de forma simples. Sou um Salieri rococó que admira e inveja os Mozarts que conseguem passar pela vida vendo as coisas como elas são, sem desvios, distorsões ou interpretações negativas. E isso se estende a tudinho: do trabalho à maternidade, do amor à criação de textos.

Mas aí entra em cena uma camada de experiência aprendida com meus anos como repórter: tá em dúvida de como escrever um texto? Começa de qualquer jeito, você descobre a maneira certa no caminho. E aqui estamos nós, amigos. Perdi as contas de quantas vezes comecei a escrever esse post e, quando realmente relaxei, os sete parágrafos acima brotaram assim, *puff*.

Tudo bem com vocês? Quem bom. Glad to be back.

A palavra em sueco do dia é återkomst, retorno.

Filed under: De bem com a vida, Elucubrações, Vidinha — Maria Fabriani @ 08:11

November 30, 2008

Primeiro advento e música!

Li, há anos, uma matéria sobre o início da carreira de alguns autores. Esqueci todos, mas a forma como que a escritora inglesa P.D. James começou a escrever me chamou a atenção. Ela começou a escrever depois dos 30, à noite, depois de um dia cheio de trabalho, filhos, casa, marido. Olha, isso é que é energia. Eu mal consigo me arrastar pra cama, quando mais escrever sequer um post meia-boca. Mas também, a diferença básica entre nós duas é que ela é uma escritora. Já eu, já fui blogueira. Hoje, nem isso.

(Estou num fim-de-semana de auto-comiserasão louco. Um porre. Deixa pra lá.)

Feliz primeiro advento a quem acredita e àqueles que não o fazem, uma boa semana. Aliás, uma dica: se passar na sua televisão, não perca: um documentário chamado “El Sistema”, que conta a história de um programa que ensina música clássica às crianças menos favorecidas da Venezuela há três décadas. Um dos frutos internacionalmente conhecidos é o maestro (liiiiiiiiiiiiiindo) Gustavo Dudamel, que atualmente é regente da sinfonia de Gotemburgo, Suécia.

Mais sobre o advento em 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007.

Matéria da BBC sobre o sistema venezuelano, em inglês.

A palavra em sueco do dia é konst, arte.

Filed under: Cinema e televisão, Vidinha — Maria Fabriani @ 21:36

November 10, 2008

Bitch!

Tava andando pelos meus favoritos pra ver se achava alguma coisa interessante pra escrever aqui. Aí, como sempre, fui parar no meu jornal e vi essa pérola: “Bli bitchig och gå ner i vikt” (mais ou menos: “Se torne uma ‘bitch’ e emagreça”). Cuma? Todos os meus sentidos levaram um choque e comecei a ler o artigo imeadiatamente.

Trata-se do método Stahre (ou, em sueco “Stahremetoden”) desenvolvido pela terapeuta sueca Lisbeth Stahre. Ela diz que as mulheres pagam um preço altíssimo pela tradição de dar prioridade às necessidades dos outros em detrimento das suas próprias necessidades. Obesidade é uma conseqüência dessa tradição.

Lisbeth Stahre diz o óbvio: obesidade não tem a ver apenas com comida, mas com estresse, sentimentos negativos e uma imagem negativa de si mesma. O tal do círculo destrutivo que é tão difícil de ser quebrado. O método Stahre inclui coisinhas lógicas e difíceis como aprender a dizer “não” e a reconhecer seus limites.

O programa, também chamado Cognitive Eating Control Therapy, combina métodos pedagógicos com KBT (iniciais em sueco para terapia cognitiva) e mindfulness, um método semelhante à meditação em que os praticantes são estimulados a se concentrarem no presente e desligar as amarguras do passado ou as preocupações com o futuro.

Tem também terapia em grupo, receitas de pratos com baixo teor glicêmico e ensinamentos sobre porções de comida, já que muitas pessoas obesas perdem a noção do que é uma porção normal. Tudo perfeito, mas e a coisa de soltar os bichos e emagracer? Disso o artigo não fala mais. Um pena. É essa a parte que mais me interessou.

Na verdade, tenho horror de ser gorda, não gosto, não quero. Tenho horror das limitações que essa condição me traz. Fico chateada de me sentir fora dos padrões. Mas, ao mesmo tempo, tem uma coisinha aqui dentro de mim que susurra: “Imagina se os padrões estiverem errados?”

Leio, avidamente, a literatura afirmativa que fortalece as “mulheres grandes” (em inglês “big women”, um eufemismo típico americano que não sei se aceito ou rejeito, até porque não sou tão “big” como elas lá nos EUA), e tento tento tento encontrar o meu grupo, where I belong.

E o mais interessante é que nem sei ainda se sou gregária ao ponto de precisar achar um grupo onde pertença. Isso, na verdade, é uma grandíssima utopia. Quase o tempo todo tenho a impressão de ser singular, de uma forma espontânea. Ou, pelo menos, gostaria de ser assim.

Ah, viver. Como é que eu vou saber se estou sendo justa colocando minhas necessidades à frente das dos outros? Vale fazer isso quando se tem uma criança de 15 meses grudada em você (ou você grudada na criança, hehehe). Vou rodar minha saia com quem? Em cima de quem? E quando vou saber que é melhor parar? Quem é que diz: “Vai, Maria, ser bitch na vida!”?

A palavra em sueco do dia é ragata, mulher raivosa (hehehe, adoro)

Filed under: Jornal, Vidinha — Maria Fabriani @ 08:41

October 10, 2008

J.M.G. Le Clèzio

Mais um escritor laureado com o Nobel de literatura do qual tinha apenas ouvido falar mas nunca cheguei a ler. Nem mesmo quando me meti a ler francês no original. Mas dei uma olhada na cobertura do prêmio do meu jornal, e gostei do que li. A cobertura, como acontece na maioria das vezes em que o Nobel vai pra um escritor desconhecido do grande público, fala mais do escritor do que de sua obra.

Lá está que le Clèzio nasceu em Nice de mãe francesa e pai franco-mauriciano (sei lá como se diz, a família tem raízes nas Ilhas Maurícius), que viajou o mundo todo, que morou um tempo com índios na América do Sul (e com os quais descobriu mais uma “dimensão espiritual”, seja lá isso o que for), que tem uma filha nascida nos anos 60 com sua primeira mulher, que é polonesa, e um outro filho com sua segunda mulher, que é marroquina.

Tem também sobre os livros dele. Um dos mais citados é ”O Africano”, um romance com traços autobiográficos. Conta a história, em forma romanceada, do pai de Le Clèzio, que se mandou pra Nigéria quando ele ainda era um menino e lá ficou, durante a segunda guerra mundial. Le Clèzio, durante essa época, vivia na França, com a mãe. Só reviu o pai aos oito anos de idade. Está lá que Le Clèzio é muito influenciado pelo Camus, e aí eu já gostei.

Mesmo assim. Ainda teria preferido ver uma mulher recebendo a medalha do rei Carlos Gustavo. E, claro, de preferência, uma mulher sulamericana.

Olha, que bonito…
“L’Africain”, pour Clézio, J. M. G. le
“J’ai longtemps rêvé que ma mère était noire. Je m’étais inventé une histoire, un passé, pour fuir la réalité à mon retour d’Afrique, dans ce pays, dans cette ville où je ne connaissais personne, où j’étais devenu un étranger. Puis j’ai découvert, lorsque mon père, à l’âge de la retraite, est revenu vivre avec nous en France, que c’était lui l’Africain. Cela a été difficile à admettre. Il m’a fallu retourner en arrière, recommencer, essayer de comprendre. En souvenir de cela, j’ai écrit ce petit livre.”

A palavra em sueco do dia é längtan, saudade (mais ou menos).

Filed under: Eu ♥ a Suécia, Livros — Maria Fabriani @ 13:49

September 20, 2008

Viva!

Max andou.

O verbo em sueco do dia é att gå, ir, andar.

Filed under: Conquistas, De bem com a vida, Max e a maternidade — Maria Fabriani @ 18:27

September 6, 2008

Can you sing the alphabet?

Aaaaaaaaaahhhhhhh…

Filed under: De bem com a vida — Maria Fabriani @ 05:33

August 27, 2008

Pré-escola e feminismo

Primeiro dia em que deixei Max na escolinha e vim pra casa. Ele vai almoçar e tirar a soneca do meio-dia lá. Voltei pra casa e encontrei o apartamento vazio, silencioso. Fui botar roupa pra lavar, louça na máquina, fervi as mamadeiras e as (muitas) chupetas, fiz a cama, fui tomar banho (e usei o sabonete de Max) e aqui estou, meio sem saber o que fazer.

Não posso deixar de dizer que estou feliz da vida. Finalmente posso ler, olhar a chuva, fazer nada. Tenho certeza que Max está numa boa lá, com os amiguinhos dele, com as professoras e com os brinquedinhos da escola. As professoras, Inger, Siv e Margit, são ótimas. Elas têm, cada uma, 30 anos de experiência com o trabalho com crianças e já participaram da adaptação de centenas de pequenos.

Aí, como mãe, eu me sinto feliz por saber que meu filhinho está em boas mãos. E penso também em Alva Myrdal, uma diplomata nativa, socialdemocrata, que foi fundamental para o desenvolvimento das escolinhas públicas suecas, capazes de tomar conta de crianças pequenininhas até os cinco anos de idade, para que os pais - mas principalmente as mães - possam trabalhar.

Alva escreveu com o marido, Gunnar, o livro “Kris i befolkningsfrågan”, publicado em 1934, e que foi um dos mais polêmicos livros de sua época. O título traduzido é “Crise na questão da população”. O principal argumento do casal Myrdal é que a responsabilidade pela criação e educação das crianças suecas deveria ser dividida pelos pais e pelo estado, que empregaria pedagogos profissionais para a tarefa.

No ano seguinte Alva publicou um outro livro, “Stadsbarn” (“Criança da cidade”) onde apresentou idéias de que as escolinhas suecas deveriam funcionar segundo moderna psicologia infantil. Alva Myrdal teve três filhos, foi ministra no governo sueco de 1966 a 1973 e recebeu o prêmio Nobel da paz em 1982 (dividido com o mexicano Alfonso García Robles).

Uma mulher interessantérrima. Ainda mais porque um dos filhos dela, Jan, cortou relações com a família, culpou o pai de ser um déspota e a mãe de ser fraca. Vi há um tempo um documentário em que se mostrava a obcessão do marido, Gunnar, por Alva, que a teria impedido de dedicar mais tempo aos filhos. As imagens de Alma são conflitantes e, por isso mesmo, interessantes.

Para alguns Alva era uma engenheira social que defendia a higiene da raça (lembrem-se que estamos na Europa da décade de 30) e a esterilização em massa. Outros acham que ela era uma pedagoga que colocou as crianças no centro pela primeira vez. Alguns acreditam que ela era a mãe que deixou seus filhos com outros pra fazer sua carreira, enquanto alguns acreditam que ela era uma feminista que abriu caminho para as mulheres combinarem família e trabalho.

Não é a toa que depois da minha querida Doris Lessing o próximo livro a ser lido é “Det tänkande hjärtat : boken om Alva Myrdal” (“O coração pensante: o livro sobre Alva Myrdal”).

A palavra em sueco do dia é förskola, pré-escola.

August 14, 2008

Um ano!

Demorei pra publicar o post do primeiro ano porque as festividades me impediram. Teve festa na quinta (eu estava de folga), com a família, e ontem, sábado, com os amigos. Muitos presentes, muitos sorrisos, muitos beijos. Max está quase andando sozinho, como podem ver na foto acima. O carrinho ainda é uma ajuda indispensável, mas ele já está quase perdendo a paciência com a lentidão das rodinhas.

E agora é se preparar para o que vem amanhã, segunda. Pois é, amanhã eu e Max vamos pra escolinha, começar a fazer a adaptação dele. Tirei duas semanas de férias pra poder estar presente durante todo o tempo necessário. Não posso dizer que a adaptação é apenas pra Max. Eu é que preciso me adaptar a confiar o meu filho a outra pessoa que nunca vi na vida. Já disse à ela (chama-se Inger), que estou com angústia.

Ela riu. Não um riso de ironia, mas um riso de reconhecimento. E eu gostei dela.

As palavras em sueco do dia são ett år, um ano.

Filed under: Aniversários, Conquistas, De bem com a vida, Max e a maternidade — Maria Fabriani @ 07:19

August 12, 2008

Pra frentex

Teve uma moça que me escreveu perguntando se na Suécia existiam adoções. Desculpe, esqueci teu nome, mas aqui vai um textinho sobre o assunto. Em se tratando de crianças nascidas aqui, as adoções são raríssimas. As mais freqüentes no entanto são aquelas realizadas por um padrasto ou madrasta, que adota o(a) filho(a) de seu(sua) companheiro(a).

Na lei de serviço social, segundo a qual trabalho, não tem sequer um capítulo sobre adoção. Há sim, alguns parágrafos em que se trata apenas de adoções internacionais. Essas sim são muito comuns por aqui. Os países mais visitados por casais suecos para adoção são China, Índia e Coréia do Sul, mas há também contatos com orfanatos na América Latina e na África.

A lei do serviço social prevê a intervenção do estado quando uma criança é maltratada pelos pais biológicos de alguma forma, ou caso os pais tenham problemas de vícios de drogas ou álcool. A regra é essa: o serviço social identifica o problema e, durante o tempo de avaliação, coloca a criança temporariamente numa casa de família (fostercare, em inglês).

Em outros países do mundo desenvolvido, tipo EUA, essas crianças são mais facilmente adotadas pelos pais postiços. Aqui na Suécia, no entanto, isso é mais difícil já que a intenção é sempre a de reunir a criança com seus pais biológicos. Há uma crença forte na recuperação de quem tem problemas com vícios. Todo o trabalho social é voltado exatamente para recuperação de quem tem problemas.

O fato de quase não existirem adoções de bebês suecos deve-se também a outros fatores. Principalmente ao fato da Suécia ser um país tão desenvolvido no sentido da educação sexual e informação contraceptiva. As crianças têm aula de “samlevnad”, quer dizer, coexistência, desde pequenos no colégio. Lá eles aprendem o que é pílula anticonceptional, como se usa camisinha e coisas desse tipo.

O acesso a “pílula do dia seguinte”, por exemplo, é facilitado ao extremo. Quem quer que seja pode ir a uma farmácia e comprar um pacote direto na prateleira. Quer tomar pílula anticoncepcional? Ótimo, vai ao ambulatório perto da sua casa e pede pro médico que ele não faz perguntas e manda a receita eletronicamente pra farmácia.

Além disso, o direito ao aborto é garantido por lei desde 1974. Toda e qualquer mulher sueca pode ir a um ambulatório é pedir para fazer um aborto até a 18 semana de gestação. Ajuda médica e psicológica são oferecidas na hora. Uma estatística do órgão de saúde pública sueco (Socialstyrelsen) mostra que durante o ano de 2007 foram feitos 37 205 abortos na Suécia.

O que eu acho disso? Eu acho que deveria ser mais fácil a adoção interna de crianças em fostercare. Muitas vezes os pais das crianças têm problemas que dificilmente encontram solução e aí resta à criança ficar em perpétuo limbo, no meio de duas famílias, sem poder se apegar a nenhuma das duas. Sobre as facilidades médicas pra prevenção (incluindo aborto), eu acho tudo Ó-T-I-M-O.

A palavra em sueco do dia é rätt, certo.

Filed under: Eu ♥ a Suécia, Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 14:52

August 5, 2008

Viking

No domingo fomos visitar a Hängan, um museu ao ar livre que estava tendo um fim-de-semana viking. Museu ao ar livre é sinônimo de conjunto de casas antiquérrimas, com valor histórico, trazidas de vários lugares da região para completar a exposição. Tinha tendas vikings, show com espadas e vestimentas de época, jóias liiiiindas, o maior barato. Além de ver as construções, experimentamos arco e flexa (sou ótima!), vimos bichos, cavalos, coelhos, galinhas e os nossos favoritos, os porcos. Bacanérrimo.

A palavra em sueco do dia é tidsmaskin, máquina do tempo.

Filed under: De bem com a vida, Eu ♥ a Suécia, Europa & Escandinávia, Vidinha — Maria Fabriani @ 05:59

August 4, 2008

Atividades

Sempre achei um fenômeno aquelas famílias que participam de mil e uma atividades nos finais de semana, mesmo depois dos pais terem trabalhado a semana toda, nine to five ou mais. Eu, a namorada=>juntada=>casada que nunca pensou em ter filhos (de verdade), me jogava no sofá e imaginava que coisa chata ter que fazer alguma coisa quando tudo o que se quer na vida é dormir. Mas aí a maré mudou e acabei mãe de um rebento acessícimo e, mais, achando o maior barato ir fazer coisas legais nos meus dias de folga. Quem diria.

Então, agitamos nesse final de semana. No sábado fomos ver o navio Ostindiefararen Götheborg, que é uma beleza sem tamanho. É uma réplica do navio original, que afundou perto da Suécia em 12 de setembro de 1745, depois de sua terceira viagem à China. Esqueci a câmera em casa e, depois de ficar danada da vida comigo mesma durante uns dois minutos, resolvi o problema tirando fotos com o celular do meu urso. Todas ficaram assim assim. Mas o navio é esse aí da foto oficial, ao lado. O navio fez uma viagem até a China, além de outras tantas, foi batizado pelo rei Carlos Gustavo e tals. Lindo, não?

Comprei um chaveirinho com um nó náutico bonitinho pra presentear meu urso. Ele ficou todo contente, só faltava fazer planos de comprar um barco e sair navegando pelos sete mares. (Sozinho, porque eu quero mais é terra firme e banheiro com bidê, obrigada.) O problema é que o diabo do chaveirinho é banhado em alcatrão (tar, en inglês), aquela coisa que os marinheiros usavam nas cordas dos navios. O treco empesteou o apartamento todo. Meu urso acha o máximo, coisa de sueco que associa alcatrão a verões passados al mare.

A palavra em sueco do dia é gammal, velho, antigo.

Filed under: De bem com a vida, Eu ♥ a Suécia, Europa & Escandinávia, Vidinha — Maria Fabriani @ 07:00

August 1, 2008

”Silêncio, old man!”

Contei que vi ”Juno” em DVD? Pois é, há muito tempo não ficava tão ligada num filme como fiquei nesse. Gostei principalmente dos diálogos. Vi que o roteiro foi escrito por Diablo Cody (ela tem um nome de batismo, mas que é convencional demais pra ela) me lembrei que já tinha ouvido falar dela. Achei que era ela que foi casada com o Marilyn Manson, mas estava errada.

Vi na pequena biografia escrita por uma fã no IMDB, que ela nasceu em Chicago em 1978 e que exerceu durante um tempo a profissão de stripper. Continuei lendo, pra saber se tinha alguma coisa na bio dela que explicasse tal fato e acabei achando: ela estudou num colégio (high school) católico (eu tenho uma tese de que as mentes mais brilhantes da comédia fazem parte das grandes religiões organizadas, catolicismo, judaismo, islamismo).

Aí li mais um pouco e achei que ela escreveu um livro! Chama-se Candy Girl: A Year in the Life of an Unlikely Stripper, lançado em 2005. E mais: ela tem um blog! E ainda mais: ela começou a carreira bem sucedidérrima como screenwriter escrevendo no blog! Bacanérrima a matéria da Wired sobre isso.

Veja só você. O que eu acho disso? Acho ótimo. Ainda não viu “Juno”? Vai lá ver, vai. Vale a pena.

(P.S.: Geralmente tenho horror de gente que escreve dando ordens a quem lê, tipo a frase que escrevi aí em cima. O que acontece comigo é que meu nervo rebelde recebe um golpe fortíssimo e eu faço questão de não fazer o que a pessoa que escreveu quer que eu faça. Por isso nunca dou ordens aqui, apesar disso aqui ser o meu pedaço no ciberespaço. Mas, dessa vez, vale a pena.)

A palavra em sueco do dia é knasig, maluquéti.

Filed under: Cinema e televisão, De bem com a vida, Vidinha — Maria Fabriani @ 07:06

July 30, 2008

Very superstitious

O mundo inteiro já deve saber, mas eu acabei de descobrir: o gosto estético de uma pessoa depende muito do seu background cultural. Outro dia fomos visitar uma parte da família sueca. A casa, lindíssima, é bem decoradérrima, com sofás pretos, quadros e esculturas cuidadosamente escolhidas (uns legais outros menos) e, bem ao estilo escandinavo, linhas retas e sem firulas.

A decoração fica completa com pequenos detalhes coloridos, o que contribui para acentuar as linhas elegantes da sala, da cozinha (aqui, cozinha é coisa séria. Me lembrem de escrever sobre as cozinhas suecas, por favor), da casa toda. Mas aí tem a questão das velas, objetos comuns na decoração das casas daqui. As velas escolhidas eram pretas. E daquelas grandes, o que qualquer brasileiro de meia-tigela identifica como aquelas “de despacho”.

Eu não sou uma pessoa ligada a religião, vocês sabem, mas respeito quem é, etc e tal. Mas a coisa cultural é um buraco que está mais embaixo do que eu esperava. Nunca, em minhas 37 primaveras, sequer considerei a compra de uma vela preta com a intenção de decoração (nem como nenhuma outra intenção, mind you). Ver a velona lá, no meio da mesa, toda decorada com pequenas pedrinhas rolicinhas, imitando um ar marinho, me deu um susto.

Também não compro velas vermelhas (a não ser que seja natal). Me considero uma compradora de velas conservadora: gosto das beges, amarelas e das verdes, eventualmente das azuis. Mas isso depende muito se a vela é cheirosa ou não. Volta e meia invisto numa vela carérrima sueca, da marca Sia, que é ótima. O cheiro da de baunilha é levíssimo, quase imperceptível, mas ainda assim deixa um perfume delicioso no ambiente.

Aquelas velas cor-de-rosa com perfume de flores me deixam enjoada. Pra mim tem que ser delicado, senão não dá. A vela preta da casa dos familiares suecos não era cheirosa (imagino qual o cheiro que se colocaria numa vela preta?) e nem foi acesa, porque até de noite tínhamos luz do sol. Explicamos o por quê de nossa reticência com as velas pretas para os gentis porém atônitos anfitriões. Seria interessante saber o que eles pensaram disso.

A palavra em sueco do dia é vidskeplig, supersticioso(a).

Filed under: Elucubrações, Europa & Escandinávia, Vidinha — Maria Fabriani @ 06:43

July 29, 2008

O boicote

É muito engraçado: quando recomeço a escrever aqui, parece que abrem-se as porteiras da minha cachola e várias idéias pululam, tentando chamar minha atenção, tipo assim, “me escreva! me escreva!”. O problema é que na sua maioria essas idéias são apenas pequenas pedrinhas de pensamento, coisas que ando matutando há tempos mas não sei como desenvolver. Mas, como estou atualmente me jogando de cabeça nisso aqui, lá vai.

Gosto de esporte - principalmente daquele praticado pelos outros e ao qual possa assistir aconchegada no meu sofá - mas essa coisa da olimpíada chinesa me tira do sério. Há semanas meu jornal escreve uma série de reportagens sobre as mudanças que os chineses estão tendo que enfrentar pelo “bem maior”, a coisa do desenvolvimento etc e tal. E é um tal de famílias sendo forçadas a deixar suas casas habitadas a decênios, gente sofrendo, criança chorando, famílias separadas pela mão inclemente do partido.

Sem falar nos jornalistas aprisionados por criticarem o regime, aquela coisa feita de homens para homens. Isso, aliás, me provoca deveras: repare bem nas imagens das reuniões dos parlamentos de China, Rússia, Irã etc. Só tem homem. Isso é um dos maiores absurdos da face da terra. Aí você vai ver quem são os agraciados dos prêmios humanitários europeus, só dá mulher iraniana, paquistani, vietnamesa. Não há então como negar que vontade de mudar existe, só que as mulheres desses países têm uma dificuldade imensa de penetrar o establishment político e econômico local.

Mas, voltando à vaca fria: vou boicotar as olimpíadas. Não, vocês não me veríam mesmo desfilando sob a bandeira brasileira no estádio estranhão de Pequim, mas meu sofá vai ter uma chance de recuperação durante as duas semanas dos jogos. Meu boicote será facilitado pelo fato de eu trabalhar muito e de passar o resto do meus momentos livres com Max, além do horário ingrato dedicado às competições por conta do fuso horário. Porém: boicote ou não, torcerei intensivamente e à distância pelo vôlei brasileiro.

A palavra em sueco do dia é bojkott, boicote.

Filed under: Cinema e televisão, De bem com a vida, Vidinha — Maria Fabriani @ 06:39
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