July 22, 2010

Quizumba

Menina, que seca. Comecei a escrever uns três ou quatro posts que não viram a luz do dia por conta de não estarem assim tão bons quanto eu gostaria que estivessem. Diabo de exigência pessoal.

Rápido, antes que a chatice tome conta: o aniversário foi ótimo. Aniversários são, por definição, sempre ótimos (well, os meus são). Obrigada a quem lembrou e deixou mensagem aqui ou no facebook. Trinte e nove primaveras and counting. É estranho estar quase quarentona.

Finalmente estou de férias, mas ninguém diria. Acordo cedo, arrumo a casa freneticamente (gosto dessa palavra, fre-ne-ti-ca-men-te, porém detesto arrumar a casa - ainda bem que o urso é escandinavo e me ajuda); tudo esta meio assim, corrido. Acho que é porque espero visita ilustre.

Comprei flores e plantei em vasos que foram devidamente distribuídos pela casa toda e pelo jardim. Tomara que elas durem até a visita chegar; depois podem seguir o caminho de sempre e partir dessa pruma melhor.

Estou lendo “De fattiga i Lodz”, de Steve Sem-Sandberg. É uma crônica da vida no gueto de Lodz, Polônia. Não é uma leitura leve, de verão. Ontem fui dormir meio arrepiada com a progressão da violência alemã contra os judeus poloneses durante a segunda grande guerra. Mas é interessante.

E agora eu vou tomar café.

A palavra em sueco do dia é semester, férias.

Filed under: Aniversários,Vidinha — Maria Fabriani @ 05:33

July 9, 2010

Vi e lembrei…

… do Rio.

A palavra em sueco do dia é varmvatten, água quente.

Filed under: Saudade — Maria Fabriani @ 15:48

Apaguei tudo

Acabei de apagar por engano vários comentários de amigos que estavam na fila dos spams. Sorry. Se você que é amigo e que comentou aqui não pode ver seu comentário por favor me escreva. Obrigadinho.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 15:43

July 2, 2010

Perdemos!

Acho ainda incrível que uma seleção de atletas bem treinadíssimos, profissionais, pode perder as estribeiras assim, de uma hora pra outra, porque o time da Holanda fez um gol. No segundo tempo os 11 (e depois os 10) jogadores pareciam pequenos meninos, chateados, xingando e batendo uns nos outros porque estavam frustrados, cansados, com sono ou com fome. Sinceramente! Pra mim futebol é o que a Holanda fez: saiu de baixo, foi criando oportunidades e acabou faturando dois gols acontecidos no meio da idiotia brasileira.

Tentei fazer a minha parte daqui do outro lado do mundo. Tanto meu urso como Max estavam com a camisa da seleção. Max quis fazer pipi numa hora lá (estamos trabalhando para que ele fique livre das fraldas). Quando o vesti novamente fechei o short e a camisa ficou por dentro. A camisa estava por fora quando o Brasil fez gol. Fiquei meio enlouquecida, quis tirar a camisa de dentro; Max achou aquilo muito engraçado e saiu correndo, se enroscando de rir. E eu atrás, desesperada pra tirar a camisa de dentro do short. Tirei… e imediatamente a Holanda fez dois a um.

Mas, na verdade, assistir à copa é sempre uma coisa difícil. Tenho a impressão que fica ainda mais complicado estando aqui. Todo mundo sabe que eu gosto de futebol. Faço brincadeiras no Facebook com meus conhecidos, sou deveras atrevida quando descrevo as qualidades brasileiras no campo. Mas às vezes vem a perda, e aí tenho que aturar a ironia nativa. Ainda não descobri em mim a possibilidade de levar na brincadeira esse tipo de escárnio. Talvez toque num ponto fraco, o chamado soft spot, sei lá.

Mas a verdade é que o futebol é uma das únicas coisas em que somos fantásticos, que nos destacamos. É como se eu tivesse uma necessidade de localizar naqueles 11 jogadores um amor, uma saudade do meu país que é difícil de explicar. Muitas vezes me vejo justificando pros nativos minha saudade do Brasil e sempre dizendo “apesar das desigualdades, sinto muita falta do Rio”. É engraçado mais meio trágico que preciso disso pra me permitir “vestir a camisa”. Mostra, na verdade, uma ambiguidade entre a Maria de antes e a Maria de agora.

Aí vem a copa, quando posso me soltar e quando é liberado, por um mês, a amar a pátria-amada-salve-salve. Aí vem um jogo como esse, com um total melt down, e eu me pergunto se devo arranjar um outro esporte pra torcer pelo Brasil.

Como estamos na liga mundial de vôlei?

A palavra em sueco do dia é förlust, perda.

Filed under: Copa 2010,Elucubrações — Maria Fabriani @ 22:04

June 29, 2010

Ganhamos!

Ganhamos, caro leitor, ganhamos! Meu coração quase saiu pela boca durante o jogo inteiro porque essa coisa de mata-mata não é comigo. Mas fiquei feliz e impressionada com Luís Fabiano e companhia. Achei o jogo bom, o Brasil criando oportunidades do nada. Gostei mesmo. Mas será que dá contra a Holanda? A imprensa nativa diz que o Brasil é favorito. Será que é essa coisa toda?

A palavra em sueco do dia é ödesmatch, jogo decisivo (obrigada, Paula!).

Filed under: Copa 2010,De bem com a vida — Maria Fabriani @ 06:22

June 25, 2010

A copa dos vira-latas

Fiquei impressionada com o Japão que vi eliminar a Dinamarca ontem na copa. Bem organizados sem ser chatos, com gols bonitos, jogadores talentosos… Perigoso! Quem diria? Os dinamarqueses, coitados, estavam meio alquebrados, sem vitalidade, acho que surpresos com a competência japonesa.

Como diz minha amiga Ana-Paula, essa é a copa dos vira-latas. Eslovênia elimina a atual campeã Itália, os franceses, no meio de um caos generalizado, chegam último em seu grupo. Outros europeus, como a Inglaterra, e a Espanha (a favorita de muitos), também não estão lá essas coisas.

Já no que diz respeito ao Brasil, minha opinião é que não deveremos ganhar, mas que vamos chegar perto. Até encontrarmos uma outra equipe sul-americana que vai nos botar na roda e nos fazer chorar. Gosto o Maicon, do Luis Fabiano, do Lucio (claro) e do goleiro, cujo nome me escapa… Júlio?

Mas, sei lá. O Brasil dá uma impressão de estar meio frágil. Se enfrenta uma equipe com jogo de defesa competente, fica sem saber o que fazer. É por isso que nós temos que ganhar hoje contra Portugal. Isso porque se perdermos vamos para a chave da Argentina e aí, não tem pra ninguém. Acho que a Argentina ganha na raça.

A Argentina, acho, vai até a final. Não porque são super organizados, mas puramente pelo talento individual do time. E por causa da tal da raça, claro. Estou feliz pelo sucesso das equipes sul-americanas e espero sinceramente que um de nós ganhe tudo, Chile? Uruguai?

(Mas se Argentina perder eu não vou ficar triste.)

E hoje é o midsommar sueco (foto), com muita festa. Vamos pra casa de amigos ver o jogo e festejar no meio dos mosquitos nativos poderosos (meu urso comprou um gadget elétrico que espanta os mosquitos no ar livre - melhor prova de amor não tem). Escrevi sobre o midsommar aqui.

A palavra em sueco do dia é skadeglädje, alegria maliciosa (quando se fica feliz quando um outro time perde ou é eliminado)

Filed under: Copa 2010,De bem com a vida,Eu ♥ a Suécia,Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 07:32

June 21, 2010

Fisioterapia

Fazendo hora pra ir ao fisioterapeuta. Há dois anos e dez meses tenho dores constantes das costas. A primeira vez que senti foi quando me levantei da cama do hospital, no dia 15 de agosto de 2007, depois de ter Max. O corpo parecia/parece que não estava/está entendendo que a barrigona tinha sumido de um dia pro outro. Vamos ver se vai ajudar.

A palavra em sueco do dia é sjukgymnastik, fisioterapia.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 07:31

June 18, 2010

Saramago

José Saramago morreu. Que pena! E eu ainda não li um livro sequer dele! Alguma dica?

A palavra em sueco do dia é döden, a morte.

Filed under: Livros — Maria Fabriani @ 17:54

June 17, 2010

O casamento

Essa semana a princesa coroada Victória se casa com o noivo, Daniel. O país está mobilizado com isso. Acho até que os jogos da copa que acontecerão no sábado não serão transmitidos. Os dois canais que dividem os direitos de transmissão da copa dedicarão todo o dia ao casamento, com a preparação, o cortejo, a cerimônia, o jantar e a festa.

A última notícia do casamento é que a princesa Victória não terá damas de honra. Isso pra evitar problemas com aquelas que não teriam sido convidadas. Crianças acompanharão a princesa até o altar. Mas a questão mais discutida aqui foi o desejo da princesa de ser levada ao altar pelo pai, o rei Carlos Gustavo.

Isso, que é coisa comum no Brasil, é controverso aqui porque na igreja sueca trabalha-se com o princípio da igualdade entre os sexos. As mulheres não precisam que o pai as entregue na mão do marido, que cuidará delas etc. Bispos da igreja sueca pediram que a tradição sueca não mude, mas Victória insistiu e será entregue pelo pai ao marido.

Particularmente acho o casamento bacana, gosto da Victória, espero que ela seja rainha um dia e que tenha muitos bebês, três, quatro, cinco, todos lindinhos. Mas essa coisa do casamento e de tudo o que acontece em torno (venda de muitos souvenirs) está me cansando um pouco. Não queria que ela fosse entregue ao noivo pelo pai. Acho simbolicamente errado.

Se bem que se algum dia resolver me casar na igreja e meu pai estivesse presente, provavelmente não insistiria em entrar sozinha na igreja. Também andei comprando souvenirs… Queria muito comprar a caneca de café do casamento. É linda de morrer, um tom de branco-creme, linda. Mas vou esperar pela liquidação depois do casamento. Hohoho.

De fato, estou dividida. só espero que o Brasil não jogue no sábado.

A palavra em sueco do dia é bröllop, casamento.

Filed under: De bem com a vida,Eu ♥ a Suécia,Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 04:59

June 2, 2010

Os apáticos

Acabei de ler um livro sensacional. O nome é “De apatiska” (mais ou menos “Os apáticos”) e o autor é Gellert Tamas (foto). Ele é jornalista e responsável pelo meu livro favorito no que diz respeito à história recente sueca: “Lasermannen”, sobre o qual escrevi aqui. Escrevi na resenha do “Lasermannen” que o mais fantástico é que o autor “/…/ entrelaça à história do [protagonista] com uma verdadeira revisão da situação político-econômica da Suécia /…/”.

Nesse “De apatiska” Gellert Tamas faz mais ou menos o mesmo. Ele conta, dia após dia, os acontecimentos sociais e políticos de três anos da história sueca, de 2004 a 2006. Durante esses anos perto de 200 crianças - na Suécia com suas famílias que haviam pedido asilo - de repente começaram a mostrar sinais de depressão profunda, que no final as levava a desistir de todo o contato humano. Elas foram então chamadas de “apáticas”. Essas crianças, de 8, 9 ou 10 anos de idade, se deitavam, fechavam os olhos, deixavam de falar, de comer, não podiam mais controlar os movimentos intestinais. Era como se tivessem desistido de viver.

O governo social-democrata, incrivelmente, desconfiou desde o início que as crianças estavam simulando ou então que os pais as estavam forçando a simular o estado para ter mais chances de conseguir um visto de permanência. A desconfiança nasceu dos rumores que diziam que as crianças estavam fingindo a doença, que os pais as estavam drogando ou forçando a se fingir doentes. Baseado nesses rumores, o governo empregou uma psiquiatra para investigar se o fenômeno acontecia só na Suécia e se era manipulação. O pior é que essa psiquiatra, junto com uma chefe da agência de imigração sueca, Migrationsverket, eram as responsáveis por ter espalhado esses rumores. Incrível! O relatório inteiro foi tendencioso e desonesto; a pesquisa, que deveria ter sido feita sem premissas pré-estabelecidas, já nasceu baseada na crença da manipulação.

Uma vergonha nacional. Enquanto isso, dezenas de crianças, todas muito doentes, foram extraditadas junto com suas famílias para um futuro incerto em um país de onde haviam fugido. Muitas, dependentes de sondas para se alimentar, foram deixadas com suas famílias nos aeroportos de seus países, sem ter pra onde ir e sem qualquer tipo de ajuda médica. Uma coisa essas crianças tinham em comum: experiências atrozes de violência contra membros da família ou contra elas mesmas. Junte a isso o lentíssimo processo de apuração sueco de um pedido de asilo (a agência de imigração sueca, Migrationsverket, podia levar anos pra dar uma resposta se uma família poderia ficar aqui ou não) e uma frequência de vistos emitidos de menos de 5%, e o resultado é previsível.

Muitos acreditam que foi, em parte, por conta da linha absurdamente dura do governo social-democrata em relação ás crianças estrangeiras que eles perderam o poder em 2006, quando o partido de direita Moderaterna ganhou as eleições. A conclusão de uma investigação autônoma mostrou que as crianças não podiam simular tal estado de apatia e que não eram os pais que os forçavam a ficar apáticos. Muito pelo contrário: era o sistema sueco de asilo que fazia com que essas crianças não aguentassem mais a pressão e, amedrontadas pela possibilidade quase certa de serem mandadas embora do país que aprenderam a gostar e chamar de seu, desistiam de viver.

Espetacular. Vale a pena ler (se você sabe ler sueco). Li o livro, de mais de 600 páginas, sentindo uma dor no peito, uma coisa estranha, uma irritação frequente. Meu urso disse que também sentiu o mesmo, mas ele disse ainda que ficou com vergonha do próprio país. Uma colega de trabalho me disse a mesma coisa. Me lembrei de como estava irritada com a Suécia nessa época, justamente de 2004 a 2006, de como estava danada da vida (o que se refletiu nos meus textos de então aqui no blog). Me lembro da minha coleção de artigos de jornais sobre integração e de como eu os juntava pra poder entender o que é que estava acontecendo. Agora eu compreendi. Gellert Tamas organizou tudo e me mostrou que minha irritação não era maluquice.

A palavra em sueco do dia é orättvisa, injustiça.

Filed under: Europa & Escandinávia,Livros,Notícias do primeiro mundo — Maria Fabriani @ 07:23
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