March 7, 2010

Aniversário

E o Montanha-Russa completou mais um aninho de vida no dia 28 de fevereiro. Foi a Maria Alice quem lembrou (Obrigada!) porque até eu tinha esquecido. Oito anos, aos trancos e barrancos, mas ainda assim, oito anos.

A palavra em sueco do dia é åtta, oito.

Filed under: Aniversários — Maria Fabriani @ 17:09

March 5, 2010

Um dia, em casa

Um dia, em casa. Silêncio. Ouco apenas a neve deslizando do teto da casa (um bom sinal); meus passos no chão; a madeira reclamando; o banho; a secadoura de roupas; o relógio da cozinha; o som do micro. Um pouco de rádio.

Que acordei às cinco da manhã com uma dor de cabeca lancinante ninguém diria. Estou ótima. O silêncio me faz bem. Fico espantada como senti falta da solitude de um dia passado em silêncio, sozinha, em casa.

Depois de decidir o que fazer de almoco, desligo o rádio, com o qual tenho uma relacão de amor e ódio. Gosto de música mas não gosto de barulho contínuo. Só quando me encontro em situacões onde não se pode pensar em nada mais elaborado, no carro por exemplo, é que o rádio é indispensável.

Tudo é absoluto prazer. Arrumo pequenas coisas; esquento um pedaco de omelete com brócolis, bebo água com uma rodela de limão espanhol, amarelo. A refeicão tem que levar pelo menos 15 minutos - tempo suficiente pro corpo dizer pro cérebro de que comida foi ingerida e já já é hora de se mandar sinais de satisfacão.

Hoje é sexta-feira. Estive resfriada a semana inteira. Fui trabalhar na terca e na quinta. Fiquei exausta porque estava difícil de respirar. Hoje resolvi ficar em casa para me recuperar de verdade. Liguei pro trabalho; falei com a chefe, que entendeu. E disse pra eu dar uma andada, “porque o dia está lindo”.

De fato, está. Sol, apenas três graus abaixo de zero. Eu pretendo sair, claro, quero andar. Mas… Nada no mundo é melhor do que a felicidade e o luxo de fazer o que você mais quer na hora em que você deseja.

E hoje, nesse momento, o que quero é deixar o silêncio me abracar, me deitar com o livro da Janet Frame e não me sentir tão estranha; aceitar que há quem goste - prefira! - a solitude à outros estados de socializacão. E que isso é OK.

Tomo café na minha xícara azul-cobalto, finlandesa, com uma coruja e um pavão e várias árvores coloridas. Linda. Estou tão feliz que fico assustada… e com vergonha.

A palavra em sueco do dia é tystnad, silêncio.

Filed under: Conquistas, De bem com a vida, Elucubrações — Maria Fabriani @ 12:44

February 6, 2010

Neve, neve, neve

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E um pouco mais de neve. Fui ali na cozinha e vi neve. Tentei fazer um copo de neve, mas quando vi a cafeteira tinha virado neve. Na TV só passa um monte de neve e no trabalho tá tudo como sempre, tudo uma grande neve. Neve, neve, neve, never.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 11:35

February 2, 2010

Eu quero!

“Why This World. A Biography of Clarice Lispector”, de Benjamin Moser. Fiquei sabendo do livro no sábado passado, por meio de um artigo no meu jornal.

No mais, está um frio do cão.

Filed under: De bem com a vida, Jornal, Livros — Maria Fabriani @ 06:32

January 28, 2010

J.D. Salinger


J.D. Salinger
1919 - 2010

O escritor americano J.D. Salinger morreu na quarta passada em sua casa em New Hampshire, Estados Unidos, informou a editora de Salinger, Phyllis Westberg. Foi Salinger que escreveu “O apanhador no campo de centeio”, um dos meus livros favoritos, senão o favorito.

Tudo começou com o “Feliz Ano Novo” de Marcelo Rubens Paiva. Li quando tinha uns 12, 13 anos e de vi no meio do texto o nome do livro de Salinger. Me lembro ainda que achei o título um tanto quanto estranho e não muito atraente. Mas comprei mesmo assim porque meu ídolo naquele momento era Marcelo Rubens Paiva. Tudo o que ele leu eu tinha que ler.

Aliás, vi também a peça “Feliz Ano Velho” com o Marcos Frota (versão anos 80, olhos azuis enooormes, uma coisa de boniteza) no papel principal com uma amiga de colégio. Depois vimos o ator ir comer na padaria da esquina e o seguimos. Minha amiga pediu um autógrafo e ele deu, muito simpático apesar de cansado. Eu fiquei paralizada ao lado, muda (Maria in a nutshell).

Bem. O protagonista, Holden Caufield, fala o livro todo sobre solidão, estar perdido, não ser bom o suficiente, ser rebelde, amar, não ser amado em retorno, revoltar-se, querer morrer, sorrir, se enternecer com o amor de um irmão mais novo. Em resumo, a minha vida. Li o “Apanhador” aos 13 anos pela primeira vez e não vi nada ali. Depois, quando as coisas começaram a ficar mais difícieis, lá pela puberdade, li novamente e parece que as coisas entraram no eixo. Foi como se eu entendesse uma língua estrangeira, o “Salingerismo”.

Além do Apanhador o Salinger publicou alguns contos. Li também muito nova, me lembro de quase nada. A New Yorker fez uma página em que os contos do Salinger, publicados na revista, podem ser lidos de graça! Aqui. (Dica da Cora)

Recomendo muito pra quem ainda não teve o prazer.

A palavra em sueco do dia é författare, escritor (a).

Filed under: Livros — Maria Fabriani @ 14:30

January 16, 2010

O Haiti é aqui

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Foto de Gerald Herbert/AP

A imagem é de Redjeson Hausteen Claude, menino de dois anos de idade, que, depois de ter ficado soterrado por dois dias nas ruínas de sua casa em Port-au-Prince, é saldo e vê a mãe. Tudo está no olhar dele. Alívio, alívio, alívio.
O Haiti é aqui mesmo… dentro do meu peito.

A palavra em sueco do dia é räddad, salvo(a).

Filed under: Elucubrações, Jornal, Variedades — Maria Fabriani @ 09:26

January 6, 2010

Está frio…

Assim, muito frio… Hoje é feriado, o equivalente do dia de reis. Acabamos de voltar de uma pequena viagem e estávamos os três meio geladinhos no carro. Brrr.

PS.: Bacana saber que ainda tem gente que continua lendo o Montanha. O diálogo abaixo é mais uma autocrítica, na verdade. Obrigada a todos vocês que se manifestaram.

A palavra em sueco do dia é kalt, frio.

Filed under: Europa & Escandinávia, Vidinha — Maria Fabriani @ 19:58

January 3, 2010

Jim Hahn's "Stormy Night at Sea"
Esse quadro chama-se “Stormy Night at Sea” e foi pintado por Jim Hahn

— Cê continua lendo o Montanha-Russa?
— Não, parei.
— Por quê?
— Ah, ela ficou tão chata depois do filho. Só fala dele e de como ela é sensível, essas coisas chatas.
— É, é verdade.
— Ela costumava escrever sobre uns lances bacanas, polêmicos e tals. Agora, nada.
— Chato, né?
— É. Ela diz que tudo o que ela escreve soa falso. Ela até usa uma palavra em inglês pra definir.
— Qual a palavra?
— “Corny”… Ela acha que tudo o que ela escreve é “corny”…
— O que que isso quer dizer?
— Ah, tipo cafona, chato e cansativo, mas com pretensão de ser original, entende?
— Ahã. Pena, né?
— É.

A palavra em sueco do dia é avbrott, interrupção.

Filed under: Irritação e ironia, Vidinha — Maria Fabriani @ 06:53

January 1, 2010

Hipersensitiva

Eu não acredito em coincidências. Quer dizer, até acredito, mas gostaria muito de não acreditar. De ser assim, racional. Mas, enfim. Às vezes certas coisas acontecem e você não pode deixar de pensar se isso de coincidência realmente existe (o que te leva a pensar na razão da coincidência ter acontecido…). Bom, estava lendo uma revista num dos poucos momentos de paz e solitude que tenho – no banhairo aqui de casa. Aí li a crônica de uma escritora sueca muito jovem, chamada Martina Lowden, que contava que ela é hiepersensitiva, e explicava que sentia tudo ao máximo, que se emocionava ao ver poesia em anúncios de pasta de dente, em vitrines e em manchetes dos jornais. Sentada na farmácia, foi ler uma revista de emagrecimento e se emocionou com o título da reportagem “Ganhei um novo coração”.

Me identifiquei totalmente com o que ela escreveu. O impacto que as palavras têm às vezes é intenso, abre portas que você não sabia que estavam ali, e você começa a descobrir sentido no meio das palavras, ali no espaço em branco, no cimento da construção das frases e meio que enlouquece. Seria ótimo se essa sensação fosse apenas positiva e se limitasse à criação literária, aos momentos em que um insight dá meio que um sopro no seu ouvido e voçê suspira, “Ahh”. Mas a coisa é assim: quem é hipersensitivo é hipersensitivo até quando não quer, quando é uma inconveniência sentir demais, interpretar demais, pensar demais. Aí você se magoa com quem é direto e honesto, aquelas pessoas que se gabam de serem verdadeiras e corajosas por dizerem “apenas a verdade”. Sabe aquelas que insistem em continuar falando enquanto você se recolhe toda, tal e qual um caramujo, visivelmente chocada com a crueldade humana? Pois é.

Aí anteontem à noite fui começar um livro novo. Tinha três escolhas: o manual de Joyce Carol Oates para escritores jovens, os diários de Silvia Plath e A Descoberta do Mundo, de Clarice Lispector. Todos intensíssimos. Escolhi Clarice, que ganhei do meu pai de natal. Vi que era um volume com as crônicas dela, escritas no Jornal do Brasil de 1967 até 1973. Fiquei radiante. De alguma forma a possibilidade de ler Clarice em corpo reduzido, em crônicas curtas, me pareceu mais apropriada. Isso porque, na verdade, fico emocionadíssima ao ler Clarice em português, de forma que agüento apenas algumas páginas por dia. (E por falar em hypersensibilidade… Quando a leio em português, é como se ela estivesse do meu lado na cama, sussurando as palavras no meu ouvido. Fica meio sobrenatural, compreende? Essa coisa de língua materna é profunda, chega pelo cérebro mas vai mais fundo do que qualquer outra coisa.)

Abri o livro aleatoreamente e dei de cara com a crônica chamada “Lembrança de filho pequeno”. Clarice descreve seu filho tomando um sorvete, o rostinho concentrado, a boca e a língua trabalhando na bola do gelado, o menino que não liga que a mãe o observe num momento tão íntimo. O barato disso é que finalmente posso me identificar com a Clarice. Não com a escritora, mas com a mãe que ela foi. A única diferença é que não escrevi tão lindamente o sentimento que dividimos. Isso porque eu também sinto a mesma coisa quando às vezes olho pro meu filho e reparo, realmente reparo nele, como ele olha, como ele fala, como ele franze o cenho, como ele fala com as mãos, como ele explica as coisas mais complicadas com a chupeta na boca, como ele ri e como ele chora. A sensação é de estar se afogando deliciosamente num líquido grosso e saboroso, que me enche até a borda. Fico ali, toda hipersensitiva, com um amor completo no peito, respirando. Virei anfíbia e não sabia.

A palavra em sueco do dia é hyperkänslig, hipersensitiva.

Filed under: De bem com a vida, Elucubrações, Livros — Maria Fabriani @ 11:54

December 31, 2009

Filed under: De bem com a vida, Pra frente é que se anda — Maria Fabriani @ 06:48

December 27, 2009

À la Twitter

ntem e hoje acordei depois das sete da manhã… Uma coisa. Não me lembro mais há quanto tempo não fazia isso.

Está uns 15 graus abaixo de zero, neva muito. Acredite se quiser, uma temperatura aguentável. Nos últimos dias estava menos 22.

Na escolinha de Max é menos 15 o limite de frio aceito para que as crianças possam brincar do lado de fora. Brrrrrr.

Vou lá ver o que é porque Max está reclamando de alguma coisa.

À noite: E todos os avanços descritos acima se foram por água abaixo. Max cansado, pai cansado, mãe cansada. Resultado? Todos dormiram depois do almoço e só acordamos às três da tarde.

E agora, seja o que deus quiser amanhã de manhã… com sorte, Max dorme até às seis da manhã. :(

Veremos.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 09:22

December 24, 2009

Filed under: De bem com a vida — Maria Fabriani @ 06:09

December 21, 2009

Here comes the sun!

Pois é… Amanhã já começamos a ganhar minutinhos de luz todos os dias. Lá pra fevereiro os dias já são bem mais perto do que chamamos de “normais”.

E, pra comemorar, queria pedir ajuda. Sim. A coisa é essa: tenho pouquíssimos livros em português pra ler pro Max. Todos os livros que ganhamos já foram lidos, relidos, trelidos e ele quer coisas mais avançadas, com história, personagens (eu faço todas as vozes) etc. Podem me dar dicas de livros bacanas em português pra eu encomendar? Tem que ter figuras bonitas e coloridas, pode ter texto longo que ele gosta (e eu também).

Agradecida pelas dicas.

A palavra em sueco do dia é hjälp, ajuda.

Filed under: De bem com a vida, Livros, Max e a maternidade — Maria Fabriani @ 21:12

December 20, 2009

Quarto advento e luz!

amanhã é o último dia da escuridão! Amanhã é o dia mais curto do ano, o tal do solstício sobre o qual escrevo todos os anos. Na terça-feira começamos a ganhar minutinhos de luz todos os dias. Pra vocês, torrando no sol inclemente do Brasil (especialmente no Rio, que não tem brisa), pode parecer uma provocação. Mas a verdade é essa: é um saaaaaaco essa escuridão (o sol nasce às 10 da manhã e se põe às 14 13 horas), esse frio, essa neve. Ok? Falei. No mais, o natal está chegando e eu, pela primeira vez em anos, estou achando ótimo. Quase não consigo aguentar a ansiedade e esperar o dia 24 pra dar os presentes que comprei pra Max. :)

Viva a luz!

A palavra em sueco do dia é, claro, ljus, luz.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 08:39

December 13, 2009

Terceiro advento e Lucia

oje então é o terceiro advento e também o dia em que os nativos comemoram o dia de Santa Lucia, no Brasil chamada de Santa Luzia (acho, porque é a protege os olhos, a luz etc). Aqui fazem uma festa danada, com corais no país inteiro, meninas e meninos vestidos de branco, com velas acesas, cantando em corais nas igrejas e nos colégios.

E essa coisa de Lucia é importante aqui. só pra ter uma idéia, um exemplo: até no trabalho teve comemoracão de Lucia. Lá tem eu e mais seis colegas. Acima de nós tem a nossa chefe, a chefe da nossa chefe, e a chefe da chefe da nossa chefe. Essa última, desfilou para nós, nos corredores do trabalho, com roupa branca e coroa de velas acesas na cabeça. Uma cooooooooisa.

Eu adoro Lucia. Adoro essa coisa ritualística, a mulher que traz a luz, a coisa das velas acesas, tudo isso. Fui até assistir quando o coral do ginásio local cantou as músicas tradicionais de Lucia. E, claro, chorei. Não chorei muito, mas fiquei emocionada. Minha chefe (a primeira da lista lá de cima, não a que desfilou) disse que ela não chora mais porque tem quatro filhos e já se acostumou com a emoção anual.

A coisa é assim que todas as crianças desfilam em Lucia. Max já debutou, ano passado, e eu chorei muito. Esse ano ele não participou, mas ano que vem é a vez da turma dele. Eu prometo que nunca me acostumarei.

A palavra em sueco do dia é känsla, emoção.

Filed under: De bem com a vida, Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 15:12

December 6, 2009

Segundo advento

Filed under: De bem com a vida, Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 07:53

December 4, 2009

Passou!

carlos_rosto_peqconteceu uma coisa mágica: meu irmão passou no vestibular pra PUC! Não, não que fosse impossível, vejam bem, porque ele é um rapaz inteligentérrimo, sempre com notas altíssimas e tals. Mas é que tem uma coisa especial em passar no vestibular. É como se você pudesse, finalmente, respirar aliviado.

Minha experiência foi assim: depois de um fracasso justamente na PUC, passei e fiquei tão aliviada que chorei muito e jurei que nunca mais, nunca mais, nunca mais, precisaria estudar matemática na vida. Ai, que sensação maravilhosa, que conquista!

(Depois de muuuuitos anos, de mudar de país, hemisfério e quase DNA, me vi forçada a fazer mais uma faculdade em que estatística fazia parte do currículo. E eu tive que estudar, mesmo desgostosa. Matemática já é um perrengue em português, imagina em sueco! Não é pra qualquer um não!)

Mas, voltando ao que interessa: sucesso total do meu irmãozinho. Dezoito anos de idade, um gênio da raça, compreendem? Nossa, queria estar no Rio dos apagões e do calor infernal pra dar um beijo no meu irmão, que é lindo e inteligente. Que orgulho!

Parabéns, Carlos!

A foto ao lado é dele pequenininho, em Búzios. Adoro essa foto. Tão sério, com boné todo colorido. :)

A palavra em sueco do dia é stolt, orgulhosa.

Filed under: Conquistas, De bem com a vida, Rio de Janeiro, Brasil, Saudade — Maria Fabriani @ 22:45

November 29, 2009

Primeiro advento

Filed under: Europa & Escandinávia, Vidinha — Maria Fabriani @ 12:23

November 27, 2009

A menina sem dedo verde

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Como podem constatar na foto acima, tirada há minutos atrás, voltamos ao outono de verdade. De fato, nesses meus oito anos de Suécia, nunca vi um novembro tão “quente”. Já teve um ano em que só nevou em dezembro, só que não me lembro qual - o que, aliás, é estranho, porque me lembro da minha alegria em poder andar na rua sem levar tombos semanais, mas me esqueço do ano.

Pois é, está tudo verde novamente. Os nativos que entendem das coisas dizem que isso não é bom no que diz respeito às plantas. Agora está na hora de descansar, das plantas irem dormir, cobertas por uma camada de neve, pra só acordarem na primavera, prontinhas pras muitas horas de sol daqui do topo do mundo.

Com esse tempo frio-quente-frio-quente, o que se forma por cima das plantas e no solo é gelo, o que é fatal. Os lapões têm horror desse tempo assim. As renas deles comem vegetação da tundra, que elas cavam com a boca na neve fofinha. Se tiver gelo, muitos são os animais que não conseguem cavar no gelo e simplesmente morrem de fome.

No entanto: o fato de estar verde do lado de fora, não indica que esteja verde do lado de dentro. Aqui em casa, a única planta que sobreviveu aos meus “cuidados” foi um cactus. E como sobreviveu! Um dia resolvi botar vitamina de plantas nele e haja vaso! Parecia um bodybuilder dependente de anabolizantes. Cresceu tanto que matou o outro cactus que dividia o vasinho com ele. Todas as outras plantas, que herdei de familiares, morreram.

O pior é que tenho big shoes to fill. Minha mãe tem não apenas um dedo verde, mas todos os dez. Ela faz sabe o que? Bomsai, meus amigos, bomsai. Sem exageros, não existe uma planta que minha mãe não consiga fazer crescer, feliz e bonita, onde quer que seja.

Se bem que na tundra ela nunca tentou.

A expressão em sueco do dia é gröna fingrar, dedos verdes.

Filed under: De bem com a vida, Europa & Escandinávia, Vidinha — Maria Fabriani @ 12:09

November 10, 2009

Outono 2009

IMG_1674 (Small)

Não faço nada além de acordar, trabalhar, olhar pro meu filho, olhar pro meu marido, dormir, pensar na família distribuída pelo Rio, no Rio, no calor, nas meias de lã que achei e que são maravilhosas porque não pinicam e na neve, que chegou pra ficar. Leio, mas sem muito prazer, infelizmente. Penso também como estou feliz, que toda essa loucura que eu me fiz passar, realmente valeu muito a pena.

Não sei quando recomeçarei a escrever com mais regularidade. Mas todas as vezes que escrevo aqui, vejo que os textos vêm com um certo distanciamento, não com a energia de antes. Ao mesmo tempo, sempre que escrevo e leio o que acabei de escrever, detecto uma certa melancolia no texto. O engraçado é que não tenho a menor idéia de onde a melancolia vem. Não é consciente.

Max doentinho, febrinha, tossindo. Eu ainda às voltas com minhas neuroses com a tal da gripe suína. Até a semana passada a Suécia não vacinava crianças mais novas do que três anos. Agora, tudo mudou. Crianças de seis meses a 15 anos de idade são consideradas grupo de risco e, por isso, ganharão prioridade. Eu já me vacinei faz algumas semanas, por conta do meu trabalho. Dor no braço, nada demais.

A foto é do meu jardim no domingo passado, às 10 da manhã. E, sim, ainda estamos no outono. Pelo menos oficialmente.

A palavra em sueco do dia é vacker, bonito(a).

Filed under: Elucubrações, Eu ♥ a Suécia, Max e a maternidade, Vidinha — Maria Fabriani @ 20:01
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